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Meditação não é o que você pensa

Praticar o desapego e a valorização do momento presente são os segredos para quem deseja obter equilíbrio

suc / Pixabay / CC0 Creative Commons

“Aquilo que você pensa sobre meditação não é meditação. Aquilo que você experimenta na prática é seu respectivo fluxo. Entregue-se a ele.” Foi com essa frase, em uma sessão de perguntas e respostas no final de uma palestra, que eu procurei aproximar uma pessoa cheia de dúvidas a uma resposta que saísse de uma mera ideia.

Não sei o quanto tal atitude ajudou essa pessoa porque quando se busca uma definição a respeito de algo, nem sempre há abertura para acolher o novo. As definições o colocam em um quadrado onde é possível pensar que algo que estiver fora desse espaço não é meditação e por isso não é verdade.

Os sábios indianos do Upanishad, coleção de textos sagrados hindus, ilustram com a beleza de suas inspirações:

“O fogo queima em meditação, a terra está em meditação e o vento sopra em meditação.”

Em uma analogia, as pelas pegadas deixadas no chão por pessoas que se perderam em uma densa floresta mostram que elas deram centenas de voltas e não saíram do lugar. Por já ter prestado atenção às minhas inúmeras questões internas e às questões externas de outras pessoas, cheguei à conclusão que o causador desse caminho sem saída é a resistência interna.

Mas como posso tirar alguém desse lugar da resistência interna? Faço isso desmistificando e simplificando os acessos à meditação e persuadindo o indivíduo a abandonar alguns conceitos e aventurar-se na prática regular.

Em meus eventos, as sessões de perguntas e respostas são um caminho para criar essa oportunidade a todos, onde até mesmo eu me permito estar nesse fluxo para responder a partir de um lugar verdadeiro, que é um espaço não idealizado. Ele não surge de uma ideia minha, mas de uma conexão com quem pergunta, com o local e o momento.

Houve ocasião na qual uma pessoa no final de uma dessas sessões pediu-me que definisse o que é a meditação. Respondi que não faria tal “crueldade” com a pessoa que perguntou nem com os outros da plateia. Quando se define algo, perde-se a liberdade de incluir as inúmeras experiências de vida como meditação, pois ela se encerra na própria definição. Meditação não é matemática, não é uma ciência exata. Ela é imensurável e por isso há uma resistência para entregar-se à toda a sua vastidão.

O nascer do sol não é claro nem escuro, mas sim um movimento de luz, um fluxo e sua definição é sua própria beleza, sua face inesperada que surge no céu sempre diferente. As definições sobre o que é meditação podem ser tanto úteis quanto perigosas em virtude de seu caráter restritivo. Tendemos a exigir métodos, regras e soluções rápidas para incluir tudo em modelos, mas, ao meditar, há uma sutileza que deve ser mantida com leveza.

É importante estar aqui e não ali. O relógio tem de parar. As lembranças devem ser varridas pelo movimento de vai e vem da respiração, que carecem permanecer dentro da sua atenção. É como uma bolha dentro de uma bolha flutuando em conjunto.

Certa vez fui questionado por uma jornalista, que me entrevistava em cadeia nacional e com uma ansiedade, se não haveria outras formas de meditação. Respondi que sim e uma delas é escutar atentamente cada pessoa sem o seu filtro mental, com totalidade e presença a partir de um vazio interno. Essa é uma meditação poderosa que pode ser feita em qualquer conversa e a qualquer momento.

Houve um grande silencio após a resposta e como a entrevista era feita por telefone, pensei que a ligação havia caído. Aguardei firme e quieto e então a voz da repórter surgiu dizendo: “Você me pegou e me trouxe para o agora, porque eu não mais te ouvindo. Eu só pensava na próxima pergunta a fazer”. Percebi que houve um movimento natural de meditação e uma conexão entre nós.

O fato em si não era uma ideia, mas uma experiência que foi vivida por mim, a entrevistadora e milhares de ouvintes pelo Brasil. Veio de uma resposta simples e criou um acesso direto.

Não seja como o indivíduo que contrata um guia para caminhar na floresta e de tão preocupado em segui-lo se esquece do encanto de desfrutar da caminhada, das belezas das árvores, dos pássaros, dos perfumes e da brisa da floresta. Aproveite suas percepções interiores e medite!

Foto:  Dingzeyu Li / Unsplash / CC0