Principais obras

A condição pós-moderna (1979) – Jean-François Lyotard 

Essa obra trata, principalmente, da nova maneira de se entender o saber, como produção científica, no percurso da sociedade capitalista mundial. O autor utiliza as mais variadas fontes, especialmente as contemporâneas, para discutir a questão da produção do saber sob a forma do neoliberalismo e da pós-modernidade. Para Lyotard, a condição pós-moderna é justamente uma mudança que designa o estado da cultura depois das transformações que afetaram as regras do jogo na ciência, na literatura e nas artes a partir do final do século XIX. Um problema importante tratado está no fato de as “descobertas científicas”, que se tornam um elemento fundamental na competição mundial pelo poder, numa espécie de “guerra intelectual”. O contexto pós-moderno implica, assim, tanto a mudança do sentido da palavra saber, voltada agora à produção do desconhecido, com uma legitimação voltada ao falso raciocínio (paralogia), definível pelo sistema socioeconômico, bem como a perda de força dos governos nacionais perante o mercado financeiro.

Condição pós-moderna (1989) – David Harvey

Importante referência sobre o assunto, o livro traz uma análise histórico-geográfica, e é organizado de maneira a oferecer uma crítica dialética do que é apresentado como “condição pós-moderna”. O significado dessa análise de Harvey refere-se ao esforço de confrontar as tendências da arte, da arquitetura, da filosofia e da política pós-modernas com as exigências econômicas decorrentes dos ciclos de expansão e crise do capitalismo. É nesse sentido que ela apresenta os aspectos e mudanças da geografia mundial através de um método, ou filosofia da história, como a dialética materialista. A importância do livro está em reconhecer a necessidade de ampliar o campo de compreensão do que se chama “alteridade” ou “diferença” nas novas relações de “tempo-espaço”. A crítica social de Harvey sinaliza, assim, a uma compreensão política desta fase capitalista de acumulação flexível, em suas consequências para o espaço geográfico e a experiência histórica da humanidade.

Pós-modernismo (1991) – Fredric Jameson

Grande teórico da globalização, por meio de abordagem marxista da noção de pós-modernismo, procura articular diversos campos, como a economia, a política, a estética e diversas áreas da vida contemporânea. Tempo e espaço são conceitos essenciais na filosofia, e para Jameson a pós-modernidade é caracterizada justamente pela ressignificação de ambos os conceitos. Segundo o autor, na modernidade coexistem temporalidades plurais, em que se encontram vários tempos, como o tempo do campo e o tempo da cidade. Na pós-modernidade, porém, o espaço ganha maior relevância que o tempo. A Natureza (caracterizada pelo tempo) deixa de existir e é substituída por aquilo que é feito pela mão do homem (a espacialidade). Não há mais, atualmente, o mesmo tipo de sensibilização de variações do tempo de outrora. A política passa a se tornar uma disputa constante pela terra e pelo enobrecimento das cidades, e nelas a experiência existencial existe na eterna presentificação do corpo. Nas artes, essa produção se apresenta pela obsessão da singularidade, em obras múltiplas e efêmeras, sempre prontas para a mutação. O exercício na pós-modernidade está justamente em estabelecer um sentido para a fragmentação da vida diária e de suas experiências no tempo e no espaço.

As origens da pós-modernidade (1999) – Perry Anderson

O objetivo principal do livro é compor um relato histórico das origens da noção de pós-modernidade. O autor procura estabelecer um balanço que identifique com precisão as diversas fontes nos respectivos cenários espacial, político e intelectual, com destaque para a formação dessas fontes em uma sequência cronológica e local. Outro propósito destacável é o fato da novidade experimental presente em algumas das condições que podem ter produzido o indivíduo pós-moderno, não como mera ideia, mas também como fenômeno.

Perry Anderson procura, então, traçar um caminho para refazer as premissas do modernismo no fim do século XX, ao mesmo tempo que deseja engajar-se no debate contemporâneo, sobretudo de viés marxista anglo-saxônico. Esse livro de Anderson é também uma exegese crítica da obra do marxista Fredric Jameson.

Modernidade e ambivalência (1991) – Zygmunt Bauman

Nessa obra há uma análise ampla sobre a noção de pós-modernidade. Ao contrário do que muitos pensariam a respeito do tema, não é a contestação de todo o conhecimento racional produzido anteriormente. Pelo contrário, a constatação de que não se pode mais continuar acreditando na descoberta da verdade única, permanente, “trans-histórica”. Bauman compreende que o conhecimento é acima de tudo histórico e autorreferenciado em seu contexto cultural. Afirma, por isso, que todo o saber produzido durante a modernidade não é descartável, mas que carece de um estudo da sociedade moderna. Não como uma verdade estrutural, mas com o múltiplo da ambivalência do saber, isto é, a constatação de que a sociedade moderna é uma “sociedade contingente”, que entre muitas encontramos nichos, espaços, que Bauman chama de mundo multifinal. É nesse contexto que indica, como um dos primeiros estudiosos do tema, que o projeto universalista transformou a sociedade num conjunto de individualidades.

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