Namu é

Conheça mais sobre o NAMU

Saiba mais sobre

A meditação como fonte de saúde

Um dos principais benefícios dessa prática é a diminuição da liberação de cortisol - o hormônio do estresse - na corrente sanguínea

hija del caos / Flickr / CC BY-ND 2.0

No contexto da contracultura da segunda metade do século XX, quando houve protestos generalizados contra o imperialismo dos Estados Unidos, uma série de elementos orientais foi incorporada na sociedade moderna, visando mostrar um novo estilo de vida, menos consumista que o proposto pelos norte-americanos.

Isso, aliado à Nova Era - movimento espiritual que contestou uma série de valores tidos como “tradicionais” em nossa sociedade - possibilitando, por meio da globalização, a importação de cosmologias e valores orientais. Permitiu também um “renascimento” das práticas tradicionais no Ocidente, abrindo as portas para o estudo e o desenvolvimento das terapias naturais pelos cientistas da saúde. Assim, elementos de doutrinas budistas e hinduístas vieram até nós e a prática da meditação passou a ser mais presente na vida dos ocidentais.

Da espiritualidade ao corpo físico

Embora em um primeiro momento a meditação tenha sido abordada como uma prática meramente religiosa ou filosófica, nos últimos 20 anos houve um crescente aumento na produção de artigos por médicos e outros profissionais da área da saúde para compreender os efeitos na saúde. Entre os anos de 1995 e 2005 observou-se um aumento de mil por cento no número de artigos publicados na PubMed, que tratam sobre o assunto. Embora, uma grande parte dos mecanismos ainda seja desconhecida, uma série de vantagens já está sendo associada pelos cientistas.

Hormônio do estresse

Um dos principais benefícios da meditação se dá pela diminuição da liberação de cortisol na corrente sanguínea. Conhecido também como o hormônio do estresse, a principal função do cortisol é nos deixar em estado de alerta, preparados para fugir ou atacar frente a uma situação perigosa.

De acordo com uma pesquisa da Universidade de Montreal1, o problema é que se o estímulo estressor for forte demais, continuamos secretando cortisol por vários minutos - mesmo após a situação ter passado. Porém, com a prática contínua da meditação, aliada não apenas à alteração da atividade eletro encefálica, mas também à mudança no ritmo respiratório, podemos interromper o ciclo desse hormônio, estimulando a produção de endorfina e serotonina, que provocam sensação de bem-estar duradoura, influenciando positivamente o nosso humor.

Segundo Khare e Nigam2, a meditação melhora a atenção e concentração. Ao contrário do que o senso comum geralmente diz, a meditação não esvazia a mente de seu praticante. Conforme observado em eletroencefalogramas, a atividade cerebral aumenta significativamente durante a meditação, indicando que o cérebro fica mais alerta durante o processo meditativo – o que é observado pelo aumento das ondas alfas e gama (relacionadas à concentração) e pela diminuição das ondas teta (relacionadas ao sono). O mais surpreendente é que essas mesmas ondas continuam presentes mesmo após a atividade meditativa, tal qual ressaltado por Khalfa et al.1, mantendo o indivíduo focado em suas atividades posteriores.

Benefícios da meditação

Na correria da vida moderna, adquirir esses benefícios não é tão difícil quanto pode parecer. Uma série de atividades oferecidas hoje nos centros urbanos como pilates, yoga, tai chi e artes marciais trabalha tanto o foco e a respiração, quanto elementos de meditação.

Conforme observado pelas pesquisas, os efeitos benéficos de tais atividades sobre a saúde podem ser observados já após a primeira sessão e tendem a se tornar duradouros conforme a prática.

Scrying

Um exercício simples que qualquer um pode fazer em casa é o scrying. Ele consiste na observação de um objeto, na tentativa de se concentrar, o máximo possível, em seus detalhes, buscando inspiração. A forma clássica de fazer o scrying é observando um espelho ou outro fundo reflexivo, como a superfície da água, mas também pode ser feito com pedras, chama de uma vela ou a fumaça de um incenso.

Em um ambiente calmo, respire profundamente algumas vezes, centrando-se e se concentrando. Conforme silencia os ruídos mentais, observe profundamente o objeto. Se for a chama de uma vela ou a fumaça de um incenso, observe a forma, os detalhes da cera ou do pavio queimando, os movimentos que a fumaça ou o fogo fazem, as alterações no brilho ou na intensidade que o ar serpenteia. E verifique o que isso te lembra. Tente se sentir como o próprio fogo ou o próprio ar, concentrando-se cada vez mais. Você pode fazer isso até que a vela ou o incenso se apaguem. Em média, uma vela pequena comum ou um incenso levam, cerca de, 20 a 30 minutos para queimar completamente. Velas maiores, contudo, podem levar algumas horas.

Repetindo esse exercício semanalmente, anote seus progressos, pensamentos e verifique como você fica ao longo da semana. Você notará que, conforme a prática, conseguirá um grau maior de conexão consigo mesmo.

No início pode ser difícil silenciar a mente do turbilhão de preocupações do dia a dia para se focar nos exercícios. Mas com boa vontade e perseverança, facilmente, você pode chegar lá também. 

Referências

1. Khalfa, Stéphanie; et al. Effects of relaxing music on salivary cortisol level after psychological stress. The Neurosciences and Music (Anais), 999, nov. 2003, Estados Unidos. New York Academy of Sciences, 2005, pp. 374-376.

2. Khare, K. C.; Nigam, S. K. A study of electroencephalogram in meditators. Indian J. Physiol. Pharmacol. v. 44, n. 2, abr. 2000, pp. 173-178.