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Habitar interiores

Uma casa não é apenas um espaço de moradia, mas um local de vivências emocionais

Free-Photos / Pixabay / CC0 Creative Commons

Minha primeira vez escrevendo neste portal. Muitas ideias na cabeça e um espaço composto de um papel em branco e uma caneta (sim, uma caneta, porque minhas melhores ideias ainda são organizadas à moda antiga, como cartas que escrevo para eu mesma).

Minha proposta é falar de um tema que me persegue e me encanta há muitos anos: o “habitar Interiores”. Psicóloga de formação, me vejo como arquiteta dos espaços internos que vão sendo construídos nas relações e vejo a transformação que esses espaços alimentam nos ambientes externos, conforme as mudanças vão ocorrendo.

A casa, como já dizia Hundertwasser1, é uma de nossas peles. É o reflexo de quem somos e de como as relações se encontram. “Diga-me onde tu moras e te direi quem você é!”

Lar, doce lar 

As pessoas sabem dentro de si mesmas quando a casa assume a posição de um lar. E o que descreve um lar? Para cada pessoa há uma palavra: a sensação de acolhimento, do cheiro de comida caseira, os espaços de intimidade, onde eu posso tirar os sapatos e me sentir à vontade, tirar as máscaras e papéis sociais para simplesmente Ser.

Irei comentar aqui sobre essa relação do nosso corpo como uma morada e da nossa casa como um lar, como um espelho que reflete exatamente o quanto estamos próximos ou distantes de nós mesmos.

Nada melhor para falar deste tema do que o momento no qual me encontro. Acabo de mudar de endereço e há um mês meu exercício de construção do novo começou.

A cada caixa que esvazio percebo uma possibilidade de recriar, de olhar as coisas de um modo diverso, de poder me desapegar do velho a adquirir coisas novas. E assim está minha vida: tudo se move, o sentido das coisas está mudando e estou sendo convidada a olhar para todas as minhas questões de um outro modo.

Apegos e desapegos

Trouxe praticamente tudo, a única coisa que restou de valioso foi o jardim. Ah, como eu queria ter trazido meu jardim! A Pitangueira que dava muitos frutos todos os anos, os lírios da paz, minha babosa dos sucos verdes da manhã... Desapegue! Está na hora de reconstruir esse jardim.

Numa casa, o jardim simboliza o lugar do cultivo, do cuidado, da semeadura. É o que revelamos para fora do nosso mundo interior.

Meu novo jardim está sendo revelado neste projeto de escrever. Quero poder plantar através das minhas palavras a vontade e o interesse em vocês de relacionarem-se bem, de maneira saudável, com o ambiente em que vivem.

Decoração, design de interiores, feng shui, vastu sastra, todos estes serão assuntos de pesquisa que desenvolveremos para ampliar nossa percepção do lar e para nos conhecermos melhor, mas o melhor instrumento de percepção que utilizaremos serão nossos atributos intuitivos, nossas necessidades da alma.

Falaremos de cada parte da casa: cozinha, quarto, banheiro e do que elas representam, aprenderemos a reconhecer nossos momentos de vida na escolha dos móveis, das cores, das formas, descobriremos o que não queremos enxergar em nós mesmos através dos cantos esquecidos de nossas casas, olhando para dentro e para fora como uma realidade única.

Convido vocês a olhar com outros olhos para suas casas e se perguntar:

O que minha casa revela de mim? O que ela não expressa da minha personalidade?

O que mais me incomoda em casa?

Qual é a sensação que eu gostaria de ter no meu lar?

Aproveitem essas perguntas para começar esta comunicação e, aos poucos, ir construindo novos espaços de habitar.

Sintam-se bem-vindos neste espaço!

Foto: liz west / Flickr: Muffet / CC BY 2.0; Pexels / Pixabay / CC0 Creative Commons

Referências

1. HUNDERTWASSER, F. The five skins. Disponível em: <http://www.hundertwasser.com/skin>. Acesso em: 22 fev 2014.