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Mulheres contra a escova progressiva

Ativistas de Recife lançam projeto "Faça Amor, Não Faça Chapinha", que promove a defesa da beleza brasileira

Divulgação

há uma urgente necessidade da mídia nacional se recriar para mostrar a verdadeira imagem das mulheres que vivem no Brasil

Inspiradas pelos ideais de valorizar a beleza real da mulher brasileira e lutar contra os padrões de beleza impostos, jovens pernambucanas criaram o projeto “Faça Amor, Não Faça Chapinha”. A finalidade da inciativa dessas recifenses é convidar as mulheres a assumirem seus cabelos naturais. Torná-las capazes de enxergar que há uma urgente necessidade da mídia nacional se recriar para mostrar a verdadeira imagem das mulheres que vivem no Brasil.

“O movimento começou com a criação de uma página no facebook. A arte foi feita por Letícia Carvalho, a idealizadora e designer do projeto”, conta Amanda Bomfim. Segundo a ativista, a artista fez o desenho inspirada no "Faça Amor, Não Faça a Barba", corrente virtual que fez com que as pessoas vissem com outro olhar homens que usam barba, o que antes era considerado falta de higiene e cuidado.


“Buscamos fazer as pessoas verem o cabelo afro tão bonito quanto os outros, nem melhor, nem pior”, diz Ferreira

Padrão de beleza imposto pela mídia

“Tentamos desconstruir a rotulação e o preconceito. Quando alguém reproduz que determinado aspecto é melhor do que outro - formato do corpo, comportamento de acordo com gênero, texturas de cabelos - dá a ideia de que há pessoas melhores do que outras”, pontua Bomfim. A iniciativa pretende fortalecer os ideais de beleza negra que são ocultados pelas imagens midiáticas. “Um povo que se sente inferior a outro não valoriza sua cultura, personalidade e identidade. Além disso, esse sentimento ruim vem sendo passado de geração a geração e acumula enorme opressão sobre as pessoas”, completa a ativista.

A luta declarada pelas meninas através de uma rede social aos poucos ultrapassou as telas do computador e invadiu as ruas do estado de Pernambuco e do Brasil. Em alguns meses de FANFC, apelido atribuído ao projeto, elas criaram camisetas, botons, ecobags e diversos produtos que carregam mensagem de libertação dos cabelos crespos. Elas apareceram na TV, em sites e o movimento cresce mais a cada dia.

“É difícil fazer com que uma pessoa negra, que já possuí sentimento de inferioridade em relação às outras etnias, acreditar em si mesma, defender suas raízes culturais e escolhas”, destaca Bomfim. Ademais, ela acredita ser ainda mais difícil fazer o opressor entender o quanto essa agressão é prejudicial. Por isso, o projeto não pretende enfrentar pessoas que acreditam no conceito de que determinado tipo de cabelo é "ruim”. “Nossa escolha não é explicar para um preconceituoso que ele está errado e sim o inverso: explicar para o aquele que sofre o preconceito que todos são iguais e todas as culturas são belas”, completa.

Discriminação

“Que as crianças são ensinadas pelo exemplo, isso é fato. E também são ensinadas a discriminar”, destaca a ativista. O projeto participou de experiências em escolas estaduais de Pernambuco levando a mensagem da diversidade e do respeito e a beleza encontrada nas diferenças.

“Queremos participar de mais eventos em escolas, ambientes populares, eventos voltados para o diálogo, debate e oficinas. Todo ano acontece o Encrespa, um evento nacional em várias capitais, com movimentos equivalentes reunidos junto com a população para oficinas e debates”, conta Bomfim. Para ela, em um ambiente em que a intolerância é combatida, sobra espaço para as coisas boas como respeito, amor e valorização da cultura. Isso faz com que a criança fique mais sujeita a ter sua personalidade e identidade amadurecida e menos alienada.

A inciativa carioca do projeto Afrobetizar, no Rio de Janeiro, também oferece oficinas e atividades que quebram estereótipos e mostra para as crianças do morro do Cantagalo a importância de valorizar as raízes africanas da cabeça aos pés.

Bonito é ser feliz

O projeto incentiva o questionamento do ideal de "cabelo bonito". Esse padrão leva muitas mulheres a terem vergonha de seus cabelos e não assumir suas verdadeiras identidades. Além da imposição de um único molde de cabelo, mudar a aparência custa caro e faz mal à saúde. Os produtos químicos utilizados no processo de alisamento são agressivos e prejudicam o crescimento e desenvolvimento dos fios de cabelo.

“Você não precisa estar num determinado padrão para ser bonita. A beleza está em ser feliz, e quando isso acontece, o olhar tem mais brilho, o sorriso é verdadeiro”, aconselha Amanda Bomfim. A mensagem deixada pela ativista vale também para os homens que ainda se sentem tímidos para assumir o penteado black ou mesmo tranças rastafári.

Fotos: Divulgação


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