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Arteterapia

O que é

A arteterapia apresenta-se como uma técnica que, por meio de variados recursos artísticos, favorece o caminho ao autoconhecimento. É uma prática que utiliza a produção artística como principal meio de comunicação entre paciente e terapeuta.
Sua ideia principal é levar os praticantes a atingir mudanças e autoconhecimento através do uso de materiais como tinta ou guache em um ambiente tranquilo e seguro.
A arteterapia busca a comunicação de pensamentos e traumas pela produção artística. Muita vez, esse caminho consegue superar as dificuldades que a comunicação verbal não é capaz. Ela é, portanto, uma prática que tentar colocar na tela aquilo que é difícil expressar com palavras.
Nesse processo, o terapeuta é um facilitador que ajuda indivíduos por meio do processo criativo, no qual é possível explorar sentimentos, e, muita vez, superar conflitos emocionais, vencer dificuldades de relacionamento, diminuir a ansiedade e recuperar a autoestima.
Em razão disso, dentro do contexto psicoterápico, a arte serve como veículo facilitador para a elaboração verbal e, em um ateliê terapêutico, o foco está na arte como produto do indivíduo.
Nessa situação, o arteterapeuta escolhe os materiais de acordo com a necessidade do cliente e oferece o que melhor servir para o despertar do criativo. Os materiais plásticos, pela característica flexível que possuem, promovem habilitações simbólicas dos processos que ocorrem internamente da psique. Conforme a aquisição da maleabilidade se dá, as posturas comportamentais rígidas podem ser rompidas. O sujeito pode tornar-se então autor de suas próprias expressões, fortalecendo o ego e adquirindo capacidade para flexibilizar-se de acordo com a necessidade e em contato com a própria essência. As diferentes escolas (psicanálise, psicologia analítica e gestalt) dão suporte teórico para os variados trabalhos na área. Porém, o conhecimento acerca das propriedades dos materiais artísticos é fundamental para qualquer trabalho:
Materiais secos: são fáceis de serem utilizados e controlados por quem quer que os manuseie. Acaba por transmitir segurança e reforçar a sensação de equilíbrio.
Tintas: a fluidez do material favorece o contato com as emoções, mas oferece resistência à possibilidade de controlá-lo. Permitem experimentar os afetos e conhecê-los melhor, aumentando o autoconhecimento.
Materiais tridimensionais: recurso bastante eficaz quanto à manifestação de experiências interiores, podendo receber e abarcar sentimentos fortes, que encontram um campo para a manifestação de sua energia.
Colagem: é um trabalho que facilita a entrega por, aparentemente, exigir menos habilidades artísticas, embora as habilidades não sejam pré-requisitos para nenhuma modalidade em arteterapia. O manuseio normalmente consiste na escolha de imagens a serem ordenadas pelo cliente. Na maioria das vezes, essas os recortes são provenientes de revistas, jornais ou outro veículo que traga a figura “pronta”. Isso ajuda a propiciar certa simulação de alguns conteúdos psíquicos.

Origem do nome

A palavra arteterapia vem da junção dos termos “arte” e “terapia. O primeiro é proveniente do latim “ars”, que significa técnica, habilidade; o segundo, do grego, e seu significado é prestar cuidados médicos ou tratar.

Compreendendo-se a arte como uma atividade humana de ordem estética ou comunicativa, concebida de variadas maneiras ao longo da história da humanidade, é possível observar a sua importância constante nas diferentes culturas.

A terapia associada a esse termo apresenta-se como uma maneira de ajudar indivíduos fazendo uso de recursos artísticos.

Criação

Experiências pessoais As principais expoentes do conceito, Margaret Naumburg (1890-1983), Edith Kramer (1916) e Janie Rhyne (1913-1995) basearam as suas teorias nas experiências profissionais e vivências pessoais.

No caso de Naumburg, assim como sua irmã, Florence Cane (1882-1952), a dificuldade em ser compreendida por adultos, durante a infância, impulsionou-as a buscar meios de oferecer às crianças uma via expressiva mais benéfica.

Ademais, as três puderam observar, em seus próprios processos psicoterápicos, uma grande satisfação ao fazerem uso dos recursos artísticos, que facilitavam a verbalização dos conteúdos.

A dedicação às vivências artísticas também foram muito importantes para que elas fundamentassem suas teorias.

Atividade clínica

Uma das primeiras utilizações da arteterapia foi em contexto psicoterápico, principalmente como importante material diagnóstico. Psiquiatras tais como Simon (1876), Morselli (1894) e Fursac (1906) perceberam a riqueza dos materiais artísticos como fonte diagnóstica, por serem as imagens projeções dos conteúdos inconscientes. Assim, observou-se que melhores estratégias de tratamento e interpretação poderiam ser selecionadas com o uso desse recurso.

Freud relatava que seus pacientes afirmavam ter coisas que só poderiam ser expressas através de imagens e foi um grande estudioso na área, mas infelizmente priorizou a verbalização em sua prática clínica.

Já Jung fez amplo uso dos recursos artísticos, afirmando que a expressão plástica não só favorecia o acesso a conteúdos do inconsciente, como ajudava a fixar imagens de sonhos e fantasias, permitindo que elas pudessem ser mais bem compreendidas e transformadas.

Histórico

Primórdios Estudos das culturas rupestres trazem evidências de que as imagens e o homem estabelecem uma relação de longa data — que ultrapassa 100.000 anos, idade estimada da Auditorium Cave, em Bhimbetka, Madhya Pradesh, na Índia.

As pinturas das cavernas indicavam uma tentativa do homem da Pré-história de elaborar a forma como se sentia no mundo. Essa arte é marcada pela espontaneidade. Ela expõe, sem críticas, seus medos e ritos.

Também nas civilizações antigas observa-se a transformação de ritos e mitos em imagens. Por meio da arte, o homem pode expressar e, simultaneamente, dar-se conta dos significados atribuídos à sua vida, na eterna busca pelo equilíbrio entre os mundos interno e externo.

O teatro em várias civilizações da Antiguidade é um exemplo no qual a arte já manifestava sinais terapêuticos, por permitir a liberação catártica de sentimentos e emoções.

Arte e a psiquiatria

O diálogo entre estas duas vertentes mostra seus primeiros sinais no início do século 19, quando Johann Christian Reil (1759-1813) estabelece um protocolo terapêutico no qual inclui o uso de desenhos e outros recursos para favorecer a comunicação com conteúdos internos.

Em fins do século 19, o psiquiatra Max Simon (1849-1923) foi um dos pioneiros a fazer uso das manifestações artísticas de seus pacientes, realizando uma classificação de suas patologias, em 1876.

Poucos anos depois, em 1888, o advogado criminalista Cesare Lombroso (1835-1909) realizou análises psicopatológicas em desenhos de doentes mentais com o intuito de classificar doenças. Alguns autores europeus, tais como o médico e psiquiatra italiano Enrico Morselli (1852-1929), em 1894, o português Júlio Dantas (1876-1962), em 1900, e o alemão Joseph Rogues de Fursac (1872-1942), em 1906, continuaram os estudos na área, observando as produções artísticas de seus pacientes psiquiátricos.

Outro psiquiatra que atentou para os trabalhos artísticos de seus pacientes foi o alemão Fritz Mohr (1874-1957), o qual, em 1906, levantou a possibilidade de se estudar aspectos da personalidade através dos desenhos, utilizando-os como testes.

Ele comparou trabalhos de artistas, doentes mentais e pessoas sãs, percebendo que manifestações de passagens pessoais bem como conflitos particulares eram expressos nesses desenhos.

Em 1910, o psiquiatra e historiador da arte alemão Hans Prinzhorm (1886-1933) desenvolveu estudos que comparavam desenhos de doentes mentais nas diferentes escolas artísticas.

Psicanálise

No início do século 20, Sigmund Freud (1856-1939) trouxe importantes contribuições com seus estudos sobre a mente humana. As inovações propostas por ele nos tratamentos de seus pacientes e as descobertas a respeito do inconsciente impulsionaram outros estudiosos a olhar para esse campo.

Freud atentou para as características da personalidade do artista presentes na realização do criar e observou que a obra, feita ou imaginada, seria uma tentativa de resolução de conflitos, sintetizando e simbolizando o passado, a educação e a cultura de quem a faz.

Carl Gustav Jung (1875-1961)

Discípulo de Freud, Jung rompeu com a psicanálise na década de 1930 e alavancou a utilização dos recursos expressivos em contextos terapêuticos ao recorrer a eles em seus atendimentos psicoterápicos. Seus pacientes eram solicitados a desenhar ou representar em imagens os sonhos, as situações de conflito ou aquilo que não conseguiam expressar verbalmente.

As descobertas sobre o inconsciente coletivo o fizeram olhar para as imagens como portadoras de informações do inconsciente pessoal e até mesmo do inconsciente coletivo, as quais tratariam de questões referentes à cultura humana, em todas as épocas e sociedades.

Primeira e Segunda Guerras Mundiais

Novos ideais artísticos do início do século 20 iniciaram um processo de ruptura com antigos padrões, de acordo com os quais as obras expressariam exatamente a realidade como era vista.

Entre tais movimentos estavam: o dadaísmo, que resgatava traços de desenhos infantis e o nonsense como estratégias; o cubismo, que baseava-se no conceito de que todo fenômeno pode ser visto de diversos ângulos; e o surrealismo, que, como o próprio nome diz, apresentava uma noção bastante diferente da realidade e apontava para a necessidade, na época, de compreender o universo humano sob outras perspectivas.

Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), esse sentimento de rompimento aumentou. Ao mesmo tempo, a desilusão com a razão e a ciência abriu espaço para o movimento hippie e a contracultura, no quais a arte praticamente se misturava à vida dos jovens, servindo como mecanismo para uma resistência criativa aos padrões sociais vigentes à época.

Estados Unidos

Três das principais referências quanto aos pilares da arteterapia realizaram seus principais estudos nos Estados Unidos, contribuindo de maneira fundamental para a fundação da Associação Americana de Arteterapia (AATA), em 1969.

A primeira delas foi Margaret Naumburg (1890-1983), que possuía gosto aguçado pelas artes em geral, além de forte interesse pelo simbolismo e a arte primitiva. Foi a responsável por sistematizar a arteterapia, após a sua experiência com a “Walden School”, criada por ela, na qual colocou em prática a crença de que o desenvolvimento da criança deveria ser feito prioritariamente pelo profundo encorajamento da expressão criativa.

A publicação de Estudos sobre a expressão livre de crianças e adolescentes com distúrbios de comportamento como instrumento diagnóstico, republicado em 1947 como Introdução à arteterapia, foi um importante marco.

A austríaca Edith Kramer (1916), com olhar bastante avançado para a época, desenvolveu seus estudos na escola de Wiltwych, em New York, na década de 1950.

Deu atenção para o fazer artístico, não apenas ao resultado final, baseada em suas experiências com o grafismo infantil. Por fim, Janie Rhyne (1913-1995) foi imprescindível quanto às aproximações entre a arte e a gestalt, tendo publicado, em 1973, Arte e Gestalt: padrões que convergem.

Explicou como o processo criativo acontece, recorrendo à teoria gestáltica para tanto. Associação Americana de Arteterapia Fundada em 1969 por Margaret Naumburg, traz a definição de que a arteterapia mostra-se como uma profissão assistencial ao ser humano, oferecendo meios a serem explorados os problemas, bem como os potenciais individuais, por meio da expressão verbal e não verbal.

Define ainda que a arteterapia já se mostrava uma profissão desde a década de 1930 e que a terapia através das expressões artísticas reconhece o processo artístico, as formas, o conteúdo, as associações, os reflexos de desenvolvimento, habilidades, traços da personalidade, interesses e preocupações do indivíduo que a estiver fazendo.

Arteterapia no Brasil Osório César (1895-1979)

O então estudante interno do Hospital do Juquery desenvolveu, em 1923, estudos sobre a arte dos alienados, expondo mundialmente os seus conhecimentos através da publicação de artigos, participações em congressos e organizando exposições com os trabalhos dos pacientes, afirmando a dignidade humana deles.

Engenho de Dentro A Dra. Nise da Silveira (1905-1999), aluna de Jung, foi uma das grandes influentes no uso dos recursos artísticos. Na seção de terapia ocupacional do Hospital Psiquiátrico D. Pedro II, no Engenho de Dentro (Rio de Janeiro), a Dra. Nise permitiu que seus pacientes utilizassem os meios artísticos e, com isso, resgatassem seus vínculos com a realidade, pois acreditava que eles, mergulhados no inconsciente, não conseguiam comunicar-se no nível verbal.

Em 1952, ela criou um dos museus mais importantes na área, o Museu do Inconsciente, no qual estão conservados e organizados diversos trabalhos expressivos realizados em seus ateliês de pintura.

Na década de 1980, os cursos de arteterapia começam a tomar forma no Sudeste brasileiro, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. A pesquisadora paulistana Joya Elieser (1951) foi a responsável por ministrar o primeiro curso livre, em São Paulo e, em 1990, a psicoterapeuta Selma Ciornai introduziu o curso de especialização em arteterapia no Instituto Sedes Sapientiae, também em São Paulo.

Após ter sido iniciado, o curso, com abordagem gestáltica, alavancou o uso da arteterapia em diversas áreas, tais como a reabilitação, a psicopedagogia e o ateliê terapêutico.

No Rio de Janeiro, a Clínica Pomar, inaugurada em 1983, tornou-se um importante centro de estudos com orientação junguiana, dirigido por Angela Philippini. Desde então, em diversas outras cidades brasileiras desenvolveram-se outros cursos de arteterapia. Congressos têm sido realizados constantemente, com número crescente de inscritos.

Atualidade

A arteterapia prossegue como um campo em crescimento. O reconhecimento da profissão tem se dado em diversas cidades e países. Seu uso tem sido feito não só diretamente na área da saúde, como nas escolas e empresas, melhorando a qualidade de vida dos envolvidos (pacientes, profissionais, familiares).

No Brasil, dez associações estaduais integram a União Brasileira de Associações de Arteterapia (UBAAT). A arteterapia tem sido empregada tanto individualmente como em grupo, de crianças a idosos. Também é usada como recurso para orientação vocacional, ocupacional, treinamento e seleção, prevenção e educação.

Há utilizações em contextos psicoterápicos que consideram as trocas verbais em torno da produção artísticas mais importantes que a atividade plástica em si. Também observam-se tendências que privilegiam a organização e o enquadramento que o trabalho oferece quanto à estruturação consciente da representação.

Existem ainda profissionais que enfatizam a criação, impedindo a comunicação durante a produção. Nesses casos, uma premissa que é quase unânime entre os arteterapeutas é deixada de lado, que é entender o processo criativo como algo fundamental, não apenas como produto final.

Além disso, a possibilidade de auxílio diante de obstáculos concretos encontradas no processo, que acabam por propiciar o manejo com as dificuldades simbólicas, é prejudicado.

É possível ver ainda ateliês que se utilizam de variadas técnicas, assim como há aqueles em que apenas uma é privilegiada, o que acaba por limitar as possibilidades terapêuticas. As inúmeras manifestações psicossomáticas, distúrbios alimentares, crises depressivas, transtornos do pânico e de ansiedade, entre tantas outras doenças psíquicas, apontam a necessidade de cuidar dos aspectos oriundos do inconsciente, tão em voga na arteterapia.

Na sociedade atual, na qual o raciocínio verbal, exato, rígido é bastante valorizado, a criatividade acaba sendo deixada de lado, embora estudiosos afirmem que, para se atingir uma vida plena e saudável, a existência deveria ser criativa.

Ao explorar diferentes materiais — tinta, aquarela, lápis ou giz de cera —, pode-se recomendar ao paciente que atente à forma como seu corpo está, aos pontos de tensão, à respiração. Assim, ele volta seu olhar para partes muitas vezes desconsideradas e pode perceber diferentes formas de se relacionar consigo. Esse novo olhar pode ser transformando e ampliado para as situações do dia a dia.

Fundamentos

Arte

É uma forma de expressão do ser humano, veículo de comunicação e manifestação da linguagem simbólica, produto da intuição, da observação, do consciente e do inconsciente.

A obra de arte concretiza a vida psíquica de maneira simbólica e o processo de criar, bem como o seu produto, podem servir como meio da resolução do conflito entre os mundos interno e externo.

Carrega uma função essencial ao desenvolvimento humano, pois é capaz de integrar elementos conflitantes.

Psicanálise

Teoria de compreensão do funcionamento psíquico, advinda da medicina, cuja técnica baseia-se no diálogo entre o analista e o analisando (“cura pela fala”). Tematiza questões relativas à mente humana, distantes do conhecimento racional.

O manejo da transferência e contratransferência é uma das chaves que fundamentam a utilização da arte em psicoterapia. A ideia de sublimação, segundo a qual a conduta instintiva impedida de ser inteiramente satisfeita, é direcionada para algo socialmente aceitável ou mais elaborado, também serve como base para a arteterapia.

Freud afirmava que nem toda energia instintual poderia ser sublimada. As obras de arte seriam maneiras de expressar fortes sentimentos e emoções, manifestando o conflito do artista, representando uma forma sublimada sua energia sexual e agressiva.

Fenomenologia

Considera a realidade tal qual ela se mostra no presente e, a partir disso, tenta compreendê-la. A descrição vem antes que a interpretação, isto é, o “como” precede o “porquê”.

Existencialismo

Tem como referência o homem como um ser de responsabilidade, em constante mudança. As relações favorecem a construção e reconstrução eterna. Afirma a prevalência da existência acima da essência.

Gestalt

O todo é diferente da soma das partes. A percepção é subjetiva e a forma variará de acordo com o fundo. Na arteterapia gestáltica, a atenção volta-se para a presença e comportamento do sujeito, observando-se prioritariamente a experiência e menos as razões dela.

Psicologia analítica

A definição de Jung de inconsciente traz um receptáculo no qual conteúdos novos são criados e dinamizados, que abarca conteúdos que a consciência gostaria de expulsar. É postulado, portanto, como uma totalidade dos conteúdos psíquicos.

Dentro dessa concepção, a arte, como resultado aparente destes conteúdos, aparece como reveladora da alma. A criatividade possibilita uma reorganização diferente, que abre novos caminhos.

As técnicas expressivas servem, portanto, como elemento propiciador do resgate do sentido de viver. Traz alguns conceitos fundamentais para a arteterapia, os quais, por sua vez, se baseiam nas seguintes ideias:

– Arquétipo: Formas estruturantes herdadas, comuns à espécie humana, independente da cultura, época ou sociedade. São resultantes do depósito de impressões superpostas deixadas por vivências fundamentais e possuem uma característica de generalidade e universalidade, a serem preenchidos de acordo com a as vivências pessoais.

– Símbolo: Atua diretamente no eixo Ego-Self, isto é, conecta o complexo que comanda a consciência e a psique como totalidade, direcionando a energia psíquica para o seu rumo.

Tem a função de estruturar continuamente a consciência com intermediário entre ela e aspectos novos a serem assimilados. Fator fundamental na organização e compreensão do conhecimento. O reconhecimento de sua importância aproxima a linguagem e o que fazemos com ela. Assim, o ato essencial do pensamento torna-se a simbolização.

– Função transcendente: A circulação da energia psíquica entre a consciência e o inconsciente foi chamada por Jung de função transcendente. A sua mediação pelos recursos expressivos favorece o canal de comunicação com os elos ancestrais, que baseiam a existência e são peças fundamentais para a ampliação da consciência.

Mitologia Importante

Auxiliar na compreensão de temas essenciais à humanidade, abarca as dificuldades e as possibilidades de crescimento inerentes aos desafios impostos.

O contato com os mitos e contos propiciam a ampliação de temas importantes ao desenvolvimento, tanto individual como coletivo. O mito surge como forma primitiva de abstração e pensamento no ser humano e, portanto, o estudo minucioso dos mitos permite o contato com aspectos sombrios conhecidos, disponibilizando ao indivíduo um encontro simbólico consigo mesmo.

Por permitirem um encontro simbólico consigo mesmo, os mitos disponibilizam conteúdos de difícil acesso, mas carregados de conteúdos emocionais.

Terapia ocupacional

Ambiente propício ao estímulo para a adaptação do doente no hospital, bem como para o seu retorno à vida fora dele. Inicialmente, os trabalhos tinham o intuito de acalmá-los através do ensino de técnicas rudimentares de arte.

Com o surgimento da psicanálise, as modalidades terapêuticas passaram a ser utilizadas com função catártica e diagnóstica, além de prognóstica.

O trabalho tornou-se algo realizado no nível consciente, onde há predomínio da utilização de cópias e realização de produtos padronizados.

Na prática

A utilização da arteterapia deve estar sempre e sintonia com o tema e questões com as quais se almeja trabalhar. Portanto, é imprescindível a fundamentação teórica e prática do profissional com cada recurso que será utilizado.

Todos os recursos podem auxiliar o processo de olhar para dentro e favorecer o encontro com os potenciais escondidos, mas a escolha adequada de cada um deles favorecerá o contato com as possibilidades latentes que eles oferecem na direção do desenvolvimento pessoal.

Tempo

A duração mínima para a realização de um projeto terapêutico é, idealmente, um ano, com sessões semanais. O período de adaptação ao ateliê é relativamente longo, requerendo compreensão das expectativas, dos limites, dos materiais, de si mesmo para que o indivíduo se identifique com o arteterapeuta e dele se separe.

Com crianças menores de um quatro anos, recomenda-se sessões de uma hora; para crianças acima de quatro anos, duas horas, e para adolescentes e adultos, de duas horas e meia.

Contudo, deve-se levar em consideração o contexto em que ela está sendo utilizada, já que em ambientes hospitalares, por exemplo, a intervenção deve ser adequada às limitações que o ambiente oferece sem que haja prejuízos.

Ambiente

Preferencialmente, a arteterapia deve ser realizada em um local agradável, acolhedor e seguro, para que o(s) participante(s) possa se entregar e a construção do vínculo fique favorecida.

Dessa forma, torna-se viável a vivência do processo de transformação interior, desencadeada pelo trabalho com a criatividade.

A preparação adequada do setting permitirá a tradução da energia psíquica do indivíduo em algo concreto via as produções e, conforme ocorrem as transformações materiais, são favorecidas as transformações psíquicas. Portanto, o setting deve:

– Ser reservado de forma a oferecer segurança e receptividade, além de estimular as experiências expressivas, a criatividade e ousadias no modo de ser;

– Ser claro e iluminado, e conter móveis adequados para sentarem-se, bem como para arquivar os matérias expressivos e as produções;

– Impedir interferências externas no processo criativo;

– Dispor de materiais variados que facilitem o contato com o inconsciente;

– Possuir uma bancada com pia para higiene das mãos e dos materiais utilizados;

– Ser organizado e limpo.

Da mesma forma que foi feita a ressalva quanto ao tempo, o contexto em que a prática é oferecida exige adequações em relação à idealização do ambiente.

Primeiros passos

Logo no início de qualquer processo arteterapêutico, é aconselhável que se tenha acesso à história de vida do(s) participante(s), para que as necessidades de desenvolvimento sejam conhecidas e, ao mesmo tempo, para que o próprio participante se inclua no processo que se desencadeará.

Trabalho com grupos

Possibilita tanto o alcance da individualidade como de objetivos sociais, por oferecer caminhos de integração conforme as necessidades do coletivo.

Permite que o indivíduo adquira a noção de interdependência, ao mesmo tempo em que o faz ver os benefícios da união de esforços para a solução de problemas, favorecendo o diálogo. As diferenças individuais são mais bem aceitas e o sentimento de inclusão social pode ser experimentado. Para tanto, é importante que, para um arteterapeuta, haja no máximo 12 pessoas no grupo, a fim de que a atenção possa ser bem direcionada a todos. Recomenda-se ainda que as técnicas utilizadas sejam mais estruturadas no início, impedindo o emergir de dificuldades iniciais.

Arteterapeuta

Pode recorrer aos diversos materiais usados nas artes plásticas, bem como estimular a expressão artística do paciente pelo corpo, voz, dramatização ou literatura, focando no processo e não na habilidade técnica, desnecessária. Deve conhecer previamente os fundamentos teóricos de cada material, bem como tê-los vivenciado antes de aventurar-se com pacientes.

A partir disso, deve ter o olhar bastante atento e cuidadoso, do ponto de vista subjetivo e objetivo, ao processo criativo do paciente. Recomenda-se o apoio de um supervisor para auxiliar e habilitar no uso de técnicas mais apropriadas.

O fato do trabalho com imagens favorecer a revelação de aspectos ocultos da psique pode desencadear uma regressão profunda a esses aspectos e, portanto, o arteterapeuta deve estar bem preparado para poder auxiliar o paciente no retorno ao desenvolvimento consciente.

Por meio da expressão artística, a interioridade do homem é revelada; os símbolos já estabelecidos podem ser desafiados via expressão artística, antevendo e concretizando sua compreensão de realidade, mas não é o arteterapeuta quem irá decifrar estes símbolos: ele irá conduzir o paciente a interpretá-los.

Muitas vezes, ao perceber que o arteterapeuta aceita qualquer coisa expressa por ele, o paciente sente-se mais livre para manifestar aquilo que, eventualmente, em palavras teria dificuldade em dizer.

O arteterapeuta surge como um guia facilitador, não transformador. Esperar, sem angustiar-se com o silêncio ou a demora no processo é tarefa fundamental ao arteterapeuta, assim como responder construtivamente à resistência, agressividade e passividade do cliente e lidar adequadamente com a ambiguidade entre a dependência e a busca pela autonomia durante o processo.

São funções suas:

– Facilitar o processo através do oferecimento de diferentes materiais com qualidade, estimulando a produção artística;

– Favorecer a expressão e a ampliação das atividades criativas individuais por meio do vínculo e convívio terapêutico, reduzindo possíveis bloqueios prejudiciais ao processo;

– Promover caminhos expressivos e únicos a cada indivíduo, abrindo a possibilidade para novos caminhos de construção, comunicação e expressão;

– Garantir preparo adequado, confiável e ético do processo terapêutico.

Atividade hospitalar

Os benefícios da arte também podem ser aproveitados em ambientes hospitalares. O objetivo dessa prática é aliviar às tensões e angústias geradas dentro desse contexto e reduzindo o estresse. A prática, nessa situação, dependerá do tempo e do espaço de internação e tem como finalidade exclusiva o alívio de tensões. A escolha dos materiais variará de acordo com as condições do espaço e do cliente, devendo ser previamente selecionados.

Principais nomes

Margaret Naumburg (1890-1983) Nascida em nova York, formou-se psicóloga e se utilizou do método Montessori, no qual formou-se em Roma, para ensinar em escolas públicas nos EUA.

Fundou a “Children’s School”, posteriormente chamada de “Walden School”, na qual colocou em prática a sua crença de que o desenvolvimento da criança deveria ser feito prioritariamente via encorajamento da expressão criativa.

Durante os anos 1940, 50 e 60 escreveu inúmeros artigos e publicou livros, dentre eles o Estudos sobre a expressão livre de Crianças e Adolescentes com distúrbios de comportamento como instrumento diagnóstico, republicado em 1947 como Introdução à arteterapia.

Foi uma das principais responsáveis pelo surgimento da arteterapia como profissão e lutou muito pelo surgimento de cursos de graduação em arteterapia.

Em 1928, escreveu A criança e o mundo. Arte Esquizofrência: seu significado em psicoterapia(1950), Arte psiconeurótica: sua função em psicoterapia (1953) e Arteterapia de orientação analítica: princípios e práticas (1966).

Foi a responsável por sistematizar a Arteterapia. Florence Cane (1882-1952) Irmã de Margaret Naumburg, artista e professora de arte, realizou trabalhos terapêuticos com arte. Assim como a irmã, diz ter sido pouco compreendida por pais e professores durante a infância e desenvolveu métodos de ensino para liberar a expressão artística.

Foi a responsável pelo desenvolvimento do procedimento “scribble tecnique”, aprimorado posteriormente por sua irmã, que o denominou “sribble drawing”.

Edith Kramer (1916) Nascida em Viena, é descendente de artistas de diferentes áreas, além de ter familiares relacionados à Freud. Ao chegar na escola de Wiltwych, em New York, na década de 50, pode desenvolver seus estudos. Valorizou o fazer e o criar a arte, procurando deixar de lado a interpretação e a verbalização. Este método aproxima-se mais da arte-educação, mas contribuiu muito com o desenvolvimento da técnica.

Publicou Arteterapia em um comunidade de crianças (1958) e Arteterapia como terapia com crianças (1971).

Jaine Rhyne (1913-1995) Nascida na Flórida, estudou arte e psicologia. Em 1965, foi a Esalen conhecer Frits Perls (1893-1970), a quem nutria forte admiração e que a incentivou a conduzir grupos em que realizasse experimentos de arte. Em 1973 publicou Arte e gestalt: padrões que convergem. Foi bastante influenciada pela teoria gestáltica para explicar como o processo criativo acontece.

Natalie Rogers (1928) Foi a responsável pelo desenvolvimento de um trabalho chamado Conexão criativa, baseada nos princípios da teoria de seu pai, Carl Rogers (1902-1987). Para facilitar a verbalização, recorreu à pintura, modelagem, dança, expressão corporal, teatro e poesia, procurando inicialmente compreender ao invés de interpretar.

Por meio desse trabalho, abre-se um caminho para a intuição e a criatividade do Self. Fundou, em 1984, o Instituto de Terapia Expressiva Centrada na Pessoa.

Outras visões

O predomínio da ciência, da tecnologia e de recursos com resultados imediatos no mundo moderno fazem com que o público em geral e até mesmo profissionais na área da saúde (médicos, psicólogos e outros) olhem com descrédito para a arteterapia enquanto uma técnica capaz de oferecer melhoras na saúde do paciente, manifestando resistências para entrar no processo e vivenciar a transformação de acordo com o tempo interno de cada um.

Além disso, a exigência do mundo atual quanto ao desenvolvimento de habilidades funcionais, isto é, que sejam bem aproveitadas no mercado de trabalho apresentando resultados imediatos e financeiramente positivos faz com que alguns pacientes, ao se depararem com materiais plásticos, julgam serem estes exclusivos para crianças, oferecendo resistências para entregarem-se.

Como a profissão ainda é uma prática recente, há profissionais que se dizem arteterapeutas embora façam uso dos recursos expressivos como terapia expressiva, interferindo no processo ou descuidando das etapas fundamentais do mesmo, independente do contexto.

O fato de não haver uma fiscalização muito rígida abre um espaço para aqueles que conhecem pouco a profissão e se utilizam dela erroneamente, gerando confusões no público leigo. O fato de favorecer o contato com conteúdos inconscientes pode ocasionar a emersão de traumas, de conteúdos psíquicos carregados de valor emocional e até mesmo levar o paciente a estados regressivos da personalidade.

A falta de preparo do arteterapeuta pode desencadear uma crise que, se não for bem amparada, pode trazer resultados opostos aos esperados.

