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Bioenergética

O que é

A bioenergética constitui-se como uma forma de compreender a personalidade a partir de uma visão que integra a mente e o corpo. Segundo ela, ambos se relacionam por meio de processos e movimentos energéticos. É uma forma de psicoterapia profunda analítica, relacional e corporal, que busca referência no desenvolvimento do indivíduo para a origem de suas queixas.
Por exemplo, para a bioenergética, fatos ocorridos durante a infância irão afetar a vida adulta, interagindo com a vida atual e com os relacionamentos. A técnica auxilia o indivíduo a reencontrar-se com seu corpo, desfrutando da vida existente nele o máximo possível.
O objetivo é o resgate da natureza primária, que é a expressão livre e espontânea do ser.
Em duas maneiras complementares, a terapia corporal se torna eficiente psicoterapeuticamente: através da reativação de sentimentos, movimentos e reações evitadas. Tudo com o objetivo de tornar acessível o conteúdo inconsciente relacionado a elas e, consequentemente, trabalhar e analisar esse material.
O segundo modo se dá por meio de técnicas que mobilizam o tratamento da energia doente do paciente, as quais acabam por proporcionar relaxamento muscular, dando suporte e encorajando a expressão dos movimentos inconscientes. Tudo isso libera também a manifestação de sentimentos profundos, trazendo uma elevação da autoestima e mudanças no relacionamento da pessoa com o ambiente.
A escolha do termo “bioenergia” é mais facilmente aceitável que a ideia de “energia orgônica”, utilizada por Wilhelm Reich (1897-1957), que desenvolveu a psicoterapia orgônica. A bioenergia, por sua vez, enfatiza as funções do corpo na análise do caráter e na terapia.
Sua principal ideia é: o corpo exibe uma parte da doença; o psiquismo, a outra. O organismo apresenta-se portanto como uma unidade funcional na qual uma parte não exclui a outra. Ao contrário, eles são mutuamente dependentes, de forma que o pensamento afeta o sentimento e vice-versa.
A expressão corporal de um indivíduo é uma importante pista de sua expressão emocional, de sua estrutura caracterológica. Através do reconhecimento desses padrões arraigados, a análise bioenergética concilia a abordagem corporal à verbal e propõe alternativas que possam trazer melhorias na qualidade de vida como um todo.
De acordo com Alexander Lowen, a análise bioenergética considera o prazer como orientação primária do ser humano. A racionalização e intelectualização aparecem, portanto, como principais ocasionadores dos problemas corporais. Elas atuam como filtros que ocultam a verdade corporal e dificultam o acesso às sensações prazerosas, pura e simplesmente.
Bastante influenciado pelos pressupostos reichianos, Lowen compreendia que não é possível desfrutar de uma saúde psicofísica sem a existência de uma vivência sexual plena e gratificante, uma vez que a atividade sexual proporciona um importante esquema: tensão – carga – descarga – relaxamento.
Essas couraças, no entanto, impedem a entrega total do indivíduo no momento do ato sexual, às contrações involuntárias que ocorrem no momento do clímax sexual.
A concepção de desenvolvimento psicossexual, fundamental para a compreensão do indivíduo na bioenergética, considera:
Período pré-genital: do nascimento aos 6 anos, quando se dá o abandono do erotismo oral e um deslocamento à área genital.
Período de latência: dos 6 aos 12 anos, há amenização dos interesses e sensações sexuais, sendo a atenção focada ao papel sexual em relação aos grupos.
Período genital: da pré-adolescência à maturidade, menino e menina caminham ao desenvolvimento e amadurecimento sexual.
É uma técnica que:
Visa à compreensão da personalidade em termos de corpo;
Proporciona melhorias nas funções da personalidade por meio da mobilização da energia presa pelas tensões musculares; e
Aumenta a capacidade individual da experiência de prazer trazendo soluções às atitudes caracterológicas estruturadas no corpo, que interferiam no ritmo e no movimento.

Origem do nome

Também denominada terapia neorreichiana, deriva do termo bioenergia, que se refere à energia existente no organismo que provê a habilidade para funcionar. Corresponde à energia orgônica, conceito desenvolvido por Wilhelm Reich.

Criação

Estrutura corporal Alexander Lowen, baseado em Wilhelm Reich, observou que a história individual está armazenada na estrutura corporal, carregando todas as experiências vividas, desde as relações da primeira infância às experiências atuais, passando por eventuais traumas físicos ou emocionais passados.

Essa carga é armazenada na forma de padrões de tensão muscular crônica, que dão origem ao que Lowen chamou de análise do caráter.

Bases biológicas

A bioenergética centra-se nos processos biológicos relacionados à saúde e à energia que nutrem as neuroses, fundamentando-se na proposta de identidade funcional. É essa fundamentação que permite ao analista oferecer ao paciente exercícios e técnicas que favoreçam a compreensão de seus estados emocionais, a liberação de padrões de tensão e as consequentes alterações relacionais necessárias para com o mundo.

