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Bebidas

Chás chineses e industrialização – conheça os prós e contras

Colheita, secagem e preparo são muito importantes para manter a qualidade dos chás chineses
Da redação
26/09/19

Você conhece os benefícios dos chás chineses para a saúde? Já parou para pensar que a industrialização pode influenciar na qualidade dessas bebidas?

Em uma entrevista exclusiva para o Namu, João Campos, um especialista em chás, fala dos diferentes tipos de cultivo desse produto na China, sua história e benefícios. “Cada chá vem de um cultivar específico”, declara Campos.

De acordo com o especialista, a técnica de processamento é muito importante para a qualidade dos chás chineses. “Como você colhe, qual o padrão da colheita, a forma como você vai secar, a forma como você vai parar, ou não, a oxidação delas. São basicamente esses elementos que vão dizer qual chá você está tomando”, reforça.

Ele ainda explica quais são as diferenças entre os chás oxidados, semioxidados e não oxidados. Para Campos, a industrialização da produção diminui a qualidade dos chás que consumimos. Assista à entrevista completa:

Remédios e chás chineses: regras da Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a monitorar a utilização de produtos da medicina tradicional chinesa. Em resolução divulgada no Diário Oficial (1), a agência se compromete a observar por três anos o setor. 

Na prática, fica proibido o comércio de remédios que contenham matérias-primas de origem animal, como escorpiões. Ainda, somente profissionais passam a ter o direito de fabricar, vender e dispensar as formulações tradicionais, como os chás chineses, por exemplo.

A Anvisa exige ainda que todos os produtos sejam fabricados de maneira industrial, segundo requisitos que garantam a qualidade. Dessa forma, todos os envolvidos na fabricação devem ter qualificação técnica e treinamento para realizar análises em matérias-primas e produtos.

Só profissionais habilitados poderão vender e aplicar os remédios. Contudo, a Anvisa não deixa claro quem considera profissional habilitado.

Informações no rótulo

As embalagens dos remédios e chás chineses devem informar os nomes tradicionais dos compostos. Além disso, não podem mais afirmar que os produtos têm caráter terapêutico. Ainda, devem indicar o fabricante e o profissional responsável pelo produto. A agência está criando um cadastro para fabricantes e vendedores.

Remédios e chás chineses – regulamentação na prática

A regra da Anvisa considera produtos de medicina tradicional chinesa apenas as formulações e obtidas a partir de cogumelos e matérias-primas vegetais ou minerais, como os chás chineses, por exemplo. 

As formulações também devem estar de acordo com as técnicas da medicina tradicional chinesa e fazer parte da Farmacopeia Chinesa (2), que é um compêndio que especifica as formulações e maneiras de prepará-las. Ou seja, vender outros produtos como medicina tradicional chinesa passa a ser infração sanitária.

chás chineses

“Saímos da estaca zero e demos um passo que permite que as informações cheguem às autoridades sanitárias para que haja uma tomada de decisão mais precisa sobre permanência e as regras desses produtos", comemora o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barban, em comunicado oficial da agência.

Remédios e chás chineses: custo pode aumentar

Para entender as implicações das novas regras, o NAMU conversou com o mestre Liu Chih Ming, diretor-presidente do Centro de Estudos de Medicina Tradicional e Cultura Chinesa (Cemetrac) (3). 

Membro do Conselho Executivo da Federação Mundial das Sociedades de Medicina Chinesa, Ming vê com bons olhos a regulamentação. Porém, adverte: “O custo dos produtos pode aumentar para a população. Os próprios chineses tradicionalmente usam os produtos in natura sem problemas, desde que respeitando a forma de coleta e preparo”.

Namu: Em sua opinião, a exigência de que os fabricantes sejam profissionais habilitados pode ajudar ou prejudicar a vida dos pacientes?

Liu Chih Ming: A exigência para que os fabricantes sejam habilitados é muito boa em um aspecto, pois permite uma segurança maior em relação à higiene e segurança. De maneira geral, só o fato de a Anvisa ter autorizado o uso dos produtos permite maior compreensão sobre seu uso e eficácia. Posteriormente, podem ser abertas outras possibilidades de comercialização. 

Por outro lado, o custo dos produtos pode aumentar para a população. Os próprios chineses tradicionalmente usam os produtos in natura sem problemas, desde que respeitando a forma de coleta e preparo. Inclusive, esse cuidado – principalmente com a colheita, manuseio e preparo dos chás chineses - pode ser observado na entrevista de João Campos ao Portal NAMU.

NAMU: O que muda agora que apenas profissionais habilitados podem vender e administrar as formulações tradicionais?


Ainda há muito o que discutir sobre o que se entende por profissional habilitado. Isso porque caso a Anvisa defina uma erva como medicamento fitoterápico, ela, naturalmente, só poderá ser vendida com receita médica. 

Porém, se a classificação for equivalente a produto fitoterápico, o produto estará dispensado de receita. Assim, todo profissional que tenha conhecimento sobre a erva poderá recomendar o seu uso e deverá ser reconhecido como habilitado, da mesma maneira que se utiliza um alimento sabidamente benéfico à saúde.

Na farmácia há produtos que podem ser comprados sem receita, como xaropes para tosse à base de fitoterápicos nacionais. Os fitoterápicos da medicina tradicional chinesa, incluindo os chás chineses, devem seguir o mesmo caminho.

Na Austrália, Malásia e alguns países na Europa, são consideradas habilitadas pessoas com formação em fitoterapia. Elas devem possuir mais de 10 anos de atuação na área ou terem passado em provas de certificação como praticantes de fitoterapia chinesa. 

Entre os promotores dessas provas está a World Federation of Chinese Medicine Societies (WFCMS), entidade que atua mundialmente sobre a prática da Medicina Tradicional Chinesa.

Namu: Proibir produtos de origem animal dificulta o trabalho dos terapeutas tradicionais?


Embora produtos de origem animal sejam muito usados dentro das formulações da medicina tradicional chinesa, várias alternativas da fitoterapia podem desempenhar a função desses produtos na fórmula. Dessa forma, eles podem substituir de maneira eficiente muitos dos produtos de origem animal. 

Cabe ressaltar também que o impacto para a população brasileira não deverá ser grande. Afinal de contas, produtos de origem animal como chifres, vesículas ou insetos nunca tiveram grande aceitação aqui por questões culturais.

Avalie seu remédio

A agência criou um sistema online no qual consumidores e profissionais podem denunciar medicamentos que causam reações adversas. Entre esses produtos, também se enquadram os chás chineses.

Referências

1. Resolução da Anvisa.

2. Farmacopeia Chinesa (em inglês).

3. Centro de Estudos de Medicina Tradicional e Cultura Chinesa.

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