Por parecer uma técnica de fácil manejo, alguns profissionais recusam as indicações básicas quanto ao aprofundamento teórico e vivencial, bem como a supervisão de um profissional mais experiente que o habilite adequadamente para lidar com as situações inesperadas.

Ramificações

Não são conhecidas, atualmente, escolas ou ramificações importantes provenientes da arteterapia. Com exceção às diferentes linhas teóricas já mencionadas, a arteterapia, sistematizada em meados do século 20 permanece uma prática com desmembramentos pouco conhecidos.

ETC – Expressive Therapies Continuum (Continuum das terapias expressivas) É um modelo de pensamento para utilização e indicações terapêuticas dos recursos em arteterapia criado por Vija Lusebrink e Sandra Graves Kagin que fornece um instrumental bastante útil para se pensar clinicamente os recursos a serem utilizados em cada caso.

É composto de quatro níveis representativos de quatro modalidades de interação com os materiais: Sensório/motor (S/M) – Focaliza a liberação da energia através da ação e movimento.

Os materiais são escolhidos de acordo com as necessidades a serem trabalhadas, mas as respostas neste nível são comumente emotivas.

Perceptual/afetivo (P/A) – Lida com as percepções criadas e os afetos resultantes da interação com os materiais, trabalhando o distanciamento reflexivo. Privilegia-se a seleção de materiais que favoreçam a organização visual, que poderão facilitar a flexibilização do olhar diante à vida.

Cognitivo/simbólico (C/S) – O pensamento abstrato é envolvido neste nível. A internalização das imagens geradas no nível anterior geram imagens mentais associadas a elas, utilizando-se do campo cognitivo (pensamento analítico e lógico) e simbólico (expressão simbólica e metafórica).

Criativo (CR) – Tem o potencial de síntese entre os diferentes níveis, integrando, transformando e expressando em novas experiências. Oficinas Criativas® No Brasil, as Oficinas Criativas®, de Cristina Allessandrini, apresentam-se como uma recente ramificação do tema.

As suas pesquisas, datadas de 1996, trazem o novo método, utilizado em atelier terapêutico, cuja proposta é favorece a expressão criativa de uma imagem interna por meio de uma atividade artística, de um processo de descoberta, de sensibilização, de expressão, de elaboração e de avaliação, constituindo-se como uma forma de intervenção arteterapêutica na psicopedagogia.

A intenção é permitir o exercício das capacidades de aprendizado por meio do uso do potencial psíquico, direcionando o dinamismo energético afetivo e cognitivo a uma melhor qualidade em aprendizagem.

O método consiste em uma sequência básica: sensibilização, expressão livre, elaboração da expressão,transposição de linguagem e avaliação. A interposição destas competências direciona o dinamismo energético de forma a atuar na camada psíquica potencial.

Principais obras

A arte cura? Traz a contribuição de sete autores com experiência na área quanto aos benefícios da criatividade em diferentes contextos e com metodologias diversas.

Percursos em Arteterapia: arteterapia gestáltica, arte em psicoterapia, supervisão em arteterapia.Obra onde são apresentados os conceitos fundamentais que norteiam a prática da arteterapia, priorizando a terapia gestáltica, importante ramo no desenvolvimento do conceito.

Nela, a autora Ciornai apresenta a conclusão de seu bacharelado em artes criativas e sociologia/antropologia em Israel, em 1975. Nessa época, ela entrou em contato com a arteterapia com o prof.

Peretz Hesse, primeiro “mestre” a ensinar-lhe os fundamentos da abordagem fenomenológica em arteterapia. Realizou o mestrado com abordagem psicanalítica na Califórnia, em 1978. Realizou o doutorado em psicologia clínica em Saybrook Institute e retornou ao Brasil em 1983, quando ficou entre o eixo Rio-São Paulo como importante referência na arteterapia e gestalt no país.

Art as therapy with children Escrito por Edith Kramer, uma das pioneiras na arteterapia nos EUA. O livro traz os principais conceitos no campo, recomendado para quem deseja iniciar na área. Introdução à arteterapia Uma das principais obras da área.Conhecida por ter sido a primeira sistematização do uso da arteterapia.

Descobrindo crianças A abordagem gestáltica com crianças e adolescentes. São Paulo: Summus, 1988. Nessa obra, é desenvolvido um sério estudo sobre o crescimento infantil através do uso de diferentes técnicas, criatividade e processos de criação.

Fayga Ostrower escreveu sobre a importância da criatividade, de forma teórica, sensível e poética. Para ela, essa habilidade está presente em todo o desenvolvimento humano. A obra também trata dos diferentes processos mentais envolvidos na criação.

Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito Resultado do encontro entre Gladys Jarreau, experiente na realização de ateliês de artes plásticas, e Sara Païn, estudiosa das relações entre a lógica e o simbólico na construção do conhecimento.

Trata de noções fundamentais quanto ao aperfeiçoamento técnico, exploração dos conteúdos psicológicos e efeitos terapêuticos da produção artística.

Linguagens e materiais expressivos em arteterapia: uso, indicações e propriedades Livro apresenta diferentes utilizações dos materiais expressivos e quais são as recomendações necessárias.

Arte e gestalt: padrões que convergem O livro expõe delicadamente a experiência da autora em seu trabalho, evidenciando a sua ética, curiosidade a postura não interpretativa e observadora, enfatizando a importância da atividade expressiva como integradora e fonte de aprendizagem de si mesmo.

Arteterapia: a transformação pessoal pelas imagens A autora, psicóloga e arteterapeuta Maria Cristina Urrutigaray é uma das principais referências na área, tendo realizado nesse livro um estudo bastante completo quanto a teoria e prática da arteterapia. É um trabalho capaz de instigar o leitor.

Quem influenciou

No Brasil, vale destacar alguns profissionais renomados na área que tiveram suas formações direcionadas pelos preceitos da arteterapia e se tornaram referências nacionais para quem deseja se aprofundar no campo:

Angela Phillipini: Artista plástica, arteterapeuta, psicóloga e mestre em criatividade pela Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha. Fundou e dirige, desde 1983, a Clínica Pomar, importante centro de estudos em arteterapia com orientação junguiana no Rio de Janeiro.

