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Conheça os benefícios da meditação vipassana

A prática ajuda a desenvolver a consciência e a atenção plena por meio da auto-observação

suc / Pixabay / CC0 Creative Commons

Olhar o mundo pelo lado de dentro, chegar à raiz dos padrões mentais negativos e entender os motivos que nos fazem gerar sofrimento. Essa é a finalidade da meditação vipassana, técnica ensinada por Sidarta Gautama, o Buda, há mais de 2.500 anos e que foi preservada como um remédio para males universais. O vipassana busca analisar os condicionamentos mentais mais arraigados por meio da auto-observação para desenvolver a consciência e a atenção. Esse é o primeiro passo para que o ser humano tenha uma vida mais feliz e liberada.

Como existem muitas técnicas de meditação, o processo de observação interior depende de como cada pessoa se dispõe a entender como eles funcionam. Em síntese, a meditação vipassana tem a particularidade de purificar a mente em níveis muito profundos e mostrar uma saída para o sofrimento. Em um momento com tantas contradições, guerras e desconexão social, é muito importante que cada um se transforme interiormente para viver uma vida melhor.

A técnica de vipassana ensinada pelo mestre birmano-indiano Satya Narayan Goenka, na tradição de Sayagyi U Ba Khin, começou a ser amplamente difundida no fim da década de 1960. Hoje há centenas de centros de meditação espalhados mundialmente. O programa de meditação consiste em cursos básicos de 10 dias. Os estudantes ficam em completo silêncio por nove dias e aprendem a técnica gradativamente pela observação da respiração natural (anapana) para acalmar e concentrar a mente. Em seguida, passam para a compreensão das sensações por todo o corpo (vipassana) para erradicar as impurezas em um nível mental mais profundo.

Progressivamente os estudantes da meditação vipassana começam a ter uma experiência corporal direta da relação entre mente e corpo, o que os ajuda a ter maior equilíbrio diante de situações agradáveis ou desagradáveis conforme a lei da mudança (anicca, em páli). Durante o curso, todos devem seguir cinco preceitos para tranquilizar a mente: abster-se de matar, não roubar, não ter atividade sexual, não dizer mentiras ou fazer uso de intoxicantes.

Monge meditando

A equanimidade – nem apego e nem aversão – é um dos grandes exercícios propostos durante o curso. Este é o principal parâmetro para constatar se a técnica realmente está trazendo benefícios. E como tudo na vida, é preciso continuidade. O retiro de 10 dias é uma forma de aprender a técnica em um ambiente isolado e protegido pelas boas vibrações do dhamma, a lei universal da natureza e da verdade de acordo com o budismo. Contudo, é apenas com a prática que cada um pode perceber como a técnica ajuda a acalmar a mente e deixá-la mais conectada ao presente.

Nas palestras gravadas para os retiros pelo professor Goenka, é sempre ressaltado que a meditação vipassana é uma técnica que ensina a arte de viver uma vida saudável para si mesmo e para os outros, pois, ao desenvolvermos a paz em nossa mente, compartilhamos os bons frutos com todos a nossa volta. No Brasil, há um centro de meditação em Miguel Pereira, Rio de Janeiro, que funciona há pouco mais de 10 anos. Os cursos têm grande procura e os retiros são oferecidos sem nenhum custo, pois o local é mantido por doações de antigos alunos. 

Ao ingressar na prática da meditação vipassana, é importante que o aluno tenha a experiência direta e aceite sem nenhum sectarismo o que ocorre em seu corpo no momento presente. Apesar de ter como base os ensinamentos de Buda, a meditação vipassana não possui viés de conversão religiosa. Qualquer pessoa que necessite desenvolver a paz interior, independentemente da religião, crença ou cultura, pode ingressar nos cursos. A técnica tem ajudado muitas pessoas a viverem de forma mais amorosa e equilibrada pela transformação e purificação de padrões mentais negativos.

Foto: Japanexperterna.se / Flickr / CC BY-SA 2.0