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Yoga, meditação e o mundo moderno

Prática pode auxiliar no autoconhecimento e aumentar nossa compreensão do tempo presente

Anlevy / Pixabay / CC0 Creative Commons

A yoga é um estilo de vida fundamentado em preceitos idealizados há mais de cinco mil anos na atual região da Índia com a finalidade de religar, no sentido mais literal da palavra, o ser humano com o campo espiritual.

As práticas yogues percorreram um longo caminho até chegar ao tapete em que praticamos. É muito interessante notar que exercícios e estudos tão antigos ainda tenham relevância atualmente, a ponto de atrair milhões de pessoas no ocidente às academias e estúdios perto de suas casas.

Esse fato talvez não surpreenda tanto considerarmos que a yoga não foi criada para uma comunidade e um período específico. Ela foi idealizada para todos, em qualquer hora ou lugar, pois trata de questões humanas fundamentais. Suas práticas, portanto, facilmente transcendem a barreira do tempo. A meditação, um dos melhores exemplos dessa longevidade, faz-se necessária hoje mais do que nunca.

À sua volta

Repare como é o mundo moderno: rápido, frenético, um lugar em que a globalização tornou possível saber o que acontece, por exemplo, na China, em tempo real. Para muitos de nós, isso não é só possível como necessário, já que hoje muitas atividades exigem essa agilidade e conectividade.

Há algum problema nisso? Nenhum, em princípio. Os sentidos, nossas portas de comunicação com o mundo, existem para isso mesmo. Segundo o Tattva Bodha, texto do mestre Shankara do séc. 9, o corpo físico e os sentidos são “o balcão através do qual as interações entre a pessoa e o mundo são realizadas”. As palavras evocam a imagem de uma loja, em que você está de um lado, o corpo e os sentidos no meio e o mundo na parte de fora. Parece ótimo, mas essa estrutura tem um preço que, muitas vezes, não sabemos como pagar.

Equilíbrio pelos opostos

A mente é o meio de conexão entre o indivíduo e seus sentidos. Ela capta e processa tudo que acontece à nossa volta e nos fornece uma resposta adequada. Sua natureza ágil e fluida, como diz o Bhagavad Gita, escritura do século 4 a.C. muito popular na Índia, é comparável à do vento: impossível de ser controlada. É nesse ponto que mora o perigo.

A facilidade para atingir objetivos ou adquirir bens pode nos tornar acomodados, pois privamos nosso intelecto do oposto para direcioná-lo à velocidade do mundo. Um dos maiores desafios atuais não é realizar diversas tarefas ao mesmo tempo, mesmo que a maioria de nós esteja familiarizada com o conceito de multitarefas, mas o contrário, que é se concentrar em uma tarefa só por um longo tempo.

Um novo olhar

Parece ótimo quando estamos em nossas casas ouvindo música enquanto falamos com alguém ao telefone ao mesmo tempo em que verificamos e-mails e assistimos à televisão. E se faltar energia elétrica? Imagine que é de madrugada e você está sem sono. Subitamente, o ritmo acelerado do pensamento é obrigado a diminuir a velocidade e a angústia e a solidão podem aparecer. O silêncio e o vazio substituem os objetos que, agora, sem eletricidade, não servem para nada.

Olhar demasiadamente para fora pode diminuir o hábito de se enxergar internamente. Muitas sensações que aparecem nessa situação já existiam, mas você não se deu conta. Deixar a consciência refém dos objetos dos sentidos, como acontece em um dia normal, nos faz reviver situações do passado ou do futuro. No passado podemos encontrar as raízes das mágoas, do arrependimento e das tristezas. No futuro se ancoram os medos e as ansiedades.

Conhecimento em prática

Segundo a visão da yoga, meditar é aprender a lidar com a mente. É estar consigo, sem exigências, cobranças ou expectativas. É viver e enxergar-se no presente sem pensar no passado ou no futuro. Meditar é fácil. Exige apenas que você se sente com as costas eretas em posição firme para a coluna, mas relaxada, com os olhos fechados e observe o ritmo natural da respiração. Simplesmente isso.

A respiração é importante, pois é o aqui e agora. Somente no presente existe a paz, pois ela é a nossa real natureza. A prática é simples, mas não é fácil. Felizmente, com o tempo, passamos a nos acostumar com o processo e a prática fica cada vez mais agradável. Se você puder cultivar esse hábito de olhar para si e balancear os estímulos que nos distanciam de nós mesmos, terá uma mente mais objetiva, clara e madura. Poderemos aproveitar com nossos sentidos tudo que o mundo tem a nos oferecer sem esquecermos o principal: nós mesmos.

Foto: Foto: Henry Zbyszynski/ Flickr:  }{enry/ CC by 2.0