fbpx
Procurar no site Namu
Logo portal NAMU

O que é

O pensamento marxista sustenta a ideia do comunismo como o ápice da liberdade humana, capaz de lidar com as contradições reais da sociedade.
A teoria do valor como mais-valia e o capital que resulta da propriedade privada levam a uma contradição entre as forças produtivas da sociedade e os modos de produção. No comunismo, há a abolição da propriedade privada e o fim da divisão social de classes entre burgueses e proletários.
A dialética do trabalho atribui um caráter materialista à concepção de história. Através dela é possível pensar a realidade em suas implicações empíricas e econômicas.
A emancipação humana histórica, para Marx, ocorrerá quando a classe dominada (os proletários) tiver consciência de sua condição de oprimida. Nesse momento, haverá uma inversão dialética, no instante que a propriedade burguesa e o capital forem superados [Aufhebung] em uma nova forma de vida econômica.

Origem do nome

É o nome dado a escola do pensamento filosófico de Karl Marx (1818-1883). A palavra é composta em dois elementos: 1. Marx – designa a referência ao pensador Karl Marx. 2. O sufixo -ismo, que caracteriza doutrina, sistema, teoria, tendência ou corrente. Nesse caso, uma doutrina sobre o pensamento de Marx.

Criação

O comunismo foi um conceito que surgiu a partir da ideia de emancipação da classe proletária. Ele seria a superação do processo de alienação do trabalho.

Na dialética marxista do trabalho, a classe dominada supera sua própria condição quando deixa de ser proletária e se liberta da classe dominante. Da mesma forma, a burguesia só pode ser livre quando deixa ser a classe dominada que expropria o proletariado.

Foi com a união da dialética do trabalho, da propriedade privada e da concepção materialista da história que Marx conseguiu mostrar que o capital é resultado da propriedade fundiária que se transforma em acúmulo de bens e de força de trabalho. Ele, ao dar sentido a esses conceitos, indicou que o comunismo deveria se opor diretamente às teorias clássicas e liberais, defensoras do direito de propriedade, como em Adam Smith.

Outra ideia que permitiu o surgimento do marxismo e do comunismo foi a teoria do valor presente em O Capital. Essa tese procura dar conta do processo de alienação, produto do fetichismo da mercadoria. É exatamente na sua atividade de produção primordial que o homem perde a sua liberdade e torna a sua atividade de trabalho alienada, ou seja, quando isso ocorre os resultados estão fora de seu controle.

Os conceitos comunistas e socialistas se baseiam no seguinte argumento proposto por Marx: a história revela o processo de alienação da produção sob a forma da contradição do homem e de sua atividade no decurso do tempo.

O Manifesto Comunista, de 1848, convida os trabalhadores para a revolução que os libertaria dessa condição universal de alienação. Ao ser realizada, a revolução aboliria esse processo de produção baseado na forma do capital, construindo uma outra relação do homem com o trabalho.

Histórico

Crise da primeira metade do século 18: Entre 1795 e 1834 houve uma crise, com problemas agudos de miséria na Europa. Ocasionada pelos resultados da chamada Primeira Revolução Industrial, na substituição do trabalho humano pelas máquinas.

Marx começou a publicar suas obras nos anos de 1840. E em 1848 ocorreram inúmeras revoluções. Essa série de revoltas também ficou conhecida como Primavera dos Povos, colocando em questão o sistema político autocrático, a crise econômica e as condições de trabalho.

Eram movimentos republicanos contra as monarquias europeias. Eles tiveram início na Sicília. Depois, se espalharam por França, Alemanha, Itália, Irlanda e império austro-húngaro. Todas elas foram duramente reprimidas, deixando um rastro de desilusão e derrota entre os liberais e progressistas de então.

O fracasso de 1848 e a Revolução Russa: Após o agitado 1848, houve uma intensificação da jornada imperialista das potências europeias. Isso aprofundou o processo de industrialização e disputa de terras até o início do século 20.

Quase na contramão desse processo, em 1917, eclodiu na Rússia, até então uma nação majoritariamente agrária, a renúncia do Czar Nicolau II. E assim os bolcheviques e os mencheviques, formando a maioria da oposição ao czarismo, tomaram a dianteira e passaram a fazer a disputa política do país. A dissolução do parlamento russo, a Duma, somada à catastrófica participação do país na Primeira Guerra Mundial, simplesmente derreteram o resto de governo czarista então existente.