Cristina Dias Allessandrini: Graduada em artes plásticas e em psicologia, mestre e doutora em psicologia escolar e do desenvolvimento humano, é fundadora e diretora do Alquimy Art – Centro de Pesquisa e Aprendizagem, organizando e ministrando diversos cursos de arteterapia no Brasil. É membro do Conselho Diretor da AATESP e atual presidente da UBAAT, autora de diversos livros na área e coordenadora da Coleção Arteterapia da editora Casa do Psicólogo.

Joya Eliezer: Psicóloga, pós-graduada em psicologia clínica, atua como arte-educadora. Foi bastante influenciada pelas principais fundadoras da arteterapia (Margaret Naumburg e Janie Rhyne, além de Natalie Rogers). No Brasil, foi a primeira a ministrar um curso livre em arteterapia, ainda em fins da década de 80 e é fundadora da Associação Brasileira de Arteterapia.

Maria Margarida M. J. de Carvalho: Psicóloga clínica, é pioneira do trabalho em arteterapia em São Paulo. Desenvolveu trabalhos em arteterapia com alunos da graduação em filosofia. Seu interesse na arte a direcionou a olhar para o poder que a arte possuía na realização de diagnósticos. Em 1968 iniciou seus estudos na área e passou a oferecer cursos breves em seu próprio consultório e em algumas instituições, implantando o primeiro curso de especialização em São Paulo.

Selma Ciornai: Graduada em sociologia/antropologia em Israel (1975), mestrado em arteterapia (EUA, 1980) e doutorado em psicologia clínica (1996), é fundadora do curso de especialização em arteterapia no Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo, em 1989, membro credenciado da AATA, membro honorário da UBAAT, é uma das principais expoentes quanto à arteterapia gestáltica no Brasil.

Fontes e inspirações

Sigmund Freud (1856-1939) No início do século 20, o pai da psicanálise trouxe importantes contribuições com seus estudos sobre a mente humana e as inovações propostas por ele no tratamento de seus pacientes. Ao afirmar que, por meio das imagens, o acesso ao inconsciente é favorecido, por haver menos censura atuando sobre ele, abriu um importante caminho para a utilização dos recursos artísticos em contextos psicoterápicos.

Admirador de obras de arte, Freud observou que os artistas podem estar em contato com um conhecimento inconsciente e expressá-lo simbolicamente em produções concretas. Suas principais análises de artistas foram a Gradiva, de Wilhelm Jensen (1837-1911), um texto sobre a vida de Leonardo da Vinci (1452-1519) e uma leitura sobre o Moisés, de Michelangelo (1475-1564).

Carl Gustav Jung (1875-1961) Após romper com Freud, na década de 1930, passou a investigar diversos campos de estudo e observou a existência de disposições inatas para a configuração de imagens e ideias. Tais estados cheias de emoções, em diferentes culturas, nas variadas épocas. Chamou-as de arquétipos e percebeu que elas podem aparecer em sonhos e nos trabalhos artísticos.

Através de suas experiências com pacientes, percebeu que a utilização de recursos artísticos facilitava o contato com os conteúdos de sonhos e sentimentos. Foi o fundador da psicologia analítica.

Osório César (1895-1979) Estudante interno do Hospital do Juquery, César foi fundamental para o desenvolvimento do fazer arte como mecanismo para proporcionar a cura por si e por ser um meio de conexão com o mundo interno que se relaciona ao mundo externo. Segundo ele, o potencial criativo era independente do grau de saúde mental.

César acreditava que os impedimentos da manifestação artísticas dos indivíduos resultavam das condições sociais. Em 1923, desenvolveu estudos sobre a arte dos alienados e expôs mundialmente os seus conhecimentos através da publicação de artigos, participações em congressos e organizando exposições com os trabalhos dos pacientes, afirmando a dignidade humana deles.

Manteve contato com Freud, o que o permitiu analisar e observar os símbolos presentes nos trabalhos artísticos relacionando-os às representações de outras culturas, sendo o precursor no Brasil da expressão de patologias em doentes mentais.

Nise da Silveira (1905-1999) Nascida em Maceió, forma-se médica na Bahia (1926). Foi aluna de Jung entre os anos de 1957 e 1958 e 1961 e 1962. Fundou a seção de Terapia Ocupacional do Hospital Psiquiátrico D. Pedro II, no Engenho de Dentro (Rio de Janeiro), em 1946, onde permitiu que seus pacientes utilizassem os meios artísticos e, com isso, resgatassem seus vínculos com a realidade.

Em 1952, Silveira criou um dos espaços mais importantes na área, o Museu do Inconsciente, no qual estão conservados e organizados diversos trabalhos expressivos realizados em seus ateliês de pintura.

Interligações

Os recursos artísticos são utilizados de diferentes maneiras em diversos contextos. O referencial teórico adotado, bem como a forma como ele será operado em direção a determinado objetivo fará com que o trabalho se configure de um modo ou de outro.

A expressividade e arte, ocupando um papel ou outro, diferenciam a técnica, bem como os recursos artísticos utilizados e a autonomia do trabalho por parte de quem o realiza.

A arteterapia se divide em três principais ramos, que recorrem a psicanálise, gestalt e psicologia analítica como referencial teórico. Além disso, há outras abordagens que são comumente confundidas entre si e com a arteterapia:

Terapias expressivas

São pioneiras no uso da arte como terapia, mas utilizam outros recursos expressivos, tais como o teatro, a dança, movimentos, som, música e escrita, além dos materiais plásticos.

Arte-educação

O objetivo é a aprendizagem. A arte é trabalhada de forma a se olhar para o desenvolvimento mental, emocional e cognitivo individual, inter-relacionando-o a outras áreas do saber. O foco é no global e a ênfase no contexto.

Processos terapêuticos com uso da arte (Art as therapy)

Questão central está no fazer artístico, isto é, a arte é utilizada como recurso terapêutico mas não são feitas amplificações a respeito de seus benefícios psíquicos.

Psicoterapia através da arte (Art as psychoterapy)

O fazer arte serve como veículo facilitador para serem acessados conteúdos que poderão ser verbalizados dentro do processo psicoterápico, realizados exclusivamente por psicólogos. Nesse caso, a arte é apenas um meio para se acessar os conteúdos inconscientes, mas não se exploram os resultados que podem ser obtidos decorrentes do processo de produção.

A arte, neste contexto, facilita a resolução de conflitos.

