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Você sabe quais são os riscos dos parabenos nos cosméticos?

Substância usada em diversos produtos do dia a dia pode aumentar as chances de cânceres

Diamond Farah / Flickr: 021/365: Made up. / CC BY-ND 2.0

Valorizar a beleza natural é sempre bom, desde que coloque a saúde em risco

Os parabenos são elementos utilizados como conservantes em produtos cosméticos, alimentícios e até mesmo em medicamentos. Estão presentes em uma infinidade de itens que usamos no dia a dia, como shampoos, lenços umedecidos, cremes, maquiagens, hidratantes, desodorantes, entre muitos outros. “Essa substância altera o metabolismo de glândulas e hormônios”, explica Ana Paula Takeuchi, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Pesquisas na área de saúde apontam que o uso de produtos que contêm parabenos pode estar associado a casos de cânceres, alergias cutâneas e envelhecimento precoce da pele. Além disso, eles podem ser tóxicos mesmo em baixa quantidade. "Por estar presentes em alimentos e remédios, podem causar alterações celulares e atingir diretamente a transmissão celular de sinais (cascata da carcinogênese) transformando-se posteriormente em câncer ”, pontua a dermatologista Daniela Landim. Ela destaca que em homens há maiores chances de aparecimento de câncer de próstata e testículos além da diminuição da quantidade de esperma. Já na mulher, há maior incidência do câncer de mama.

“As pessoas expostas aos parabenos podem, com o passar do tempo, acumulá-los no organismo. Existem indícios que isso aumentaria o risco de câncer de mama, de pele e a diminuição da fertilidade. Mas os estudos são controversos e ainda não há uma certeza”, pondera Valéria Campos, dermatologista e assessora do Departamento de Laser da SBD. “A escolha sobre consumir ou não os produtos é exclusiva do consumidor. Se houver alternativas, é sempre prudente não correr riscos ao consumir compostos químicos que possam causar, mesmo que eventualmente, problemas à saúde. É importante ficarmos atentos, pois, muitas vezes, a opção de substituição do parabeno é muito mais cara e não necessariamente melhor. Na dúvida, converse com seu médico de confiança”, destaca a especialista.

Em entrevista exclusiva ao Portal NAMU , a médica e especialista em toxicologia Sandra Goraieb enumera os componentes tóxicos encontrados nos produtos do dia a dia. Ela também fala sobre os parabenos e os problemas que eles podem produzir na nossa saúde.

Restrições ao uso da substância

Se os parabenos podem trazer tantos problemas, por que ainda são liberados no Brasil? De acordo com Valéria Campos, a substância é muito barata e por isso é muito utilizada. “A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu como limite as concentrações máximas de 0,4% de cada parabeno, assim como um máximo de 0,8% de parabeno total em um produto cosmético de acordo com o a resolução feita no âmbito do Mercosul”.

A fabricação de cosméticos sem conservantes é uma alternativa para evitar o uso desse composto. “Não usar parabenos pode gerar produtos com curta duração ou com alto risco de contaminação e deterioração, já que os conservantes são adicionados para manter o produto sem contaminação durante o uso”, afirma Valéria. “Eles são conservantes e passam por estudos nos quais se estabelecem limites de segurança, toxicidade e grau de absorção”, diz Daniela Landim.

Procurar por embalagens com tecnologias mais elaboradas, que preservem melhor o cosmético, pode ser outra saída. Porém, esses tipos de produtos costumam ser mais caros. Embalagens com válvulas do tipo pump diminuem o risco de contaminação. Há também as válvulas pump protegidas, que filtram o ar antes que ele retorne ao frasco, além das embalagens airless, com válvulas que não permitem que o ar retorne ao frasco.

Para Maurício Gaspari Pupo, professor, farmacêutico e pesquisador de cosmetologia, o papel da indústria cosmética deve ser de criar consciência no Brasil para fazer com que a população passe a escolher os produtos livres de parabenos. Dessa forma ele acredita que as indústrias podem parar de produzi-los, pesquisando e utilizando outros conservantes em sua substituição. “Nos últimos dez anos, podemos ver no mercado brasileiro uma considerável quantidade de produtos parabeno-free. O mercado cosmético dispõe de dezenas de substâncias que podem substituí-los, embora, em geral, custem mais caro. As substâncias mais seguras são: fenoxietanol, catiônicos e os glicóis”, completa Pupo.

