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Chögyam Trungpa: um sábio louco

Pioneiro na difusão do budismo no Ocidente, ele dizia que o mundo não será salvo apenas pela religião

unclelkt / Pixabay / CC0 Creative Commons

“Louca sabedoria”: foi como o estilo de ensinar e de viver de Chögyam Trungpa ficou conhecido

“Crazy wisdom”, louca sabedoria, foi assim que o estilo de ensinar e de viver de Chögyam Trungpa (1939-1987) ficou conhecido no Ocidente. O pioneiro na disseminação do budismo tibetano nasceu na província de Qinghai, na China. Era o 11º descendente na linhagem dos tülkus Trungpa, mestres importantes de Kagyü, umas das quatro escolas principais do budismo tibetano que prioriza a prática da meditação.

Aos 20 anos, após a invasão dos chineses comunistas, Trungpa exilou-se na Índia com um grupo de monges. Por indicação do Dalai Lama, serviu como conselheiro espiritual no Lar Escola para Jovens Lamas, em Dalhousie, até 1963. Durante esse período, dedicou-se a aprender inglês, tornando-se professor da língua. Com o objetivo de aprofundar os estudos em religiões comparadas, filosofia e artes, mudou-se para Inglaterra, onde conseguiu uma bolsa para estudar na Universidade de Oxford. Em 1967, fundou o Centro de Meditação Samye Ling na Escócia.

Um acidente de automóvel que o deixou com o lado esquerdo paralisado marcou sua trajetória. O episódio influenciou-o na decisão de abandonar os votos monásticos, casar-se com a jovem inglesa Diana Pybus e continuar seu trabalho como professor leigo. Na década de 70, Trungpa mudou-se para os Estados Unidos e, em poucos anos, criou a Universidade Naropa, a primeira no Ocidente com inspiração budista, além de mais de 30 centros de meditação. Publicou Além do materialismo espiritual, livro que compila palestras realizadas.

Chögyam Trungpa possuía um estilo de vida polêmico para alguém que era considerado líder espiritual. Tinha o hábito de consumir bebidas alcoólicas e ter relações sexuais com suas alunas, práticas que não escondia de ninguém, pois acreditava que cada pessoa era livre para julgar seus atos. Apesar das muitas críticas a seu estilo, ele foi reconhecido pela hierarquia tibetana como mestre vajrayana.

Em seus ensinamentos, Trungpa costumava criticar o materialismo, o fanatismo religioso, o ego e a hipocrisia. “Meu trabalho é dedicado para apresentar a noção de iluminação para o Ocidente. O mundo não será salvo apenas pela religião, mas esse mundo poderá ser salvo também por uma iluminação secular. Esse mundo precisa muito de sua ajuda, portanto, em nome desse mundo, eu gostaria de pedir a você para vir e fazer algo sobre isso”, intima o líder em uma palestra registrada no documentário sobre sua vida produzido pela produtora Alive Mind Cinema, em 2011.

Foto: Thinkstockphotos