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Evite riscos na depilação a laser

Procedimento pode causar manchas e cicatrizes e apresenta menos resultados em pelos claros

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A depilação a laser é contraindicada para gestantes e pessoas com doença autoimune

A depilação a laser tem se tornado um método muito comum entre homens e mulheres. Nos Estados Unidos, considerando apenas as técnicas não cirúrgicas, este tipo de tratamento é o terceiro mais realizado, segundo pesquisa realizada da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica e Estética.

No Brasil, o método vem ganhando adeptos na última década. A popularização das clínicas de estética e a diminuição dos preços das sessões são os principais fatores dessa mudança de quadro. A depilação com cera ainda é a mais utilizada quando se fala em arrancar os pelos por completo, mas perde território para o laser justamente por causa da durabilidade dos efeitos deste outro método.

No Brasil, multiplicaram-se recentemente clínicas que utilizam a fotodepilação, método que usa a luz intensa pulsada (LIP) e não é, portanto, a laser. Vantagens, custo e riscos são diferentes nos dois métodos.

Pouca eficácia em pelos claros

Os lasers funcionam por meio da energia da luz que, ao ser liberada pela máquina, procura por um alvo específico, que neste caso é a melanina concentrada na raiz do pelo. Por concentrar-se no alvo, o laser quase não agride os tecidos da pele. Em contrapartida, por ser atraído de acordo com a concentração de melanina, o método não é tão eficaz em tratamentos com pelos muito claros ou até mesmo brancos.

“Normalmente, o que ocorre é miniaturização do pelo após cada sessão, ou seja, o pelo fica tão fino que não é visível a olho nu”, explica a dermatologista Valéria Campos, especializada em laser pela Universidade de Harvard e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.“Quanto mais preto e grosso o pelo for, maior a chance dele ser destruído numa única sessão. O pelo de cor intermediária geralmente requer múltiplas sessões”.

O tipo de laser mais comum e eficaz é o diodo, mas é importante ressaltar que o laser usado no tratamento irá depender de seu tipo de pele e de pelo. O número médio de sessões para conseguir a redução total ou quase total varia de quatro a oito, dependendo do tipo de pelo, da cor da pele, da área do corpo e do aparelho usado.

Depilação

É importante saber também que em cada sessão são destruídos entre 10% a 30% dos pelos da área. Ao final das sessões, a depilação a laser geralmente elimina 80% dos pelos. Por isso, sessões de manutenção podem ser necessárias, já que alguns pelos apenas foram enfraquecidos e outros pelos podem se desenvolver. O laser usado nas sessões é um aparelho caro, que ainda não é fabricado no Brasil. Essa é a justificativa dos médicos para os altos preços praticados no mercado.

Luz intensa pulsada

Nos procedimentos realizados com luz intensa pulsada (LIP), o feixe de luz não sofre o mesmo estímulo que o laser. Diferentemente do laser, a LIP apresenta diversos comprimentos de onda em seu espectro luminoso, enquanto o laser apresenta um comprimento de onda único.

Ao atingir a derme, a LIP não lesa apenas a raiz do pelo, e sim toda a área em que penetrou. Para evitar que o procedimento não seja tão agressivo, a energia utilizada neste procedimento é muito baixa, o que requer mais sessões para conseguir eliminar a raiz.

Quanto mais alta for a energia, maior a probabilidade de causar danos irrecuperáveis à pele. Nesta prática, é corrente usar baixas energias em um número muito maior de sessões, algumas vezes são oferecidos “pacotes” com até 20 sessões para uma mesma área.

Como os aparelhos são mais baratos, tanto na compra, quanto no aluguel, a LIP é o procedimento mais frequentemente utilizado por técnicos ou esteticistas. As sessões são realizadas em ambientes não médicos, como salões de beleza ou franquias de depilação.

A dermatologista Valéria Campos faz algumas advertências importantes sobre o uso deste método. “Enquanto nos tratamentos com laser o pelo pode ser removido permanentemente ou demora muitos anos para voltar, na fotodepilação a recidiva, ou seja, a volta do pelo, é bem mais frequente.”

Segundo ela, observou-se um aumento no número de pelos causado pelo uso de energias baixas. Isso porque, além de serem insuficientes para destruir o pelo, elas estimulam as células-tronco encontradas próximo aos folículos pilosos, estruturas de onde nascem os pelos. As células-tronco são aquelas que têm a característica de se transformarem em quaisquer células do corpo.

Para a especialista, existe ainda um problema maior: o uso de energias intermediárias. “Elas causam o nascimento de pelos finos e claros difíceis de tratar mesmo com energia suficiente”, declara.