Imagem x experiência corporal

A ideia da bioenergética é adequar a imagem e a experiência corporal e, para tal, se faz uma importante análise da palavra compreensão, em inglês: understanding, entendido como under (abaixo) e standing (estar de pé), isto é, estar sobre as próprias pernas, no sentido metafórico e corporal.

Para Lowen, o processo psicoterápico deve ocorrer em dois momentos inter-relacionados: o verbo e o corpo em movimento.

Nível somático

A energia manifesta nos processos somáticos é a mesma que se apresenta nos processos psíquicos, a saber, a bioenergia. A psicanálise concentra seus esforços no ego, tido por Lowen como uma instância superficial, mais próxima do mundo externo.

Através da bioenergética ele argumenta ser possível aprofundar-se em lugares onde a palavra não consegue chegar. A terapia vinculada exclusivamente na fala atinge somente o nível psíquico, deixando de lado outra parte importante para se atingir a cura: o nível somático.

As energias que não puderam ser descarregadas ficam retidas no corpo, e a cura só se dá quando elas puderem ser liberadas.

Exercícios bioenergéticos

O espaço de trabalho corporal inicialmente desenvolvido por Reich foi ampliado por Lowen, que introduziu o uso da posição de stress para propiciar soltura dos músculos cronicamente tensos. Sentado nesse banco nessa posição, o corpo manifesta um tremor, revelando uma vibração leve.

Outro exercício foi o de respiração, favorecido com o isso do banco de respirar (Stool). O Grounding, outra técnica desenvolvida por Lowen, beneficia a conexão dos pés com o chão, melhorando o apoio e contato com a base, com o objetivo de permitir melhor fluidez da energia e, consequentemente, um bom contato energético.

Experiências ilusórias

A base fornecida pela Teoria do Apego, de Bowlby, permitiu que Alexander Lowen descobrisse a ilusão da expectativa por receber, enquanto adulto, algo jamais obtido durante a infância.

Essa esperança tende ao fracasso, uma vez que nenhuma experiência atual substituirá a falta de outra. O desejo pela aceitação do outro só poderá ser satisfeito pela aceitação da nossa própria totalidade, incluindo os aspectos obscuros do Self.

Toque

Ao tocar alguém, Lowen observou que se faz uma adição de energia ao sistema dessa pessoa, estimulando uma resposta particular em seu corpo. Nesse momento, é feito um convite ao outro para que, inconscientemente, o equilíbrio estabelecido em seu sistema de energia mude e reaja ao ambiente de uma forma que pode parecer que ele é uma ameaça à vida. Tal reação se faz como forma de sobrevivência, gerando ansiedade e ameaça, decorrentes de experiências nas quais o ambiente não ofereceu o apoio necessário.

O toque adiciona calor às áreas congeladas de seu corpo, ajudando-o a retornar à vida e, ao mesmo tempo, reativando a dor ligada a elas. À medida que muda o equilíbrio do corpo, o toque traz de volta a raiva, a tristeza, o amor e o medo até então congelados. Essa sensação remete a problemas na primeira infância e a experiência do toque nesse contexto é um convite à expressão desse sentimento reprimido.

Com o toque do terapeuta se solicita à criança dentro do paciente para responder mais uma vez para o mundo, criando uma relação transferencial com o terapeuta de forma que seja possível interpretar o seu toque de forma bastante diferente do que você queria que fosse.

Dentro do contexto psicoterápico, o paciente tem a oportunidade de ressignificar essa experiência por meio da conscientização das sensações provocadas pelo toque e da sua posterior elaboração.

Histórico

Dr. Alexander Lowen (1910-2008) Mais velho de duas crianças de pais judeus emigrantes da Rússia, nasceu nos Estados Unidos em uma atmosfera familiar constantemente estressante. Cresceu muito sozinho, engajado em atividades físicas. Deu continuidade a essas práticas durante sua juventude. Fez yoga, ginástica rítmica e relaxação muscular progressiva de Jacobson.

A experiência como diretor de esportes em acampamentos de verão somada aos os resultados obtidos após um programa regular de atividades físicas produziram melhorias em sua saúde e em seu bem-estar psíquico, fazendo com que o interesse de Lowen pela área de saúde e qualidade de vida aumentasse.

Formação acadêmica Lowen se formou em Ciências e Mercado e fez seu doutorado em Direito, mas assim que começou a ser paciente de Reich, sentiu a necessidade de fazer um segundo doutorado, em Medicina, na Suíça.

Alguns anos antes, Alexander Lowen estava engajado com estudos sobre a relação mente e corpo, interesse despertado por conta de sua experiência pessoal com atividades físicas.

Os conceitos de eurritmia, relaxação progressiva e yoga vinham sendo pesquisados por Lowen, mostrando a influência entre os processos mentais e as atividades corporais. Essas propostas, contudo, ainda não o satisfaziam por completo.

Base reichiana

Baseada no trabalho de Wilhelm Reich, a bioenergética foi desenvolvida por Alexander Lowen e John Pierrakos (1921-2001). Reich foi professor de Lowen entre 1940 e 1952, na New School for Social Research, em Nova York, na qual o curso sobre a análise do caráter era ministrado.

O interesse de Lowen, naquele momento, era conhecer a fundo as ideias que diziam respeito à identidade funcional do caráter de uma pessoa e como elas se relacionavam com sua atitude corporal, ou couraça muscular – termo desenvolvido por Reich, que diz respeito ao padrão geral das tensões musculares crônicas, desenvolvidas como uma proteção individual contra experiências de forte cunho emocional e carregadas de dor.

As ideias reichianas foram, aos olhos de Lowen, brilhantes, embora a primeira metade do curso ainda tenha sido vista por ele com bastante ceticismo, isso em razão da especial atenção de Reich ao papel do sexo.

Processo de análise na vegetoterapia caracteroanalítica

Logo depois, pouco após o fim do curso, foi iniciado o processo de análise entre Reich e Lowen, entre os anos de 1942 e 1945. A proposta era que Lowen pudesse mergulhar a fundo no trabalho reichiano, a fim de conhecê-lo verdadeiramente.

O convite aceito soou quase como uma proposta didática. Portanto, a primeira sessão se dá com Lowen totalmente despreparado, seguindo os exercícios indicados por Reich meramente como um “observador”.

A primeira sinalização de Reich, no entanto, destaca que Lowen “não estava respirando”, isto é, seu tórax não se movia. Após tal observação, Lowen se concentra, passa a respirar movimentando o tórax e, após o pedido de Reich para que Lowen reclinasse a cabeça, um grito emerge, apontando uma instabilidade até então desconhecida por Lowen.

O seu sentimento a ser trabalhado era o medo, o que se passou em diversas sessões subsequentes. Em outras duas situações, seu corpo manifestou reações espontâneas e involuntárias, que o levaram a reviver experiências anteriores carregadas emocionalmente, até que, após um ano de processo, Reich avaliou que não havia progresso, sugerindo a interrupção das sessões.

Lowen, a partir de então, mergulhou profundamente na análise e apresentou grandes evoluções. Apesar de o processo ter sido considerado bem-sucedido por ambos, Lowen observou, anos mais tarde, que algumas questões importantes não haviam sido contempladas.

Experiência clínica

Quando começou a clinicar, sentiu que a terapia reichiana era insuficiente quanto à extensão da potência orgástica. Ele próprio, como paciente, percebia que o reflexo orgástico atingido no consultório não se reproduzia de maneira satisfatória na vida afora.

Assim, começou a procurar uma abordagem que fosse além da potência orgástica: a vitalidade do organismo e sua qualidade de vida.

Uma das principais diferenças entre Reich e Lowen é que o primeiro concentrou suas atenções na profilaxia da neurose, criando programas institucionais de atuação. Lowen, por sua vez, direciona-se ao contexto clínico-padrão, isto é, ao setting terapêutico, limitando-se a esse ambiente.

Institute of Bioenergetic Analysis

Em 1956, Lowen criou o Institute of Bioenergetic Analysis (IBA), em Nova York, com John Pierrakos e William Walling. Alguns anos depois, porém, eles se separaram e Lowen permaneceu cuidando do Instituto.

Em 1976, com a grande demanda por psicoterapeutas e a expansão internacional da análise bioenergética, o IBA se transformou no International Institute for Bioenergetic Analysis (IIBA), com sede em Zurique, na Suíça. Terapia Bioenergética Após a fundação do Instituto de Análises Bioenergéticas, Lowen sentiu a necessidade de começar um novo processo psicoterápico e pediu a Pierrakos que o analisasse, experimentando exercícios que ele próprio criava.

Apesar de uma experiência delicada, já que Pierrakos era mais novo que Lowen e menos experiente, o processo de três anos serviu para que Lowen pudesse criar exercícios que poderiam ser utilizados em seus pacientes mais adiante, pois acreditava ser importante sentir a técnica antes de oferecê-la a alguém.

Revolução sexual

A década de 1960, quando Lowen publicou uma de suas primeiras obras, foi marcada por bandas de rock que apresentavam letras provocativas. A sexualidade ganhava as ruas e estava na boca de todos. Era a época da “Revolução Sexual”.

Esse período também foi dominado pelo hippie e a contracultura, que pregavam o retorno do homem à natureza, repúdio pela vida urbana e o status quo. A rebeldia movimentava as estruturas, permitindo que novas ideias confrontassem os padrões rígidos. Assim, a psicanálise e seu setting terapêutico rígido foram confrontados por “vivências” e workshops.

A década seguinte, contudo, passa a apesentar os problemas decorrentes de toda a liberdade alcançada, especialmente quanto às drogas. ”Templo de Narciso” Nos anos 1980, o culto ao corpo foi exacerbado.

As academias lotaram e os famosos exibiam corpos musculosos, repletos de cirurgias plásticas e tratamentos estéticos, visando à perfeição. As mulheres, que conquistaram a independência financeira e sexual, afirmavam-se como donas do próprio corpo. Instaurou-se o “templo de Narciso” na sociedade, distorcendo o conceito de beleza em prol de uma estética artificial, que ignora o orgânico.

Atualidade

No Brasil, a análise bioenergética se difundiu especialmente após a vinda de Alexander Lowen, em 1989. Antes disso, apenas a Sociedade Brasileira de Análise Bioenergética (SOBAB), fundada em 1981, na cidade de São Paulo, oferecia cursos de especialização na área.

Em um workshop liderado pelo fundador da AB, em Salvador, diversas pessoas do país inteiro se interessaram em dar continuidade ao trabalho dele aqui, fundando a Sociedade de Análise Bioenergética do Nordeste (SABNB).

Após alguns anos, ao longo da década de 1990, as associações se espalharam, formando outras sociedades em São Paulo (IABSP) e em Belo Horizonte (ABBABH), sempre filiadas ao IIBA.

Desde 1996, quando o Dr. Alexander Lowen deixou o cargo de Diretor Executivo do International Institute of Bioenergetic Analysis, diversos presidentes ocuparam o cargo.

Atualmente, o psicoterapeuta americano Scott Baum e o psicoterapeuta espanhol Francisco Garcia Esteban são, respectivamente, presidente e vice-presidente do IIBA, cuja sede está localizada na Espanha, em Barcelona.

Os membros do IIBA passaram pela formação em sociedades locais, ou ainda à distância. Segunda o IIBA, há cerca de 1600 membros ativos e aproximadamente 50 filiações distribuídas pelo mundo. A análise bioenergética é praticada na América do Norte (Estados Unidos e Canadá), América do Sul (Brasil, Uruguai e Argentina), em diversos países do oeste europeu, na Nova Zelândia e Austrália e, mais recentemente, na Polônia e na Rússia.

Fundamentos

Psicanálise: Tanto a história analítica como a dinâmica familiar são peças fundamentais na formação da personalidade de acordo com a Bioenergética, premissas herdadas da psicanálise. Além disso, o processo de desenvolvimento psicossexual é também baseado nessa escola, fazendo com que as experiências em relação à sexualidade vividas dentro do contexto familiar, as curiosidades e desejos sexuais e a fase edipiana sejam bastante importantes na concepção bioenergética.

A diferença é que a última considera como fator influente para a formação da personalidade o contexto social. Outros conceitos oriundos da psicanálise importantes para a bioenergética são os mecanismos de defesa, os conceitos de resistência, transferência e contratransferência.

Yoga: A prática milenar, relacionada às disciplinas físicas e mentais indianas, associada às técnicas meditativas budistas e hindus, traz benefícios para a postura, respiração e concentração, além de propiciar relaxamento e bem-estar. Inclui a relação entre o cérebro e as sensações corporais.

Experienciada por Lowen durante muitos anos, foi fundamental para que a análise bioenergética se desenvolvesse.

Teoria do apego: Desenvolvida por Edward John Mostyn Bowlby (1907-1990), descreve a dinâmica do relacionamento entre seres humanos, frisando a importância de um recém-nascido estabelecer um relacionamento com ao menos um cuidador primário, de forma a ter um desenvolvimento emocional e social sadio.

A preocupação de Lowen em considerar os primeiros anos de vida como base para relações futuras levaram o autor a estudar diversas teorias do desenvolvimento e, em especial, a teoria do apego, que fornece importantes elementos para a formação de couraças nos primeiros anos de vida. Self Instância do indivíduo que inclui mente e corpo.

Em contato com o self, a autoimagem e o corpo como se apresenta estão em sintonia. Já o falso self leva ao distanciamento de si mesmo e ao encontro com uma imagem vazia e ilusória. O ego é uma espécie de “eu mental”, que estabelece contato com a realidade exterior e apresenta-se como uma membrana permeável que separa o eu do não eu.

Couraça: Termo advindo da terapia reichiana, tem a função de oferecer ao indivíduo uma proteção contra os perigos do mundo externo, requisito fundamental durante a infância.

