Principais obras

A Consolação da Filosofia [Consolatione Philosophiae] (524) – Boécio

É sua obra mais famosa, escrita durante o seu cárcere, e tida como a obra mais importante e influente no Ocidente na época medieval e no início da época renascentista. Trata-se de uma vasta teodiceia, composta de cinco livros, contendo uma reflexão intimista sobre a natureza da felicidade humana e sobre o problema do mal, contendo discussões clássicas sobre a providência, o destino, a sorte, sobre a aparente incompatibilidade da presciência divina com a liberdade de deliberação humana, a questão do mal e da justiça divina. Como fora escrita no período em que Boécio estava integrado aos altos poderes de Roma, sob as ordens de Teodorico, esta obra reflete como o mal pode existir em um mundo governado por Deus (problema da teodiceia), e sobre como a felicidade pode ser alcançada no meio de fortuna volátil. Apesar de possuir referências a Deus, a obra não é estritamente religiosa. Uma ligação é muitas vezes assumida, embora não haja referência a Jesus Cristo ou ao Cristianismo, ou a outra religião específica, para além de referências oblíquas a escrituras paulinas, como a simetria entre as linhas que abrem o capítulo 3 do livro 4 e a passagem na Primeira Epístola aos Coríntios, 9:24. Deus é, no entanto, representado não apenas como um ser eterno e onisciente, mas também como fonte de todo o Bem.

De Hebdomadibus (final do século 5) – Boécio

Obra que inaugura uma nova etapa na metafísica ocidental, com a criação do modelo semântico e do vocabulário que se tornará dominante na escrita da filosofia medieval. É uma obra que elabora e indica o vocabulário que fará parte do quadro conceitual metafísico em seus outros escritos. Do ponto de vista da temática, este tratado procura analisar as regras que permitem compreender como as demais substâncias do mundo podem ser boas se elas não se enquadram como uma substância única, no sentido pleno do conceito. Assim, esta obra é o primeiro grande passo de Boécio para pensar o problema da relação entre o bem e a substância, entre o mundo sensível e o suprassensível, construindo o escopo para pensar a liberdade possível na relação entre homem e Deus.

De Trinitate (início do século 6) – Boécio

Neste tratado Boécio expõe o dogma católico sobre a Trindade a partir da análise sobre o problema de como algumas substâncias podem ser boas e outras não. Com este mote trata da cognoscibilidade da essência divina pelas forças da razão humana, assim como das relações entre ciência e religião, entre filosofia e teologia.

Neste opúsculo Boécio assinala também o nascimento da Escolástica, em um método que iria marcar por quase mil anos o pensamento ocidental e, séculos mais tarde, consubstanciar-se em sua mais importante instituição educacional: as Universidades. Mais que os aspectos formais ou metodológicos, vale-se do instrumental aristotélico para a análise do conteúdo da fé, em que Boécio lança conceitos e teses fundamentais que viriam a influenciar São Tomás de Aquino, que não só se apoiou em teses boecianas para escrever o seu próprio tratado sobre a Trindade da Suma Teológica, mas também compôs um importante comentário ao opúsculo trinitário de Boécio.

Para pensar

O que era a filosofia para Boécio?

É comum que se interprete a obra de Boécio unicamente como sustentação divina do sofrimento do homem. No entanto, é importante notarmos que existe também um movimento de retribuição de Boécio à filo...

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