Principais obras

As Confissões (396-397) 

Principal obra, dividida em 13 livros. Trata das histórias da interioridade de Santo Agostinho, dos dilemas de seu coração e de suas retratações. É o genuíno sentido religioso do confessor, como aquele que louva a Deus pelos seus feitos. Não são um mero reconhecimento dos pecados, nem uma declaração, em muitas análises penetrantes da alma, em uma sensação comunicativa, a elevação do sentimento e a profundidade das visões filosóficas. Ao longo dos capítulos, Agostinho narra a sua adolescência e juventude, sua carreira acadêmica, sua estância no maniqueísmo, seu processo pessoal de intimidade com o cristianismo, sua conversão e suas impressões primordiais como católico. Nos livros finais, encontramos os temas filosóficos mais espinhosos, como o problema do tempo e da linguagem.

A Cidade de Deus (411-426)

É a obra que exprime seus escritos sobre ética e política. Escrita durante o período em que Agostinho experimenta a queda de Roma, sob a autoridade de Alarico, mirando o desmembramento do império romano. Encontramos um sistema de classificação das sociedades, ao mesmo tempo em que apresenta as bases da filosofia medieval. Dois aspectos costuram esta obra, a saber: 1) a revelação cristã, e 2) o saque sofrido pela cidade de Roma em 410 pelas tropas de Alarico. Nesse contexto histórico e religioso, Agostinho propôs dividir as organizações humanas segundo a “cidade de Deus” (civitas Dei), dirigida pelo princípio do amor e formada pelas pessoas cuja vontade busca a Deus e suas leis; do outro lado, a “cidade do mundo” (civitas terrena), identificada pela religião e regida pelo amor de si mesmo, composta por pessoas que se distanciam de Deus, seguindo as leis terrenas, do corpo, que impelem ao egoísmo, ao domínio e submissão e ao hedonismo, assemelhando-se à lei do Estado, temporal (civil e laica). No entanto, e esta é uma questão interessante de ser encarada nesta obra, vale a pena compreender em que medida fica sugerido existir uma teoria teocrática no pensamento de Agostinho, uma vez que a compreensão global implica dizer que ambas as cidades coexistem em qualquer sociedade, restando compreender como se dá a passagem de um domínio ao outro.

De Magistro (389)

É a principal obra de caráter pedagógico, apresentando uma conversação de Agostinho com seu filho Adeodato, então com 16 anos, sobre o tema da linguagem. Mestre e discípulo, ambos em plena vitalidade intelectual e cheios de entusiasmo, realizam no diálogo uma espécie de competição dialética com admirável profundidade filosófica: ao longo das perguntas e respostas sobre o falar, o ensinar ou o aprender, é colocado em questão as pretensões da linguagem. No jogo entre palavra e signo, entre a temporalidade humana da comunicação pela fala e a eternidade do significado daquilo que ela almeja expressa, encontramos no De Magistro uma importante contribuição para os estudos da filosofia da linguagem, influenciando não só toda a filosofia medieval, como também a filosofia moderna.

De Trinitate (399-422)

Até os dias de hoje, trata-se de uma das principais obras que fundamenta a crença na Santíssima Trindade de Deus. Como um monumento, herda três aspectos substanciais e que embasam os fundamentos encontrados neste livro: 1) Ao buscar o problema da trindade, sobre como Agostinho herda o problema da eudaimonia da filosofia grega e o repensa à luz da perspectiva cristã; 2) Sobre como, na trindade, considera-se o problema da singularidade da divindade – do Pai, Filho e Espírito Santo em regime de simultaneidade; 3) A terceira parte trata da vida de Agostinho no momento da composição do De Trinitate, revelando como os traços de sua biografia estão a par do desenvolvimento desta obra.

Para pensar

A fundamentação da trindade na obra de Santo Agostinho traz o problema de se pensar a sexualidade na doutrina do pecado original. Como o autor se furta desse problema?

Trata-se de um problema controverso saber como ocorre a inclinação para o mal, transmitido de geração em geração, a partir da concupiscência herege em Adão, a qual afeta todos os seres humanos nasci...

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