Depois de ondas de saques e falta de comida, a revolta tomou conta de São Petersburgo, em fevereiro de 1917. Dias depois, em março, o czar abdicou. Foi apontado então um governo provisório, porém, o mesmo foi incapaz de manter a ordem no país. Entre março e outubro, o governo provisório passou por quatro reformas. Nenhuma delas deu certo ou conseguiu resolver os altíssimos níveis de insatisfação que tomavam conta do país.

Nesse momento, os três maiores bloco políticos russos eram os Revolucionários Socialistas, seguidos pelos menores mencheviques e bolcheviques, ambos facções do Partido Operário Social-Democrata dos Trabalhadores Russos.

No final, o programa “Paz, Terra e Pão” dos bolcheviques acabaria conquistando o apoio de trabalhadores urbanos e dos soldados do país, os quais estavam então desertando aos milhares. Entre 24 e 25 de outubro, os bolcheviques ocuparam prédios públicos, telégrafos e outros pontos estratégicos. Desse momento em diante, eles passaram a comandar a Rússia.

Leninismo: Vladimir Ilich Lenin (1870-1924) foi a figura mais importante da Revolução Russa de 1917, criador do Komitern (Internacional Comunista) e primeiro comandante do Estado soviético. Seus escritos acabaram se tornando uma versão do marxismo que ficaria conhecida como leninismo.

Stalinismo: Iosif Vissarionovich Stalin (1879-1953) sucedeu Lenin no comando da União Soviética. Foi um dos ditadores mais terríveis do século 20. Industrializou o país, forçou milhares de pessoas à prática da agricultura coletiva — responsável por uma onda de fome na Ucrânia —, fez uso intensivo da repressão e do terror contra seus adversários políticos e ajudou os países aliados a derrotar a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Foi um dos maiores advogados do “socialismo científico” criado por de Karl Marx e Friedrich Engels (1825-1895). Essa tese pretendia fazer uma análise científica do desenvolvimento das sociedades. Segundo essa versão do socialismo, o principal causador responsável pela desigualdade entre as pessoas era a existência da propriedade privada dos meios de produção.

Guerra Fria: Nome dado à disputa história entre socialismo, encabeçado pela União Soviética, e o capitalismo, comandado pelos Estados Unidos. Durou desde o final da Segunda Guerra Mundial, 1945, até a Queda do Muro de Berlim, em 1989.

Seu campo de embate se deu na disputa por zonas de influências político-ideológica e modelos econômicos em todo planeta. Os momentos mais difíceis desse período foram a Guerra da Coreia (1950-1953), a Guerra do Vietnã (1962-1975), além da famosa tensão na Crise dos Mísseis, em Cuba (1962). Nessa época, ocorreu uma acentuada luta teórica entre marxismo e liberalismo.

Queda do Muro de Berlim: É o marco em que a Guerra Fria é encerrada. Berlim, após a Segunda Grande Guerra (1945), havia sido dividida em administrações de Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e União Soviética.

Em 1949, foi realizado um acordo de integração entre as áreas, mas, em 1961, com o acirramento da Guerra-Fria, o governo da Alemanha Oriental construiu um muro dividindo a zona da cidade controlada pela União Soviética das outras comandadas pelos demais países.

Essa decisão separou inúmeras famílias alemãs durante décadas. Em 1989, com a crise do leste europeu e o fim do sistema da Alemanha Oriental, ocorreu a queda do muro, representando simbolicamente o fim da Guerra Fria.

Atualidade

Influência teórica e organização dos partidos políticos: O sentido atual de “partido de esquerda” aprofundou o seu sentido com o marxismo. Até hoje se utiliza o termo para partidos com afinidades socialistas, comunistas, revolucionárias ou com base nos trabalhadores.

A cor vermelha é predominante, simbolizados pela foice e o martelo, os quais representam a união entre o proletariado e o campesinato. O marxismo também possui grande influência nos movimentos sociais.

No Brasil, se destacam grupos que reivindicam os direitos à terra, como o MST; à habitação, como MTST; e a maioria das centrais sindicais. Há também uma parte do ativismo, especificamente alguns setores do movimento anarquista e até mesmo ecológicos, com vínculos com o pensamento marxista.

Grande capacidade de crítica econômica, social e cultural. A ideia de práxis-teoria é um legado do marxismo que se estende aos dias de hoje.

O marxismo oferece muitas chaves de leitura que ajudam a compreender como as formas atuais de sociabilidade do espaço das cidades, as propagandas dos produtos de mercado, as patologias no campo da medicina e mesmo o poder da mídia são oriundos do arsenal ideológico produzido pelo capitalismo.

Há pensadores que trilharam ou caminham por esse legado, por exemplo, o famoso historiador inglês Eric Hobsbawm (1917-2012) e o filósofo esloveno e midiático, Slavoj Žižek (nascido em 1949).

