Namu é

Conheça mais sobre o NAMU

Saiba mais sobre

Suco sem fruta

A volta ao consumo de água, chás não industrializados e sem açúcar ou sucos naturais está entre as soluções para deter o avanço da obesidade em nossa sociedade

Barnimages.com / Flickr / CC BY 2.0

Sucos naturais podem ser mais calóricos que os artificiais porque são mais concentrados

Ninguém duvida que, depois da água, os sucos de frutas e os chás naturais estão entre as melhores opções de bebida. E os sucos naturais lideram a lista de mais adequados à hidratação do organismo. Porém, com a justificativa de falta de tempo, ou mesmo da preguiça, somos impedidos de retirar o processador de alimentos ou o espremedor de frutas do armário e fazer sucos frescos e saudáveis.  

Os supermercados trazem uma infinidade de opções para alimentar a preguiça em todos nós e saciar nossa sede. A vasta oferta de caixinhas e garrafas disponíveis nos induzem a optar pelos sucos industrializados.

O maior problema dessa prática opção não é o fato de ser natural ou não, mas o teor de açúcar adicionado a essas bebidas, sem mencionar outros aditivos, como corantes, aromatizantes e conservantes. No Brasil, os sucos têm uma restrição quanto ao teor máximo de açúcar adicionado de 10% do total em peso. Nesses casos o rótulo deve registrar a expressão “suco adoçado”.

O Ministério da Agricultura determina ainda que a quantidade de açúcar utilizada na produção de refresco, refrigerante, bebida composta, chá pronto e soda não deverá exceder a seis gramas por cem mililitros da bebida. 

Lista dos sucos sem suco

“Os sucos de caixinha mais enganam que ajudam, pois vendem a falsa ideia de um produto mais saudável, no entanto, possuem pouco ou quase nada de polpa de fruta e ainda têm adicionados muito açúcar e conservantes”, diz Aline Flores, nutricionista de Curitiba.

O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) listou em uma pesquisa dez produtos que não contêm o teor de fruta exigido por lei. Foram testadas em laboratório 31 amostras de sete marcas em diferentes sabores. A pesquisa teve como objetivo analisar os requisitos de qualidade e identidade previstos na Instrução Normativa (IN) nº 12/2004 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Segundo a norma em vigor, o percentual mínimo de fruta varia de 20% a 40%, de acordo com o sabor do néctar.

Confronto de calorias

A melhor opção, o suco natural, aquele que é feito na hora a partir da fruta e sem a adição de água ou açúcar, pode não ser o ideal para quem quer controlar o peso. Por ser mais concentrado, traz mais calorias. Além disso, frutas como uva, pêssego, goiaba e laranja têm índice glicêmico alto (liberam rapidamente açúcar no sangue), o que dificulta o controle do diabetes. Apesar de possuir teores de nutrientes uniformizados no processamento, os sucos de caixa podem se tornar uma opção calórica. Se a ideia é manter ou perder peso, prefira os sucos com baixas calorias.

Para saber o que tomar, basta checar os teores nos rótulos. A nutricionista Aline Flores dá conselhos práticos: “Quer economizar em calorias, opte por bebidas à base de adoçante. Quer tomar um suco saudável com bons nutrientes sem estar tão ligada nas calorias, vá de sucos naturais, explica”. Ainda assim, é preciso cuidado e verificar qual adoçante está sendo usado.

O uso de adoçantes artificiais também deve ser bem pesado pelo consumidor. Os efeitos de vários deles em humanos ainda não foram completamente estabelecidos. Enquanto, por exemplo, os Estados Unidos proíbem o ciclamato sódico, o Brasil permite o uso. Para os norte-americanos, há indícios de que o produto pode causar alterações genéticas e atrofia testicular, sendo ainda contraindicado para hipertensos e portadores de problemas renais.

O ruim pelo menos pior

No Brasil, o consumo de refrigerantes e sucos de caixinha, além de bebidas açucaradas, está levando a uma espécie de epidemia de obesidade na adolescência, seguindo um padrão já conhecido nos Estados Unidos. O consumo de leite cai à medida que as crianças crescem e aumenta a ingestão de sucos e refrigerantes, comprova uma pesquisa brasileira que mostra a repetição do padrão norte-americano de escalada da obesidade.

Os resultados destacam que entre os adolescentes de 11 a 17 anos, a maior parte das calorias consumidas vem de refrigerantes ou sucos de caixinha, representando uma média diária de 207 quilocalorias (kcal), ou 42% do total de calorias obtidas apenas pelo consumo de líquidos.

