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Bebidas

Refrigerante: você sabe os riscos que a bebida oferece?

O exagero na dose é o principal problema do consumo do refrigerante, que, entre outras coisas, pode causar obesidade.
Da redação
30/10/19

Alguém consegue imaginar uma festa de aniversário infantil ou um almoço de domingo em família sem uma daquelas garrafas gigantes de refrigerante? Inventada há mais de 120 anos, a bebida adocicada ganhou popularidade graças ao preço baixo, à propaganda indiscriminada e, é lógico, ao sabor adocicado e à sensação de efervescência.

Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, o refrigerante está entre os cinco alimentos mais consumidos do Brasil. Inclusive, está à frente de qualquer tipo de carne, fruta ou verdura. Porém, com alguns agravantes: além de engordar, a bebida também oferece alguns prejuízos à saúde.

Refrigerante: consumo cresceu 400%

Se nos anos 70 uma família de quatro pessoas se contentava em consumir uma garrafa de 1 litro de refrigerante no fim de semana, hoje uma verdadeira onda do líquido atinge as geladeiras e despensas das famílias brasileiras. E o problema é exatamente esse, o consumo do refrigerante virou um hábito cotidiano e ingeri-lo deixou de ser algo que só acontecia nos finais de semana.

Os números do IBGE mostram que o consumo de refrigerante e bebidas açucaradas no Brasil cresceu 400% entre 1975 e 2003. No Estudo Nacional de Despesa Familiar de 1974-1975, o consumo anual per capita de refrigerante de guaraná, por exemplo, era de 1.297 litros. Em 2008-2009, era de 5.726. Isso representa um aumento de mais de 340%. O consumo de refrigerantes de cola é ainda maior, em 2008-2009 foi de 12.663 l.

O brasileiro, segundo o IBGE, consome uma média de 250 ml de bebidas doces por dia. Delas, 94 ml são de refrigerantes e 145 ml de sucos e refrescos. O consumo é maior na população de maior renda e as versões diet ou light não estão presentes nos hábitos da população de menor renda.

O retrato fica pior quando consideramos que muitas pessoas bebem um copo de refrigerante ou suco em todas as refeições e lanches do dia (cinco copos por dia). Com isso, elas adicionam, em média, 550 calorias ao dia ou o valor calórico de uma refeição completa.

maleficios do refrigerante

Hábito inconsciente: trocar água pelo refrigerante

Assim, a adoção desse doce sabor ao cotidiano, com suas calorias, açúcares e adoçantes, sem falar em seus outros ingredientes, está levando a população ao sobrepeso e à obesidade. O pior é que esse é um hábito que passa de pai para filho e está levando crianças e adolescentes a abandonarem a água e passarem a se hidratar essencialmente por meio dessas bebidas.

O exagero é o responsável pela maioria dos danos. Isso porque não há evidência científica suficiente de que o refrigerante sozinho, consumido de forma moderada, faz mal ao organismo.

Especialistas dizem que a maioria dos estudos leva em conta apenas o consumo de refrigerante. Ou seja, não consideram os outros elementos que fazem parte da dieta dos pesquisados. Por exemplo, aqueles que consomem alta quantidade de refrigerantes por dia o fazem acompanhados de alimentos altamente calóricos, como salgadinhos, fast food, pizza, sanduíches e outros.

Artigo no site WebMed, portal especializado em tópicos sobre saúde, pondera que “a maioria dos estudos sobre o consumo de refrigerante nas duas últimas décadas leva em conta a memória das pessoas sobre o que beberam e os efeitos em cobaias e ratos. Estudos observacionais como estes podem apontar para possíveis problemas, mas eles não podem provar que refrigerantes podem, ou não, representar um risco para a saúde”.

Aumento da obesidade

O fato é que os refrigerantes suplementam o organismo com calorias e muito poucos nutrientes. Além disso, as pessoas tendem a substituir sucos de frutas, água e leite por refrigerantes, piorando a qualidade de sua alimentação. Uma lata de refrigerante normal, por exemplo, contém o equivalente a 18 colheres de chá de açúcar.

Nesse sentido, há uma concordância em que o mais correto é limitar a ingestão de refrigerantes de uma maneira geral. Não há uma dose recomendada, mas estudos apontam que consumir apenas uma ou duas latas por semana representa risco menor.

A American Heart Association recomenda consumir não mais que 450 calorias de açúcar via bebidas açucaradas por semana. E isso equivalente a três latas de refrigerante.

Estar acima do peso ou obeso aumenta o risco de diabetes, doenças do coração, acidente vascular cerebral, câncer e outras doenças. Além disso, o refrigerante ainda causa problemas sociais e psicológicos graves em milhões de pessoas anualmente, afirma artigo do Center for Science in the Public Interest.

A organização não governamental americana, que defende os direitos dos consumidores, enviou carta às autoridades de saúde dos Estados Unidos solicitando que os refrigerantes sejam considerados tão danosos quanto o tabaco.

Mitos não esclarecidos

Há muitos mitos sobre o refrigerante, mas é certo que ele é um mero coadjuvante na maioria dos males que lhe são atribuídos. Isso significa, por exemplo, que a bebida não produz celulite ou causa diabetes sozinha. Também não vicia. Ainda, que seu açúcar colabora na obesidade, mas poucas pessoas são gordas por culpa exclusiva do refrigerante.

A celulite e a diabetes são consequências da obesidade e não do consumo de refrigerantes, mostram dezenas de estudos científicos. E, com relação à celulite, a hereditariedade é o fator mais importante para seu surgimento.

Quanto ao vício, algumas pesquisas sugerem que a cafeína presente em vários refrigerantes pode criar uma dependência química. Entretanto, apesar de algumas pesquisas conflitantes sobre a cafeína e saúde terem surgido nos últimos anos, a maioria dos estudos realizados ao longo de várias décadas mostra que quantidades moderadas de cafeína são seguras.

Outros riscos do refrigerante para a saúde

Além das chamadas “calorias vazias” que os refrigerantes fornecem, outros ingredientes também acendem a luz de alerta. Ainda não estão claramente definidos os papéis e mais pesquisas são necessárias sobre definir exatamente quais são os efeitos dos gases, corantes artificiais e ácidos presentes no refrigerante.

Segundo o Center for Science in the Public Interest (CSPI), “o consumo frequente de refrigerantes pode também aumentar o risco de osteoporose, especialmente em pessoas que bebem refrigerantes em vez de leite rico em cálcio”.

“Especialistas continuam a insistir que as pessoas bebam menos refrigerante, principalmente entre as refeições. Essa medida evita a cárie dentária (devido aos açúcares) e erosão dentária (devido aos ácidos)”.

Segundo a entidade, “quem consome refrigerante com frequência também podem estar em maior risco de pedras nos rins. Além disso, corre um ligeiro aumento do risco de doença cardíaca. Mais pesquisa é necessária em ambas as áreas”.

Para o CSPI, além dos açúcares e ácidos, outros ingredientes dessas bebidas são uma preocupação. Entre elas podemos destacar a cafeína e os corantes artificiais, especialmente o Amarelo nº 5 (que pode estar ligado à desordem de atenção e hiperatividade em algumas crianças e que também provoca urticária, asma e outras reações alérgicas num pequeno número de indivíduos).

O que a indústria diz

A indústria nega a maioria desses efeitos secundários, que na maioria das vezes surgem na literatura no condicional: “pode provocar”, “pode levar”. E cientistas isentos salientam que são necessários mais estudos que liguem o consumo de refrigerante diretamente a esses riscos, já que a maioria das pesquisas não é conclusiva. Apesar disso, há quem defenda que beber refrigerante é tão prejudicial quanto fumar.

Mais uma vez, moderação no consumo é a regra chave para evitar efeitos nocivos. A única unanimidade entre os nutricionistas é que esse líquido doce borbulhante tem baixíssimo valor nutritivo. E que beber qualquer líquido durante as refeições é um hábito totalmente desnecessário.

Referências

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE): Estudo Nacional da Despesa Familiar 1974-1975. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008/2009. Antropometria e estado nutricional de crianças, adolescentes e adultos no Brasil. Rio de Janeiro; 2010. Disponível em [https://www.ibge.gov.br/home/estatistica/pesquisas/pesquisa_resultados.php?id_pesquisa=25], consultado em maio de 2013.

CLARK, N: Nancy Clark’s Sports Nutrition Guidebook. Leisure Press, 1990. Medline Plus consumer health information about cellulite. Disponível em [www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/002033.htm], consultado em maio de 2013.

INTERNATIONAL FOOD INFORMATION COUNCIL (Conselho internacional sobre informações alimentares). All About Caffeine, ADA CPE Program. Disponível em [www.ific.org/adacpe/caffcpe.cfm], consultado em maio de 2013.

WebMed: Sodas and Your Health: Risks Debated (Refrigerantes e a sua saúde: um debate sobre os riscos). Estados Unidos, 2011. Disponível em [https://www.webmd.com/diet/features/sodas-and-your-health-risks-debated], consultado em maio de 2013.

JACOBSON, Michael F.: Liquid Candy - How Soft Drinks Are Harming Americans’ Health (Doce líquido: como os refrigerantes estão ameaçando a saúde dos americanos). Center for Science in the Public Interest, Estados Unidos, 2005. Disponível em [https://www.cspinet.org/new/pdf/liquid_candy_final_w_new_supplement.pdf], consultado em maio de 2013.


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