Fundamentos

Propriedade privada e luta de classes: É com o pensamento marxista que nasce a ideia de comunismo. Os dois pilares que sustentam a ideia de comunismo são a abolição da propriedade privada e o fim da divisão social de classes entre burgueses e proletários.

Os problemas das forças produtivas: Segundo Marx, a formação social e as forças produtivas juntas resultam da forma como as lutas sociais agem sobre a natureza. Como a sociedade é o complexo desse processo, ela é sujeita a múltiplas determinações. A formação social é sempre transitória e histórica, como movimento, e nesse processo é que se pode pensar que a liberdade é possível.

Materialismo histórico: A história é tida por Marx pela sua dialética materialista. O real é concebido como um processo histórico que rege os movimentos da sociedade. E a dialética de Marx, em sua concepção materialista e histórica, é o modo possível de pensar essa realidade, unindo o empírico e o racional enquanto economia e produção de força de trabalho.

Teoria do valor e do capital: O capital pode ser entendido como aquilo que permite o crescimento do lucro e do poder do seu proprietário. Ele é o economicamente útil. Surge como uma variável da produção no processo de circulação das mercadorias, a qual é base do sistema econômico do capitalismo.

A teoria do valor, ou a mais-valia, opera no capital. É a medida do tempo de trabalho e da produção feita a partir do preço das mercadorias. Ou seja, no capital e na teoria do valor marxistas, não é o sujeito que detém o controle do processo, mas é o processo que domina o indivíduo.

Contradição do modo de produção: O conceito de modo de produção é a totalidade social entre dois conceitos:

1) infraestrutura (composta pelos meios de produção e força do trabalho);

2) superestrutura (as instituições responsáveis pela produção ideológica, a formação das ideias e conceitos da sociedade).

Os grandes períodos históricos foram estruturados cada um a seu modo. Nesse processo global, as forças produtivas de cada lugar na história tende ao desenvolvimento, até que esse progresso social entre em choque com o modo de produção vigente.

A contradição entre forças produtivas e relações de produção cria o processo histórico necessário para as transformações, numa disputa entre classes dominantes e classes dominadas.

O conceito de classe social: O conceito de classe social é fundamental na obra de Marx. Determina os conflitos e dinâmicas em todos os níveis da sociedade. A classe dominante é a aquela que detém o poder sobre os modos de produção e por isso é a produtora de ideologia.

Marx e Engels, na Ideologia Alemã, definem três formas de ideologia:

1) como parte ou conjunto das superestruturas;

2) como ocultamento da realidade;

3) como sistema de valores sociais impostos.

Nesse contexto, o Estado seria uma instituição acima de todas as outras, capaz de manter a dominação e exploração de uma classe sobre a outra.

Luta de classes: o momento da contradição entre as forças de produção e o desenvolvimento social ocorre quando a luta de classes, na qual o proletariado se põe como força de disputa com a classe dominante no materialismo dialético.

Marx concebe prática (ou práxis) e política como algo unido. A práxis política exprime o poder ativo em que o homem transforma o seu meio natural e social. É sempre crítica, pois é a união entre razão e história. A luta de classes seria, portanto, essa atividade crítica em que os explorados se voltam contra os exploradores.

Na prática

O marxismo é marcado, sobretudo, pela militância política. Durante o século 20, em geral, ela se deu pela filiação aos partidos revolucionários e através da atuação militante na sociedade. Os marxistas progressistas acreditam que a militância pode ocorrer na vida moderna fragmentada, exercendo na prática democrática as transformações do capitalismo.

A ideia é a de organização social independente, em várias disciplinas ou setores sociais, como grupos, conselhos, saraus e cursos de formação militantes.

Há ainda os marxistas ortodoxos, que não depositam esperanças no processo democrático. Para eles, a única ação direta possível será no momento em que as tensões de classes forem inevitáveis. Essa será a hora da revolução, em que o conflito ideológico e mesmo físico se dará nas ruas.

Principais nomes

Karl Marx (1818-1883) Filósofo alemão e de origem judaica. Estudou nas universidades de Bonn, Berlim e Jena, onde tornou-se doutor em 1841. Seu pensamento está assentado na dialética de Hegel, tirando-a de seu idealismo para torná-la materialista.

A dialética do trabalho é a chave para entender a história como movimento histórico e a sua concepção materialista das forças econômicas. A ordem social, política e cultural são constituídas por essa infraestrutura da economia.

Considerado um democrata radical, em razão de suas ideias políticas, viu-se obrigado a deixar a Alemanha e mudar-se para Paris, em 1843. Foi quando conheceu Friedrich Engels (1820-1895), com quem escreveu Ideologia Alemã, entre 1845 e 1846, tecendo duras críticas à juventude hegeliana alemã, imersa no debate espiritual do idealismo.

A partir desse período, Marx é expulso de Paris. Refugia-se então em Bruxelas, na Bélgica. Depois, vive durante um breve período em Colônia, na Alemanha, para apoiar a Revolução Alemã de 1848. Foi nesse período que ele escreveu com Engels o Manifesto Comunista.

Depois, Marx muda-se para Londres e dá início à sua principal obra, O Capital (1867), livro que demorou anos para ser concluído. Marx partiu da crítica aos socialistas anteriores, chamados de utópicos, como Saint Simon (1760-1825), Robert Owen (1771-1858) e Fourier (1772-1837).

Aprofundou-se no estudo da doutrina política clássica, de que só o trabalho humano produz valor, denunciando a exploração patente da extração da mais-valia, o que gerava acumulação do capital. Sobre esses estudos pretendeu construir um socialismo científico, baseado na crítica sistemática da ordem estabelecida e no descobrimento das leis objetivas que conduziriam a uma superação pela força da revolução.

Sua oposição à ideologia da burguesia industrial é sistemática. Diferente do pensamento clássico, o capitalismo tem o caráter histórico, como qualquer outro sistema, e não o de uma ordem natural imutável. A tendência do empobrecimento das classes baixas foi o fator empírico que Marx utilizou para provar, dialeticamente, como o capitalismo precisa das crises financeiras e do trabalho para se sustentar como sistema.

O enriquecimento leva ao acúmulo e monopólio, restando uma margem grande de pessoas sem renda, ou com renda miserável. O último salto do marxismo é o caráter histórico do choque revolucionário entre explorados e exploradores, levando a uma revolução socialista, como transição ao comunismo.

Estaria abolida a propriedade privada dos meios de produção, e não seria mais preciso o poder coercitivo do Estado, havendo a emancipação global e definitiva do homem. Seria resolvido o problema da alienação dos trabalhadores, realizando plenamente as ideias de liberdade, igualdade e fraternidade, que puderam ser apenas sonhada pela Revolução Francesa.

Marx foi testemunha ocular da Revolução Industrial britânica. Viu o Reino Unido se transformar na oficina do mundo e na maior potência militar da época, porém, também presenciou as terríveis condições nas quais viviam os trabalhadores ingleses e o crescimento exponencial da miséria em grandes cidades da era vitoriana como Londres.

Com seu pensamento, Marx buscava não abrir mão do progresso, como queriam fazer os românticos, mas, ao mesmo tempo, pretendia combater os assustadores custos humanos que esse desenvolvimento cobrava da população.

Friedrich Engels (1820-1895): Pensador e dirigente socialista alemão. Teve a sua formação na Universidade de Berlim, entre 1841 e 1842, juntando-se aos hegelianos de esquerda e interessados nos movimentos revolucionários da época.

Ao ser enviado para Londres por causa dos negócios familiares, entrou em contato direto com as condições precárias dos trabalhadores da classe operária. Nesse período, em 1844, aderiu definitivamente ao socialismo, estabeleceu uma amizade duradoura com Karl Marx, com quem manteve uma colaboração frutífera.

Escreveram juntos A Sagrada Família (1844), A Ideologia Alemã (1844-1846) e o Manifesto Comunista (1848). Durante o período de trabalhos com Marx, Engels contribuiu com sua atenção à crítica da economia clássica e detalhes dos processos produtivos.

Após a morte de Marx, cumpriu o papel de líder indiscutido da socialdemocracia alemã, da Segunda Internacional e do socialismo mundial. Manteve o essencial do marxismo, como as ideias da desaparição futura do Estado, a dialética e as complexas relações entre a infraestrutura econômica e as superestruturas políticas, jurídicas e culturais. Embora na condição de empresário, participou da Revolução Alemã de 1848-1850.

A partir de 1870, foi secretário da Primeira Internacional dos Trabalhadores (AIT). Também publicou escritos relevantes como o Socialismo Utópico e Socialismo Científico(1882), A Origem da Família, A Propriedade e o Estado (1884), e Ludwig Feuerbach e o Fim da História Clássica Alemã (1888).

György Lukács (1885-1971): A sua principal obra é História e Consciência de Classe (1923). Nela encontramos uma conciliação da tese materialista da consciência, como reflexo da realidade, e a tese hegeliana da identidade dialética entre sujeito e objeto. De modo geral, o húngaro Lukács retoma algumas obras do jovem Marx, como os Manuscritos de 1844, procurando analisar a alienação como uma reificação da consciência. Ou seja, que não se trata da consciência humana determinar o ser, mas o ser social que determina a consciência.

