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Na trilha de Guimarães Rosa

A próxima visita ao cenário descrito na obra Grande Sertão: Veredas acontece no mês de setembro

Jurandir Lima

Sertanejo no trajeto de Grande Sertão: Veredas

O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães... O sertão está em toda a parte. (João Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas)

Jurandir Lima estava em uma expedição pelo Rio São Francisco, fugindo de sua rotina de engenheiro mecânico, quando conheceu uma professora de literatura que o recomendou percorrer o trajeto que inspirou a escrita do romance Grande Sertão: Veredas.

A sugestão despertou em Jurandir uma grande paixão pela obra de Guimarães Rosa, o que anos depois se transformaria em passeio turístico. O próximo acontece no dia 20 de setembro em direção ao cerrado de Minas Gerais.

“Eu discordo plenamente quando as pessoas dizem que o ambiente descrito no romance de Guimarães Rosa é fictício. Ele é, na verdade, uma conjunção de realidade e ficção”, relata Jurandir Lima.

Pequizeiro - Parque Nacional Grande Sertão Veredas, MG

Pequizeiro - Parque Nacional Grande Sertão Veredas

O encontro com a professora aconteceu em 2000. A partir daí, Jurandir decidiu planejar o percurso descrito no livro. Depois de muito pesquisar, descobriu que: em 1952, Guimarães Rosa percorreu 240 km em dez dias montado no lombo de uma mula de Três Marias a Aracaí, cidades situadas no estado de Minas Gerais.

Ao longo do percurso os boiadeiros e o escritor, que carregava um caderno de anotações embaixo do braço e rabiscava tudo que achava interessante, pernoitaram em dez fazendas.

Memorial Família Alexandre - Povoado Andrequicé

Jurandir procurou alguém que topasse o desafio de refazer a rota. Até que, em suas pesquisas, chegou ao nome do jornalista Fernando Granato, que havia refeito o caminho do escritor mineiro com o fotógrafo Walter Firmo na comemoração de 40 anos de lançamento de Grande Sertão: Veredas.

Naquela época, eles encontraram o Zito, um dos vaqueiros que percorreu as cidades ao lado de Guimarães. Algumas das fazendas descritas por Guimarães Rosa não existem mais ou estão totalmente diferentes do que eram antes.

Formação cárstica na Gruta do Tatu em Januária

Umas foram vendidas, outras se perderam no tempo. “Naquela época não havia estrada asfaltadas, era tudo em terra. As boiadas eram movidas por vaqueiros montados em mulas, como Manuelzão, líder da boiada do livro Grande Sertão: Veredas. Os caminhos hoje são de asfalto. O transporte é feito hoje por caminhões. A forma que as pessoas se relacionam umas com as outras e com a natureza mudou.”

O passeio no cerrado mineiro percorre aquilo que ainda restou do cenário inspirador do livro. O trajeto tem início em Belo Horizonte e inclui visitas à cidade de Cordisburgo, cidade onde nasceu Guimarães Rosa, ao Parque Nacional Grande Sertão Veredas, navegação no velho Rio São Francisco e outras atividades. Ao longo do percurso ainda é possível observar grandes buritis, palmeiras típicas das veredas. “A árvore tem uma relação simbiótica com o sertão”, explica Lima.

Sertanejo

“Onde tem vereda, tem uma nascente. Quando se fala em grande sertão vem à cabeça um lugar seco, hostil. E quando se fala vereda, se fala em um local que tem água, ou seja, que tem vida. Não é um conflito? Assim como a obra de Guimarães, o livro todo é um conflito.”

O próximo grupo parte no dia 20 de setembro. Quem tiver interesse em percorrer o caminho, pode se inscrever até 10 de setembro. Basta enviar um e-mail para [email protected]. Para obter mais informações, acesse Trilhas e Trilhas.

Fotos: Jurandir Lima