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Gerais

O prato servido nas escolas indígenas

Garantir alimentação saudável para as crianças é o dilema enfrentado pelas aldeias paulistas
Da redação
27/09/19

O alimento possui valores culturais e afetivos que despertam o paladar e o tornam fundamental para a construção da identidade de cada povo. Isso se reflete mais ainda quando se tratam dos alimentos que comemos durante os primeiros anos de vida. Além da memória, a consequência direta dessa alimentação é o benefício à saúde que se apresenta posteriormente.

Melhorar a qualidade da alimentação nas escolas indígenas do estado de São Paulo foi a pauta apresentada no debate organizado pela Comissão Pró-Índio de São Paulo entre os dias 12 e 13 de agosto no Instituto Pio XI. A discussão central foi a busca por soluções para melhorar a qualidade e a variedade do alimento que chega ao prato das crianças. Representantes do poder público, lideranças indígenas, educadores e membros da Funai expuseram a luta por c ombater alimentos industrializados nas escolas indígenas paulistas.

Comissão Pró-Índio

O debate da Comissão Pró-Índio é uma ação para valorizar as práticas alimentares indígenas nas escolas públicas

Mais do que milho e mandioca

Diferente do que se aprende na escola, a diversidade étnica e os hábitos dos povos nativos são complexos e carregam valores culturais que precisam ser considerados: "As pessoas não entendem que nossa alimentação se baseia também em seguir tradições específicas dos nossos costumes e que nossos hábitos mudam de acordo com os rituais que fazemos em cada época", destaca Pedro Macena Karai, educador infantil do Ceci Jaraguá (Centro de Educação e Cultura Indígena).

"Nós temos consciência de que nossa alimentação não vai voltar a ser como era antes, mas queremos lutar por uma alimentação que respeite as nossas origens", diz Adriano Karai, liderança da aldeia Tenondé Porã, zona Sul de São Paulo.

Milho e mandioca, frutas, peixes, raízes e castanhas. Esses ingredientes compõem apenas uma pequena parcela da influência indígena na alimentação brasileira. Contudo, mais importante do que o paladar são as tradições que ultrapassam a escolha do cardápio. A caça, a pesca, o plantio e manejo dos alimentos é uma forma de transmitir para as gerações futuras os costumes que constituem a cultura das diversas comunidades indígenas brasileiras.

Horta

O consumo de alimentos de plantio é importante, mas compõe apenas uma parte da dieta das populações indígenas

Saber de onde vem e para onde vai

"Temos de lutar para aproximar a relação entre produtores e consumidores, estimular a produção, ampliar a diversidade de fontes alimentícias e aprender a dizer não para a comida cheia de veneno. Precisamos pensar no alimento que se quer consumir e resgatar os hábitos, costumes e tradições dos indígenas, que são os melhores conhecedores da flora brasileira", ressalta Gabriel Bolero, representante do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB).

Bolero pontua a relevância da aproximação entre a produção e o consumo: “A distância entre a agricultura e o local onde se consome é enorme. O aumento de alimentos processados e enlatados nas escolas de todo o país é algo preocupante que precisa ser mudado" Segundo ele, em 2003, a criação do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) foi fundamental para melhorar a qualidade dos alimentos servidos para as crianças indígenas e não indígenas. O programa determina que 30% dos alimentos da merenda sejam provenientes da agricultura familiar.

Mandioca

Valorizar plantas tradicionais significa manter a cultura alimentar e estimular a produção local e comunitária

Rodrigo Nacif, antropólogo da Funai, aponta a necessidade da construção de p olíticas alimentares adequadas à questão indígena: "No Brasil é preciso deixar que os povos originários sejam tratados como estrangeiros. Os alimentos que chegam na cesta básica interrompem a dieta tradicional das comunidades, resultado da simbiose de práticas e hábitos históricos dos índios com a natureza" completa.

O debate enfatizou a necessidade de conhecer a trajetória do alimento em todas as suas dimensões: "Temos de trabalhar para garantir a alimentação saudável para as futuras gerações das comunidades e instruiur as crianças sobre a importância do cultivo e preparo dos alimentos. É preciso prepará-las para a sublime função de cultivar o alimento que sustenta a vida", ressalta o antropólogo.

Fotos 1 e 2: Vanessa Cancian
Foto 3: Flickr: Perry McKenna / CC 2.0


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