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O que é

A psicologia analítica ou junguiana é um ramo de conhecimento e prática da psicologia, criado por Carl Gustav Jung, cujo objetivo é integrar as partes inconscientes à psique consciente, através do processo de individuação, para que se possa despir da persona que engessa, aproximando-se cada vez mais do self ou si-mesmo, aquele eu mais profundo e verdadeiro, que vai ficando reprimido em função das demandas de amor, aprovação e adaptação social que sofremos desde que nascemos.
Podemos resumir que a psique na visão junguiana é composta por: consciência, porção responsável pelo que achamos que somos; inconsciente coletivo, onde residem os arquétipos; e inconsciente pessoal, onde estão os complexos.

Origem do nome

Psicologia Analítica ou Junguiana é o nome dado à escola de Psicologia criada e desenvolvida por Carl Gustav Jung e, depois, por seus seguidores. Psicologia vem das palavras gregas psyché (alma, espírito) e logos (razão, compreensão).

Analítica é a qualidade daquilo que faz análise, que por sua vez vem do grego analyein, verbo composto por ana (através) + lysis (afrouxamento), ou seja, através do afrouxamento das partes que compõem um algo mais complexo.

Portanto, a Psicologia Analítica busca a compreensão da complexa alma humana através da separação em partes menores, mais simples.

Histórico

CRIADOR da Psicologia Analítica, Carl Gustav Jung nasceu em Kesswil, aldeia pertencente ao cantão da Turgóvia, na Suíça, em 26 de Julho de 1875. Filho de um pastor protestante – que segundo Jung tinha muita dificuldade com a fé, a relação com Deus e os dogmas que não tinha coragem de enfrentar –, Jung teve a religião e a espiritualidade como forças de grande influência na sua vida e obra. De personalidade introvertida, escreveu sua autobiografia aos 83 anos. Memórias, sonhos e reflexões  reflete uma vida menos por fatos do que por sentimentos, pensamentos, sonhos e reflexões sobre a vida, o mundo e Deus. Desde muito pequeno, Jung passava horas brincando sozinho e teve muitos momentos de intensa solidão. O primeiro sonho de que Jung se recorda, relatado nas Memórias era de quando ele tinha mais ou menos três anos de idade! A vida toda de Jung foi marcada por símbolos e imagens do inconsciente, brincadeiras rituais que criava, ainda sem um significado razoável, além da marca e do alento emocionais que deixavam no menino, que já conseguia um profundo acesso às imagens do seu mundo interior.

Quando Jung tinha quatro anos ele mudou-se com a família para a Basileia, um dos mais importantes centros culturais da Europa na época, e lá viveu até 1900, antes de se mudar para Zurique, já formado, com 25 anos, para assumir o cargo de segundo assistente de Eugen Bleuler, um dos maiores psiquiatras de todos os tempos, no hospital Burghölzli. A DECISÃO PELA MEDICINA, assim como pela Psiquiatria, deu-se em processos interessantes, que reafirmam o tipo introspectivo intuitivo de Jung. 

Jung tinha muitos interesses diferentes, dentre eles a arqueologia, as ciências naturais e a história das religiões, e não sabia que profissão seguir.

Em meio ao processo de escolha, acabou optando pela medicina depois de uma grande inspiração pela história do avô médico, de quem herdou o nome e que era professor na Universidade da Basileia. Quando estava no quarto ano de medicina, todos achavam que Jung seguiria a clínica médica, já que seu professor o havia convidado para ser seu assistente. No entanto, estudando o manual de psiquiatria para o exame, teve uma intuição profunda ao ler a definição “doença da personalidade” para psicose.

De repente, meu coração pôs-se a bater com violência. Precisei levantar-me para tomar fôlego. Uma emoção intensa tinha se apoderado de mim: num relance, como que através de uma iluminação, compreendi que não poderia ter outra meta a não ser a psiquiatria. Somente nela poderiam confluir os dois rios do meu interesse, cavando seu leito num único percurso. Lá estava o campo comum da experiência dos dados biológicos e dos dados espirituais, que até então eu buscara inutilmente. Tratava-se, enfim, do lugar em que o encontro da natureza e do espírito se torna realidade.¹

A RELAÇÃO COM FREUD teve grande importância na vida de Jung. Desde o início de seus estudos, Jung trabalhou e publicou incessantemente, e sem dúvida os conhecimentos de Freud foram fundamentais. Jung já havia lido A interpretação dos sonhos de Freud, e a partir de 1906 ambos passaram a se corresponder regularmente, dividindo suas descobertas e pensamentos.

O primeiro encontro entre os dois aconteceu em 1907, quando Jung, com 32 anos, viajou até Viena para encontrar Freud, então com 50 anos. O célebre encontro de 13 horas ininterruptas de conversa gerou uma profunda admiração entre ambos e uma intensa colaboração nos cinco anos seguintes.

Ao longo desse período, várias situações mostravam haver, entre eles, discordâncias profundas que estavam na base do pensamento e visão de mundo, porque Freud era um positivista convicto, enquanto Jung mostrava vasto interesse pelos fenômenos não explicados pela ciência determinista, juntando-se aos pensadores que começavam a questionar a visão mecanicista do mundo, predominante até então.

ROMPIMENTO COM FREUD Em 1913, com a publicação de Metamorfose e símbolos da libido (nas Obras Completas intitulado Símbolos da transformação), em que Jung expõe seus conceitos de energia psíquica como energia vital, e a existência de uma camada de inconsciente denominada inconsciente coletivo, em expressa discordância com os conceitos de Freud de energia psíquica exclusivamente sexual e o inconsciente apenas individual como resultado de desejos reprimidos, Jung e Freud romperam definitivamente e nunca mais se falaram.

Jung tinha então 38 anos de idade e já tinha construído posição destacada no campo profissional e científico, além de ser bastante procurado em seu consultório particular.

Nesse momento ele resolveu romper também com a Associação Psicanalítica Internacional da qual era presidente, assim como abrir mão de sua carreira universitária, seu caminho estabelecido, para ter a liberdade de evoluir no seu processo de individuação e no aprofundamento da sua teoria psicanalítica.

Nos 48 anos seguintes até sua morte, em 1961, aos 86 anos, Jung publicou intensamente e viveu sua vida de acordo com a sua teoria, ensinando a Psicologia Analítica  e analisando sob sua óptica.

Desde a morte de Jung a Psicologia Analítica se desenvolveu sobremaneira, com muitos estudiosos e profissionais de áreas clínica, social, cultural, literária e teológica entre outras, dedicando-se a revisar, aprofundar, aplicar e discutir o legado do pensamento de Jung. O que hoje nos referimos como “junguiano” é sem dúvida uma ampla gama de conhecimento e práticas que têm suas raízes no pensamento e teoria deixados por Jung, mas conta com uma multiplicidade de visões – algumas inclusive revisadas por pós-junguianos – que não têm a pretensão de formar um pensamento ortodoxo e uniforme da Psicologia Analítica.

¹ Essa referência: Jung, 1961, p. 104, não está na Bibliografia.

Atualidade

É inegável o crescente interesse pelas ideias de Jung ao longo dos últimos anos. Com sua prolífica produção, Jung deixou escritos que hoje são explorados nas mais diversas áreas do conhecimento como: arte, religião, literatura, política e estudos de gênero, entre outros, buscando responder às questões do homem contemporâneo.

Essa interdisciplinaridade, já presente no trabalho do próprio Jung e característica intrínseca à Psicologia Analítica, é sem dúvida um dos caminhos mais importantes para o desenvolvimento atual e futuro do conhecimento humano. Mas talvez a maior atualidade do pensamento de Jung esteja nos escritos que ele deixou depois de ter aprofundado sua exploração do mundo e das suas ideais a partir do novo paradigma emergente naquele momento histórico, influenciado por Albert Einstein, Niels Bohr e Wolfgang Pauli, que foi seu paciente: o paradigma holístico e não causal, ao qual também pertence a mecânica quântica. 

Hoje em dia há um crescente entendimento entre estudiosos de diferentes áreas do saber de que esse novo paradigma parece ser o que melhor dá conta de entender algumas questões atuais da psicologia, como as discussões de gênero, raça, importância do desenvolvimento adulto, a autodescoberta espiritual e a necessidade de perspectivas multiculturais.

Psicossomática e Sincronicidade

A Psicossomática é a área da saúde que busca atuar mais integralmente frente aos vários sintomas de adoecimento que possam surgir, isolados ou interligados aos aspectos biológicos, afetivos e emocionais, psicológicos, sociais, familiares, profissionais e espirituais dos seres humanos.

Essa área se aproxima da visão junguiana de ser, holística e humanista, reconhecendo que a doença (sintoma), psíquica e/ou somática, é um sinal de desarmonia, podendo se tornar um grande caminho para o crescimento e o restabelecimento da saúde e da evolução existencial, buscando o sentido dos sintomas (o “por quê?”) ao invés de se restringir apenas a buscar as causas. 

Assim também a psicossomática se relaciona com o conceito de Sincronicidade, importante conceituação de Jung, muito antes do profundo relacionamento que desenvolveu com físicos modernos como Albert Einstein, Wolfgang Pauli e Nils Bohr. Esse relacionamento orientou a publicação do conceito, já que antes Jung achava que ninguém o entenderia, dada a supremacia do pensamento cientificista clássico, naquele momento histórico. 

A sincronicidade nos fala das aparentes coincidências entre acontecimentos internos (pensamentos, sentimentos, sonhos, impressões, intuições) e acontecimentos externos, que ocorrem quase simultaneamente e para os quais não conseguimos achar uma relação de causa e consequência. Para Grinberg: “É como se o inconsciente tivesse conhecimento, de modo independente da consciência, dos eventos que ocorrem num continuum de espaço-tempo” ¹

Paradigma Quântico e Psicologia Analítica

Jung entendia a dinâmica da psique dentro do conceito da complementariedade – não há opostos com começo e fim e sim um continuum de experiências entre os opostos que vão se modificando e afetando todo o tempo.

Assim como a física quântica mostra que uma mesma energia se manifesta como partícula e onda no interior do átomo, para Jung a energia psíquica se manifesta como matéria e espírito. É esse jogo de forças que produziu os símbolos. Símbolo = aquilo que une. Nossos símbolos individuais –sonhos, marcas, emoções e sentimentos, nossa forma de funcionar no mundo – é o que unem a nossa expressão consciente ao nosso inconsciente mais profundo, tendo no processo de individuação seu ponto máximo.

Democracia, participação Política e social e o conceito de individuação

É o ego que faz o processo de individuação. É necessário se desapegar do corpo e se entregar à alma. Desde que nascemos buscamos nos adaptar ao ambiente, às regras, à família e à sociedade, como forma de sobreviver e ser amado, mas essa adaptação pode nos afastar de nosso verdadeiro eu, nossa alma inata que viemos realizar. 

Se não houver o confronto entre o self e o ego, não há oportunidade para nascer o novo ego, mais integrado ao self.

Nesse caminho de autoconhecimento e expansão da consciência, para Jung, vamos nos tornando mais conscientes do todo do qual fazemos parte, e esse processo ao mesmo tempo amplia a visão de cada indivíduo do que sejam os processos políticos, sociais e democráticos, pois adquire mais consciência de si e do todo ao mesmo tempo.

O processo de individuação, portanto, consiste em integrar nossas partes dissociadas, inconscientes, ao ego, consciência, para realizar o nosso self, si-mesmo. Individuar é realizar o ser único que somos, nos diferenciando cada vez mais do comportamento em massa, inconsciente, e nos aproximando dos movimentos conscientes de participação social e política.

Assim, individuação não é um ego bem adaptado, que vive profundamente o mundo racional e que contribui para que o indivíduo leve vantagens materiais sobre os demais.

A individuação vai desnudar o self dos vários invólucros da persona e das imagens primordiais que tanto interferem em nossa vida. Então, individuar-se não nos exclui do mundo, mas aproxima o mundo de nós. ²

¹ Grinberg, Luiz Paulo. Jung: o homem criativo. São Paulo: FTD, 1997, p. 53.

² Magaldi, Waldemar. Dinheiro, saúde e sagrado. 2ª ed. S.l. Eleva Cultural, 2009, p.47.

Fundamentos

COMPLEXO

Segundo Jung, todas as experiências modificam a bioquímica celular. A cada nova vivência, ficam marcas na memória celular. É quando entramos em contato com algo que nos afeta que esse algo passa a ter significado. E a repetição de experiências que têm valor fundamental e vão se associando por semelhança e analogia em torno de uma experiência centralizadora é que dá origem aos complexos.

Complexo é a unidade funcional básica da psique. Ou seja, conteúdos com forte carga emocional e energética porque estão associados, por semelhança e analogia, às experiências centralizadoras. É o que mobiliza a nossa energia psíquica.

Os complexos contaminam todas as nossas percepções das coisas e por isso as experiências da infância são tão importantes, porque formam as primeiras memórias celulares ou os primeiros complexos. Em função dos complexos, só ouvimos o que queremos e sentimos o que podemos.

EGO

Segundo Jung, o ego é o principal complexo  formado a partir dos registros da memória e das sensações corporais, tendo base somática. O ego não é equivalente à totalidade da consciência, é apenas o seu centro, sendo que todos os acontecimentos da vida precisam entrar em contato com ele para se tornar conscientes – pensamentos, emoções, ideias, experiências, etc.

O ego tem diversas funções, dentre as quais: promover a adaptação da pessoa às exigências da vida, fazer a diferenciação de conteúdos conscientes e inconscientes, mediar prazer e realidade. Ele organiza os conteúdos da vida psíquica, avalia, critica e raciocina em busca de soluções para os problemas que a pessoa enfrenta.

A consciência do ego tem uma importante característica de seletividade, o que equivale a dizer que certos conteúdos tornam-se conscientes e outros não. Esses conteúdos eliminados compõem parte do que conhecemos como inconsciente pessoal, onde mesmo potenciais criativos podem ficar reprimidos.

Para Jung, a consciência não é algo fixo e imutável. Ela sofre modificações constantes e evolui ao longo do tempo.

Depois da estruturação do ego, este precisa se defrontar com o inconsciente para continuar evoluindo. É preciso que o ego estabeleça contato com o inconsciente e consiga também assimilar seus conteúdos para não sofrer estagnação.

INCONSCIENTE COLETIVO

Essa dimensão do inconsciente, que Jung chamou de coletivo, não diz respeito e nem se formou a partir dos conteúdos individuais reprimidos do sujeito em questão, mas se relaciona a símbolos comuns a toda a humanidade, existentes há várias gerações e culturas e disponíveis para todos. Esse inconsciente forma a base do nosso psiquismo e é formado pelos arquétipos.

ARQUÉTIPOS

Arquétipos são imagens primordiais carregadas de energia que advém das experiências coletivas, dos mitos e da literatura universal e que reforçam, a todo o momento,

essa carga energética, que fica à disposição da humanidade, para ser utilizada a cada necessidade adaptativa na forma de símbolos.

É a nossa matriz energética, fonte geradora de material para a consciência na forma de fenômenos como sonhos, visões e os chamados acontecimentos espíritas e afins. As imagens arquetípicas são o suporte energético para o funcionamento adequado da consciência. Para que o ego seja revigorado sempre, precisa do contato constante com sua usina de força.

Dei o nome de arquétipos a esses padrões, valendo-me de uma expressão de Santo Agostinho: Arquétipo significa um “Typos” (impressão, merca-impressão), um agrupamento definido de caracteres arcaicos, que, em forma e significado, encerra motivos mitológicos, os quais surgem em forma pura nos contos de fadas, nos mitos, nas lendas e no folclore grifos do autor). ¹

SELF

O self é o arquétipo central, o arquétipo da ordem e totalidade da personalidade, também denominado como “arquétipo do si-mesmo”.

Segundo Jung, consciente e inconsciente não estão necessariamente em oposição um ao outro, mas complementam-se mutuamente para formar uma totalidade: o self.

Para Jung, o self é a essência do ser. Em busca dessa essência é que cada indivíduo deve viver a sua vida, construindo os caminhos para o processo de individuação, ou seja, de realização desse self. Nas palavras de Jung em Memórias, sonhos e reflexões: “Minha vida é a história de um inconsciente que se realizou”.

PERSONA

A persona é a forma com a qual nos mostramos no mundo, denominada por Jung como o “arquétipo da adaptação”. Mostra-se como “a médica, a professora, o executivo”, ou seja, mostra como aquela pessoa se exibe para o mundo, como ela se apresenta, como quer ser vista.

Cada pessoa pode desenvolver várias personas, de acordo com os diversos papéis que desempenha, seja de marido/esposa, mãe/pai, empresário/empresária, e assim por diante.

No sentido prejudicial da persona, há o risco de o indivíduo identificar-se com o papel por ele desempenhado, o que o leva a se distanciar de sua própria natureza ou essência. As pessoas possuídas por sua persona tendem a ser rígidas e exigem dos demais o mesmo comportamento.

O poema “A Tabacaria”, de Fernando Pessoa, bem nos ilustra esse indivíduo tomado pela persona: “Quando quis tirar a máscara, estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, já tinha envelhecido”.

SOMBRA

A sombra é a parte do self que foi rejeitada pelo ego consciente. A sombra compõe-se de vários aspectos, indo desde a sombra pessoal, familiar, social em suas muitas facetas, até o arquétipo da sombra.

A sombra também funciona como o elemento provocador, irritante, perturbador.

Aquele que desaloja a pessoa de seu estado de inércia psíquica para movimentá-la em outra direção, mesmo que seja contra a sua vontade.

Em geral, como há pouca consciência de sua constante presença, ela é encontrada em projeção – aquilo que nos irrita ou encanta nas outras pessoas. Nos sonhos aparece como pessoas do mesmo sexo e, nos mitos, ela é o vilão que combate o herói. Quando a enorme quantidade de energia que a sombra possui é aceita, passa a ser útil ao ego, tirando este de suas limitações e bloqueios.

FUNÇÃO TRANSCENDENTE E DINÂMICA PSÍQUICA

O ego (centro da consciência) e o self (centro da psique) de modo geral não estão em harmonia, e podem até mesmo estar em lados opostos. A função transcendente vai ligar a vida consciente ao inconsciente de modo construtivo no processo de desenvolvimento do ego.

Jung entendia a dinâmica da psique dentro do conceito da complementariedade – não há opostos com começo e fim e sim um continuum de experiências entre os opostos que vão se modificando e afetando todo o tempo.

É esse jogo de forças que vai produzir os símbolos. Os símbolos são a linguagem do inconsciente. Nossos símbolos individuais – sonhos, marcas, emoções e sentimentos – são a ponte que une a nossa expressão consciente ao nosso inconsciente mais profundo, tendo o processo de individuação como seu objetivo.

INDIVIDUAÇÃO

Processo de desenvolvimento psicológico através do qual o indivíduo vai se aproximando cada vez mais de sua singularidade e totalidade. Jung descobre que há no ser humano uma tendência, um impulso ou instinto, de tornar- se um ser cada vez mais completo do que se é no momento.

O ego é responsável pelo processo de individuação, pois é preciso desapegar-se do corpo (ego) para se entregar à alma (self). Desde que nascemos buscamos nos adaptar ao ambiente, às regras, à família e à sociedade, como forma de sobreviver e ser amado, mas essa adaptação pode nos afastar de nosso verdadeiro eu, nossa alma inata que viemos realizar. Se não houver o confronto entre o self e o ego, não há oportunidade para nascer o novo ego, mais integrado ao self.

A individuação é um processo que permeia toda a vida humana. É o potencial latente a ser trabalhado, vivido. Segundo Jung “Só aquilo que somos tem o poder de curar-nos”. ²

O processo de individuação, portanto, consiste em integrar nossas partes dissociadas, inconscientes, ao ego, consciência, para realizar o nosso self, si- mesmo. Individuar é realizar o ser único que somos, nos diferenciando cada vez mais do comportamento em massa.

¹ Jung, C. G. Fundamentos de psicologia analítica. 10ª ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2001, p. 34.

² Jung, C. G. Sincronicidade. 15ª ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2007, §258.

Na prática

OBJETIVO: alcançar o potencial máximo do indivíduo através da integração da psique consciente e inconsciente – a consciência mais plena possível de tudo que forma a nossa personalidade – para realizar o si-mesmo, através do processo de individuação.

ENCONTRO: procedimento dialético, um encontro de duas almas que devem ser ambas respeitadas para que a troca seja verdadeiramente terapêutica. Tanto terapeuta como analisando se colocam numa posição de descoberta mútua e contínua e se transformam no processo.

POSTURA: Analisando e terapeuta sentam frente a frente em poltronas confortáveis e conversam abertamente. O terapeuta junguiano procura manter a atitude tanto enfatizada por Jung de respeito pelo que se descobre, pelo que não conhece, pelo que é inesperado e pelo que não tem registro. Coloca-se em abertura para o diálogo trazendo na bagagem todo seu conhecimento, sem contudo acreditar que sabe os caminhos para aquele indivíduo. Apenas o self do analisando é que indica os caminhos.

PROCESSO: a partir da fala do analisando, sonhos e sintomas apresentados, o analista vai trabalhando com o analisando no sentindo de ampliar o significado dos diferentes acontecimentos e sentimentos relatados, buscando compreender a linguagem do inconsciente e dos símbolos para tornar cada vez mais consciente ao indivíduo os aspectos de sua persona e sombra, para ajudá-lo a caminhar em direção à integração, no encontro com o si-mesmo.

SONHOS: para Jung o sonho é uma mensagem reguladora que o self manda para modular comportamentos conscientes do indivíduo, portanto, o material dos sonhos é de fundamental importância ao processo terapêutico junguiano, pois ajuda o analista a conhecer mais profundamente os anseios daquela alma à sua frente e ajudá-la a integrar-se com o seu si-mesmo.

CAIXA DE AREIA OU SANDPLAY: A técnica terapêutica da Caixa de Areia, foi desenvolvida por Dora Kalf e muito utilizada por Jung. Não são todos os terapeutas junguianos que a utilizam, mas é muito encontrada no trabalho clínico junguiano como técnica que atua diretamente no fluxo da energia psíquica. A técnica consiste na construção de cenários numa caixa de areia com proporções milimetricamente pensadas, de fundo azul, coberta com generosa quantidade de areia tratada e prazerosa ao tato, a partir de uma prateleira de miniaturas ou apenas do manuseio da areia com ou sem água. A areia é o meio perfeito para a condução da energia psíquica, movimentando-a e contribuindo para o seu livre fluxo. Essa energia liberada e mais leve trabalha a favor do equilíbrio das emoções e do autoconhecimento

TÉCNICAS EXPRESSIVAS: são várias formas de expressões criativas utilizadas pelos seres humanos, ou seja, as produções expressas no plano, como o desenho e a pintura, passando pelas esculturas ou modelagem, que são tridimensionais, e pelas expressões literárias, musicais, sonoras, corporais e ou das artes cênicas, que são tetradimensionais, por incluírem os quatro elementos da física: energia, movimento, tempo e espaço, ou junguianamente falando: sentimento, intuição, pensamento e sensação, respectivamente.

O psicoterapeuta junguiano pode utilizar uma ou várias dessas técnicas como forma de expressão da psique mais profunda do indivíduo, que se expressa por meio de símbolos, em diferentes formas.

DURAÇÃO: o processo junguiano acontece em sessões semanais na maioria dos casos, normalmente por longos períodos. O processo de individuação acontece por toda a vida e não necessariamente tem um fim. Portanto, é difícil definir o tempo ideal de processo no geral. Cada indivíduo sente quando o processo, ainda que não terminado, pode ser encerrado com garantia de que a maior integração de si-mesmo conquistada até ali não será perdida. É comum as pessoas fazerem terapia por longos períodos durante a sua vida.

Principais nomes

Vale ressaltar que Jung foi extremamente ativo intelectualmente por toda sua vida, ele faleceu em 1961, e deixou muitos seguidores de seu trabalho. Além disso, após sua morte, o desenvolvimento do pensamento junguiano continuou de maneira muito ativa em várias áreas do conhecimento e persistindo até hoje. Portanto, não é tarefa simples fazer uma lista enxuta dos principais expoentes da Psicologia Analítica atualmente.

Carlos Amadeu Botelho Byington – Médico psiquiatra e analista junguiano. Nascido em São Paulo, cresceu no Rio de Janeiro, onde se formou em medicina. Especializou-se em psiquiatria e psicanálise, e, em 1965, graduou-se pelo C. G. Jung Institut Zürich. Retornou ao Brasil e fundou, com outros colegas, a Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica (SBPA), da qual já foi presidente, e a Sociedade Moitará, para o estudo de símbolos da cultura brasileira, mais tarde incorporada à SBPA. Além de ministrar uma ampla variedade de cursos e palestras no Brasil e no exterior, ensinando e divulgando a obra de Jung, Carlos Byington desenvolveu conceitos próprios, que originaram a Psicologia Simbólica Junguiana.

Emma Jung (1882-1955) – Filha de uma família abastada, Emma casou-se com Jung em 1903, depois de sete anos de namoro. Foi mãe de cinco filhos enquanto estudava latim, grego, matemática e psicologia. Tornou-se uma das diretoras do C. G. Jung Institut Zürich. Dentro da Psicologia Analítica se concentrou em dois temas: o mistério do Santo Graal e a questão do masculino na mulher e feminino no homem, anima e animus, nos conceitos junguianos.

James Hillman (1926-2011) – Americano de nascimento, James Hillman morou em vários países e estudou jornalismo, artes, literatura, filosofia ocidental e oriental, e entrou para o C. G. Jung Institut Zürich em 1953, permanecendo por quase 20 anos. Foi o responsável por criar e desenvolver a chamada escola arquetípica de psicologia junguiana, em San Francisco, Califórnia.

Marie-Louise Von Franz (1915-1998) – Natural da Alemanha, e uma das fundadoras do C. G. Jung Institut Zürich, fez terapia com Jung e esteve em profundo contato com ele de 1933 até sua morte em 1961. Pode ser considerada a mais prolífica das discípulas de Jung, pois escreveu mais de 20 livros, a maioria com foco na interpretação analítica dos contos de fadas.

Michael Fordham (1905-1995) – Foi psiquiatra e analista junguiano, nascido em Londres, e o maior responsável pela criação e o desenvolvimento do pensamento desenvolvimentista dentro da psicologia analítica, trabalhando intensamente a partir das novas teorias da psicanálise sobre o desenvolvimento infantil, junto com Melanie Klein, Donnald Winnincot, etc.

Nise da Silveira (1905-1998) – Nise foi a psiquiatra brasileira mais importante do movimento antimanicomial, pioneira no uso e difusão do pensamento junguiano no Brasil. Formou-se no C. G. Jung Institut Zürich e trocou correspondências com Jung a respeito de seu trabalho com artes e mandalas junto aos enfermos dos hospitais psiquiátricos no Rio de Janeiro.

Outras visões

Por ter como objetivo final o alcance da potência orgástica e fazer uso de estimulações corporais dentro do ambiente terapêutico, Reich e seus seguidores foram acusados de utilizar a estimulação sexual para atingir a potência orgástica, embora todos os que estiveram realmente próximo a eles tenham afirmado categoricamente que isso jamais ocorreu.

No entanto, no contexto em que foi desenvolvida, a terapia reichiana foi vista com maus olhos por muitos conservadores e é, até hoje, alvo de boatos nos quais o terapeuta e o paciente teriam relações sexuais dentro do setting terapêutico.

Os experimentos com acumuladores de orgone foram duramente criticados por cientistas e psicanalistas da época, por oferecerem riscos à saúde e não terem comprovação científica de sua eficácia.

A Food and Drug Administration advertiu Reich, em 1954, para que deixasse de administrar tais experimentos, por julgar os seus recentes resultados falsos. Alguns anos antes, um desastre no laboratório no Maine, no qual Reich e seus colegas procuraram interagir a energia orgânica com radioatividade, provocou mal-estar severo, fazendo com que todos tivessem que se retirar e se ausentar por um período para se recuperar das consequências. Ainda assim, Reich persistiu e acabou preso,  morrendo na prisão em 1957.

A aproximação política de Reich foi muito malvista na década de 1940 pelos psicanalistas, uma vez que o período conturbado de guerras levava a oposições drásticas. Não querendo esse tipo de envolvimento, muitos psicanalistas da época evitavam estar próximos de Reich, preocupando-se com as consequências.

O fato de a terapia reichiana ser, muitas vezes, demasiadamente mobilizadora, com exercícios muitas vezes dolorosos e desagradáveis, foi um ponto de discórdia por parte de muitos de seus seguidores, inclusive pela sua própria filha, Eva Reich. Muitos procuraram desenvolver métodos que causassem menos desconforto e, ao mesmo tempo, que abrangessem outras áreas da existência além da sexual.

Ramificações

Podemos falar em três principais escolas de psicologia analítica: a Clássica, que costumava se chamar escola de Zurique, foi a que seguiu os trabalhos de Jung iniciados no C. G. Jung Institut Zürich; a Arquetípica, fundada por James Hillman entre o final da década de 1960 e início de 1970; e a Desenvolvimentista, que é a que se costumava chamar de escola de Londres, a partir dos trabalhos desenvolvidos por Michael Fordham.

Cada escola utiliza todo o arcabouço teórico de Jung, mas privilegia e enfatiza certos elementos mais que outros. Na análise das diferenças e semelhanças entre elas, outros elementos do processo terapêutico também devem ser levados em consideração, como a individualidade de cada um – terapeuta e analisando – e a prática específica desenvolvida ao longo do processo.

CLÁSSICA – Procura trabalhar de um modo consistente com os próprios métodos de trabalho de Jung. Vê o trabalho clínico como uma constante descoberta mútua no encontro terapêutico, tornando consciente a vida inconsciente e promovendo a integração dos indivíduos ao si-mesmo. Ser clássica não significa engessada nem tampouco estagnada. Muito se desenvolve na escola clássica de psicologia analítica.

ARQUETÍPICA – Seus principais autores valorizam o conceito-chave de Jung dos arquétipos, usando-os como base a partir da qual explorar as dimensões mais profundas da psique inconsciente. Privilegia o trabalho com todos os tipos de experiências imaginais como sonhos e devaneios como ponte para se chegar ao si-mesmo. James Himan continua sendo o expoente da escola.

DESENVOLVIMENTISTA – Jung, ao contrário de Freud, não concentrou seus estudos nas fases iniciais de desenvolvimento da psique.

Na visão de alguns junguianos essa lacuna fazia falta para o entendimento mais completo do processo de individuação, que começa bem cedo na psique infantil,. Assim, eles foram buscar na psicanálise o material de onde partir.

Acontece que em meados do século XX em Londres estavam vários dos principais estudiosos da Sociedade Psicanalítica Britânica da época como Melanie Klein, Wilfred Bion, Donald Winnicott e John Bowlby, e também estava Dr. Michael Fordham e um grupo de analistas junguianos que leram com muito interesse as novas teorias desenvolvidas por aquele grupo e iniciaram suas próprias pesquisas.

Buscavam elaborar uma teoria do desenvolvimento infantil compatível com a tradição junguiana e que, ao mesmo tempo, pudesse beneficiar-se com as novas descobertas e técnicas psicanalíticas pertinentes e, em certa medida, as incorporasse, particularmente aquelas relacionadas ao desenvolvimento inicial do bebê e à transferência e contratransferência.

A abordagem desenvolvimentista acredita que o desenvolvimento é um processo que se inicia no nascimento e continua até o fim da vida, assim como o processo de individuação, e que levar em consideração a etapa do desenvolvimento psíquico de terapeuta e analisando traz contribuições fundamentais ao processo de se chegar ao si-mesmo.

Fontes e inspirações

As mais diversas áreas do conhecimento, como filosofia, história, arte e religião, sem dúvida constituem a base da Psicologia Analítica como teoria de pensamento psicológico. Como as fontes e inspirações que influenciaram o pensamento de Jung são bastante variadas, selecionamos algumas das mais importantes.

Emilie née Preiswerk (mãe) – A relação com a mãe influenciou muito o interesse de Jung pelas religiões e pelo mistério oculto da vida. Foi ela quem contou a Jung as primeiras histórias sobre religiões orientais que tanto o fascinaram, além de estimular a leitura do Fausto de Goethe. Com a família materna Jung participou de um grupo de atividades espíritas, pelas quais se interessou, então passou a estudar profundamente a literatura sobre o oculto e o paranormal.

Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) – O alemão Goethe era visto por Jung como predecessor e até mesmo como possível ancestral. Além de compartilhar o modo polarizado de Jung de ver o mundo, ele se preocupava com a metamorfose de si-mesmo e com a relação do si-mesmo (masculino) com o feminino. O Fausto de Goethe foi marcante na adolescência Jung, pois a leitura trouxe à tona com muita força o conflito entre os dogmas religiosos paternos e o Deus libertário que sentia dentro de si.

Filósofos gregos, em especial Platão (428 a.C – 347 a.C) – O conceito de Platão para as formas primordiais existentes no Mundo das Ideias,

dos quais os seres humanos e tudo que existe no mundo objetivo seriam cópias imperfeitas, está intimamente relacionado ao conceito de arquétipos cunhado por Jung e que tem papel fundamental em sua teoria

Positivismo – escola de pensamento filosófico e científico que nasceu na primeira metade do século XIX com Augusto Comte (1798-1857) e concentra-se no poder da razão, da ciência experimental e no estudo de leis universais e fatos inegáveis. O positivismo proporcionou a Jung um treinamento valioso e um respeito pela ciência empírica, através da influência definitiva de seus mestres universitários tão envolvidos com essa forma de pensar o conhecimento, na época de formação de Jung e desenvolvimento da Psicologia Analítica.

Romantismo – movimento artístico, político e filosófico que surgiu na Europa no final do século XVIII e perdurou por grande parte do século XIX. Em vez de se concentrar nos objetos particulares, esse movimento voltou-se para o irracional, para a realidade interior individual e para a exploração do enigmático. A filosofia romântica evitava o linear em favor do movimento circular e de contemplar um objeto de diferentes ângulos e perspectivas. A partir daí os homens começaram a se interessar pelo diferente, desconhecido e mais para si mesmos, incluindo o seu oposto, o feminino. Todas essas buscas do romantismo estão fortemente presentes no pensamento junguiano.

Immanuel Kant (1724-1804) –Kant, por ser platônico, sustentava que nossa percepção do mundo se conformava às formas platônicas ideais, por isso Jung o considerava o desenvolvedor de grande parte de sua teoria arquetípica. Além disso, o grande interesse de Kant pela parapsicologia acabou por despertar o interesse de Jung.

George Wilhelm Hegel (1170-1831) – A dialética hegeliana é sem dúvida um dos pilares da metodologia junguiana de trabalho clínico, fazendo jus à descrição de Jung para a história e o desenvolvimento psíquico que ocorrem por meio de um jogo de opostos, no qual a tese encontra a antítese para produzir uma síntese em um novo terceiro.

Arthur Schopenhauer (1788-1860) – Considerado por Jung como importante precursor, o filósofo rejeitou o dualismo cartesiano em favor de uma  visão de mundo romântica unificada, além de salientar a importância do imaginal, dos sonhos e do inconsciente. Também a ideia de Schopenhauer das quatro funções, com o pensamento e o sentimento polarizados e a introversão revalorizada, influenciou a teoria junguiana de tipos psicológicos. Tanto Schopenhauer quanto Jung estavam profundamente envolvidos em questões éticas e morais, estudaram filosofia oriental e compartilharam a crença na possibilidade e na necessidade da individuação.

Friedrich Nietzsche (1844-1900) – Muitas ideias de Nietzsche influenciaram a Psicologia Analítica.

Dentre elas podemos citar a crença de Nietzsche na presença manifesta da dualidade bem e mal em todas as interações humanas, também presente nas ideias de Jung sobre a origem e a evolução das civilizações. Ambos acreditavam que a consciência moral individual estaria começando a evoluir para um novo ponto crítico além do bem e do mal.

Sigmund Freud (1856-1939) – Considerado o pai da psicanálise, Freud teve importância fundamental na vida e obra de Jung, tanto nos anos de intensa colaboração, que foram de grande importância para a exposição das ideais de Jung no meio psicanalítico onde Freud tinha presença dominante, como depois do rompimento. Esse fato teve um peso enorme nos caminhos seguidos por Jung a partir de então, influenciando o desenvolvimento das teorias da psicologia analítica nos anos seguintes – que alguns historiadores gostam de compreender como uma discussão contínua e sem resposta de Freud.

Pierre Janet (1859-1947) – Jung estudou com Janet por um semestre na faculdade de medicina e o exemplo deste contribuiu para o sentimento de dedicação que já era forte em Jung para a importância crucial da relação médico-paciente. Também é possível que Janet tenha sido o pai do método catártico para a cura da neurose, por ser o primeiro a definir os fenômenos da dissociação e os complexos.

Filosofias orientais e Richard Wilhelm (1873-1930). Esse estudioso alemão e missionário na China traduziu textos chineses clássicos como o I Ching e O segredo da flor de ouro, para os quais Jung escreveu comentários introdutórios. Jung estudou os diversos sistemas hindus de yoga, principalmente o yoga vedanta, o budismo dos mestres zen japoneses, os taoístas chineses, e os tibetanos tântricos.

Ele constatou que a filosofia oriental, assim como a Psicologia Analítica, validava a ideia de inconsciente, enfatizava a importância da vida interior mais que a exterior, valorizava a completude mais que a perfeição, sendo compatível com seu conceito de integração psíquica.

Alquimia – Embora conhecesse alquimia desde 1914, foi só depois de ter contato com O segredo da flor de ouro, o livro chinês sobre alquimia, que Jung pôs-se a estudar a alquimia europeia medieval. Jung usou as formulações simbólicas dos alquimistas como amplificações de suas teorias da projeção e do processo de individuação.

Os alquimistas trabalhavam em pares, e por meio de sua abordagem do material transformavam-no e a si mesmos de uma forma muito semelhante ao funcionamento da análise.

Fontes de pesquisa

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http://www.andrewsamuels.com – site de um dos expoentes da psicologia analítica que ainda clinica em Londres e tem vários livros publicados em psicologia analítica.

https://www.youtube.com/watch?v=fcwDcfomjVI – link para videoentrevista realizada pela BBC de Londres com Jung quando este estava com 83 anos, às vésperas de sua morte.

http://www.junginstitut.ch/english/ – site do Instituto C. G. Jung em Zurique na Suíça

http://iaap.org – site da Associação Internacional de Psicologia Analítica, fundada em 1955 quando Jung ainda estava vivo.

http://www.ijep.com.br – site do Instituto Junguiano de Estudos e pesquisas que possui vários cursos de formação com base na psicologia junguiana.

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