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Iridologia: pseudociência ou método?

Popularizada a partir de 1950, a técnica busca identificar fragilidades por meio do exame da íris

Scott Robinson

Técnica é ferramenta de pré-diagnóstico, diz Celso Battello, da Associação Médica Brasileira de Iridologia

Apontada como a “impressão digital” do futuro pelos técnicos em biometria, a íris é aclamada como “janela do organismo” por adeptos de terapias holísticas. Além de expressar sentimentos como alegria, tristeza e medo, os olhos também mostrariam fragilidades de saúde.

Mas se para os biométricos os padrões da íris não sofrem mudanças significativas ao longo da vida e são únicos em cada ser, portanto ideal para a identificação pessoal, para os iridólogos ela sofre alterações de acordo com o estado de saúde do paciente. Mais que espelhos, as íris seriam janelas para o organismo, por onde os iridologistas podem observar os órgãos mais frágeis. Nos Estados Unidos, médicos naturopatas descrevem a iridologia como “a mais valiosa ferramenta de diagnóstico”. Outros terapeutas holísticos utilizam a técnica para recomendar suplementos alimentares.

A técnica

A iridologia (também conhecida como iridodiagnose ou irisdiagnose) baseia-se na aceitação de que cada órgão do corpo humano tem uma região correspondente na íris. Assim, a premissa é de que o funcionamento do órgão pode ser avaliado pela simples inspeção da íris.

Foram desenvolvidos mapas correlacionando diferentes zonas da íris às várias partes do corpo. Iridologistas acreditam que a análise demonstra a susceptibilidade do paciente para certas doenças, reflete problemas médicos recentes ou prevê futuros comprometimentos de saúde.

“A iridologia não faz um diagnóstico, que é dar nome a uma doença. Ela mostra uma alteração no padrão que leva o especialista a pedir exames para obter o diagnóstico”, diz Celso Battello, médico que clinica em Santo André. Battello é diretor da Associação Médica Brasileira de Iridologia e coordenador do curso de pós-graduação em Iridologia-Irisdiagnose do Centro de Ensino Superior em Homeopatia da Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo. Segundo ele, “a iridologia funciona como uma ferramenta pré-diagnóstica, dá direção para onde deve seguir”.

Polêmica

Apesar da longa história, não há evidências científicas suficientes que confirmem a utilidade da iridologia. A prática não é reconhecida pelos organismos reguladores de saúde da maioria dos países, inclusive do Brasil. Se por um lado não há provas suficientes de sua eficácia, por outro não há como dizer que a iridologia por si só é prejudicial.

Médicos tradicionais reconhecem que certos sintomas de doenças não oculares podem ser detectados por um exame dos olhos. Muitas vezes, os oftalmologistas identificam problemas, como alterações como consequência de pressão alta, e encaminham o paciente a um especialista para exames detalhados.

“A iridologia é um método cartesiano porque observa, documenta e comprova através do registro da imagem”, diz Battello. Para os críticos, o maior problema da iridologia é justamente esse: afirmar que cada órgão tem a sua contrapartida no olho e que pode determinar o estado de saúde do mesmo observando um setor particular da íris.

Pesquisas

Estudos indicam falhas no diagnóstico de doenças pelo exame da íris. Dados clínicos não sustentam a correlação entre a doença no corpo e mudanças observáveis na íris. Grande parte dos estudos publicados em periódicos especializados em saúde, oftalmologia e enfermagem demonstram que a iridologia não se mostrou hábil em detectar doenças.

“Porém, quem conhece o método, sabe que a iridologia não faz diagnóstico e sim mostra os órgãos mais debilitados e que têm maior propensão em adoecer”, salientam as enfermeiras Léia Fortes Salles e Maria Júlia Paes da Silva, em artigo publicado na Revista da Escola de Enfermagem da USP em 2008.

Segundo artigo de janeiro de 2013 no The Clinical Advisor (publicação norte-americana destinada a enfermeiras e técnicos em saúde), “a iridologia é baseada em possibilidades intrigantes, mas, até a data, os estudos não apoiam a sua segurança e utilidade. Por agora, no entanto, o estudo da íris para a indicação de doenças sistêmicas está longe de ser uma ferramenta clínica viável”.

As brasileiras defendem a necessidade de novos estudos sobre a iridologia. “Estudos sérios, com rigor metodológico, que mostrem ou não a eficácia do método. Não é aceitável que a intolerância prevaleça sobre a necessidade real de melhorarmos a assistência prestada aos pacientes. E, se este método for bom, deve ser incluído como ferramenta para somar com a medicina tradicional, assim como muitas outras práticas complementares já o fazem e muito bem feito”, concluem.