Risco de manchas e cicatrizes

Para saber para quais tipos de pele a depilação a laser é a mais indicada, Valéria Campos explica que “a luz do laser tem afinidade pela melanina, que é o pigmento escuro que dá cor à nossa pele e pelo, por isso a pele mais morena ou bronzeada deve ser tratada com muito cuidado e nem todos os equipamentos são adequados para elas”.

Nesses tipos de pele, segundo ela, “podem ocorrer manchas temporárias, o que ocorre de forma mais frequente, ou cicatrizes definitivas, algo mais raro”, ressalta. E o tratamento será mais longo, pois a energia usada será bem menor do a usada em peles claras. O médico qualificado saberá usar o aparelho e a intensidade de luz corretos para realizar o tratamento.

No caso da cor dos pelos, a lógica é ao contrário, quanto mais escuro ele for, menos sessões serão necessárias para eliminá-lo. A espessura do pelo também influencia no número de sessões, já que quanto mais grosso, maior a chance de o laser atingi-lo. O método, portanto, não tem grande eficiência em pessoas com pelos muito finos, claros ou brancos.

Antes do procedimento a laser, a recomendação médica é de que o paciente fique pelo menos 30 dias sem tomar sol. E após cada sessão, mais 30 dias. Dependendo da área em que será feita a aplicação do laser, o intervalo entre uma sessão e outra varia de quatro a oito semanas. Este intervalo é necessário porque o laser só consegue agir quando o pelo está em crescimento.

Fotodepilação

Dor

Uma das perguntas mais frequentes é se a depilação a laser dói. O procedimento é praticamente indolor, segundo Campos. “Existem diversos equipamentos disponíveis no mercado que causam menos desconforto e há, inclusive, mecanismos para diminuir a dor, como vento de ar frio, anestésicos e até sucção”, afirma. “Alguns equipamentos emitem dois tipos de onda numa mesma máquina. Isso potencializa o tratamento, tornando-o mais eficaz e menos dolorido.”

Para os pelos finos e pele negra, segundo ela, também há novidades: “Há cremes anestésicos mais eficazes e aparelhos que emitem ar gelado para diminuir as chances de queimadura e a dor durante o tratamento.”

A dermatologista explica que, após as sessões, a área tratada pode ficar vermelha e sensível. Para aliviar o desconforto, são recomendados alguns medicamentos tópicos calmantes.

É definitivo mesmo?

“Depende do equipamento usado. Os pelos que tratei com equipamentos de alta potência, em Harvard, não voltaram. Eu os acompanhei por mais de dez anos. Mas nada impede que um novo pelo nasça por um desequilíbrio hormonal”, responde Valéria Campos. As mulheres são mais propensas a recidivas. A variação hormonal, muito frequente no sexo feminino, pode fazer com que novos pelos nasçam, o que nos homens é mais raro.

Contraindicações

Quase todo mundo pode fazer depilação a laser, entretanto, algumas pessoas devem ficar atentas e informar o médico caso façam parte dos seguintes grupos: gestantes; portadores de doença autoimune ou que piore com a exposição à luz (lúpus, por exemplo); ou quem apresenta doença de pele no local onde será realizado o procedimento, entre outros.

Os indivíduos que apresentam herpes labial recorrente devem comunicar o dermatologista para que medidas preventivas sejam tomadas. A presença de lesões ativas também contraindica o tratamento.

Medicações que deixem a pele mais sensível aos raios solares, diabetes não controlado, alterações da coagulação sanguínea, tumores malignos da pele, histórico de queloides e pele bronzeada também são consideradas contraindicações relativas, ou seja, fatores que devem ser avaliados.

Profissional adequado

O procedimento de depilação a laser pode ser arriscado se o profissional que manuseia o aparelho não souber dosá-lo corretamente. O laser com luz muito forte pode causar manchas e até queimaduras na pele. Se a luz estiver muito fraca, pode causar o efeito contrário - em vez de atingir o folículo e eliminar o pelo, pode estimular as células-tronco e aumentar a quantidade de pelo.

O mais indicado é procurar um médico especializado no assunto - dermatologistas e cirurgiões plásticos e estéticos são os profissionais mais aptos para o trabalho. Se possível, procure especialistas com formação específica para o laser.

Fique atento

Conheça algumas recomendações da dermatologista Valéria Campos para a depilação a laser:

  • Primeiro, procure um dermatologista, ele irá avaliar sua pele e seus pelos.
  • Caso o próprio dermatologista não realize o procedimento, ele poderá indicar um médico competente no assunto.
  • Locais que se dispõem a cobrar preços muito baixos frequentemente têm alta rotatividade de profissionais e nem sempre compram os melhores equipamentos, sem falar em clínicas que encerram as atividades sem dar satisfação aos pacientes que já iniciaram tratamento.
  • O número de sessões para depilação a laser deve ficar próximo a cinco. Desconfie quando o número for muito maior que este.

Foto: Shutterstock