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O que é a dieta da proteína?

Especialistas falam sobre os riscos e benefícios que os métodos Dukan e Atkins provocam no organismo

Bru-nO / Pixabay / CC0 Creative Commons

O consumo de carne nas dietas Duncan e Atkins é liberado, mas deve ser feito com cuidado

“Vocês não vão acreditar: comecei a dieta há dois dias e, para minha felicidade, já perdi três quilos”. O depoimento, que pode parecer surpreendente para quem não consegue emagrecer é, na verdade, comum em grupos nas redes sociais sobre as duas dietas proteicas mais populares atualmente: Atkins e Dunkan. Por que elas chamam tanto a atenção e quais são seus reais riscos e benefícios?

Por que proteínas?

Emagrecer rápido e sem passar fome é o sonho de quem vive em crise com a balança e a promessa do método criado pelo médico e nutricionista francês Pierre Dukan. De acordo com ele, é possível perder de 2 a 3 quilos na primeira semana com uma alimentação composta apenas por proteínas magras no estágio inicial da dieta.

Com proposta semelhante, a dieta elaborada nos anos 1960 pelo cardiologista norte-americano Robert Atkins também defende a redução drástica de carboidratos, principalmente na fase inicial. Mas, ao contrário da Dukan, ela não restringe o consumo de formas mais pesadas de proteínas e libera os alimentos com maior teor de gorduras, razão pela qual a Dukan é por vezes considerada uma versão mais “leve” de Atkins.

Corpo e metabolismo

A dieta Dukan recomenda 20 minutos de caminhada por dia no mínimo como complemento à reeducação alimentar, enquanto a Atkins não faz menção às atividades físicas. A finalidade de ambas é aumentar o consumo de proteínas em detrimento de carboidratos.

Essa estratégia estimula o metabolismo a utilizar reservas de gordura como fonte de energia, acelera o emagrecimento e prepara o corpo para as etapas seguintes, em que alimentos como farinhas e grãos voltam gradualmente ao prato e o emagrecimento ocorre de forma mais lenta para atingir o ponto ideal de manutenção.

Fontes de proteínas nas dietas Dukan e Atkins
Consumir vegetais é importante para manter o metabolismo funcionando nas dietas à base de proteínas

Pode ou não pode?

Nas dietas Dukan e Atkins, a restrição de certos alimentos depende de condições pessoais e da divisão em etapas dos programas. Nas fases iniciais (“ataque” na Dukan e “indução” na Atkins) a alimentação torna-se quase que exclusivamente proteica, pois não é permitido o consumo de carboidratos e doces. Devem ser ingeridos alimentos como carnes (no caso de Dukan, sem adição de gorduras), ovos, peito de peru, iogurte natural e farelo de aveia. É durante a primeira etapa dessas dietas que a perda de peso, de acordo com participantes, é visivelmente maior.

Na segunda etapa (“cruzeiro” na Dukan e “equilíbrio” na Atkins), entram alguns legumes e verduras, como tomate, pepino, rabanete, alface, aipo, berinjela, abobrinha e cogumelos. As frutas são permitidas apenas na terceira fase (“consolidação” em Dukan e “pré-manutenção” na Atkins), em que também são permitidos carboidratos integrais e alguns queijos. Finalmente, na etapa destinada a manter o resultado, (“estabilização” na Dukan e “manutenção contínua” na Atkins), recomenda-se ingerir somente carnes magras, três porções de frutas e três colheres de farelo de aveia por dia. Doces e carboidratos refinados são permitidos, mas com limitações.

É saudável?

Há muitas controvérsias entre os nutricionistas em relação à quantidade de proteínas considerada saudável para ingestão diária. Embora o consumo sugerido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) seja 0,8 g/kg de massa corporal, alguns especialistas defendem que a meta pode ser ultrapassada sem prejuízo à saúde, desde que harmonizada com outros grupos alimentares. A nutricionista especializada na dieta paleolítica com baixo teor de carboidratos (low carb) Polyana Rossi afirma que é possível ingerir entre 2,0 g e 2,5 g de proteína por quilo de peso corporal, desde que balanceada com outros alimentos saudáveis.

“A dieta paleolítica, por exemplo, não é composta somente por proteínas, mas também por gorduras, sais minerais, vitaminas, fibras, água e poucos carboidratos conforme necessidade do paciente”, afirma a nutricionista. Entre os prós e contras das dietas à base de proteínas, Rossi enxerga de forma positiva a redução de carboidratos no cardápio, desde que feita por um curto período de tempo e acompanhada por um profissional especializado. Segundo a especialista, “reduzi-los não oferece riscos à saúde e beneficia a redução de peso, a disposição, o sono e a concentração”.

Impacto no corpo

Para a nutricionista e professora coordenadora do curso de Nutrição da Universidade Federal do Triângulo Mineiro Selma Sanches Dovici, a ingestão de proteínas acima dos 0,8 g/kg de peso corporal é prejudicial principalmente para indivíduos com predisposição ao desenvolvimento de doenças hepáticas e renais.

A nutricionista alerta também que há riscos mesmo para quem não apresenta predisposição para esses problemas. Ela afirma que “indivíduos que escolhem dietas ricas em proteínas têm, normalmente, consumo calórico, proteico e lipídico aumentado. Além disso, têm maior propensão ao acúmulo de ácido úrico, de gorduras saturadas, gorduras trans e colesterol, o que aumenta a chance do desenvolvimento de doenças ligadas às doenças cardiovasculares, como gota e dislipidemias”.

Falta e excesso

A nutricionista especializada em alimentação vegetariana Ana Ceregatti avalia que o problema desse tipo de dieta está não apenas na ausência de carboidratos, mas também no excesso proteico. “Quando a pessoa negligencia carboidratos na dieta, o organismo tende a procurar fontes de energia. Em vez de retirá-la dos tecidos gordurosos, passa a eliminar a musculatura corporal. O risco é grande também para alguns órgãos vitais. O fígado trabalha muito mais com a elevada carga de proteína não assimilada pelo corpo, e os rins, por serem os responsáveis por eliminar o excesso de aminoácidos, ficam sobrecarregados”, explica.

Para quem quer emagrecer de maneira saudável e eficaz, Selma Dovici afirma que a dica é manter uma alimentação rica em frutas e hortaliças cruas, com carboidratos integrais, tubérculos, pouca carne vermelha, laticínios desnatados, feijões de todos os tipos e a quantidade mínima de açúcares e gorduras. “Ao adotar esse padrão alimentar saudável, as pessoas percebem que o peso naturalmente volta ao normal, o organismo funciona de modo mais harmonioso, a mente trabalha com mais facilidade, o sono é melhor e até ficamos mais bonitos, porque a pele e o cabelo refletem a saúde”, recomenda.

Precisa ser só carne?

Ao contrário do que parece, nem só de carne vivem a dietas de proteínas. Dentro da modalidade Atkins há quem praticamente não consuma alimentos gordurosos e de origem animal em uma modalidade chamada de Eco-Atkins, explica Ana Ceregatti. “É uma dieta que, como a Atkins, tem alto consumo proteico e por isso não a recomendo”, reforça.

Para aqueles que por razões clínicas ou esportivas acreditam que devem aumentar o percentual de proteínas na alimentação e não consumir gorduras animais, Ceregatti recomenda que, em substituição à carne, seja priorizado o grupo vegetal com quantidade mais significativa delas – o dos feijões. “Uma concha por dia de qualquer tipo de feijão fornece a quantidade de proteínas recomendada pela OMS”, finaliza a nutricionista.