Fontes e inspirações

Platão (428/427 a.C.- 348/347 a.C.): Boécio incorpora elementos da filosofia platônica, como a noção de ideias puras destacadas da matéria. Denomina essas formas como “formas verdadeiras” e como “formas em si mesmas”. Para ele, delas derivam “as formas materiais”. É também de Platão que Boécio herda conceitos fundamentais como o do eu universal, a ideia de Deus, a concepção de felicidade e a ideia de “participação”. Não se trata, portanto, de considerar que haja em Boécio um puro platonismo, uma vez que a universalidade suprassensível das formas puras precisa estar imbricada ao conceito aristotélico de realidade material.

Aristóteles (384 a.C.- 322 a.C.): Boécio também procura um realismo moderado para lidar com os universais da compreensão aristotélica do mundo. Ele vai ao encontro de formas que se combinem à matéria para produzir corpos que ele denomina como “imagens”, as quais Boécio remete diretamente à noção de “substâncias corpóreas" da lógica e da filosofia natural do mundo aristotélico. Aristóteles foi quem introduziu na escolástica os conceitos fundamentais da lógica e da metafísica aristotélicas, como os termos actus (ενεργéια), potentia (δυναμιζ), species (εíδος, ιδéα), princípio (αρχη), universal (ειδοζ), acidente (συμβεβηχóζ), contingência (ενδεχóμενον), subjectum (υποχειμενον) etc. Boécio torna-se, assim, uma das fontes exclusivas para o estudo do aristotelismo medieval no Ocidente antes do século 13, considerando que a abstração mental característica das matemáticas é importante para entender a doutrina peripatética dos universais.

Para pensar

Qual era, para Boécio, o objetivo da filosofia?

Boécio se questionava se a filosofia poderia ter um papel positivo na busca humana de uma existência harmônica, pacificada e —por que não — mais feliz? O problema implicado aqui é o de se associar a...

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