Os sentimentos, muito intensos, são reprimidos e apresentam-se somaticamente por meio da couraça. Na análise bioenergética, os recursos corporais aliados à fala favorecem a dissolução dessas couraças.

Grounding (ou enraizamento): Técnica que consiste em colocar os pés na terra, soltar os joelhos e favorecer o enraizamento, o centramento, o contato mais pleno dos pés com a terra.

É uma das peças-chave da bioenergética, umas das primeiras técnicas a serem utilizadas em uma sessão, por permitir o contato com as raízes simbólicas (a base da vida). Além disso, é uma técnica de trabalho corporal relativamente fácil para iniciar a percepção do corpo. É o modo como cada um percebe e processa a informação oriunda do organismo e da realidade externa, integrando-os e refletindo-se no modo como nos sustentamos na vida.

Reflete a qualidade da conexão estabelecida com o entorno maternal e familiar, evidenciando uma base segura, que permite a segurança e confiança no entorno, bem como demonstrando possíveis desestabilizações. Portanto, a técnica permite melhorar o modo de se relacionar com o mundo por meio dessa conscientização.

Surrender: O segundo dos conceitos que definem a bioenergética diz respeito a uma profunda entrega de si mesmo, que oferece um relaxamento intenso dos processos defensivos intimamente ligados ao organismo.

Essas defesas acabam por manter o organismo em situação traumática e não permitem a vital pulsação do mesmo.

Graciosidade: O último conceito a ser desenvolvido por Lowen, mais no fim da sua vida, reflete o contato do autor com a espiritualidade. Relaciona-se à graça observada nos animais livres, em seus movimentos, no encantamento proveniente da energia viva que pulsa de seus pés.

Essa pulsação graciosa circulando no organismo resulta em sensações, emoções e sentimentos que o conectam a si mesmo e ao ambiente externo.

Na prática

Objetivo: A bioenergética visa resgatar a natureza primária, que é a expressão livre e espontânea do ser. Ela ajuda a aliviar tensões musculares crônicas, expandir a capacidade para a intimidade, saúde e sexualidade, além de permitir lidar melhor com as dificuldades existentes e aprender novos caminhos.

Método: O trabalho de Alexander Lowen apoia-se, originalmente, em três pontos: a autoconsciência, que leva à experiência das próprias sensações e sentimentos; a autoexpressão, que é a expressão desses sentimentos; e a integração de ambos, por meio da autopossessão.

Setting terapêutico: Por ser baseada na psicanálise, a análise bioenergética estrutura-se em um ambiente bastante similar: sala fechada, reservada, arejada, confortável e segura. O divã está disponível, mas além dele há espaço e instrumentos que favoreçam o trabalho e a expressão corporal, tais como o Stool, uma cama e banco do stress.

Técnica: O processo terapêutico na análise bioenergética é uma aventura à autodescoberta, olhando especialmente para o passado.

A aproximação do corpo permite que o coração se abra para a vida e para o amor, uma vez que a vitalidade das pessoas depende do nível e da fluidez da energia corporal. A rigidez, por sua vez, é proveniente dos traumas não resolvidos, que acabam por reduzir a energia vital, a flexibilidade e a autoexpressão, provocando tensões musculares crônicas.

Os exercícios corporais são utilizados a fim de se minimizar as couraças e recuperar a vitalidade. Dentre eles, estão as técnicas reichianas de respiração e algumas das relacionadas à liberação emocional, tais como exercícios que mobilizam o choro, gritos e batidas.

Com o foco no corpo, os exercícios propõem a ampliação da capacidade respiratória, liberação das tensões musculares, aprofundamento da experiência do sentir e, em paralelo, desenvolvimento do suporte para essas emoções liberadas.

A consciência pessoal e a percepção da realidade são ampliadas, fazendo com que os potenciais individuais sejam favorecidos, tanto os profissionais como os emocionais e/ou relacionais.

O processo se dá por meio de exercícios respiratórios, toques, vibrações espontâneas, grounding, carga/descarga de energia, entre outras técnicas, sempre com o objetivo de criar condições para a dissolução das couraças, musculares e caracterológicas, que impedem a livre expressão do ser, integrando, harmonicamente, o corpo e a mente.

Público-alvo: Inicialmente, a análise bioenergética voltou-se para pessoas com distúrbios neuróticos, tais como depressão ou ansiedade, além de pessoas com problemas relacionados a sexualidade ou relacionamentos.

Atualmente, são beneficiadas pessoas com distúrbios da personalidade, além de o tratar doenças psicossomáticas, por conta da abordagem corporal. Pessoas sem nenhuma queixa clínica podem encontrar, na análise bioenergética, caminhos satisfatórios em meio a vida crítica da sociedade atual ou ainda se aprofundar em seus sentimentos e vivenciar experiências de alegria (ou graça) e criatividade.

