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Gerais

Filme “Caminhos do Rio Paraíba” celebra expressões culturais caipiras

Movimento do Vale do Paraíba valoriza a força da cultura regional e produz vídeo sobre tropeirismo
Portal Namu
27/09/19

Na reunião de extensos territórios dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo e na parte inicial da bacia do rio Paraíba do Sul localiza-se o Vale do Paraíba. Essa região, além de grandes cidades e economia próspera, abriga paisagens encantadoras de vales e morros entre a Serra da Bocaina e a da Mantiqueira. O Vale da Paraíba se desenvolveu no movimento de tropeiros e caipiras e fez desse território um lugar de expressões culturais fortes e variadas, tanto nos hábitos da população, como na culinária.

Com a intenção de mostrar detalhes de toda essa peculiaridade, Patrick Assumpção e Keila Malvezzi Silva, proprietários da Fazenda Coruputuba, em Pindamonhangaba (SP), dirigiram o filme Caminhos do Rio Paraíba. A obra tem participação de produtores da “Rota do Cambuci”, projeto criado para promover o uso e comercialização do cambuci nas regiões onde é cultivado por agricultura familiar e orgânica, além de chefs renomados, tropeiros e personagens locais. As filmagens foram realizadas durante o primeiro Festival Tropeiro do Vale do Paraíba realizado pela Prefeitura de Pindamonhangaba em abril de 2015 na Fazenda Coruputuba.

O evento foi importante para fazer uma amostra dos produtos de excelência da região. “O Movimento do Vale do Paraíba”, uma ação nacional pela valorização de práticas agrícolas tipicamente brasileiras, guiou o encontro, como revela Assumpção em entrevista ao Instituto Auá:

Instituto Auá: Como surgiu a ideia de um filme para valorizar a cultura e a gastronomia regional?
Patrick Assumpção: O filme exibe os momentos do Festival Tropeiro do Vale do Paraíba e também é parte do movimento “TERROar”, uma adaptação da expressão francesa terroir que designa produtos próprios de uma área limitada, com aptidões agrícolas, como as vinícolas. Com o filme, queremos revelar o potencial cultural dos alimentos do Vale do Paraíba para o restante do país, atrelando-o ao passado e ao que é intrínseco da região. Na França ou Itália, por exemplo, encontramos queijos artesanais em cada localidade. Da mesma forma, queremos popularizar este regionalismo e nos tornar uma área com maneira própria de produzir. A ideia é que as pessoas sentem na mesa para comer algo e saibam da sua história e cultura específica. E isso é possível, pois o Brasil é protagonista na difusão de tecnologias agrícolas, como a rotação de culturas, o plantio direto e a introdução da lavoura consorciada com floresta.

O objetivo do filme é ser educativo?
Sim, pois dentro do movimento TERROar queremos trazer à tona a temática do Vale do Paraíba como um caso de referência da cultura caipira pela sua variedade de produtos agrícolas. A articulação do tema vem crescendo com produtores da região, os chamados “neorrurais”, que trazem conhecimento para contribuir com agricultura regional e estão reunidos na Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba. Hoje, órgãos públicos já querem trabalhar em parceria com o movimento, pois sabem que trazemos a visão do que é possível fazer para colaborar com a divulgação da cultura e dos produtos da região.

Qual é a relação entre a Fazenda Coruputuba e o trabalho de resgate cultural do Vale do Paraíba?
A Fazenda Coruputuba trabalha na valorização do patrimônio histórico e cultural do Vale. Ela existe há mais de cem anos e, voltando no tempo, descobrimos que foi uma das primeiras sesmarias do país, ainda em 1642, quando se chamava “Corupaityba” e era uma região de cultivo de milho. Mais tarde, tornou-se pouso dos tropeiros que vinham de Minas Gerais e arredores da Serra da Mantiqueira rumo à Parati e esse hábito que influenciou o modo de ser caipira. O projeto atual é resgatar o modelo de convívio entre o homem e a produção regional. Estamos em busca das variedades de milho caipira e dezenas de outras plantas não convencionais com potencial agrícola e gastronômico. Cultivamos, selecionamos e reproduzimos há quatro anos, por exemplo, o milho roxo da Serra da Mantiqueira e da Bocaina. Assim como o resgate do cambuci, esse é um trabalho de formiguinha e que fará esse tipos de agricultura aparecer cada vez mais.

Fotos: Divulgação Coruputuba


Veja também:
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