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Meditação também é ciência

Universidade Federal de São Paulo promove simpósio sobre práticas contemplativas e medicinas tradicionais

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Medicina tibetana, meditação, candomblé, umbanda, reiki estão entre os temas do evento

Com a intenção de romper as barreiras entre a ciência e práticas como meditação e medicina popular, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) promove a quarta edição do Simpósio de Medicinas Tradicionais e Práticas Contemplativas (1) nos dias 16 e 17 de maio (sexta-feira e sábado). O evento, que é organizado com a parceira da Associação Palas Athena, receberá palestrantes reconhecidos internacionalmente como Geshe Lobsang Tenzin Negi (foto 2), pesquisador que recebeu a mais alta distinção acadêmica dentro da tradição do budismo tibetanto, professor do departamento de Religião da Emory Univesity e fundador e diretor do Drepung Loseling Monastery. Outro destaque é a norte-americana Susan Andrews, psicóloga, antropóloga e embaixadora do indicador social Felicidade Interna Bruta (FIB) no Brasil. O Portal NAMU fará a cobertura completa do evento.

De meditação a umbanda

A escolha dos temas do simpósio prezou pela diversidade. As palestras abordam desde meditação e compaixão até umbanda e candomblé. “Nessa edição há uma novidade: ouvir de praticantes de medicinas populares como eles entendem sua medicina e aplicabilidade. Haverá ainda um debate sobre temas intrigantes em saúde e espiritualidade com estudos sobre reiki”, conta a organizadora do evento, Elisa Kozasa, professora do programa de pós-graduação em psicobiologia da Unifesp e pesquisadora do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein.

Os dois dias de simpósio serão preenchidos por cinco mesas-redondas, que reunirão especialistas de diferentes áreas para debater os temas. Na sexta pela manhã, as mesas serão sobre medicina tibetana em doenças crônicas e medicina popular brasileira. A primeira terá a presença de Tenzin Lhundhup (foto 1), médica e pesquisadora do Tibetan Medical Institute em Dharamasala, Índia; já a segunda contará, por exemplo, com a experiência da Mãe Dango, praticante e grande divulgadora do candomblé no Brasil.

Na tarde de sexta, a mesa "Temas intrigantes em saúde e espiritualidade" recebe a palestrante Susan Andrews e também Júlio Peres, que apresentará pesquisas com neuroimagem durante estados de transe. No sábado pela manhã, o monge beneditino e mestre de coro do mosteiro de São Bento, dom Alexandre, apresenta a meditação cristã na mesa sobre práticas contemplativas e sociedade.

Para encerrar o simpósio, na tarde de sábado, o pesquisador Geshe Lobsang Tenzin Negi (foto 2) expõe sobre a meditação da compaixão no debate a respeito de pesquisas em medicinas tradicionais e práticas contemplativas.

Tudo junto e misturado

O evento foi o pioneiro no Brasil a reunir essas temáticas. “Quando o simpósio surgiu, foi o primeiro a integrar as medicinas chinesa, ayurvédica e tibetana”, lembra Kozasa. “É um espaço aberto para discussão da importância dessas medicinas e atividades não apenas na ciência, mas também sua contribuição para a educação e sociedade”, diz.

Meditação nos hospitais?

Sobre o papel dessas práticas na área da saúde, a professora explica que “elas têm sido vistas como instrumentos complementares ou integrativos na prevenção e tratamento de doenças”. Há a necessidade de evidências científicas para que elas sejam inseridas nos hospitais, por exemplo. “Algumas práticas espirituais em sua origem como a meditação têm sido desprovidas dos elementos religiosos para que possam ser aplicadas na área da saúde”, revela.

O evento propõe refletir sobre as lacunas que existem na compreensão dos efeitos das práticas contemplativas e das intervenções das medicinas tradicionais. “Por exemplo: qual ‘a dose’ de yoga que um paciente com lombalgia deveria receber? Por quanto tempo devemos praticar meditação para reduzir stress?”, indaga Kozasa.

Para aquecer

Nos dias que antecedem o simpósio estão programados outros dois eventos na Unifesp. Dias 14 e 15 (quarta e quinta), das 9h às 17h acontece o 2º Encontro de Mindfulness e Promoção da Saúde. A programação (2) conta com várias pesquisas e discussões sobre mindfulness - a meditação de atenção plena.

No dia 15 (quinta), das 9h às 12h, ocorre o pré-simpósio, no qual Tenzin Lhundhup (foto 1) irá ministrar curso sobre medicina tibetana no qual falará, entre outras coisas, sobre o histórico dessa medicina e a relação mente-corpo.

Foto 1 e 2: Divulgação