Assim, os exercícios são indicados a todos, tanto na forma de prevenção como manutenção da saúde. Eles oferecem ao indivíduo a possibilidade de interagir e entrar em contato com o corpo imediatamente, estando sempre envolvidos os sentidos e as principais áreas corporais.

O trabalho do analista consiste em observar o corpo do paciente, procurando perceber a sua energia, sentir suas emoções, escutá-lo e responder às suas questões.

A linguagem do corpo, incluindo a sua postura, os gestos, a respiração, a mobilidade e a expressão, é o que fornecerá ao terapeuta as informações sobre a personalidade do paciente, trazendo resquícios do passado, do presente e dicas para o futuro.

As técnicas são usadas de acordo com as características individuais, levando em consideração a autoimagem, a autopercepção e o autocontrole. O treino, bastante específico, ensina o analista a palpar e sentir espasmos ou bloqueios musculares, aplicando pressão em prol do relaxamento ou da tensão muscular, observando sempre os sinais de dor do paciente.

Além dos toques, são utilizados limites, grounding, e a compreensão das tensões musculares tendo sempre em vista o alívio dos sintomas em prol de uma vida com mais prazer, alegria, amor e saúde vibrante.

Áreas de aplicação Clínica

É a aplicação originária, podendo se dar por psicoterapia individual, de grupo ou de casal. Nesse contexto, o principal fundamento é a intersecção mente e corpo, além de ser importante localizar a influência da dinâmica familiar na constituição do caráter e o funcionamento do organismo.

O analista deve fazer uma interpretação dos sinais do inconsciente na linguagem verbal e corporal. Organizacional. Nesse caso, integra-se a análise bioenergética à dinâmica de grupo em organizações.

O trabalho é realizado com grupos de aproximadamente 20 pessoas, podendo chegar a mais, nos quais o movimento energético flui de modo dinâmico, com muitos fenômenos ocorrendo ao mesmo tempo.

É comum que a comunicação se dê em subgrupos ou grupos paralelos.

Educacional

O trabalho, nessa área, pode se dar em escolas públicas, particulares ou mistas

Principais nomes

Alexander Lowen (1910-2008). O norte-americano que foi realizar seu doutorado em Medicina após ter iniciado seus contatos com Wilhelm Reich, já que sua formação inicial era em Ciências do Mercado e em Direito, é o fundador e principal divulgador da Bioenergética.

Paciente, aluno e amigo de Reich, sentiu necessidade de expandir a prática difundida por este para além do que ele sentia ser trabalhado no consultório. Questionou o foco na sexualidade e abrangeu a energia dita sexual para uma vitalidade do organismo.

John Pierrakos (1921-2001). Grego, médico psiquiatra e psicoterapeuta, foi um dos fundadores da Bioenergética, junto com Alexander Lowen. Por ter crescido em um pequeno vilarejo da Grécia, ambiente no qual o machismo estava muito presente, a temática da sexualidade era muito presente.

Logo após fundarem o International Institute for Bioenergetic Analysis, separou-se de Lowen e desenvolveu o seu próprio método, a Terapia Evolutiva da Energética da Essência (Core Energetics).

Outras visões

A Bioenergética deu continuidade ao trabalho corporal iniciado por Reich, mas acabou por empobrecer a importante bandeira levantada anteriormente quanto às questões político-econômicas, restringindo as suas ações ao contexto psicoterápico. Assim, há quem critique a utilização da libertação do corpo sem levar em consideração as demais questões defendidas por Reich, por não ser suficiente às mudanças sociais mais significativas: a complexidade das estruturas sociais demanda uma compreensão socioanalítica das engrenagens que as movem.

Possivelmente, em nome do pragmatismo americano no qual foi desenvolvida, a Bioenergética sacrifica o pensamento reichiano baseado na análise filosófica e sociológica das transformações da sociedade.

O limite espacial de atuação do terapeuta da Bioenergética se dá, portanto, na medida em que ele está desprovido de uma percepção de todo integrada, das relações que transcendem a do terapeuta-paciente.

Muito alicerçada na personalidade de Lowen, a teoria Bioenergética pode levar terapeutas a cair em posturas rígidas e totalitárias, quando estes não estiverem bem preparados ou adotaram sem ponderação o que o autor fala.

Há um risco de que, ao invés de se facilitar ao paciente o processo de encontro consigo mesmo, o sujeito seja levado a submeter-se aos ditames do certo ou errado, saudável ou não. Assim, a terapia bioenergética acaba por configurar-se em uma ginástica para a formatação de corpos mais “adequados”.

O fato de Lowen criticar o intelecto, afirmando o seu potencial para afastar o sujeito de suas realidades externas e internas, requer cuidado, pois o corpo também pode gerar confusões; Reich também já havia tecido suas críticas e oferecido caminhos para a solução dessa questão.