Bebidas açucaradas ficam em segundo lugar, com índices entre 37% e 45% de calorias nos grupos de 3 a 6 anos, e de 7 a 10 anos, respectivamente. Entre crianças de 3 a 10 anos, o estudo levantou que leite e derivados estão entre os líquidos mais consumidos.

A pesquisa mostra ainda que o consumo de água se manteve em 30% em todas as faixas de idade, quando deveria ser de pelo menos 60%. As bebidas doces aumentam sua participação nos hábitos diários à medida que a criança cresce, chegando a representar, sozinhas, 15% de toda a demanda calórica diária do organismo, no caso dos adolescentes, caindo para 12% entre sete a dez anos e 8% de 3 a 6 anos. 

Olhando os rótulos com a lupa

A volta ao consumo de água, chás não industrializados e sem açúcar ou sucos naturais está entre as soluções para deter o avanço da obesidade em nossa sociedade. Mas como diferenciar e encontrar os sucos menos danosos? Para começar, é importante decifrar os rótulos. O Ministério da Agricultura obriga os fabricantes a declarar no rótulo se a bebida é suco, suco tropical, néctar, refresco ou refrigerante.

O teor de suco de fruta presente na bebida é o principal ingrediente dessa classificação. O suco ou sumo é mais concentrado, com 100% de fruta. Pode ou não ter açúcar adicionado. A quantidade máxima permitida de açúcar é de 10% da composição e o rótulo deve alertar com a frase “suco de fruta adoçado”. Não pode conter conservantes ou corantes.

No caso dos sucos de frutas tropicais, a polpa da fruta pode ser diluída em água, com no mínimo 35% de polpa. O suco tropical contém polpa ou suco concentrado de fruta tropical, como abacaxi, acerola, cajá, caju, goiaba, graviola, mamão, manga, mangaba, maracujá, pêssego, pitanga, graviola e cupuaçu.

A expressão “suco pronto para beber” pode ser usada para o suco tropical quando for adoçado. A quantidade mínima de polpa de fruta é de 50%, com exceção de casos em que a fruta tem acidez alta, conteúdo de polpa muito elevado ou sabor muito forte - como maracujá, cupuaçu ou graviola - em que são admitidos até 35% de polpa.

Néctar que não é dos deuses

Os néctares contêm uma concentração menor de polpa de fruta, variando de 20% a 30% conforme a fruta. O néctar pode receber corantes e conservantes. Já o refresco é uma bebida sem gás e não fermentada, com entre 2% e 10% de suco, polpa ou extrato vegetal de fruta diluída em água potável, com a adição de açúcar.

No caso do refresco de limão, esse percentual é de, no mínimo, 5%; no de maracujá, 6%; e no de maçã, 20%. Não é preciso conter fruta in natura em sua composição, mas, neste caso, deve trazer no rótulo a expressão “artificial” ou “sabor de”. O refrigerante de fruta é o mais diluído, mas ainda contém um teor mínimo de suco de fruta.

Quando a bebida tiver dois ou mais sucos, precisa conter, pelo menos, 30% para ser embalada como néctar ou 10% para refrescos. Um néctar de abacaxi, laranja e maracujá, por exemplo, deve ter, no mínimo, 30% de suco em qualquer proporção entre as três frutas.

Onde está a fruta?

Os mercados oferecem outras opções para quem busca praticidade na hora de fazer um suco: os desidratados (aqueles que vêm em pozinhos para adicionar água) e as polpas concentradas e congeladas. Nesses casos, a contagem de calorias não é o fator mais importante a verificar. Os pozinhos podem até trazer menos açúcar, mas a lista dos demais ingredientes adicionados leva à pergunta: afinal, onde está a fruta?

Em geral eles têm até 1% de polpa de fruta. Apesar de parecer uma opção melhor, as polpas congeladas também merecem atenção. Saber a origem é muito importante e a rotulagem é fundamental para saber se houve ou não adição de açúcar. Além disso, a água usada em seu processamento deve ser de boa qualidade.

A validade do produto também é menor, já que o processo de congelamento torna a fruta mais suscetível à oxidação. Outras técnicas de conservação que são adotadas na fabricação de sucos de frutas, como a pasteurização e o congelamento, também trazem a perda de nutrientes e de propriedades da fruta como efeitos colaterais. Eficientes em controlar a presença e proliferação de micro-organismos, esses métodos interferem nas propriedades naturais das frutas.

Já os orgânicos, são ótimas opções por não terem nenhum conservante adicionado. Porém, a tendência é que durem menos que os outros tipos de suco. Assim, antes de colocar a próxima caixinha ou garrafa de suco no seu carrinho de compras leia atentamente a embalagem. Decifrar os rótulos é a melhor arma do consumidor consciente.