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Maquiagem

Cosméticos naturais e cruelty free

A prática de testes em animais ainda continua apesar do movimento cruelty free e das alternativas laboratoriais existentes
Da redação
27/09/19

A história de crescimento dos cosméticos naturais e cruelty free no Brasil se confunde com a história de Bárbara Degrandi. Mas quem é Bárbara? Conheça mais sobre sua história.

Bárbara ganhou seu primeiro kit de maquiagem aos 14 anos e, como muitas meninas de sua idade, se apaixonou pelo mundo dos blushs e batons.

Entretanto, em 2008, decidiu levar seu passatempo a sério. Resolveu estudar maquiagem artística em seu trabalho de conclusão do curso. Na época, ela era estudante de artes visuais na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Com a aprovação da banca e diploma nas mãos, ela decidiu que os pincéis e sombras entrariam de vez em sua vida.

Atualmente como maquiadora, seu trabalho não segue a linha dos profissionais comuns: ela utiliza itens que não passaram por teste em animais (cruelty free) ou não possuem componentes sintéticos e de origem animal (cruelty free vegano).

Mas como surgiu seu interesse pelo movimento de cosméticos naturais sem testes em animais?

Em entrevista ao NAMU, Degrandi contou que seu interesse por maquiagem cruelty free surgiu em 2009, quando ela se tornou vegana (vegetarianos estritos que não utilizam produtos de origem animal, como queijo, iogurte, couro etc).

A mudança foi gradual, pois conforme os itens convencionais acabavam, elas os substituía por aqueles não testados em animais.

Cruelty free x cosméticos convencionais

No Brasil e no mundo, há vários sites sobre produtos cruelty free. A maioria se satisfaz em fornecer listas, nas quais é possível saber quais marcas de cosméticos fazem testes ou não em animais.

Há, no entanto, pouca informação sobre as diferenças da composição química desses produtos.

Um dos produtos mais discutidos sobre a toxicidade de seus elementos é o batom.

Os cosméticos cruelty free geralmente não contém parabenos, substância sintética utilizada como conservante. Em excesso e ao atingir a corrente sanguínea, o parabeno pode alterar os níveis de estrogênio, também contém traços de chumbo, mineral que pode reduzir a produção dos glóbulos vermelhos se ingerido em grandes quantidades.

Cruelty free: qualidade e ativismo

Apesar de a causa que a maquiagem cruelty free defende ser justa, é importante que haja um parâmetro de qualidade para os produtos.

Vegetarianos e simpatizantes dos direitos dos animais recorrem às certificações emitidas por duas ONGs internacionais: a People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) e a Vegan Society.

Ambas possuem selos que atestam a veracidade das informações fornecidas nos rótulos dos produtos cruelty free e cruelty free vegan.

A fiscalização no Brasil da qualidade dos cosméticos comercializados é feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que tem o papel atestar se os dados fornecidos pelas empresas sobre testes em animais são verdadeiros.

Cruelty Free

Como o movimento cruelty free ainda não é hegemônico, a troca de informações entre ativistas é uma importante ferramenta.

Listas de produtos cruelty free

Há muitos sites que se dedicam a divulgar listas de “empresas amigas”, ou seja, aquelas que se comprometem a ter um processo de fabricação ética sem teste em animais.

Normalmente, as listas são feitas com base em declarações enviadas pelas fabricantes de produtos de beleza.

De acordo com Estela Aragon, coordenadora de projetos da ONG Projeto Esperança Animal (PEA), “as empresas nacionais que estão em nossas listas nos informam por documento assinado por representante legal como são realizados os testes”.

Para tentar evitar que as empresas forneçam dados incompletos ou errados, é possível entrar em contato para saber detalhes do produto que se deseja comprar.

As perguntas, que devem ser diretas, são importantes para descobrir se a empresa terceiriza o trabalho de teste em animais para parecer idônea ou se realmente é cruelty free.

Por que cosméticos naturais cruelty free?

Para os defensores do teste em animais, os experimentos in vivo são um meio para assegurar a utilização em seres humanos e evitar processos judiciais em casos de problemas de saúde decorrentes ou até mortes.

O avanço do movimento em defesa dos direitos dos animais como o cruelty free ajudou a pressionar os cientistas a desenvolverem métodos menos cruéis, mas não sem alguns obstáculos de acordo com a Anvisa.

“A dificuldade no emprego de métodos alternativos hoje reside na avaliação da reatividade de sistemas mais complexos, o que é, na prática, o caso da avaliação de risco toxicológico”.

Isso significa que, para a agência, os métodos cruelty free disponíveis atualmente não conseguem reproduzir com precisão os resultados conseguidos quando testados em animais.

Alternativas de testes

Esse argumento não convence os ativistas. Já existem no mercado produtos para que conseguem substituir os testes em animais, como o Episkin, substrato de colágeno que reproduz a epiderme humana em testes de corrosividade. Além do teste Ames, destinado a pesquisar em bactérias o potencial cancerígenos de substâncias.

Para eles, a evolução científica deve servir à eliminação do sofrimento dos animais nestes casos.

Independentemente da adesão ao vegetariano ou organizações pró-animais, os experimentos podem ser considerados controversos.

Um deles é a aplicação de uma substância no espaço entre a pálpebra e o globo ocular de coelhos para avaliar a irritação que um produto pode causar nos olhos dos seres humanos.

“Enquanto alguém se embeleza, um animal é lesionado”, enfatiza Bárbara Degrandi. “Se preocupar só com a beleza sem saber como os produtos são feitos é uma irresponsabilidade muito grande. As pessoas precisam saber o que aconteceu para que tenham determinado produto em suas mãos. É só pesquisar, pois a informação está disponível em muitos sites confiáveis da internet”.

Curso de cosméticos naturais

Neste artigo, você conheceu um pouco mais sobre o movimento cruelty free e como ele surgiu. Bem como as alternativas para os testes em animais e os benefícios para nós, para os animais e para o planeta.

Mas sabia que você mesma pode fazer seus produtos cruelty free em vez de pesquisar cada cosmético que utilizar? Confira agora mesmo nosso curso online de cosméticos naturais e veganos: você aprende receitas ótimas e pode assistir às aulas onde e quando quiser.

 

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