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A polêmica dos produtos cárneos

Especialistas divergem sobre a inclusão de fibras e outros suplementos funcionais em produtos à base de carne

schuetz-mediendesign / Pixabay / CC0 Creative Commons

A indústria brasileira de produtos cárneos está, à sua maneira, tentando encontrar respostas para as críticas ao excesso de consumo de carne no Brasil. O maior esforço hoje desse setor é de tornar seus produtos mais saudáveis. Pesquisadores brasileiros estão trabalhando para incluir fibras e reduzir sódio e gorduras nos à base de carne. Alimento mais saudável não é e nem precisa ser industrializado, mesmo que contenha aditivos naturais" aponta Eric Slywitch, médico especialista em alimentação sem carne.

Já Marco Antonio Trindade, professor da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, afirma que o Brasil caminha para buscar alimentos industrializados mais saudáveis. Ele também acredita que as indústrias deveriam procurar oferecer produtos cárneos sem aditivos químicos. Para o pesquisador, reduzir o sódio e a gordura é pouco. O ideal é que esses produtos tenham maior teor de ômega 3, ácidos graxos insaturados e antioxidantes naturais. Segundo ele, o consumo de carne deve estar sempre associado a hábitos saudáveis. Desconsiderar verduras e vegetais, em função do teor de fibras e vitaminas presente nesses alimentos, não é um hábito saudável.

Existe indústria de alimento saudável?

Trindade também afirma que a indústria de alimentos no Brasil não oferece produtos com rótulos mais limpos, ou seja, feitos com aditivos e antioxidantes naturais. Segundo ele, isso ainda não é uma realidade no país.

Natural e com menos carne

A alimentação do brasileiro em geral concentra grande quantidade de carne in natura e produtos feitos à base dela. "O brasileiro consome, em média, 220 g de carne por dia, fato sabidamente nocivo. Devemos sim incentivar a redução de seu consumo pela saúde, seja pelo meio ambiente, seja por todas as demais consequências do seu consumo", afirma Slywitch. Ele também fortalece a importância dos alimentos naturais no lugar de industriaizados: "Se a ideia é aumentar o consumo de fibras, o incentivo mais saudável é o de aumentar o consumo dos cereais integrais, frutas, verduras, legumes e feijões. Esse aumento é muito mais saudável, não apenas pelo teor de fibras, mas pela ingestão de dezenas de substâncias que ajudam a combater doenças crônicas", finaliza.

Carina Müller, chef de cozinha, critica a tentativa da indústria em vender produtos cárneos com fibras:

Müller afirma que organismo humano não está familiarizado com o consumo excessivo de proteína de origem animal. Para ela, as características geográficas e ambientais do Brasil favoráveis ao plantio são pouco exploradas, o que poderia ser uma saída para reduzir o consumo de carne e estimular a agricultura familiar e orgânica.

Pacto de redução

Marise Pollonio, professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, acredita que o acordo firmado entre o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos é um passo modesto na direção de melhorar a qualidade dos produtos cárneos no Brasil.

Pollonio acredita que a redução proposta pelo pacto ainda é pequena. Segundo ela, essas mudanças poderão se tornar mais intensas no futuro e beneficiar os consumidores brasileiros.

Fibras

Já Andrea Carla Barretto, professora do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Unesp, não acredita na redução do consumo de produtos cárneos. Ao contrário, para ela seria importante que a legislação brasileira fosse alterada para permitir a inclusão de fibras nesses produtos.

Barretto afirma que a inclusão de fibras em produtos como mortadelas, salsichas, empanados e hambúrgueres podem torná-los mais funcionais e combater a redução do consumo de fibras que ocorre atualmente no país.

Carina Müller, por sua vez, alerta para o esforço de marketing contido nessa prática: