Principais nomes

Talvez não se deva falar de autores que propriamente se definam como pós-modernos, mas alguns certamente exerceram influências importantes para o pensamento contemporâneo e, de certa forma, pós-moderno:

Jean-François Lyotard (1924-1998)

Filósofo francês, considerado um pós-estruturalista. Seus escritos se interessam amplamente pelo papel da narrativa na cultura, em particular no modo como ela está inserida na condição “pós-industrial” ou “pós-moderna”. Lyotard sustenta que as filosofias modernas legitimaram suas pretensões à verdade não sobre bases lógicas ou empíricas, como pretenderam, mas sobre uma “metanarrativa” do conhecimento do mundo. Sustenta, assim, que na condição pós-moderna essas metanarrativas não permitem legitimar essa pretensão à verdade, e pretende, desse modo, um colapso das metanarrativas modernas. Seria, então, a ocasião em que a consciência humana pode desenvolver um novo jogo de linguagem, que não reivindica uma verdade absoluta, e sim que contemple um mundo de relações de mudanças constantes. Sua obra mais destacada para o tema: A condição pós-moderna (1979).

Félix Guattari (1930-1992) 

Psicanalista e filósofo francês, cujo trabalho é, em grande medida, pensar a relação dos elementos inconscientes na linguagem. Procura mostrar como o inconsciente se reporta aos campos social, econômico e político, e de como estes determinam os objetos do desejo. Pode-se falar de uma cartografia da “sujetividade” em sua obra, em que nela se dá um ideal de cientificidade. É nela que encontramos uma crítica ao modelo de representação, em que a psique é o resultado de componentes múltiplos e heterogêneos.

No inconsciente, tomado não como algo estrutural, mas processual, resta tomar a subjetividade não como um dado, mas como um engendramento distinto de subjetividades. Assim, as questões éticas são discutidas também pelo crivo de componentes semióticos, pela incorporação das ciências e das mídias para lidar com o problema da técnica e do desejo na sociedade. Um livro de referência: A revolução molecular (1977).

Michel Foucault (1926-1984) 

Filósofo francês muito próximo da óptica pós-moderna, sob o aspecto histórico. Ao recusar as estruturas filosóficas do pensamento ocidental, através de uma análise extensa dos processos pelos quais a consciência é determinada, Foucault ataca qualquer noção de que possa haver uma metalinguagem, uma metanarrativa ou uma metateoria, às quais todas as coisas possam ser conectadas ou representadas. Condena as metanarrativas (por exemplo, as produzidas por Marx ou Freud) como totalizantes e insiste na pluralidade de formações de “poder-discurso” – o que pode ser visto em Microfísica do poder (1979). A relação entre o poder e o conhecimento é um tema central em sua obra, e nos convoca a uma análise ascendente do poder, começando pelos seus mecanismos infinitesimais, cada qual com a sua própria história e trajetória, técnicas e táticas. Nessa análise, compreende como os mecanismos sociais foram e continuam a ser investidos para colonizar, transformados por mecanismos cada vez mais gerais e por formas de domínios globais. Foucault vê que há uma íntima relação entre os sistemas de conhecimento (discursos) que codificam técnicas e práticas para o exercício do controle e do domínio social: a prisão, o asilo, o hospital, a universidade, a escola, o consultório do psiquiatra, de modo que o que acontece com os microcosmos de poder não pode ser abarcado por alguma teoria geral abrangente. Foucault tem afinidade com a perspectiva pós-moderna, no elogio às qualidades abertas do discurso humano, tomando-as como fundamento, compreendendo-a como um discurso multifacetado e pluralista.

Richard Rorty (1931-2007)

Filósofo norte-americano, conhecido como um dos principais pós-modernistas fora da Europa. A partir de uma perspectiva analítica, abandona a concepção do pensamento e da linguagem como um espelho da realidade ou do mundo externo. Compreende que os conceitos particulares estão ligados ao mundo de maneira apropriada, em que a verdade não se encontra na adequação ou na representação do real, mas que ela surge das práticas sociais, e que a linguagem é aquilo que serve aos nossos interesses em um período determinado (e por isso as linguagens antigas são intraduzíveis pelas línguas modernas). No campo dos estudos de filosofia analítica, Rorty pensa não existir uma distinção entre o domínio analítico e o domínio sintético, e consequentemente do dualismo entre esquema conceitual e conteúdo empírico. Uma obra que nos insere em seu pensamento é Filosofia e o espelho da natureza (1979).

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