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Fitoterapia

O que é

Conjunto de técnicas de utilização terapêutica das plantas, a fitoterapia está presente em todos os antigos povos humanos conhecidos. Conforme a cosmologia do povo, a sistematização ou o significado, a forma de preparo e de utilização do fitoterápico muda. Em razão disso, o uso das plantas varia de cultura para cultura.
No geral, o fitoterápico caracteriza-se como qualquer preparado feito a partir de extratos vegetais complexos, ou seja, não isolados.

Origem do nome

Das palavras gregas Phyton (Vegetal) + Therapeia (Tratamento), significa literalmente tratamento por meio dos vegetais.

Criação

Cada cultura sistematizou a fitoterapia de forma diferente. Dentro do paradigma biomédico contemporâneo o conhecimento do uso das plantas medicinais de muitos povos antigos foi coletado, registrado e sistematizado a partir de Hipócrates, quando se deu o início das classificações vegetais.

Depois disso, Aristóteles (384-322 a.C.) e Teofrasto (370-286 a.C.) criaram o primeiro sistema científico de classificação botânica. Galeno (129-217D.C.) estabeleceu as formas de administração, utilizando álcool e outros solventes, relatando o uso terapêutico de centenas de plantas medicinais. As formas de administração dos medicamentos hoje são conhecidas como “formas galênicas”. Como início da farmacologia, as plantas medicinais começaram a ser estudadas quimicamente, ao invés da simples observação dos efeitos em animais e humanos. Inaugurando a fitoterapia em sua maneira atual no campo cientifico.

Na cultura chinesa, a fitoterapia é sistematizada por volta de 500 a.C., no fim da dinastia Chou, onde as plantas medicinais foram lidas a partir dos 5 elementos e do princípio de yin/yang, forma que foi aperfeiçoada ao longo do tempo e prevalece até os dias atuais.

Histórico

Há na literatura científica indícios de que animais já buscavam, instintivamente, tratamentos em vegetais para enfermidades como verminoses e problemas gástricos antes do uso profilático das plantas ser descoberto pelos seres humanos. (1) Um exemplo seria o uso da planta medicinal Vernonia amygdalina, uma árvore africana da qual os chipanzés retiram o broto e ingerem seu miolo para tratar verminoses. A substância tem um gosto amargo e sua efetividade no combate aos vermes é comprovada. (2).

Seguindo essa linha, o surgimento da fitoterapia na humanidade data de tempos imemoriais. Sabe-se que já fazia parte de costumes de povos antigos o uso de plantas com fins terapêuticos, muitas vezes dentro de uma estrutura ritualística(3). Uns dos primeiros registros do possível uso terapêutico das plantas medicinais pelo ser humano faz referência a um sítio arqueológico situado no nordeste do Iraque. Shanidar é uma gruta onde foram encontrados diversos registros fósseis de povos antigos, alguns datados de aproximadamente 60 mil anos. Em uma tumba desse sítio foram encontrados vestígios de plantas medicinais. Suspeita-se que elas não estavam ali por acaso, mas por escolha humana (4). Uma delas possuía inclusive propriedades psicoativas, reforçando a teoria do uso das plantas em rituais.

Outro exemplo antigo de uso terapêuticos de vegetais foi descoberto em 1991, quando um homem congelado há 5.300 anos foi encontrado na Itália. Ele portava um tipo de cogumelo comumente usado como laxativo e antibiótico.

Muitos casos suspeitos como os das plantas de Shanidar e do homem congelado são encontrados ao longo da história, no entanto, os primeiros registros claramente específicos sobre o uso de plantas medicinais são atribuídos às informações escritas. A data correta do primeiro registro ainda é discutida na literatura científica, permanecendo incerta.

Pela datação tradicional, as primeiras anotações datam de mais de 5 mil anos e são atribuídas à medicina tradicional chinesa com as descobertas do imperador Shen Nung, também conhecido como “Curandeiro Divino”, o qual teria reinado naquele país no referido período.

Reconhecido como o fundador da medicina herbária chinesa, o imperador teria dissipado seus conhecimentos principalmente pela tradição oral, o que posteriormente resultou no livro Shen Nung Pen Tsao. Sua cópia mais antiga é datada de 500 d.C., mas a obra teria sida escrita muito antes desse período(2). Depois da publicação, farmacopeia chinesa se ampliou com a contribuição de outros expoentes.

Os egípcios também documentaram o uso de plantas medicinais. O escrito mais importante é o Papiro de Ebers de cerca de 1500 a.C. Nesse rolo de papiro, escrito em hieróglifos, constam conhecimentos medicinais de antes de 3000 a.C. Os extratos de plantas eram preparados para ser ingeridos, aplicados sobre a pele ou inalados por queima ou vapor.

Datadas de aproximadamente 2.600 anos a.C., foram encontradas tábuas de argila na região da Mesopotâmia com escritos que fazem referência ao uso de plantas como a papoula, o cipreste e o alcaçuz(2). As tábuas teriam sido esculpidas em escrita cuneiforme pelos sumérios (3000 a.C.), assírios (2000 a.C.) e babilônios (1900-1200 a.C.), povos que habitaram a região. Um desses registros é O Código de Hamurabi (cerca de 1.700 a.C.).

Encomendado pelo rei da Babilônia, trata-se de um conjunto abrangente de leis esculpidas em pedra. Nele está enumerada a existência de várias ervas medicinais. Na medicina tradicional indiana, conhecida como ayurveda, o uso de plantas para fins terapêuticos é descrito nos Vedas, textos sagrados escritos a partir de 2.000 A.C.

As primeiras referências à plantas medicinais é encontrada em versos do Rig Veda. Ao longo dos séculos, as medicinas tradicionais chinesa e indiana aprimoraram seus estudos adicionando ao seu repertório terapêutico centenas de plantas. Na vertente ocidental, os conhecimentos egípcios e de outros povos foram herdados pela Grécia.

Hipócrates (460-370 a.C) reuniu os conhecimentos médicos de seu tempo no conjunto de tratados conhecidos como Corpus Hipocratium, onde descreveu um tratamento para cada enfermidade conhecida utilizando também os vegetais. Aristóteles (384-322 a.C.) e Teofrasto (370-286 a.C.) criaram o primeiro sistema científico de classificação botânica. Foram eles os primeiros a separar as plantas conforme seu porte: ervas, arbustos e árvores.

Em Roma, Dioscórides (40 – 90 d.C.) deixou uma das obras antigas mais respeitadas da fitoterapia. Chamada De Materia Medica, o livro foi referência por quase 17 séculos e continha anotações sobre cerca de 600 plantas. Galeno (129-217 d.C.) misturava as plantas com álcool e outros solventes, pois acreditava que a cura dependia da associação de muitos medicamentos. Ele acreditava que as doenças sempre atingiam mais de um órgão ao mesmo tempo.

Na Idade Média, a fitoterapia era pouco difundida entre a população europeia. Lá, as plantas medicinais foram muito utilizadas dentro dos mosteiros e em grupos que preservavam tradições antigas, como as famosas “bruxas”. No Renascimento, as grandes viagens às Índias e à América trouxeram um novo impulso ao conhecimento das plantas e suas aplicações.

Quando os europeus chegaram ao continente americano, os nativos que habitavam tais regiões do uso medicinal das plantas. A partir do séc. XV, iniciou-se o trabalho de catalogar um grande número de vegetais, identificando-os e classificando-os de acordo com a filiação e características de seus princípios ativos. Paracelso (1493-1541) criou o estudo da lei das assinaturas, no qual foram relacionados os efeitos das plantas, suas cores e formas.

Em 1735, inspirado em Paracelso, Lineu (1707-1778) publica Systema Naturae. O autor escreveu obras sobre a classificação das plantas e seus usos. Nesse mesmo período, Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), grande estudioso, pensador e cientista alemão, indo contra à classificação dos vegetais utilizada até então, criou uma nova metodologia para estudar as plantas denominada análise fenomenológica.

O cientista estudou o reino vegetal considerando fundamental o papel do observador para compreender o “Ser Planta”. Era um grande apaixonado pelo Brasil e pela diversidade natural do país, sendo chamado por seus colegas de “Goethe, o brasileiro”. Os estudos de Goethe inspiraram Rudolf Steiner (1861-1925) e a criação da Antroposofia, corrente filosófica que possui um sistema médico holístico no qual as plantas são utilizadas seguindo a ideologia de Goethe.

No âmbito da farmacologia, o alemão Friedrich Wilhelm Sertürner (1783-1841) foi o primeiro a fazer o isolamento de substâncias vegetais, como a morfina. Nascido no mesmo ano, François Magendie (1783-1855), um médico neurologista e fisiologista experimental francês, iniciou a investigação sistemática da ação das drogas. Darwin (1809-1882), naturalista britânico, começou estudos de para classificar espécies, que veio a resultar no clássico “A Origem das Espécies”. Apesar de não estudar restritamente as plantas ou a fitoterapia, seus estudos causaram grandes transformações na maneira de compreender o reino vegetal, sendo sua teoria válida até os dias atuais.

Após esse período, pesquisadores ocidentais ganharam destaque por novas descobertas no campo das propriedades terapêuticas das plantas: Rudolph Buchheim (1820-1879) criou o primeiro laboratório de farmacologia experimental, Oswald Schmeiderberg (1838-1921) fundou um centro de pesquisa, difusão e sistematização da farmacologia experimental, Claude Bernard (1813-1878), considerado o criador da metodologia de medicina baseada em evidências, avançou em suas pesquisas sobre a relação entre as estruturas químicas dos constituintes ativos e suas ações fisiológicas.

Em 1860, foi sintetizado o primeiro medicamento em laboratório, a aspirina, extraído a partir da planta Salix alba, popularmente conhecida como salgueiro. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o uso de plantas como forma de tratamento básico e complementar. No Brasil, existem ações como a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, firmada através do Decreto da Presidência, Nº. 5813, de 22 de junho de 2006, que visa implementar o uso de fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS).

Atualidade

O uso de plantas medicinais está presente em todos os países do mundo. A Organização Mundial de Saúde alega que pelo menos 80% da população mundial utiliza plantas para fins terapêuticos. A própria OMS e diversos órgãos de fiscalização têm trabalhado na criação de normas para os medicamentos à base de plantas.

O Brasil possui a maior diversidades de flora do mundo com mais de 55 mil espécies de plantas que corresponde a 22% do total de espécies conhecidas no mundo(5).

Na cultura popular brasileira é muito difundida a tradição indígena de utilizar plantas para tratar enfermidades, muitas vezes agregada a elementos de culturas da África, Europa e países do oriente. Em nosso país, a fiscalização de medicamentos fitoterápicos é realizada pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em nossa farmacopeia há uma grande variedade de plantas medicinais. Para rever, incluir ou excluir plantas de nosso repertório, existe um Comitê Técnico Temático de Plantas Medicinais.

Podemos citar como as principais farmacopeias de outros países, reconhecidas pela Anvisa e utilizadas como referência de fitoterapia no Brasil:

  • Farmacopeia Alemã
  • Farmacopeia Americana
  • Farmacopeia Argentina
  • Farmacopeia Britânica
  • Farmacopeia Europeia
  • Farmacopeia Francesa
  • Farmacopeia Internacional (OMS)
  • Farmacopeia Japonesa
  • Farmacopeia Mexicana
  • Farmacopeia Portuguesa

No interior do Brasil, podem ser encontrados muitos erveiros, parteiras e curandeiros de diversas linhas ideológicas e religiosas que fazem uso terapêutico de vegetais. Muitas dessas tradições populares se tornam alvo de pesquisadores que buscam princípios ativos para novos medicamentos. Essa situação é presente em todo o mundo, incluindo as tradições da medicina chinesa, indiana e africana.

No Brasil, Amazônia é um grande foco de pesquisas de todo o mundo, principalmente pela diversidade da flora e pelos costumes de povos tradicionais indígenas.

Fundamentos

As plantas possuem potencial terapêutico na saúde humana e/ou animal Esse potencial terapêutico pode ser estudado e explicado. Escolha terapêutica sistematizada da planta/componente vegetal ou formulação de uma mistura de plantas, ou que contem plantas: preparo, indicação terapêutica/efeitos, forma de uso.

Na prática

O objetivo da fitoterapia no paradigma é a identificação da doença e sua eliminação, ou seja, a criação de um modelo bioquímico.

A fitoterapia em outras linhas tradicionais como a medicina tradicional chinesa e a ayurvedica tem como objeto o reequilíbrio do indivíduo. Podemos chamar esse modelo de bioenergético(6).

Essa diferença muda totalmente a perspectiva sobre a utilização terapêutica das plantas, bem como toda a metodologia de preparo, escolha e administração do remédio fitoterápico.

Independente da linha, na fitoterapia, existem as seguintes formas de utilização de um preparo:

Infusão: devem ser preparadas para uso imediato. Coloca-se a quantidade de planta indicada e sobre ela adiciona-se cerca de um copo (200 ml) de água potável fervente. Tampa-se e deixa-se a mistura em repouso por 15 minutos, coando depois.

Decocção: como a infusão, deve ser preparado para uso imediato. Coloca-se a quantidade de planta indicada em um recipiente que possa ser levado ao fogo, adiciona-se a água e deixa-se ferver por 15 minutos. A mistura deve ser coada no final do preparo.

Tintura/Extrato Fluido (extrato alcoólico): é uma preparação normalmente manipulada em farmácias ou laboratórios, no entanto, pode ser feita em casa. Utiliza o álcool a 70% para extrair os princípios ativos da planta seca, sendo as proporções de concentração oficialmente padronizadas. O extrato fluido possui maior concentração de componentes químicos do que a tintura.

Alcoolatura: preparado feito a partir de plantas verdes e álcool a 95%.

Inalação: respirar o vapor da decocção da erva, também pode ser feita a inalação do óleo essencial da planta. Nesse ultimo caso não é necessária a infusão com a planta, somente algumas gotas de óleo essencial em um recipiente.

Cataplasma: aplicação da erva macerada diretamente sobre a região afetada. No caso de ervas secas, popularmente coloca-se as plantas em um pano de algodão, aquece-o e aplica-se no local.

Xarope: preparado feito com açúcar e extrato da planta. Compressas: como as cataplasmas, são colocadas diretamente no local afetado. Os princípios ativos são extraídos com uma infusão ou decocção, com um pano limpo embebido da solução aplica-se no local afetado.

Pó: normalmente utilizado misturando em água, alimento ou dentro de cápsulas e comprimidos. Pomada ou creme: o extrato vegetal em forma de óleo essencial, pó ou extrato alcoólico pode ser utilizado em uma base de creme ou pomada.

Sabão/sabonete: na preparação do sabonete utiliza-se o extrato alcoólico/tintura da planta.

Unguento: preparado de gordura vegetal mais tintura ou alcoolatura da planta a ser utilizada.

Linimento: sumo das folhas da planta, misturado com um pouco de óleo.

Banho: decocto ou infuso da planta na água do banho.

Garrafada: preparação hidro alcoólica feita com pinga ou outra bebida alcoólica e combinações de ervas, muito comum na cultura popular brasileira.

Paradigma científico biomédico — fitoterapia científica

A maneira de administração clássica dentro deste paradigma visa elaborar como produto final medicamentos fitoterápicos. As plantas são cultivadas e processadas com o objetivo de garantir padrões de referência de substâncias químicas com propriedades terapêuticas. A via de administração, dosagem e periodicidade se embasam em critérios farmacológicos de absorção de substancias, interação bioquímica e efeitos metabólicos do fitoterápico. As plantas são testadas em laboratório, em animais e posteriormente em seres humanos.

Processo de produção de um medicamento fitoterápico

Botânica/Agronômica – Identificação correta da planta, estudo de formas de cultivo e variação de princípios ativos em diferentes solos, climas, período de vida das plantas e épocas do ano.

Farmacêutica – Identificação da(s) substância(s) de valor terapêutico no vegetal.

Ensaios biológicos – testes em ensaios laboratoriais, avaliação da toxicidade e efeitos em animais de laboratório.

Etapa clínica – testes em humanos

Fase 1 – são testadas as formas de administração e efeitos no organismo de algumas pessoas saudáveis.

Fase 2 – testes prolongados em pessoas doentes e comparações com medicamentos concorrentes.

Fase 3 – testes prolongados em maior número de pessoas doentes (essa etapa leva anos pra ser concluída).

Paradigma da medicina tradicional chinesa: As plantas na medicina chinesa são classificas segundo diversos efeitos no fluxo de energia do corpo. É utilizada para corrigir os “padrões de desequilíbrio energético”. Nela, o ser humano é compreendido pelo constante movimento das energias Yin e Yang, as quais fluem por canais (meridianos) em todo o corpo.

A utilização de agulhas, calor ou outras formas de estimulo em pontos específicos interfere na circulação da energia vital. Esse tratamento pode ser acompanhado por fitoterapia. Nesse caso, as plantas medicinais são classificadas, escolhidas e administradas por suas ações na dinâmica energética dos meridianos.

Penetração – meridiano(s) ou canais de energia que age:

Pulmão

Intestino Grosso

Estômago

Baço/Pâncreas

Coração

Intestino

Delgado

Bexiga

Pericárdio

Triplo Aquecedor

Vesícula-biliar

Fígado

Função

Eliminação

Transformação

Ativação

Aquecimento

Contenção

Tonificação

Natureza

Frios: yin

Quentes: yang

Refrescantes: menos frios

Amornantes: ervas menos quentes

Neutros: Yin e Yang em equilíbrio

Ácido

Amargo

Doce

Picante

Salgado

Paradigma da medicina ayurvédica: Pelo sistema da ayurveda toda a planta possui uma parte sutil. Portanto, a ação esperada e os critérios de escolha e qualidade dessa planta estão alinhados com essa parte sutil.

Vrikruti é o dosha em desequilíbrio e, portanto, causador da doença, a condição momentânea em que a pessoa se encontra, e que deve ser corrigido. Toda a terapêutica é baseada no equilíbrio dos três doshas. São eles:

Pitta fogo e água, suas características são quente, oleoso e leve. Vata ar e éter, suas características são seco, leve e frio. Kapha água e terra, suas características úmido, pesado e frio.

As plantas utilizadas na ayurveda são classificadas da seguinte forma:

Sabor (rasa) — formado pela combinação dos cinco elementos (fogo, terra, agua, ar e espaço) na planta, se refere ao efeito inicial da planta. O sabor (rasa) é imediatamente percebido na língua ao ser ingerido, mas seu efeito se observa em todo o corpo, incluindo a mente. Os sabores equilibram, agravam ou reduzem os doshas.

Doce – terra + água Ácido – terra + fogo Adstringente – terra + ar Picante – ar + fogo Amargo – ar + espaço Potência (virya) — Literalmente quer dizer vigor, uma planta sem essa característica não apresenta propriedade medicinal.

Quente Frio Efeito pós-digestivo (vipak) — ocorre depois da digestão do medicamento. Existem apenas três a partir dos seis sabores: os sabores doce e salgado têm um efeito pós-digestivo; o sabor ácido apresenta após a digestão o mesmo sabor, ou seja, ácido; já os sabores picante, amargo e adstringente tornam-se picantes após a digestão.

Efeito especial (prabhava) — algumas substâncias têm propriedades especiais em razão do efeito que produzem na mente. Quando a fitoterapia é prescrita na ayurveda, essas quatro propriedades são levadas em conta.

Semelhante à medicina tradicional chinesa, normalmente, na medicina milenar indiana são utilizadas fórmulas com varias plantas valendo-se do efeito sinérgico de cada uma.

Principais nomes

Ao longo da historia da humanidade há uma grande quantidade de expoentes dentro do estudo terapêutico das plantas. Durante muitos séculos os medicamentos eram quase que exclusivamente feitos a partir do reino vegetal. Entre esses destaques estão:

Imperador chinês Shen Nung (3.000 a.C.) Importante referência da fitoterapia chinesa. Através do processo de experimentação estudou uma grande variedade de plantas, tal conhecimento foi descrito no livro: Shen Nung Pen Tsao. Hipócrates (460-370 a.C.)

Considerado o pai da medicina ocidental atual, reuniu a totalidade dos conhecimentos dessa área do seu tempo no conjunto de tratados conhecidos como Corpus Hipocratium, descrevendo um tratamento para cada enfermidade utilizando também as plantas.

Pedânio Dioscórides (40 – 90 d.C.) Nascido na região da atual Turquia, Pedânio é considerado um dos fundadores da farmacognosia. Reuniu grande quantidade de informações sobre as plantas e escreveu o tratado denominado “De Matéria Médica”, obra foi referência por quase 17 séculos. Nela, há a descrição de 600 plantas.

Galeno (129-217D.C.) Utilizava as plantas com outras formas de administração, utilizando álcool, e relatando seu uso terapêutico.

Outras visões

Alguns autores defendem que é inviável utilizar plantas medicinais como forma terapêutica, pois os medicamentos isolados costumam ser mais rápidos e efetivos. Para certos médicos e pesquisadores, o uso popular da fitoterapia é um problema, sustentando a crença de que o conhecimento deve ser detido pelo corpo cientifico e não pelas tradições.

Ramificações

Basicamente, três paradigmas permeiam a fitoterapia ramificando a maneira de utilizar o fitoterápico:

1 – Escolas biomédicas (paradigma cientifico)

2 – Escolas bioenergéticas (ayurveda, medicina tradicional chinesa, tradições indígenas, entre outras)

3 – Conhecimento popular (mistura de costumes e formas de utilização das plantas, sem uma sistematização clara)

Principais obras

Existem inúmeras referencias consideradas fundamentais sobre o uso das plantas medicinais, abaixo algumas sugestões:

Tratado de Fitofármacos Y Nutracéuticos Obra de referência escrita por Jorge Alonso sobre a utilização em estudos científicos de plantas medicinais. Possui uma grande variedade de plantas brasileiras com informações do uso popular, sinonímia e descrição botânica.

Fitoterapia Chinesa e Plantas Brasileiras Livro de Alexandros Spyros Botsaris no qual é feita a descrição do uso alinhado com os princípios da medicina chinesa de plantas brasileiras.

Matéria Medica Fitoterapia Chinesa Escrito por Xu Ling, esse livro é uma introdução, em português, à fitoterapia chinesa.

The Way of Ayurvedic Herbs –The Most Complete Guide to Natural Healing and Health with Traditional Ayurvedic Herbalism Essa obra de Karta Purkh Singh Khalsa e Michael Tierra está entre as maiores coletâneas de plantas medicinais à luz da ayurveda.

Farmacopeia Brasileira Com monografias das plantas brasileiras, essa obra de referência se encontra no segundo volume, é gratuita e pode ser acessada em: http://www.anvisa.gov.br/hotsite/cd_farmacopeia/index.htm

Fontes e inspirações

A fitoterapia possui raízes de extrema complexidade. As migrações, as grandes navegações, guerras e diversos movimentos que ocorreram ao longo da história incentivaram misturas de tradições de uso das plantas, releituras e conhecimentos mestiços.

Até hoje não é possível compreender com clareza como ocorreram trocas e influências de uma determinada cultura sobre outra quando se fala em fitoterapia. Sabe-se, porém, que ela pode ser encontrada em povos extremamente isolados e até nos animais, como se fosse guiada por um impulso instintivo.

Alguns povos de destaque nessas antigas tradições:

Os sumérios (3000 a.C.), assírios (2000 a.C.) e babilônios (1900-1200 a.C.) – escritos em tábuas de argila em escrita cuneiforme.

Tradição indiana – destacando os Vedas, textos sagrados escritos a partir de 2.000 a.C. As primeiras referencias à plantas medicinais é encontrada em versos do Rig Veda.

Tradição chinesa – destacando o Livro Shen Nung Pen Tsao com indicação de inúmeras plantas medicinais.

Egípcios – destacando o Papiro de Ebers, referência ao uso terapêutico de plantas medicinais, cerca de 1500 a.C.

Tradição de Povos Africanos. Tradições populares de inúmeros povos por todo o mundo, destacando no Brasil os povos indígenas.

Interligações

A fitoterapia possui em si diversas formas de administração. A grande maioria delas pode ser considerada alopática (cura pelo diferente), no entanto, a ação sinérgica torna a ação bem diferente dos medicamentos isolados comuns.

Normalmente, os efeitos colaterais são menores e a ação terapêutica mais lenta. Em relação à homeopatia (cura pelo semelhante), que também faz uso de plantas medicinais, a dinamização — processo de diluição especial no qual passa todo o medicamento desse tipo — diverge muito em relação à escolha terapêutica da planta. Um medicamento homeopático pode utilizar uma planta toxica, o que não ocorre na fitoterapia alopática.

Aprofundamento

1. Hart BL. The evolution of herbal medicine: behavioural perspectives. Animal Behaviour. Elsevier; 2005;70(5):975–89.

2. Gurib-Fakim A. Medicinal plants: traditions of yesterday and drugs of tomorrow. Molecular aspects of Medicine. Elsevier; 2006;27(1):1–93.

3. Merlin MD. Archaeological evidence for the tradition of psychoactive plant use in the old world. Economic Botany. Springer; 2003;57(3):295–323.

4. Solecki RS. Shanidar: The first flower people. Knopf New York; 1971.

5. Pinto AC, Silva DHS, Bolzani V da S, Lopes NP, Epifanio R de A. Produtos naturais: atualidade, desafios e perspectivas. Química nova. SciELO Brasil; 2002;25(1):45–61.

6. Luz MT. Racionalidades médicas e terapêuticas alternativas. Série Estudos em Saúde Coletiva. Instituto de Medicina Social Universidade Estadual do Rio de Janeiro Rio de Janeiro; 1996;62.

7. Filme sobre a história da fitoterapia no Brasil e a influência da cultura africana nessa área.

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