Nesse processo, o proletariado é vítima do racionalismo coisificador burguês, como um reflexo dialético com implicações idealistas. Assim, pode-se dizer que Lukács é um marxista que procura retomar aspectos idealistas da filosofia hegeliana e do jovem Marx, além de elementos existencialistas da filosofia kierkegaardiana.

Ele foi o responsável por ampliar a ideia de alienação presente nos textos de Marx. Foi membro da Comuna de Budapeste, ocorrida em 1919. Em razão dessa participação, Lukács acabaria exilado em Viena, para onde fugiu após ser condenado à morte pela monarquia húngara. Viveu lá durante 10 anos. Depois fez parte do Instituto Marx-Engels, em Moscou. Em seguida, em 1929, mudou-se par Berlim, onde viveu até 1933. Nesse ano, passou a fazer parte do Instituto de Filosofia, em Moscou.

Ao final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, retornou para Hungria onde foi deputado e professor de estética na Universidade de Budapeste. Em 1956, foi uma das figuras mais importantes da Revolução Húngara, um movimento marcadamente democrático e antissoviético. Foi ministro da cultura do governo revoltoso. Acabou preso e foi deportado para a Romênia. Escreveu mais de 30 livros e centenas de ensaios e artigos. Seus textos influenciaram profundamente os marxistas durante a primeira metade do século 20.

Antonio Gramsci (1891-1937): Começou sua história de intelectual com uma brilhante carreira na Universidade de Torino, onde entrou em contato com a Juventude Socialista. Depois, se filiou ao Partido Socialista, em 1914. No período da Primeira Guerra Mundial, Gramsci se tornou um dos maiores especialistas em marxismo na Itália. Em seguida, ele criou o jornal L’Ordine Nuovo (A Nova Ordem).

Participou efetivamente da greve geral em Torino, em 1920, da qual foi um dos líderes. Com Togliatti, foi um dos fundadores do Partido Comunista da Itália, em 1921. Após a criação, Gramsci se mudou para União Soviética, onde viveu dois anos.

Ao retornar, se tornou o líder do Partido Comunista da Itália, pelo qual foi eleito deputado, em 1924. No entanto, em 1926, o ditador fascista Benito Mussolini (1883-1945) baniu o PC italiano e prendeu Gramsci.

Na prisão ele produziu uma obra imensa e de crucial importância para compreender o mundo moderno. O pensador, após vários anos de cárcere, morreu em 1937, ao deixar a penitenciária para obter tratamento médico. Para Gramsci, a transformação social provém das obras e do pensamento, não apenas da burocracia sindical e de seus representantes.

As comissões e os conselhos nas fábricas, nos bairros, no partido seriam um tipo de expansão cultural e o modelo para a sociedade comunista, em oposição à ditadura repressiva e verticalizada do espírito burguês. Essa nova vontade política opõe-se à direção ideológica capitalista.

Gramsci foi também um adversário do economicismo e sobretudo do fascismo de Mussolini. Em seus escritos, o pensador italiano defendia que a democracia era o melhor mecanismo possível para se construir sujeitos históricos autônomos capazes de garantir sua emancipação diante de circunstâncias sociais opressivas.

Portanto, a diferença direta entre Marx e Gramsci é: para o primeiro a revolução seria uma tomada do poder pela força dos trabalhadores explorados; para o segundo, a forma mais eficiente da revolução seria através da mediação e transformação da cultura vigente em uma revolução silenciosa, democrática e duradoura.

Leon Trotsky (1877-1940): Seu nome é Lev Davidovich Bronshtein, mas ele ficou mundialmente conhecido pelo pseudônimo revolucionário Leon Trotsky. Nasceu em uma família judia na Ucrânia. Estudou direito na Universidade de Odessa.

Jovem, participou da oposição clandestina contra o czarismo, organizando uma Liga Trabalhadora do Sul da Rússia (1897). Foi detido várias vezes e enviado para os campos na Sibéria, onde passou mais de quatro anos preso. Em 1902, após deixar a prisão, encontrou-se em Londres com Lenin. Na capital britânica, ele trabalhou para o jornal revolucionário russo Iskra.

No segundo congresso do Partido Operário Social-Democrata dos Trabalhadores Russos, Trotsky se aliou aos mencheviques, uma facção minoritária que defendia um socialismo de cunho mais democrático. Seu grupo se opunha a Lenin e os Bolcheviques, os quais queriam um partido altamente centralizado, disciplinado e profissional.

Em 1905, com os primeiros movimentos revolucionários surgindo na Rússia, ele regressou ao país e tomou parte na revolta, organizando o primeiro conselho revolucionário. Com o fracasso da revolução, Trotsky foi preso e enviado novamente para a Sibéria, de onde escapou em 1906.

Percorreu o mundo nos focos revolucionários, regressando à Rússia quando estalou a Revolução de fevereiro de 1917, que derrubou o czar Nicolau II.

A partir de 1917, enquanto Lenin estava no poder, Trotsky desempenhou um papel crucial no governo soviético. Foi o primeiro comissário de Relações Exteriores do bolchevique russo (1917-1918), comissário de Guerra (1918-1925), quando organizou o Exército Vermelho. Foi fundamental para a existência do primeiro Estado Comunista do Mundo, e sua obra principal foi História da Revolução Russa (1932).

Nela, Trotsky une a narrativa do processo russo ao esclarecimento das leis do próprio movimento histórico. Parte dos níveis mais abstratos aos mais concretos dos acontecimentos, seu texto apresenta um sociologismo feito a partir da dialética marxista. Com a debilitação da saúde de Lenin, Trotsky passou a disputar a sucessão com outros líderes comunistas, entre eles, Stálin.

Em março de 1923, quando Lenin ficou gravemente doente, Stálin se consolidou como novo líder soviético. Trotsky, por sua vez, meses após a formação do novo governo, passou a fazer oposição e críticas ao Comitê Central, acusando-o de antidemocrático e incapaz de colocar o planejamento econômico em prática. Essa disputa foi se acirrando até que em outubro de 1926 Trotsky foi expulso do Politburo.

Em 1928, ele foi exilado, passando a viver em uma região da Ásia Central chamada Almaty, que fica atualmente no Cazaquistão. Durante seu exílio, ele viveu na Turquia, França, Noruega e finalmente México, onde foi assassinado pelo comunista catalão e agente stalinista Ramón Mercader, o qual o matou com um golpe de furador de gelo na cabeça.

Vladimir Ilitch Ulianov – “Lenin” (1870–1924): Nasceu em uma família de classe média em Voga. Estudou nas universidades de Kazan e São Petersburgo, onde se instalou como advogado em 1893.

Militante contra a autocracia czarista, entrou em contato com o principal líder revolucionário russo no momento, Plekhanov, líder do Partido Trabalhista Social-Democrata da Rússia. Em 1897, foi detido e deportado à Sibéria, onde se dedicou ao estudo sistemático das obras de Marx para descobrir como aplicar suas ideias em um país atrasado como a Rússia.

Em 1902, na sua obra O Que Fazer, defendeu a revolução na Rússia através de uma vanguarda de revolucionários profissionais decididos e organizados como exército. Lenin buscou o sentido da concentricidade histórica, ou a consciência da historicidade. Ela seria a alma do marxismo.

Em 1916, publica O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, em nome do internacionalismo proletário, embora sem apelo e sucesso.

Com a revolução de 1917, regressou à Rússia e publicou sua Teses de Abril, ordenando todos os bolcheviques a darem o apoio ao governo provisional, exigindo “todo o poder aos sovietes”. Na ascensão ao poder, Lênin utilizou os mecanismos da economia de mercado como ação integrante de sua política comunista na Rússia, o que acabaria influenciando o restante do mundo. Era preciso “recuar um passo para avançar dois”, como costumava dizer.

Lênin participou da fundação da União Soviética (URSS) em 1922, e desde então o leninismo tem influenciado os partidos comunistas em todos os lugares. No mesmo ano, contraiu uma doença que o levou à morte, em 1924. Seu corpo foi embalsamado e permanece até hoje exposto no mausoléu na Praça Vermelha, em Moscou.

Josef Stalin (1879-1953): Seu nome é Jossif Vissariónovich Dzhugashvili. Ditador soviético. Filho de um sapateiro na região de Geórgia. Ficou órfão muito jovem e estudou em um seminário eclesiástico, onde foi expulso por suas ideias revolucionárias (1899).

Atuou contra o regime czarista, entrando no Partido Social-Democrata da Rússia em 1903. Depois, fez parte dos bolcheviques, no momento encabeçado por Lenin. Foi um militante ativo e refugiado até que em 1917 conseguiu um cargo burocrático no Partido Comunista, chegando a ser secretário geral em 1922.

Stalin travou uma disputa com Trotsky para a sucessão de Lenin, que adoeceu em 1923 e morreu em 1924. A luta se deu inicialmente nos marcos dos argumentos ideológicos, cada um defendendo uma estratégia para o comunismo: Stalin defendia a construção do socialismo em um só país, enquanto Trotsky pretendia uma revolução permanente em escala mundial.

