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O que é

A dançaterapia é uma disciplina pedagógica e terapêutica que se relaciona com o movimento corporal e o une à psicologia. O objetivo é propiciar autoconhecimento ao participante, além de desenvolver a criatividade, auxiliar na integração física, social, mental e espiritual.
A principal abordagem terapêutica vinculada à dança é a Dança Movimento Psicoterapia (DMP), baseada no princípio de que o movimento reflete e dá suporte a determinados padrões de sentimento e pensamento. Ela consiste basicamente no uso psicoterapêutico do movimento para melhorar a integração física, emocional, psicológica e cognitiva do indivíduo. Surge do encontro entre a dança e a psicologia e faz parte das “psicoterapias das artes”.
Reconhecendo e dando suporte aos movimentos do cliente, o terapeuta favorece o desenvolvimento e a integração de novos padrões corporais mais adaptados, junto com as experiências emocionais que acompanham essas mudanças. O foco está no comportamento do movimento tal qual ele emerge dentro da relação terapêutica. Pode ser praticado em grupo ou individual, na área da saúde, educação, serviço social ou atendimento particular.
O público alvo pode ser desde crianças a adultos, incluindo problemas de aprendizagem, estresse, deficiências físicas ou mentais, autoconhecimento, reabilitação, tanto em programas de promoção de saúde como em clínicas particulares, individualmente, grupo ou famílias.
Quem pode se beneficiar da dança movimento psicoterapia:
-pessoas com problemas emocionais, conflitos ou estresse;
– pessoas que querem aumentar as ferramentas de comunicação, auto exploração ou autoconhecimento;
– aqueles que vivem experiências ou sentimentos esmagadores ou dificuldade em se comunicar;
pessoas atingidas por trauma ou com prejuízos que podem prejudicar a capacidade de identificar e compreender as áreas de força ou fraqueza;
– pessoas com distúrbios alimentares e problemas com a autoimagem;
questões relacionadas à autoestima.

Origem do nome

A expressão dança vem do francês “danse”, derivado de “tam”, que em sânscrito significa tensão. Sendo assim, a expressão nessa arte inclui uma intensidade corporal e, aquele que dança, relaciona-se ativamente com a natureza.

Considerando o significado da palavra terapia, oriunda do grego e cujo significado é prestar cuidados médicos ou tratar, as terapias vinculas à dança (e suas variações nominais, de acordo com o método adotado) mostram-se como meios de se cuidar do corpo e da alma.

Criação

Danças circulares. Desde os tempos antigos, o desenvolvimento psicológico do indivíduo implica em um constante ajuste da psique aos arquétipos ordenadores, nas suas dimensões conscientes e inconscientes.

Milênios de anos atrás, os arquétipos correspondiam às matrizes míticas de um povo ou de uma cultura. O mito era transmitido, normalmente, partindo de um ponto, tinha uma narrativa, muita vez circular.

As manifestações a respeito das forças sobrenaturais se davam de diversas maneiras, mas as danças circulares mostram-se como uma das mais antigas manifestações humanas em homenagem a essas potências.

Inscrições rupestres datadas de 15.000 a.C., encontradas na França, indicam que os feiticeiros dançavam em círculos, vestidos em pele de animal, tentando seduzir cervos, o que seria possivelmente um ritual de caça.

Na ocasião, as danças eram consideradas sagradas, por constituírem-se como imitações de modelos arquetípicos. Nos períodos Mesolítico e Neolítico, as danças circulares apareciam relacionando-se ao sagrado de formas variadas, desde aquelas feitas para a chuva até para pedir a cura de algum doente.

Em períodos mais recentes, a relação com o sagrado parece perder força, mas encontraram-se registros datados de 6.000 a.C., no Egito, quando os indivíduos dançavam a dança da Estrela, com o intuito de manter a ordem celeste.

Na Grécia, os rituais de amassar as uvas para se fazer o vinho eram regados à música e dança, que contagiavam a todos, em conexão com o deus da dança, do teatro e do vinho Dionísio.

No Brasil, os rituais de se amassar o trigo ocorria de forma semelhante, herança indígena. Há também inúmeras danças circulares provenientes da nossa herança africana.

Energia vital. O poder da dança como energia vital era observado nas culturas antigas, nas quais se percebia a capacidade que ela possui de oferecer a força criativa que favorece o contato com as emoções de forma corpórea e concreta, sendo terapêutica.

Após anos de repressão do lado mais obscuro e menos objetivo da humanidade, o século passado pode presenciar um retorno a valores primitivos e, dentre eles, o resgate do valor sagrado da dança e sua função curativa.

Neste sentido, tem se percebido que dançar não é apenas um “adorno” e, quando presente na educação, mostra-se um meio paralelo de oferecer ao homem uma educação que lhe permita viver com menos medos ou fobias, mas com mais percepção de si mesmo e de seu corpo como meio expressivo em relação à vida.

Fatos verídicos. As precursoras da dança vinculada a atividades terapêuticas estiveram, elas próprias, envolvidas nos benefícios que a atividade oferecia. Marian Chance (1896-1970), lesada seriamente nas costas após um grave acidente, viu suas atividades de lazer prejudicadas em razão das fortes dores que sentia.

Graças a um médico, que a orientou buscar a dança para fortalecer a musculatura de suas costas, descobriu em si potenciais ocultos, reordenou seus próprios limites e encontrou uma nova forma de prazer que a levou a especializar-se no assunto, desenvolvendo a Dança Movimento Terapia.

Na DMT, o movimento possibilita o autoconhecimento, permitindo um caminho para se adentrar em partes mais profundas de si mesmo e, consequentemente, em sentimentos difíceis de serem expressos verbalmente. São exploradas novas formas de ser e sentir, dando início a uma modificação gradual no ser.

A redescoberta do prazer do movimento livre, sem julgamentos, é propiciada pela DMT, abrindo ainda caminho para o desenvolvimento das capacidades e habilidades do ser. Embora não tenham tido a vida pessoal tão diretamente relacionada ao desenvolvimento das técnicas, María Fux (1922) e Trudi Schoop (1904-1999) aproveitaram de suas experiências profissionais para criarem métodos próprios que usavam a dança como intervenção terapêutica.

Fux, na sua experiência com uma garota deficiente auditiva, observou a importância da dança e aprimorou seu trabalho com esse público, tornando-se uma importante referência na área. Já Schoop, que tinha uma bagagem cômica em sua formação, utilizou-se destes recursos para lidar com pacientes psiquiátricos em hospitais, levando-a a desenvolver a body-ego technique.

Histórico

Caráter mágico. Os benefícios da dança como uma arte com finalidades terapêuticas pode ser visto em diferentes civilizações. Nas culturas tribais, era através da dança que se estabeleciam relações entre o mundano e o mundo espiritual, entre o humano e a natureza.

As danças eram também utilizadas para celebração de eventos importantes, eram também formas de integração do indivíduo à sua comunidade. Nas danças xamânicas, é forte a presença da capacidade de cura dessa arte.

Conforme a sociedade foi se tornando patriarcal, priorizando a razão e a ciência, o caráter mágico e poderoso da dança foi se perdendo, passando a ser vista como uma atividade de lazer e entretenimento.

A industrialização e o crescimento urbano contribuíram para que as danças circulares perdessem sua força, estando presentes apenas em apresentações folclóricas ou grupos étnicos.

Na Idade Média, a dança foi proibida pelo Conselho de Toledo e, em 1298, era considerado um pecado grave.

Dança moderna. Apenas na década de 1920, com o advento do modernismo nas artes e a sua busca por novos padrões de realidade, surge a dança moderna, que abre portas para novas abordagens do movimento corporal, rompendo com as orientações clássicas até então vigentes.

A dança foi incorporada às teorias de movimento e psicológicas, configurando-se como prática terapêutica. Inicialmente, o desenvolvimento de tais práticas se deu na América do Norte e na Europa. Acompanhando os avanços da psicologia, a dança passou a oferecer meios para expressividade.

Os primeiros bailarinos modernos buscaram maneiras de revelar o inconsciente através do movimento. Tal olhar justificava-se pelo fato de acreditarem que a dança poderia explorar os sentimentos pessoais e temas universais.

Foram desenvolvidos, ainda nessa época, métodos para a utilização da dança como movimento educativo, examinando-se as relações entre estrutura, função e emoção. Segunda Guerra Mundial.

A década de 1940, marcada pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945), trouxe uma grande demanda por alternativas de tratamento aos feridos e sobreviventes da guerra, cujas marcas psicológicas não podiam ser tratadas com os métodos vigentes.

Em 1942, a dança como intervenção terapêutica foi, então, proposta no St. Elizabeths Hospital, em Washington D.C., nos EUA. Lá, a dançarina e já conhecedora dos benefícios terapêuticos da dança Marian Chace (1896-1970) cuidava de pacientes traumatizados pelo conflito.