Musicoterapia

Utilização da música e/ou de seus elementos constituintes por um musicoterapeuta qualificado em um processo cujo objetivo é facilitar e promover a comunicação, relacionamento, aprendizado, mobilização, expressão e organização, dentre outros objetivos terapêuticos relevantes.

Busca o desenvolvimento de potenciais e/ou a restauração de funções do indivíduo na direção de uma melhor qualidade de vida.

Dançaterapia

É uma abordagem terapêutica corporal, no qual o movimento criativo e espontâneo é estimulado por meio da liberação dos movimentos e imaginação. O objetivo é promover a comunicação e integração dos sujeitos, oferecendo confiança para transformações.

Fontes de pesquisa

Allessandrini, C.D. Análise Microgenética da oficina criativa: projeto de modelagem em argila. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.

Allessandrini, C.D. (org). Tramas criadoras na construção do ‘ser si mesmo’. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999.

Andrade, L.Q. Terapias Expressivas: Arte-terapia, Arte-Educação e Terapia Artística. São Paulo: Vector, 2000.

Arcuri, I. (org.) Arteterapia de Corpo e Alma. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.

Bernardo, P.P. A Prática da Arteterapia: Correlações entre temas e recursos, Vol. I: Temas centrais em Arteterapia. São Paulo: editado pela autora, 2008.

Carvalho, M.M.M.J. (coord). A Arte Cura? Editorial Psy II: Campinas, 1995.

Chiesa, R.F. O diálogo com o barro: o encontro com o criativo. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.

Ciornai, S. Percursos em Arteterapia: arteterapia gestáltica, arte em psicoterapia, supervisão em arteterapia. São Paulo: Summus, 2004.

Diniz, L. (org). Mitos e Arquétipos na Arteterapia: os rituais para se alcançar o inconsciente. Rio de Janeiro: Wak, 2010.

Dokter, D. Arts Therapies and Clients with Eating Disorders. London: Jessica Kingsley Publishers, 1994.

Hauser, A. A Linguagem Plástica do Inconsciente. São Paulo: Ed. Ática, 1994. Jacobi, J. Complexo, Arquétipo, Símbolo na Psicologia de C.G. Jung. 9ª Ed. São Paulo: Ed. Cultrix, 1990.

Jung, C.G. Fundamentos da Psicologia Analítica. 12ª Ed. Petrópolis, Vozes: 2004. Lopes, C.P. Memórias da pele: arteterapia como intervenção na depressão. Recife: Libertas, 2012.

Païn, S., Jarreau, G. Teoria e Técnica da Arte-Terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.

Philippini, A. Linguagens e materiais expressivos em arteterapia: uso, indicações e propriedades. Rio de Janeiro: Wak, 2009.

Rhyne, J. Arte e Gestalt: Padrões que convergem. São Paulo: Summus, 2000. Urrutigaray, M.C. Arteterapia: a transformação pessoal pelas imagens. Rio de Janeiro: Wak, 2003.

Urrutigaray, M.C. Interpretando Imagens, transformando emoções. Rio de Janeiro: Wak, 2006. Valladares, A.C. A Arteterapia humanizando os espaços de saúde. São Paulo: Casapsi, 2008.

Associação Americana de Arteterapia

Associação Brasileira de Arteterapia – indica os sites das Associações estaduais no Brasil. http://www.ubaat.org/

Associação de Arteterapeutas do Estado São Paulo

Aprofundamento

Livros ALLESSANDRINI, C.D. (org.). Tramas criadoras na construção do “ser si mesmo”. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999.

ALLESSANDRINI, C.D. Análise microgenética da oficina criativa: projeto de modelagem em argila. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.

ANDRADE, L.Q. Terapias expressivas: arte-terapia, arte-educação e terapia artística. São Paulo: Vector, 2000.

ARCURI, I. (org.) Arteterapia de Corpo e Alma. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.

Bernardo, P.P. A prática da arteterapia: correlações entre temas e recursos, Vol. I: Temas centrais em arteterapia. São Paulo: editado pela autora, 2008.

BERNARDO, P.P. A Prática da Arteterapia: Correlações entre temas e recursos, Vol. II: Mitologia indígena e arteterapia: A arte de trilhar a roda da vida. São Paulo: editado pela autora, 2008.

BERNARDO, P.P. A prática da arteterapia: correlações entre temas e recursos, Vol. III: Mitologia africana e arteterapia: A força dos elementos em nossa vida. São Paulo: editado pela autora, 2008.

BERNARDO, P.P. A prática da arteterapia: correlações entre temas e recursos, Vol. IV: Mitologia criativa e arteterapia: orquestrando limiares. São Paulo: editado pela autora, 2008.

BERNARDO, P.P. A prática da arteterapia: correlações entre temas e recursos, Vol. V: A alquimia nos contos e mitos e a arteterapia: criatividade, transformação e individuação. São Paulo: editado pela autora, 2010.

BERNARDO, P.P. A prática da arteterapia: correlações entre temas e recursos, Vol. VI: Amor, sexualidade, o sagrado e a arteterapia: aproximações mitológicas entre o Oriente e Ocidente. São Paulo: editado pela autora, 2011.

CHIESA, R.F. O diálogo com o barro: o encontro com o criativo. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.

DINIZ, L. (org). Mitos e arquétipos na arteterapia: os rituais para se alcançar o inconsciente. Rio de Janeiro: Wak, 2010.

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JUNG, C.G. Fundamentos da psicologia analítica. 12. ed. Petrópolis: Vozes, 2004.

LOPES, C.P. Memórias da pele: arteterapia como intervenção na depressão. Recife: Libertas, 2012.

MEDEIROS, A. Contos de fada: vivências e técnicas em arteterapia. Rio de Janeiro: Wak, 2008.

URRUTIGARAY, M.C. Interpretando imagens, transformando emoções. Rio de Janeiro: Wak, 2006.

VALLADARES, A.C. A arteterapia humanizando os espaços de saúde. São Paulo: Casapsi, 2008.

Sites ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE ARTETERAPIA.

<disponível em: <http: www.adta.org>. Acesso em: 21 ago. 2013.

ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE ARTETERAPIA. 

ASSOCIAÇÃO DE ARTETERAPEUTAS DO ESTADO SÃO PAULO

CENTRO BRASILEIRO DE DANÇATERAPIA.

FEDERAÇÃO MUNDIAL DE MUSICOTERAPIA.

UNIÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE ARTETERAPIA. 

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