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Os perigos dos conservantes nos alimentos

O consumo em excesso dessas substâncias pode gerar alergias, problemas gástricos e doenças graves como câncer

rawpixel / Pixabay / CC0 Creative Commons

Apesar de manter os alimentos industrializados no prazo de validade, os conservantes podem trazer malefícios à saúde

A utilização dos conservantes nos alimentos industrializados é necessária e muito usada pelo setor alimentício. Esses compostos ajudam a controlar o crescimento das bactérias e fungos, o que, por sua vez, retarda a criação de bolor, mau odor e aumenta a validade dos produtos. Além disso, dão cor e sabor aos alimentos que perdem muito de suas características originais durante o processamento industrial.

“O processo de conservação dos alimentos é bem antigo. No início da história, essa conservação era feita através do sal e fumo. Com o passar do tempo, foram descobertas outras formas de manter os alimentos em bom estado de consumo como a desidratação, conservas, congelamento, embalagens e aditivos alimentares como conservantes e antioxidantes”, comenta a nutricionista Mariane Valpassos.

O uso de conservantes na alimentação é comum, porém, algumas substâncias encontradas são prejudiciais à saúde humana e podem acarretar inúmeras situações como alergias, problemas gástricos e doenças mais graves como câncer. Massas, pães, molhos, carnes, doces, laticínios e bebidas são os principais produtos que possuem esses ingredientes. Segundo a nutricionista, os conservantes são testados antes de serem oferecidos ao consumidor. Mesmo assim, os efeitos desses produtos, em longo prazo, podem trazer malefícios, principalmente quando são somados a outros fatores, entre eles, sedentarismo e estresse.

“Estudos indicam que o conservante benzoato de sódio e corantes alimentares podem causar sintomas de transtorno de déficit de atenção em crianças, portanto, é necessário não consumir em excesso”, relata Valpassos. Sorbato de potássio (ácido sórbico), benzonato de sódio (ácido benzoico), dióxido de enxofre, nitratos, nitritos, parabenos, nisina e natamicina são alguns conservantes utilizados na área alimentícia. “Os conservantes tradicionais são açúcar, sal, vinagre e vinho, já os químicos pertencem à classe dos aditivos, onde encontramos substâncias como tampões, antioxidantes e estabilizantes”, declara a nutricionista.

Danos ao organismo

Quando o assunto é conservante, o cuidado com a alimentação vai além dos sólidos. Assim como os salgadinhos, massas e geleias, as bebidas possuem grande quantidade de conservantes em sua composição. O benzonato de sódio, presente no ácido benzoico, tem ação antibacteriana e é usado em alimentos ácidos. Nos refrigerantes, por exemplo, proporciona mais sabor e ajuda a manter a cor. Ainda que seja liberado pela legislação brasileira, o consumo em excesso faz mal ao organismo.

Pesquisas revelam que a combinação de ácido ascórbico (vitamina C) e o ácido benzoico em elevadas temperaturas podem desenvolver o benzeno, substância cancerígena. A exposição à luz também ajuda na formação dessa substância que, quando consumida, pode gerar dores de cabeça, tonturas, vômitos e fadiga. Quando o caso se torna mais grave, a presença do benzeno causa danos neurológicos, mas tudo depende do tempo e intensidade de exposição da substância no organismo. Refrigerantes e sucos industrializados de laranja e limão devem ter o cuidado redobrado, já que, além de serem feitos com as frutas, possuem mais conservantes para manter o sabor natural.

Os nitritos e nitratos, substâncias que previnem o aumento dos microrganismos e intensificam o sabor e a cor dos produtos, são mais utilizados em carnes e derivados. “As carnes processadas como salsicha, presunto, mortadela e salame contêm nitrito e nitrato de sódio. Dietas com grandes quantidades dessas substâncias podem aumentar a formação das nitrosaminas, causando efeitos tóxicos ao organismo e doenças como câncer”, lembra a nutricionista.

A produção de nitrosaminas no organismo tem sido associada ao desenvolvimento de câncer. Porém, o câncer não pode ser vinculado exclusivamente ao consumo de carne. O desenvolvimento desse tipo de problema de saúde ocorre em razão de vários fatores e variam de pessoa para pessoa, pois necessitam de ativação enzimática para iniciar o processo do dano. O hábito alimentar e o modo de preparo da comida também interferem no aparecimento da doença. Um indivíduo que possui uma dieta saudável, normalmente, não fica tão vulnerável a esse tipo de problemas. Estômago e esôfago estão entre os locais mais afetados pela nitrosamina.

Como evitar o uso de conservantes

Apesar de serem essenciais para o armazenamento dos alimentos, devemos estar sempre atentos à presença dos conservantes, principalmente na alimentação de crianças. “A principal dica é olhar sempre a embalagem e preferir aqueles que contenham menos ingredientes artificiais. O ingrediente que aparecer primeiro no rótulo é o que aquele produto contém em maior quantidade. Dê preferência para alimentos in natura, eles são mais saudáveis”, aconselha Valpassos.

Para o engenheiro químico, Décio Livrari, as indústrias se aproveitam da falta de conhecimento da população para vender os produtos com alta concentração de conservantes. Por conta disso, é primordial verificar os alimentos e optar por consumir daquelas que cuidam da saúde humana. “Hoje em dia, temos o crescimento das opções orgânicas. Você vai no supermercado e já acha um salgadinho orgânico, por exemplo. É uma questão muito interessante a ser percebida por nós, consumidores. A gente pode direcionar nosso consumo e nosso dinheiro a quem se importa com a nossa saúde”, declara o engenheiro.

Além disso, uma boa forma de conservar os alimentos em casa é através do congelamento, já que preserva e garante maior segurança. “Podemos congelar suco de frutas, frutas cortadas, hortaliças e sopas para facilitar na hora das refeições”, finaliza Valpassos. É importante ressaltar que a quantidade permitida de conservante nos produtos depende do alimento, tipo de conservante utilizado e forma de conservação.

Foto: Dean Hochman / Flickr / CC BY-SA 2.0; Mike Mozart / Flickr / CC BY-SA 2.0