Stalin conseguiu uma manobra, aproveitando o controle que detinha sobre a informação e sobre o aparato do Partido. Radicalizou as tendências autoritárias dentro do partido, eliminando as ideias democráticas do leninismo.

Governou a URSS de forma tirânica dos anos trinta até a sua morte, em 1953. Implantou um regime totalitário, realizando também um projeto socioeconômico comunista, com industrialização acelerada com base energética. Estatizou todos os serviços e impôs a coletivização forçada na agricultura, e extinguiu minorias étnicas ou contrárias ao seu regime.

Outras visões

Socialismo: Aparentada com o comunismo, no socialismo a sociedade organiza sua economia e ordem social através da gestão total do Estado, detentor inclusive dos meios de produção.

Nesse sistema, são os próprios trabalhadores e produtores que administram os bens e são os responsáveis pelos mecanismos democráticos.

O termo “socialismo” foi usado pela primeira vez por Robert Owen (pai do cooperativismo), no século 19. Friedrich Engels (1820-1895) foi outro socialista importante.

Anarquismo: Pode ser vista como uma posição política que significa “sem autoridade nem poder”. Coincide com o marxismo na crítica ao capitalismo e na necessidade de sua eliminação. Surgiu com William Godwin (1756 – 1836) e Charles Fourier (1772-1837), e foi ganhando com o tempo um posicionamento radical.

É muito influenciado pela ideia de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) segundo a qual todo indivíduo nasce livre por natureza e é a sociedade que o corrompe através do Estado e de suas instituições.

Alguns de seus contribuintes teóricos foram Mikhail Bakunin (1814-1876), Joseph Proudhon (1809-1865), Errico Malatesta (1853-1932), Leon Tolstoi (1828-1910), Max Stirner (1806-1856) e Peter Kropotkin (1842-1921), todos buscando um tipo de explicação política para o problema da liberdade humana.

A partir do século 19, foi uma teoria muito influente em países como Itália, Rússia e Espanha. Em alguns casos, chegou à radicalidade dos atentados terroristas.

Liberalismo: Opõe-se ao marxismo pela sua concepção de liberdade, vista nesse caso como direito fundamental do homem. Enquanto o liberal exalta a liberdade humana e compreende que a economia é uma consequência dela, a perspectiva marxista afirma o contrário, que a liberdade é resultado da atividade econômica em uma sociedade.

Fréderic Bastiat (1801-1850) foi um dos grandes fundadores da vertente liberal, inaugurando uma escola muito voltada para os debates da liberdade no domínio jurídico.

Outros homens importantes foram o do francês Henry David Thoreau (1817-1862); o austríaco Ludwig von Mises (1881-1973); o espanhol Salvador de Madariaga (1886-1978); e o pensador e economista austríaco Friedrich August von Hayek (1899-1992).

Ramificações

Escola de Frankfurt: Também chamada de “teoria crítica”, foi uma escola interdisciplinar que procurou pensar os problemas do mundo a partir da chave marxista. É considerada uma teoria crítica porque se filia à ideia de práxis-teoria, opondo-se à hegemonia da teoria tradicional, dogmática como o racionalismo.

Os trabalhos do frankfurtianismo compreendem algumas obras clássicas, como A Dialética do Esclarecimento(1944), de Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973), os trabalhos sobre literatura de Walter Benjamin (1892-1940), a relação entre psicanálise e marxismo em Herbert Marcuse (1898-1979) e Eric Fromm (1900-1980), a relação entre a razão comunicativa e emancipação em Jürgen Habermas (nascido em 1929), e a retomada dos estudos hegelianos para o problema do reconhecimento feita por Axel Honneth (nascido em 1949).

Análise literária: – Com A Alma e as Formas (1911) e a Teoria do Romance (1934) de Georgy Lukács (1885-1971), como também com o alemão Walter Benjamin (1892-1940) – A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica (1936) e Origem do Drama Barroco (1928), o marxismo entrou na esfera da análise da literatura.

Surgiram desse legado importantes análises sobre o gênero da narrativa, do romance e do teatro, sobretudo do processo ideológico e alienante da produção artística no capitalismo.

Marxismo e pedagogia: O ucraniano Anton Makarenko (1888-1939) e o italiano Antonio Gramsci (1891-1937) são dois grandes nomes que unem pedagogia e marxismo. O primeiro retoma os ideais da Revolução Francesa – liberdade, igualdade e fraternidade – para criar uma pedagogia de valores, porém unida à crítica marxista da relação de trabalho, produção e coletividade. Sua obra famosa é Poema Pedagógico, escrita em três volumes (1932, 1933 e 1935).

