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Meditação aumenta potencial do cérebro

Neurocientista Sara Lazar associa a técnica de mindfulness às atividades cerebrais

StockSnap / Pixabay / CC0 Creative Commons

Aumento da massa cinzenta, concentração e coordenação motora são possíveis efeitos da meditação

A meditação pode alterar a estrutura física do cérebro e otimizar muitas de suas funções - como a concentração e a coordenação motora. A afirmação é da neurocientista norte-americana Sara Lazar, pesquisadora do departamento de psiquiatria do Massachusetts General Hospital, em Boston, e instrutora em psicologia na Harvard Medical School.

Pioneira no uso de imagens da atividade cerebral para investigar os efeitos da meditação, Lazar observou em suas pesquisas que há um espessamento na massa cinzenta em áreas do cérebro relacionadas à atenção e aos sentidos de quem pratica meditação. Os estudos prosseguem para entender o que esse aumento na massa cinzenta significa.

Aqui e agora

A meditação “mindfulness” ou de atenção plena, é a técnica escolhida por Lazar para suas pesquisas. Com base em um exercício de atenção aos sentidos, a técnica tem como foco estar no momento presente, explicou a neurocientista em palestra realizada em São Paulo. Lazar esteve no Brasil para o Seminário Internacional Neurociência e Meditação, realizado pela Associação Palas Athena.

“A técnica da atenção plena tem como foco a respiração, as sensações corporais e os estímulos sensoriais. Não se busca um estado de transe. O objetivo é uma concentração plena no momento presente”, diz a pesquisadora.

Dor e estímulos físicos em geral criam dois impulsos no cérebro, explica Lazar: um que identifica a sensação e outro que a classifica como sofrimento, prazer etc. “São diferentes partes do cérebro que podem ser separadas conscientemente.”

Em um de seus experimentos, realizado com pessoas que tinham começado a meditar recentemente e indivíduos que nunca haviam meditado, testava-se o grau de desconforto no contato com um objeto quente. Através de análises encefalográficas, via-se que o primeiro grupo – de praticantes de meditação - sentia igualmente a dor, mas se incomodava menos com isso do que os do segundo grupo, que tentava controlar a dor e evitar sensações.

Prisões do tempo

Muitos males psicológicos são causados por “prisões temporais”, afirma Lazar. A depressão, segundo ela, é a prisão do passado, em que arrependimentos e pensamentos negativos sobre o que já aconteceu desestimulam o presente. Já a ansiedade seria a prisão criada pelo futuro, na qual o que ainda está por vir - na forma de medo da derrota e antecipação dos problemas - tiraria o foco da pessoa do que acontece com ela no momento presente.

Outra semelhança entre os dois males (depressão e ansiedade) é a “mente que julga”. Não é apenas a lembrança ou a antecipação de acontecimentos, mas sim o julgamento sobre eles que causaria o mal-estar psicológico. A meditação de atenção plena busca trazer o foco para o aqui e o agora e eliminar o julgamento, explica a pesquisadora.

Terapia complementar

Lazar explica que em raros casos as pessoas se dizem curadas pela meditação. A prática é recomendada, de acordo com a pesquisadora, como terapia complementar para problemas psicológicos como estresse, dor crônica, vício e pânico.

Em seus experimentos ela afirma ter percebido efeitos negativos da meditação apenas em quem apresenta problemas mentais graves. Nestes casos, recomenda que haja sempre o acompanhamento de um médico e que se avance bem devagar, pois meditar pode trazer à tona emoções profundas.

Foto: Shutterstock


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