O toque em psicoterapia gerou muitas polêmicas, levando a boatos de que terapeutas corporais se envolviam sexualmente com seus pacientes a fim de auxiliá-los em seu processo de descontração sexual. Essa premissa nunca foi defendida pela bioenergética, mas o fato do toque ser um meio para que o paciente possa vivenciar indiretamente por meio de técnicas, a sua paixão transferencial pode ocasionar más interpretações.

Ramificações

Terapia Evolutiva da Energética da Essência (Core Energetics). Desenvolvida por John Pierrakos (1921-2001), cofundador da Bioenergética com Alexander Lowen, tem como base as ideias de Sigmund Freud, Carl Jung e Wilhelm Reich somadas aos conceitos da física quântica.

Depois de se separar dos criadores da Bioenergética, Pierrakos sentiu a necessidade de criar a sua própria escola, que se apoia em três teses: o conceito reichiano de que o ser humano é uma unidade psicossomática, a ideia de que a cura está no interior de cada um e a concepção da formação de uma Unidade a partir de cada existência, que se move em direção à evolução criativa, direção do potencial individual.

Foca na essência do ser humano, utilizando o corpo como instrumento de diagnóstico integrando a mente, a emoção e o espírito. O objetivo é auxiliar o encontro com a própria raiva para chegar ao amor.

Principais obras

O corpo em terapia: O livro no qual o psicanalista Alexander Lowen aborda cuidadosamente a passagem da atuação psicanalítica para a corporal, apresentando as ideias de Reich e Ferenczi como pioneiros no tema. Utiliza a psicanálise como embasamento importante para a bioenergética e tece considerações acerca do lugar que a fala ocupa no trabalho bioenergético.

Amor e orgasmo: O texto, que leva o intertítulo Guia revolucionário para plena realização sexual, aborda basicamente a sexualidade e o modo como a saúde psicofísica é influenciada pela vivência sexual plena e gratificante. Nele, Alexander Lowen discute ainda os distúrbios sexuais a partir dos pressupostos bioenergéticos e inclui, dentre eles, a homossexualidade, o que gerou bastante controvérsias.

O corpo traído: Essa obra de Alexander Lowen aborda o caráter esquizoide e a negação do corpo como um dos principais responsáveis por tal formação caracterológica, apontando ainda as restrições que uma abordagem orientada exclusivamente para a fala oferece a um tratamento deste tipo.

Prazer, O sentido da vida humana é questionado nesse livro, no qual Alexander Lowen aponta o corpo como meio para a obtenção de uma maior plenitude existencial. O egocentrismo da sociedade é duramente criticado, de acordo com o qual o corpo é deixado de lado e as percepções acerca de toda a sua possibilidade prazerosa são ignoradas. Além disso, a obra destaca o prazer como orientação primária do ser humano.

O corpo em depressão: A depressão e o corpo mostram-se extremamente correlacionados nessa obra, que apresenta ainda críticas às teorias que não consideram tal relação, uma vez que as implicações físicas são inegáveis, segundo o autor Alexander Lowen.

O tratamento psicoterápico verbal, ainda conforme as ideias do autor, apresentar-se-ia como um tratamento “pela metade”, já que o processo depressivo, considerado um fenômeno energético, deve ser lidado no tocante à energia, por meio de exercícios bioenergéticos. No livro, é possível encontrar ainda as causas e as implicações biológicas do fenômeno depressivo.

Bioenergética: Nessa obra, Alexander Lowen realiza uma corporificação da neurose que permeia a compreensão da queixa carregada pelo paciente, além de abordar os tipos caracterológicos, explicando-os no nível corporal e psíquico. O livro traz ainda importantes passagens no desenvolvimento da bioenergética, tais como a relação entre Lowen e Reich, a criação das técnicas e o encontro com Pierrakos.

Exercícios de bioenergética: Como o título já diz, essa obra de Alexander Lowen traz a explicação das técnicas da bioenergética, de forma detalhada. Não há novidades teóricas, apenas descrição do caminho percorrido pelo autor até o desenvolvimento da prática.

Medo da vida: O livro trata da noção de entrega ao próprio desespero, de abandono da ilusão, de queda como caminho para a cura. Nela, Alexander Lowen discute a importância de reconhecer a condição primária para que novos caminhos se abram.

Narcisismo: O livro aborda o culto ao corpo e o exagero de uma estética artificial, que busca a felicidade externa e aumenta o distanciamento com a parte orgânica do corpo. O autor fala em self, que incluiria a mente e o corpo; em oposição, destaca o falso self, como uma imagem vazia e ilusória.

O self inflado pode obscurecer a relação com o real sentido de identidade do sujeito, enquanto o contato positivo com o self favorece a consonância entre a autoimagem e o corpo real. A personalidade narcisista, como aponta Lowen, é que se caracteriza pela incapacidade de diferenciar a própria essência do que se acredita ser, havendo uma grande identificação com o ego, com a autoimagem.

Amor, sexo e seu coração: Trata-se praticamente de um manual de autoajuda, abordando a relação entre a neurose e a doença cardíaca. A entrega ao corpo e à vida Alexander Lowen parte da premissa de que a alegria é o estado primordial do corpo e oferece propostas para resgatar essa condição, orientando o leitor a responder aos sinais corporais e liberar a energia de sentimentos reprimidos.

A espiritualidade do corpo: Já com 80 anos, Alexander Lowen apresenta nessa obra a sua preocupação com a espiritualidade nesse livro, que traz uma síntese existencial, fazendo distinções entre a espiritualidade oriental da ocidental.

Quem influenciou

A bioenergética vem influenciando diversos nomes no Brasil e no mundo, desde que foi fundada, há mais de 50 anos. Associações em quase todos os continentes têm formado, anualmente, diversos novos analistas corporais, que seguem fielmente o método desenvolvido por Alexander Lowen em seu International Institute for Bioenergetic Analysis em 1956.

Desde essa época, a bioenergética se desmembrou em outra escola, criada pelo seu cofundador John Pierrakos (1921-2001), a Terapia Evolutiva da Energética da Essência.

Essa abordagem também tem sido responsável pela formação de muitos novos profissionais que buscam a integração da mente e do corpo em prol de uma vida mais plena e saudável.

Interligações

Biodinâmica. Dentre as abordagens corporais neorreichianas, a biossíntese, que integra psicoterapia e massagem, foi desenvolvida pela psicóloga e fisioterapeuta norueguesa Gerda Boyesen (1922-2005), na década de 1960, em Londres.

O autoconhecimento, a potência e a criatividade são estimulados por meio da ênfase no cuidado com a relação terapêutica, considerando cada pessoa como única. As intervenções propostas são adaptadas às necessidades e possibilidades pessoais, favorecendo a conscientização do que está oculto.

Assemelha-se à Bioenergética na medida em que considera corpo e mente como elementos de um mesmo organismo, mas acrescenta a integração sistêmica de técnicas inovadoras de massagem, toque, associação livre de ideias e de movimentos, exercícios mobilizadores e a elaboração simbólica a partir da fala, dos sonhos e da imaginação. Além da base reichiana, a psicodinâmica, neurociências e a psicanálise winnicottiana compõem a sua fundamentação.

Biossíntese. O educador inglês David Boadella (1931-) deu origem a essa abordagem, também baseada nas ideias reichianas, cujo objetivo é favorecer a integração entre as inteligências corporal, emocional, social e espiritual do indivíduo, de forma a permitir a harmonia do fluxo dos movimentos, sentimentos e pensamentos.

Como resultado final, promove a saúde e a felicidade humana. A integração mente e corpo, bem como a crença no melhor fluxo energético aproximam a Biossíntese da Bioenergética.

Cinesiologia psicológica. Desenvolvida por Petho Sándor (1916-1992), médico húngaro, o método fundamenta-se na ideia da integração mente e corpo como caminho para a saúde do ser como um todo. A linha teórica na qual a abordagem se baseou foi, especialmente, a Psicologia Analítica, mas recebeu influências de Wilhelm Reich, J. Schultz e E. Jacobson.

Fontes de pesquisa

CIPULLO, M. A. T. Falando do corpo – o papel do verbo na bioenergética. São Paulo: Summus, 2000.

CORREIA, G. W. B., ALVEZ, J. P. O corpo nos grupos: experiências em análise bioenergética. Recife: Libertas, 2004.

DONICE, M. O que é a análise bioenergética?

FADIMAN, J., FRAGER, R. Teorias da personalidade. São Paulo: Harper & Row do Brasil, 1979.

LOWEN, A. Bioenergética. (1975). São Paulo: Summus, 1982.

LOWEN, A. A espiritualidade do corpo. (1990). São Paulo: Cultrix, 1993.

LOWEN, A. Alegria. A entrega ao corpo e à vida. São Paulo: Summus, 1997.

SANDOR, P. Técnicas de relaxamento. São Paulo: Vetor, 1982.

Aprofundamento

Correia, G. W. B., Alvez, J. P. O corpo nos grupos: experiências em análise bioenergética. Recife: Libertas, 2004.

Sites

The American College of Orgonomy

Bioenergetic Analysis

Bioenergética Brasil

Federação Latino-Americana de Análise Bioenergética

Instituto de Análise Bioenergética de São Paulo

Instituto Lumen

Libertas Comunidade

Ligare Centro de Psicoterapias Corporais

North American and New Zealand Institutes for Bioenergetic Analysis

Sociedade Brasileira de Análise Bioenergética

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