Já Gramsci deixou um legado que até hoje é utilizado. Ele se baseia na distinção de duas classes de intelectuais: o formal e o orgânico, este último seria filósofo pensador, capaz de compreender sua ação como fazer histórico. Sua contribuição nesse sentido pode ser vista em Os intelectuais e a organização da cultura (1949).

Fontes e inspirações

O marxismo foi influenciado sobretudo pela filosofia alemã e as teorias clássicas do pensamento econômico: Idealismo alemão. Corrente que nasce com Kant e culmina em Hegel.

É a palavra que em geral se diz da doutrina filosófica que define a ideia como princípio do conhecimento e ao mesmo tempo da realidade. Ou seja, o mundo real pode ser tido como um produto do pensamento.

Em Kant, encontramos um idealismo crítico, ou transcendental, em que os fenômenos são meras representações do sujeito. Fichte, Schelling e mesmo Hegel resultam em um tipo de idealismo absoluto, em que as coisas representadas supõem já uma negação total da realidade objetiva.

Por fim, Hegel, ao introduzir no pensamento do idealismo absoluto uma dialética moderna, foi capaz de dar conta da relação entre mundo exterior e pensamento pela representação.

Teoria econômica clássica: Através do escocês Adam Smith (1723) ganhou força a tradição da teoria econômica liberal. A Riqueza das Nações (1776) é a sua principal obra, com a defesa da liberdade irrestrita do comércio como prosperidade nacional.

O Estado é quem garante o direito de propriedade e mantém a relação de subordinação entre os homens pelas qualificações pessoais, idade fortuna e berço.

Outros autores presentes nessa tradição são: Thomas Malthus (1766 – 1834), articulando a relação entre população e economia; David Ricardo (1772 – 1823), ao problematizar a questão do valor e pensar a expansão econômica e distribuição de renda; John Stuart Mill (1806 – 1873), que introduziu na economia preocupações de “justiça social”; e Jean-Baptiste Say (1768 – 1832), com ênfase na relação entre industriários e lucros.

Georg Wilhelm Hegel (1743-1819): O marxismo é herdeiro direto da dialética hegeliana, conceito presente na obra Fenomenologia do Espírito (1807). Para essa tese, o que interessa é o percurso da “experiência da consciência” no mundo, envolvida numa relação entre lógica e ciência.

No entanto, Marx dá um passo adiante. Através de sua dialética do trabalho, ele torna as ideias de Hegel ainda mais efetivas. A crítica à dialética de Hegel é que ela ainda estaria presa ao domínio da representação na relação entre sujeito e objeto.

Assim, Marx não pensa em um “saber absoluto”, em suas passagens pelas figuras do pensamento — consciência, consciência de si, razão, espírito e religião —, como nas principais etapas da progressão dialética que Hegel. A dialética, como movimento da história está na luta de classe como o verdadeiro sujeito desse processo.

Nessa dialética entre burguesia e proletariado, importa transformar o mundo pela “ditadura do proletariado” e não apenas cumprir a destinação do espírito absoluto, que tem por fim conhecer a si mesmo.

Clube dos Doutores: Também chamado de “O Clube de Berlim” e liderado por Bruno Bauer, foi através desse grupo que Marx teve contato com os chamados “jovens hegelianos”.

Desse encontro de formação teórica e disputa política entre intelectuais resulta uma de suas obras de juventude mais famosas: A Ideologia Alemã (1846). Nela, Marx debate com os autores da tradição hegeliana: Bruno Bauer (1809-1882), Ludwig Feuerbach (1804-1872) e Max Stiner (1806-1856).

Aprofundamento

http://www.larousse.fr/encyclopedie/divers/marxisme/68479

http://www.espacoacademico.com.br/051/51tonet.htm

http://www.marxists.org/portugues/mandel/1983/03/14.htm

http://mercaba.org/Filosofia/Marx/marx_03.htm

http://revistacult.uol.com.br/home/2010/03/por-um-novo-marxismo/

http://revistacult.uol.com.br/home/2011/01/marx-e-a-sociologia

http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/4-189607-2012-03-15.html

http://www.monde-diplomatique.fr/2013/02/BURLAUD/48755

http://resume.liberation.fr/archives-marx.html

http://www.nytimes.com/2013/03/31/books/review/karl-marx-by-jonathan-sperber.html?pagewanted=all&_r=0

http://www.theguardian.com/books/2013/jun/26/karl-marx-nineteenth-century-life-review

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *