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Reiki ajuda a combater a ansiedade?

Pesquisas sugerem que a prática de imposição de mãos, usada como um tratamento complementar, pode aliviar sintomas de estresse

Batle Group: Mar Hotels, Majestic-Resorts & Lively / Flickr / CC BY-SA 2.0

O reiki busca equilibrar a energia vital pela prática de imposição das mãos

O reiki, prática de imposição de mãos criada pelo mestre Mikao Usui (1865 – 1926) no Japão, pode ajudar a reduzir sintomas de estresse e ansiedade. É o que sugerem pesquisas, como um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)1 sobre sintomas do estresse em idosos. Embora não conclusivos, os resultados revelam que a prática de colocar as mãos suavemente sobre o corpo ou acima dele, a fim de transmitir a energia vital universal, não tem contraindicações conhecidas e pode trazer vários benefícios.

A prática é hoje utilizada como terapia complementar em instituições de saúde de referência, como os hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês, em São Paulo. Trata-se de uma renovação do ato de cuidar que busca a integração entre corpo, mente e espírito, segundo descreve Plínio Cutait, mestre de reiki e coordenador do Núcleo de Cuidados Integrativos do Hospital Sírio Libanês, publicação da instituição2.

Equilíbrio

O reiki busca equilibrar a energia vital, polarizada em yin (feminina, passiva ou negativa) e yang (masculina, ativa ou positiva), explica o mestre reikiano Johnny De Carli, autor de sete livros sobre a técnica. Por meio da imposição das mãos, ele consiste em canalizar a energia universal, chamada de “chi”, a fim de reestabelecer o equilíbrio natural do organismo.

De Carli afirma que, em uma pessoa em equilíbrio, yin e yang estão em harmonia. Quando alguém apresenta um desequilíbrio com predominância de energia yang, pode desenvolver sintomas de ansiedade: impaciência, intolerância, irritabilidade e hiperatividade. Já o excesso de energia yin pode trazer apatia, tristeza, desânimo e depressão, segundo ele. Com 20 anos de experiência com a prática, ele afirma que o terapeuta nem sequer precisa identificar qual é a energia de que a pessoa precisa, pois a aplicação do reiki gera o equilíbrio por si só.

Menos tensão física e psicológica

Coordenado por Ricardo Monezi, um estudo de psicobiologia da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, realizado em 2013, revelou uma diminuição da tensão física e psicológica dos pacientes entre a quarta e oitava semana do tratamento. Os participantes eram da terceira idade e, passadas as oito semanas do estudo, apresentaram redução significativa dos sintomas de estresse, conforme eles relataram aos pesquisadores.

Segundo Monezi, o grupo analisado “demonstrou elevação crescente e acentuada da percepção e bem-estar ao longo de todo o experimento”. Na conclusão do estudo, o pesquisador afirma: “O conjunto dos resultados obtidos sugere que a terapêutica reiki produz alterações psicofisiológicas e de qualidade de vida em idosos compatíveis com uma redução significativa de estresse”.

Menos dor

Com experiência de 20 anos na prática, Johnny De Carli confirma os benefícios. “Na maioria das vezes, após receber sessões de reiki, as pessoas ficam mais calmas”. O alívio de dores no corpo e melhoria da qualidade do sono, segundo ele, são mudanças comumente relatadas pelos pacientes após as sessões, e não é preciso aguardar o fim de todas elas para serem notadas as primeiras alterações trazidas pela técnica.

De Carli relata que enquanto as pessoas recebem a energia das mãos, os batimentos cardíacos desaceleram, a respiração tende a ficar mais lenta e profunda, a face fica mais corada e as mãos e os pés se aquecem pelo estímulo da circulação sanguínea.

Mente quieta

Otavio Leal, mestre de reiki e fundador da Humaniversidade Holística, que oferece cursos da prática em São Paulo, chama atenção para outro ponto: a respiração. "A maior contribuição do reiki é aquietar a mente e corrigir a respiração, causa maior da ansiedade”, diz ele.

Qualquer pessoa pode se beneficiar do método, reforça Leal. Ao contrário do que muitos pensam, não é necessário acreditar ou ter fé para amenizar os sintomas por meio da técnica. O reiki pode ser realizado à distância, em crianças bem pequenas e pessoas muito doentes ou inconscientes e tende a trazer resultados positivos, afirma Leal.

“O reiki é diferente de outros métodos psíquicos de cura, como a psicoterapia e hipnoterapia. Aceitação e fé não são necessárias”, diz ele, “porque a prática não trabalha com sugestão de quem a recebe”.

Quando a pessoa é receptiva à técnica, no entanto, auxilia no tratamento, afirma De Carli. "Se a pessoa que vai receber a energia reiki está aberta e receptiva, o fluxo terapêutico flui facilmente por ela, ao passo que, se estiver resistente e temerosa, o fluxo de energia será limitado. Uma postura receptiva contribui para a velocidade do restabelecimento em até dezenas de vezes”, acredita.

Tempo de terapia

Com as sessões de reiki, diversos benefícios podem ser atingidos, mas não é possível dizer quantos encontros são necessários para que as mudanças ocorram. De Carli diz que não há nem como prever se haverá a recuperação plena dos sintomas do estresse. "Quando lidamos com a causa - não com o sintoma - é impossível prever o que pode acontecer. A rapidez do restabelecimento sempre varia. O que para alguns pode ser resolvido em uma única sessão, para outros pode demandar semanas ou até meses”, alerta. Em geral, recomenda-se de 4 a 21 sessões, segundo ele, para que 80% dos sintomas do estresse sejam sanados.

Foto: Alfonso.saborido / Flickr: manos reiki / CC BY 2.0


Referências

1. OLIVEIRA, R. M. J. Efeitos da prática do reiki sobre aspectos psicofisiológicos e de qualidade de vida de idosos com sintomas de estresse. 2012. Disponível em: <http://www.reikitradicional.com.br/arquivosPDF/Tese%20de%20Doutorado%20-%20Ricardo%20Monezi%20-%202013%20pr.pdf> Acesso em: 12 ago. 2013.

2. HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS. Buscando o equilíbrio. Disponível em: <http://www.terapiareiki.com.br/wp-content/uploads/2011/11/sirio-libanes-maio_junho2010.pdf>. Acesso em: 09 set. 2013.