Há outros elementos que também apresentam toxicidade. Veja a lista abaixo:

Ciclamato de sódio: usado como adoçante, é liberado no Brasil, mas proibido nos Estados Unidos pelo Food and Drug Administration (FDA). Estudos em roedores demonstraram que a ingestão crônica de ciclamato pode aumentar a incidência de câncer de bexiga.

Ftalatos: aditivo para tornar o plástico mais maleável. Também representam potencial risco cancerígeno (fígado, rins e pulmão), além de alterações hormonais e de fertilidade.

Formol: faz muito mal para a pele. A grande maioria das pessoas desconhece é que muitos cosméticos utilizam em suas formulações alguns tipos de conservantes que produzem e liberam formol na pele. Um estudo realizado no Departamento de Dermatologia da Universidade de Debrecen, na Hungria, publicado no periódico Experimental Dermatology, em maio de 2004, revelou que o formol pode contribuir para o aparecimento de câncer induzido pela radiação ultravioleta do sol. “O consumidor pode se proteger dessas substâncias observando cuidadosamente os rótulos das embalagens, procurando pelas seguintes substâncias: quatérnium-15, diazolidinil hora, imidazolidinil uréia e DMDM hidantoína”, ensina Valéria.

Propilenoglicol: produto utilizado em uma ampla variedade de cosméticos. O perigo de seu uso está nas alergias e irritações. Um estudo realizado com 45.138 pacientes na Universidade de Göttingen, na Alemanha, publicado no periódico Contact Dermatitis, em novembro de 2005, confirmou que a substância pode causar alergias. Essa mesma conclusão obteve o estudo realizado no Departamento de Dermatologia do Hospital Osaka Red Cross, no Japão, publicado no periódico International Journal of Dermatology, em 2005. Para saber se o seu produto contém propilenoglicol na composição, verifique a palavra propylene glycol no rótulo da embalagem.

Óleo mineral e derivados do petróleo: estão presentes na maioria dos produtos cosméticos em razão da sua propriedade emoliente, ou seja, hidratante para a pele. Entretanto, estudos recentes vêm associando esses componentes ao aumento da mortalidade por diversos tipos de câncer, como o de pulmão, esôfago, estômago, linfoma e leucemia. Isso se deve à presença do composto 1,4-dioxano, substância cancerígena, como relata estudos publicados nos periódicos American Journal of Industrial Medicine (Departamento de Epidemiologia, Escola de Saúde Pública, Los Angeles, CA outubro de 2005), Contact Dermatitis (Departamento de Dermatologia, Nagoya City University Medical School, Japão, abril de 1989) e "Regulatory Toxicology and Pharmacology" (outubro de 2003). Para identificar a presença desses componentes, basta procurar no rótulo as palavras paraffin oil e mineral oil.

Benzofenonas: usadas em alguns filtros solares que possuem ação semelhante à do hormônio feminino estrogênio, além de ser uma grande causadora de dermatites de contato.

Cuidados com bebês

A pele do bebê é mais sensível e requer cuidados especiais. A presença do parabeno na formulação de loções, shampoos e lencinhos de limpeza pode causar dermatite e irritação. Além dessas reações, a exposição à produtos químicos antibacterianos pode deixar as crianças mais propensas a contrair alergias alimentares e ambientais, de acordo com pesquisa do hospital Johns Hopkins Children' s Center, nos Estados Unidos.

“Isso explica porque no consultório vemos como mães que exageram na higiene tem uma tendência maior a ter filhos com alergias. A exposição na primeira infância a patógenos comuns é essencial na construção de respostas imunológicas saudáveis. A falta de tal exposição, de acordo com o estudo, pode conduzir a um sistema imunitário, que fica hiperativo contra substâncias inofensivas, tais como proteínas de alimentos, pólen ou pelos de animais. Nesse mesmo estudo, as crianças com níveis mais altos de parabeno na urina tinham o dobro de risco de alergia ambiental”, esclarece Valéria Campos.

Limpeza com bicarbonato de sódio

O bicarbonato é um neutralizador de pH e possui um leque amplo de utilidades para quem deseja abandonar os parabenos. “Pode-se aderir ao bicarbonato na limpeza de fornos, sapatos, cama de animais de estimação, buchas de cozinha etc”, exemplifica Landim. O mesmo vale para os desodorantes corporais. “O uso do velho e bom bicarbonato diluído em álcool pode ser uma alternativa”, indica Campos.

Foto: Nina Radenković / Flickr / CC BY-ND 2.0