Pela primeira vez, a dança foi utilizada para comunicar coisas que a fala não era capaz. Essa prática apresentou excelentes resultados e levou Chance a continuar seus estudos, publicando artigos e oferecendo workshops. American Dance Therapy Association (ADTA).

Na década de 1960, com o conhecimento bastante ampliado, Marian Chace ajuda a desenvolver a Associação Americana de Dança Terapia (American Dance Therapy Association) e se torna a primeira presidente, entre 1966-1968.

A Dança Movimento Terapia (DMT) é uma das práticas pioneiras na área. A instituição abriu espaço para diversas outras formas de terapias vinculadas à dança. Dançaterapia. Quase que simultaneamente a Marian Chace (1896-1970), María Fux (1922), na Argentina, desenvolve a Dançaterapia (1968), técnica semelhante à DMT e que se mostrou influência importante na América Latina, sendo uma das principais abordagens adotadas.

Na década seguinte, os estudos na área da dançaterapia e na educação são desenvolvidos e expandidos para Espanha, Portugal, Inglaterra e Israel. Já nas décadas de 80 e 90, o trabalho é implantado na Itália e, no Brasil, são lançadas várias obras sobre o tema.

Atualidade

No Brasil, o pioneiro na formação da Dança Movimento Terapia é o CEFID – Centro Internacional de Formação de Dançaterapia, que habilita o profissional a atuar em âmbito nacional ou internacional, por seguir os preceitos da ADTA – American Dance Therapy Association, a primeira a ser fundada nos Estados Unidos, em 1966.

No inicio dos anos 2000, é feita a parceria entre a Mc Gross (atual Centro Brasileiro de Dançaterapia, dirigido por Mirian Loverro, criadora e gestora do programa de Formação em Dançaterapia no país) com o Centro Creativo de la Danzaterapia, em São Paulo.

Dessa parceria, é criado e implantado o Programa Brasileiro de Formação em Dançaterapia e da certificação, em São Paulo, da turma pioneira de profissionais em Dançaterapia.

Atualmente, a dançaterapeuta Mirian Loverro, diretora do Centro Brasileiro de Dançaterapia, dá continuidade ao trabalho de María Fux em território nacional.

O Centro Brasileiro de Dançaterapia conta, em seu corpo docente, com a colaboração de diversos e renomados profissionais brasileiros e estrangeiros.

O amadurecimento da profissão pode ser visto em diversos debates entre profissionais no mundo inteiro, além de haver um número crescente de pesquisas sendo publicadas.

Novas escolas que vinculem a terapia às danças vêm se firmando, conforme as novas gerações de profissionais vão se formando e descobrindo novidades na área. Experiências positivas com os mais variados públicos vão consolidando cada vez mais a área.

Fundamentos

A Terapia vinculada à dança baseia-se em diversas disciplinas convergentes

Música: Função essencial à natureza humana, a música está presente em diversas culturas e em diferentes épocas. É um importante fator de identificação, uma vez que há músicas próprias em diferentes povos, que se identificam com elas como sendo de sua origem. Exerce influência sobre sua conduta e seu estado de funcionamento.

Ciência: Diz respeito ao conhecimento ou prática sistemática, em um sentido amplo. Refere-se ainda ao sistema de aquisição de conhecimento realizado através do método científico, resultando em um corpo organizado de saber a partir do que foi pesquisado. Portanto, a ciência é uma atividade humana baseada em princípios desenvolvidos racionalmente.

Utiliza um método definido, por meio do qual são produzidos, testados e comprovados conhecimentos considerados objetivos e de validade geral.

Musicoterapia: Utilização da música e seus elementos — som, ritmo, melodia e harmonia — para facilitar a comunicação, o aprendizado, o relacionamento, a expressão e a organização.

Essa técnica pode trazer benefícios físicos, mentais, emocionais, sociais e cognitivos. O uso da música tem como objetivo oferecer uma estrutura na direção de ajudar pessoas com questões emocionais, de comportamento ou dificuldades físicas, configurando-se como uma ciência da medicina em desenvolvimento que favorece o equilíbrio entre a mente, o corpo e a realidade.

Arteterapia: A técnica surge como um meio que favorece o caminho ao autoconhecimento por meio de variados recursos artísticos. O desenvolvimento do potencial criativo de cada um é promovido, beneficiando a possibilidade de serem descobertas novas formas de olhar o mundo através da expressão artística.

Dessa forma, abre-se um meio para que novas posturas sejam adotadas e para que a vida ganhe nova significação, construindo uma existência mais gratificante. Possibilita ainda a reconstrução e integração da personalidade, criando uma condição de transcendência das vivências pessoais imediatas, além de aumentar a autoestima, na medida em que há uma apropriação da capacidade de inovação.

Cinesiologia: Esta ciência tem como objetivo estudar os movimentos corporais, procurando compreender as forças atuantes sobre um objeto ou um corpo humano e manipulá-las de forma a melhorar o desempenho humano e prevenir lesões.

Psicologia: Trata-se do estudo do comportamento e dos processos mentais, focando especialmente no indivíduo. Busca o conhecimento objetivo, baseado em fatos empíricos.

Cultura oriental. A influência da cultura indiana, na qual o deus Shiva, deus da dança, é um dos responsáveis pela criação do universo, é muito presente em diversas vertentes da dança como terapia. O corpo de Shiva é o instrumento da transformação e a vida transcende por meio dele. O início de sua dança envolve todas as formas de existência no processo de transformação.

O mito conta que um demônio gigante, na figura de um elefante, se opõe ao deus, que dá início a uma batalha de dança na qual o elefante deve dançar até a morte. Após seu fim, o deus Shiva realiza, com encanto e agilidade, as danças da vitória e da morte da natureza.

A dança aparece, portanto, como atributo de Shiva que, através dela, confere vida à matéria, criando e dando sustentação aos seus fenômenos.

Na prática

Fundamentos. Os fundamentos da técnica se baseiam no entrecruzamento da arte com a ciência. Parte-se do princípio que o estado emocional e a personalidade de cada um encontram-se refletidos em seus movimentos e que, portanto, a alteração em seus padrões de movimento poderá resultar em transformações na saúde emocional e física do indivíduo.

A proposta consiste em favorecer a consciência da pessoa como um ser da natureza, que participa de uma forma ou de outra dos ritmos biológicos, dos rituais sociais e comunitários da dança do universo. Promove, portanto, o encontro com a totalidade, reduzindo a separação mente e corpo tão valorizada pelo mundo moderno, reintegrando os fragmentos das polaridades.

Não há, na dançaterapia, a preocupação com o belo e a estética. Quem faz essa prática não deve ser necessariamente um dançarino profissional e, portanto, não há exibição nem plateia.

O movimento é expressão da escuta interna da forma autêntica de ser. Dessa maneira, é possível encontrar os próprios limites, apendendo a respeita-los. Sessão. Como as técnicas dentro da Dança Movimento Terapia variam de acordo com as necessidades e habilidades do cliente, as atividades dentro de uma sessão de DMT também podem ser várias.

Normalmente, a sessão implica em algum tipo de movimento, que pode ir desde os mais sutis até os mais expansivos, passando por passos aprendidos ou imitados até aqueles que surgem de um total improviso, sem haver julgamentos.

Especialista. O profissional da dança pode ser das áreas da saúde, artes, comunicação, educação e esportes, bem como professores de dança ou da área de recursos humanos. Ele não precisa ser excelente dançarino, mas é recomendado que ele tenha bons conhecimentos e aptidão para a dança e para o movimento corporal, além de ter aulas práticas por ao menos dois anos, o que vai ajuda-lo a ter insights em relação à formas de danças, ritmos, padrões e experiências.

O conhecimento teórico e prático é, portanto, recomendado, bem como é importante que desenvolva a paciência, intuição, empatia e criatividade. O seu trabalho consiste essencialmente em utilizar o movimento e a dança como linguagem, com finalidade terapêutica.

A sua função é a de abrir canais de comunicação que facilitem a relação da pessoa com a dança, a música, o silêncio, a escrita, o desenho, a palavra, o humor e os estímulos intermediários. Ele deve manter-se constantemente atualizado sobre as novidades na área, incrementando os seus atendimentos.

Técnicas. As técnicas que podem ser utilizadas em uma sessão de Dança Movimento Terapia são muito amplas, podendo variar de acordo com as necessidades e habilidades dos participantes.

Os movimentos podem ser desde bem sutis até improvisos na dança. De um modo geral, a ideia é transformar a rigidez do corpo em elasticidade, motivando a alegria de viver e direcionando o indivíduo em busca de uma melhor qualidade de vida.

O prazer, a concentração a paciência, o acolhimento, o respeito às diferenças e a ternura são trabalhadas. Local. O mais importante em uma sessão de DMT é o vínculo entre o facilitador e o paciente.

Não há estudos que descrevam um espaço com características determinantes para que a atividade ocorra, bastando que ele tenha um mínimo de espaço e, em alguns casos, que tenha espelho para que o paciente possa ver o seu próprio movimento. Além disso, dependendo do método, é aconselhável que haja outros recursos expressivos que facilitem o acesso aos conteúdos inconscientes que emergem durante o movimento.

Além disso, como a dança vinculada à terapia pode ocorrer em ambientes variados, desde hospitais até clínica particular, passando por escolas e empresas, a flexibilidade de sua atuação permite que o ambiente não seja algo rígido.

Principais nomes

Marian Chace (1896-1970). Americana, dançarina e dançaterapeuta, iniciou seu contato com a dança após sofrer um acidente que machucou as suas costas, tornando muito dolorosa a arte de pintar ou desenhar.

Um médico sugeriu que ela tivesse aulas de dança para fortalecer suas costas e este se tornou o seu “meio natural de comunicação”, o que fez com que ela decidisse dar aulas de dança na Denishaw School of Dance, em Nova Iorque. Desde então, seus conhecimentos e desenvolvimento na dança foram se ampliando até que, na década de 1940, a sua reputação era tamanha que os médicos mandavam pacientes para terem aulas com ela.

Em 1942, foi convidada a trabalhar no St. Elizabeths Hospital, em Washington D.C., nos EUA, período em que as consequências psicológicas da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) eram sentidas e havia uma abertura para novos métodos de tratamento. Então, pela primeira vez, foi oferecido a “Dança para Comunicação” e, em 1947, ela se tornou a dançaterapeuta em tempo integral.

Seu interesse a levou a publicar artigos e oferecer workshops e, na década de 1960, ajudou a desenvolver a Associação Americana de Dança Terapia (American Dance Therapy Association) e se tornou a primeira presidente, entre 1966-1968.

Rudolf Laban (1879-1958): Nascido na Hungria, Laban foi o responsável por desenvolver uma forma de tratamento chamado Dança Expressionista, cujo objetivo principal consistia em expressar as emoções.

Com toda a vida dedicada à dança, foi considerado, na década de 1920, um grande mestre e uma força impulsionadora da área. Rompeu com os rígidos padrões dominantes na época e ofereceu a possibilidade de se trabalhar com a forma natural do movimento das pessoas, sendo o grande impulsionador do movimento criativo.

Irmgard Bartenieff (1900-1981). Alemã, dançarina, coreógrafa, pioneira nos estudos da dançaterapia e discípula de Laban. Levou sua técnica para o campo do treinamento físico, desenvolvendo seu próprio método de reeducação corporal chamado Bartenieff Fundamentals, que se tornou parte dos estudos de movimento Laban.

Sua experiência com reabilitação de pacientes vítimas da poliomielite, no Polio Service of Willard Parker Hospital, em Nova Iorque, a levou a desenvolver os primeiros passos da sua técnica.

Em 1978, fundou o Laban/Bartenieff Institute of Movement Studies Blanche Evan (1909-1982). Desenvolveu a chamada Dança Criativa como Terapia, acreditando que tudo que não poderia ser expresso por palavras ou poderia ser feito através da dança.

Sua especialidade era com crianças, mas trabalhou também com adultos. Foi uma das fundadoras da ADTA (American Dance Therapy Association). Liljan Winifred Espenak (1905-1988).

Realizou trabalhos importantes com crianças com necessidades educativas especiais e problemas comportamentais. Isso a levou a desenvolver um conjunto de testes de diagnóstico de movimento (MDT) que fornecem informações sobre os componentes negativos ou positivos da personalidade do cliente.

María Fux (1922). Bailarina, coreógrafa e dançateraputa argentina, é conhecida pelo desenvolvimento de um sistema próprio de dançaterapia. Cresceu no bairro de Caballito, em Buenos Aires, sendo apaixonada por dança desde pequena. A sua experiência pessoal e profissional a fez tornar-se uma importante referência na área.

A partir de uma experiência com uma garota surda, interessou-se em aprofundar-se no manejo com esse público, preocupando em não diferenciá-los dos ouvintes e incluindo-os em suas sessões, expandindo essa característica para todos seus trabalhos.

Trudi Shcoop (1904-1999). Nascida na Suíça, foi uma dançarina cômica pioneira no tratamento das doenças mentais com a dançaterapia. Ela estudou ballet e dança moderna após já estar estabilizada como uma performer.

Desenvolveu o que ela chamou de body-ego technique, que tinha o objetivo de tirar o paciente do isolamento através do movimento e ajuda-lo a responder ao contato humano, ao invés de se esconder ou fugir. Foi especialmente no Camarillo State Mental Hospital que ela encontrou respaldo para desenvolver a sua técnica, após ter trabalhado em diversos outros hospitais na Califórnia.

Mary Starks Whitehouse (1911-1979). Ainda estudante interessou-se pela Psicologia Analítica e treinou como psicoterapeuta antes de se tornar uma dançarina profissional e, posteriormente, professora.

Em suas sessões com pacientes psiquiátricos passou a incorporar a dança movimento terapia, mais ou menos ao mesmo tempo em que Marian Chance o fez, em Washington D.C, nos EUA.

O seu interesse na imaginação ativa, da psicologia analítica, fizeram com que ela desenvolvesse um processo de psicoterapia experimental feita em grupo na qual os participantes eram encorajados a expressar espontaneamente a exploração do movimento, o que mais tarde ficou conhecido como Movimento Autêntico.

Janet Adler. Dançaterapeuta e psicanalista, estudou com Mary Whitehouse e a ajudou a fundar o Instituto Mary Starks Whitehouse, a primeira escola a estudar e praticar o Movimento Autêntico.

Desenvolveu os estudos inicialmente pesquisados por Whitehouse, de acordo com o qual o movimento realizado de olhos fechados favoreceria um mergulho mais profundo e uma expansão maior da consciência. Escreveu “Offering from the Conscious Body – The Discipline of Authentic Movement”

Outras visões

Pesquisas realizadas pela Cochrane Collaboration, uma organização voltada a pesquisas que validem ou confirmem informações médicas em métodos apesentados apontaram que não há evidência quanto aos benefícios físicos ou psicológicos da Dança Movimento Terapia com pacientes com câncer.

O mesmo ocorreu com pacientes esquizofrênicos, dizendo que não há nada que prove ou que contradiga as vantagens com esse público. A quantidade de pesquisas acadêmicas ou artigos que servem de embasamento científico e apontam os resultados positivos da Dança Movimento Terapia com os mais variados públicos não é tão ampla ou satisfatória quanto as suas aplicações.

O tempo em que ela está sendo praticada, por sua vez, é mais extenso, bem como a amplidão de seu público beneficiado, mas, ainda que haja pesquisas realizadas no assunto, elas ainda são insuficientes para que a sua aceitação científica seja maior. Aqueles que desconhecem a sua metodologia e seus fundamentos podem comentar que é algo muito simples e sem embasamento teórico, podendo ainda confundir os benefícios terapêuticos que uma atividade de dança pode ter com uma sessão de Dança Movimento Terapia ou alguma de suas variações.

Isso porque ela é um método muito amplo e muito acolhedor, podendo beneficiar todos que desejarem. O fato de haver uma gama muito grande de métodos, variando de acordo com as necessidades e habilidades do público a ser atendido, pode fazer com que haja certa confusão quanto às especificidades daquele escolhido, já que eles são muito parecidos.

Conforme os especialistas foram se aperfeiçoando, novas modalidades foram se desenvolvendo e se diferenciando, ainda que em graus muito pequenos. Assim, misturas podem ser feitas entre os diferentes métodos, descaracterizando-os.

Ramificações

Contato autêntico. Esta técnica, desenvolvida por Soraya Jorge e Guto Macedo, surge do encontro entre o “Movimento Autêntico” e “O Contato Improvisação”. Ela investiga a desconstrução de modelos na perspectiva dos novos que surgem desse processo, que trabalha na crença de que o corpo precisa se descondicionar de certos padrões e assumir um encontro com o meio ambiente, bem como com a sensibilidade humana e as contradições da sociedade atual.

Contato Improvisação (CI). A técnica, criada na década de 70 por um grupo de coreógrafos e bailarinos norte-americanos, ligados à dança moderna, consiste em um sistema de movimentação no qual o toque entre duas ou mais pessoas geram o fluxo dos movimentos.

Os artistas participantes do grupo inicial fundaram uma companhia da dança, a Grand Union, que tinha por base metodológica o improviso grupal. Esta companhia foi resultado dos incômodos com as formas massantes e formatos corporais pré-estabelecidos das escolas e companhias de dança e, em 1972, apresentaram um espetáculo chamado Magnesium, oficializando o CI.

O Contato Improvisação surge como um caminho para a expansão da percepção corporal, da percepção das qualidades tônicas, dos centros gravitacionais, dos encaixes e das possibilidades corporais. Sistema Laban/Bartenieff. Extensão do Movimento Laban, foi desenvolvido por Irmgard Bartenieff (1900-1981) em função da sua experiência com pacientes vítimas da poliomielite, com os quais desenvolveu um método de reeducação corporal chamado Fundamentos de Bartenieff, incluído no Sistema Laban/Bartenieff.

A técnica consiste na observação e descrição do movimento, considerando que estar vivo é estar em movimento e pode ser aprendida no Instituto de Estudos do Movimento Laban/Bartenieff, fundado em 1978. Dança Terapêutica. Idealizada pela italiana Elena Cerruto, é fruto da experiência da autora com a Dança Movimento Terapia e de sua formação com María Fux, que desenvolveu a dançaterapia.

A sua base na dança moderna e também na filosofia oriental a levou a desenvolver um método próprio, na Itália. Segundo Cerutto, a dança terapêutica é a dança na sua forma mais simples: a linguagem das emoções profundas.

Na ação criativa da dança, se realiza um percurso de transformação na continuidade, um caminho na espiritualidade do corpo. O espaço-tempo da dança, na qual se misturam o sentido de limite e o sentimento de transcendência, resulta uma viagem de pesquisa, confronto e crescimento.

Principais obras

No ritmo do coração: dançaterapia entre oriente e ocidente Publicada em 2009, essa obra traz o resultado das experiências e estudos da autora, bem como o entendimento de sua metodologia. Dançaterapia Clássico de María Fux, publicado em 1988, onde é possível encontrar um relato das diferentes experiências da autora com crianças, adolescentes e adultos afetados por deficiências sensoriais ou motoras.

As possibilidades de trabalho são abordadas, mostrando como é possível a recuperação do equilíbrio e a alegria da vida. Dança, experiência de vida Obra de María Fux, publicada em 1983, consiste em um resumo autobiográfico dos mais de 30 anos de experiência da autora na área, mostrando como é possível a expressão através do corpo como meio de comunicação, mesmo quando há problemas de deficiência física ou algum outro tipo de limitação.

A formação em dançaterapia O livro de María Fux, autobiográfico, traz contribuições pessoais da autora a respeito da prática em dançaterapia através do relato das vivências que a autora teve que permitiram a descoberta do próprio corpo, o enriquecimento de seu movimento e o desenvolvimento de sua criatividade.

Depois da queda… dançaterapia! Livro a respeito da experiência da autora María Fux que, após sofrer uma queda e fraturar a patela, utilizou-se da dançaterapia para entrar em contato com as partes sadias de seu corpo e determinar a reconstrução corporal.

Quem influenciou

Contato autêntico. Esta técnica, desenvolvida por Soraya Jorge e Guto Macedo, surge do encontro entre o “Movimento Autêntico” e “O Contato Improvisação”. Ela investiga a desconstrução de modelos na perspectiva dos novos que surgem desse processo, que trabalha na crença de que o corpo precisa se descondicionar de certos padrões e assumir um encontro com o meio ambiente, bem como com a sensibilidade humana e as contradições da sociedade atual.

Contato Improvisação (CI). A técnica, criada na década de 70 por um grupo de coreógrafos e bailarinos norte-americanos, ligados à dança moderna, consiste em um sistema de movimentação no qual o toque entre duas ou mais pessoas geram o fluxo dos movimentos.

Os artistas participantes do grupo inicial fundaram uma companhia da dança, a Grand Union, que tinha por base metodológica o improviso grupal. Esta companhia foi resultado dos incômodos com as formas massantes e formatos corporais pré-estabelecidos das escolas e companhias de dança e, em 1972, apresentaram um espetáculo chamado Magnesium, oficializando o CI.

O Contato Improvisação surge como um caminho para a expansão da percepção corporal, da percepção das qualidades tônicas, dos centros gravitacionais, dos encaixes e das possibilidades corporais. Sistema Laban/Bartenieff. Extensão do Movimento Laban, foi desenvolvido por Irmgard Bartenieff (1900-1981) em função da sua experiência com pacientes vítimas da poliomielite, com os quais desenvolveu um método de reeducação corporal chamado Fundamentos de Bartenieff, incluído no Sistema Laban/Bartenieff.

A técnica consiste na observação e descrição do movimento, considerando que estar vivo é estar em movimento e pode ser aprendida no Instituto de Estudos do Movimento Laban/Bartenieff, fundado em 1978. Dança Terapêutica. Idealizada pela italiana Elena Cerruto, é fruto da experiência da autora com a Dança Movimento Terapia e de sua formação com María Fux, que desenvolveu a dançaterapia. A sua base na dança moderna e também na filosofia oriental a levou a desenvolver um método próprio, na Itália.

Segundo Cerutto, a dança terapêutica é a dança na sua forma mais simples: a linguagem das emoções profundas. Na ação criativa da dança, se realiza um percurso de transformação na continuidade, um caminho na espiritualidade do corpo.

O espaço-tempo da dança, na qual se misturam o sentido de limite e o sentimento de transcendência, resulta uma viagem de pesquisa, confronto e crescimento.

Fontes e inspirações

O conhecimento oriental, aplicado à dançaterapia, visa à integração e equilíbrio do ser corpo/mente. A base milenar da dança é a utilizada prioritariamente na formação em DMT em algumas escolas, tais como o Centro de Formação Internacional em Dançaterapia, de acordo com a qual o profissional desenvolverá:

– Capacidade de estar centrado;

– Fluidez e versatilidade, que lhe oferecerão a sensibilidade e a sabedoria da escuta;

– Generosidade, para se expor e ser criativo;

– Auto ironia;

– Liberdade

Interligações

Dançaterapia. Consiste em uma abordagem terapêutica corporal e integrativa, que propõe a estimulação do movimento criativo espontâneo corporal por meio da imaginação e liberdade dos movimentos.

O objetivo principal é a promoção da integração e comunicação entre os indivíduos, de forma a estimular a confiança em direção a transformações quanto a sentimentos negativos e de impotência.

A técnica é muito próxima da Dança Movimento Terapia, mas tem seus fundamentos teóricos baseados na metodologia criada por María Fux (1922), bailarina argentina, e na transpessoalidade.

Os recursos artísticos, educacionais e terapêuticos são utilizados na direção de auxiliar a pessoa a descobrir novos caminhos, superar os desafios e ter uma vida mais feliz. É indicada a quem busca um melhor desenvolvimento da qualidade de vida e da espiritualidade estando relacionada à alegria e bem estar.

Os objetivos são o de preservar a energia e o equilíbrio do ritmo interno do corpo, tendo como base o trabalho criativo e a conexão com a natureza.

Os benefícios são voltados a pessoas de todas as idades, portadoras ou não de necessidades especiais. É um recurso complementar que favorece ainda a consciência corporal e a compreensão de limites.

Realizada em silêncio, acredita que este favorece o contato com o ritmo interno, facilitando a auto percepção e a integração ao ritmo da natureza. A percepção do próprio ritmo permite que as partes sãs do corpo sejam acessadas, despertando o movimento.

Dança Criativa. O método, desenvolvido por Blanche Evan (1909-1982), consistia em um meio no qual se manifestaria tudo aquilo que não poderia ser expresso verbalmente. O método foi organizado de acordo com as capacidades primárias terapêuticas do movimento: alteração funcional e promulgações de improvisações, que envolvem o uso de técnicas projetivas; sensibilização e mobilização da ação potencial do corpo; improvisação detalhada ou complexa, onde cria-se uma estrutura para explorar um tema ou problema particular.

A própria autora diferia este método da dançaterapia na medida em que neste caso, quebrava-se a “crosta” e, na dançaterapia, o trabalho conduz ao desatar de nós, ao diagnóstico e ativação da vida, cérebro e modificação de hábitos.

Movimento autêntico. O trabalho corporal, desenvolvido na década de 1950 por Mary Starks Whitehouse (1911-1979), bailarina e terapeuta junguiana, baseia-se na imaginação ativa e mostra-se como um importante meio para se trabalhar a função transcendente.

A técnica consiste em permitir que uma pessoa se movimente com o olhar de uma testemunha que a irá observar, sem julgamentos, dando segurança para que ela expresse o seu movimento no presente e permitindo que aflorem conteúdos do inconsciente.

Os pensamentos ou impressões da testemunha dirão respeito a ela própria, levando-a a olhar para si. A pergunta “o que me leva a mover” é fundamental, auxiliando no desenvolvimento de uma escuta apurada dos impulsos. Após o movimento, estes conteúdos podem ser integrados ao ego através da escrita, desenho ou fala.

Fontes de pesquisa

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Aprofundamento

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