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Medicina Integrativa

O que é

O conceito medicina integrativa é um termo genérico. Atualmente ele possui diversas definições, ainda sem um consenso definido.
Muitos autores discutem o conceito no mundo todo, porém, é de comum acordo que o termo se refere a uma medicina alicerçada em uma abordagem mais ampla do indivíduo e com espaço para o uso de práticas integrativas e complementares, além de sistemas terapêuticos diferentes do paradigma biomédico, o qual normalmente é utilizado em conjunto com essas terapêuticas na medicina integrativa.
Assim, a medicina integrativa propõe um resgate das práticas tradicionais sem negar os avanços da medicina convencional, valorizando as evidências, critérios de segurança e eficácia das técnicas utilizadas. Ela é o conjunto de todos os tipos de terapia que já tenham algum tipo de evidência acadêmica. A medicina integrativa quer promover a saúde de maneira ampla.
Nesse sentido, outro aspecto fundamental é o espaço para um enfoque na saúde do indivíduo de maneira geral, ao invés de se preocupar apenas em combater uma determinada doença. A medicina integrativa busca o resgate da autonomia e relação terapêutica mais próxima também são pontos em comum.

Origem do nome

O termo “integrativa” vem do latim integrare que significa “tornar inteiro, fazer um só”. Integrare deriva de integer, “inteiro, completo, correto”, de IN-, “não”, mais a raiz de “tangere”, “tocar”, algo como “intocado”. Assim, “medicina integrativa” busca resgatar o foco no ser humano uno, indivisível, em sua original integralidade.

Criação

A necessidade de novos olhares em saúde, legitimada pela grande procura da população por outros tipos de abordagens e pelo grande aumento das doenças crônicas e degenerativas, fez com que novas práticas fossem consideradas e gestadas na área.

A medicina integrativa foi sistematizada a partir da união de premissas como, entender o ser-humano como um todo, ela encara o processo saúde-doença sem deixar de levar em consideração os sistemas médicos tradicionais, porém, sempre buscando ligá-los aos avanços e contribuições do paradigma biomédico. Baseia-se na pesquisa cientifica sobre técnicas milenares e alternativas de tratamentos e cuidados com a saúde.

Histórico

Modelos de medicina com característica integrativa existem há milênios em sistemas terapêuticos como a medicina tradicional chinesa, indiana, africana e de diversos povos pelo mundo. Essas medicinas tradicionais possuíam uma visão ampla do ser humano e consideravam o processo saúde-doença como proveniente de um desequilibrio complexo, ligado com elementos físicos e não-físicos, concebendo um olhar para o potencial de cura do próprio indivíduo e contextualizando o papel da doença na vida do doente.

Com o advento da ciência contemporânea, o paradigma materialista e o surgimento da abordagem biomédica na saúde, tais conceitos tradicionais sofreram, principalmente no Ocidente, grande desvalorização, pois passaram a ser encaradas como práticas primitivas e não eficazes. No entanto, há milênios, essas formas de medicina existiam em países como a China, Índia e Tibete. Estavam presentes no cotidiano de povos indígenas de todo o mundo e na cultura popular.

O Brasil incorporou grandes traços de formas de medicina africana, indígena e até mesmo de culturas orientais em sua cultura popular, principalmente em razão da grande imigração e miscigenação existente no país.

Anos 1960: A partir de 1960, por conta do aumento das doenças crônicas e degenerativas e muitos outros fatores envolvendo o modelo vigente de medicina, intensifica-se no Brasil e também em alguns outros países uma busca por praticas complementares de saúde que dessem conta de questões não contempladas pela medicina convencional. Essas práticas passaram a se chamar Medicina Alternativa.

No primeiro momento, elas foram marginalizadas pelo universo acadêmico e as escolas de medicina, os quais as consideravam não científicas.

Anos 1970: Nos Estados Unidos, por volta de 1970, em função da procura popular, o quadro começa a mudar e inicia-se um movimento que dissemina práticas alternativas em saúde. Esse novo comportamento dos pacientes sensibiliza pesquisadores de várias universidades norte-americanas. A ideia principal foi de mudar o paradigma de enfoque exclusivo na doença para o entender melhor o indivíduo e tratá-lo em toda sua complexidade, utilizando para isso práticas de outros sistemas terapêuticos sem, no entanto, excluir os avanços da medicina biomédica.

Declaração Alma-Ata: Em 1978, a Organização Mundial da Saúde, durante uma conferência realizada, no Cazaquistão, então parte da antiga União Soviética, produziu a Declaração Alma-Ata, a qual acabaria se tornando uma base para todo o tipo de serviço voltado para a área dos Cuidados Primários de Saúde.

Assinado por 134 países, inclusive o Brasil, esse texto afirma que “os cuidados primários de saúde são cuidados essenciais de saúde baseados em métodos e tecnologias práticas, cientificamente bem fundamentadas e socialmente aceitáveis, colocadas ao alcance universal de indivíduos e famílias da comunidade, mediante sua plena participação e a um custo que a comunidade e o país possam manter em cada fase de seu desenvolvimento, no espírito de autoconfiança e autodeterminação. Fazem parte integrante tanto do sistema de saúde do país, do qual constitui a função central e o foco principal, quanto do desenvolvimento social e econômico global da comunidade. Representam o primeiro nível de contato dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema nacional de saúde, pelo qual os cuidados de saúde são levados o mais proximamente possível aos lugares onde pessoas vivem e trabalham, e constituem o primeiro elemento de um continuado processo de assistência à saúde”.

Esse novo conceito, de certa forma, congrega ideias muito presentes na medicina integrativa. A Declaração de Alma-Ata também defendia a inclusão de práticas integrativas, baseando em uma visão mais tolerante e respeitosa com a diversidade de racionalidades médicas existentes. De certa forma, Alma-Ata serviu para indicar que a inclusão de práticas integrativas nos serviços públicos de saúde poderia ajudar a ampliar significativamente o atendimento em todo mundo.

Anos 1990: O primeiro centro de medicina integrativa norte-americano foi criado em 1991, pelo médico Brian Bennan. Após esse período, um estudo de 1993, feito nos Estados Unidos, revelou que um em cada três norte-americanos utilizava tais práticas para cuidar da saúde. A partir desse momento o número de hospitais e universidades que tinha projetos envolvendo o uso destas práticas alternativas aumenta muito.

Foram fundados nessa década diversos centros de pesquisa sobre o assunto. A então chamada medicina integrativa passa a se disseminar para outros países, no Brasil, o conceito é incorporado por diversos hospitais de referência, universidades e centros de pesquisa sobre o assunto.

Inspirado em cursos superiores existentes em outros países como Alemanha, Estados Unidos e Canadá, surge no Brasil, em 1998, a graduação em naturologia, cuja proposta é próxima dos ideais da medicina integrativa utilizando práticas integrativas no cuidado à saúde do indivíduo. Em 1999, é criado o Consortium of Academic Health Centers for Integrative Medicine, que reuniu várias instituições que trabalhavam com práticas integrativas.

Atualidade

O conceito de medicina integrativa ganha cada vez mais espaço dentro das universidades, hospitais e serviços de saúde de todo o mundo. Nos Estados Unidos, mais de 40 universidades possuem cursos e/ou centros de pesquisa sobre medicina integrativa.

O Consortium of Academic Health Centers for Integrative Medicine possui atualmente 56 instituições filiadas. Entre elas estão centros mundialmente famosos como John Hopkins University School of Medicine, Duke University School of Medicine e Georgetown University School of Medicine.

A última pesquisa, feita em 2008, indicava que quatro em cada dez norte-americanos recorriam às praticas terapêuticas integrativas. No Brasil, há cursos de graduação de várias profissões tradicionais da saúde como a medicina, fisioterapia, enfermagem, entre outras, que incorporam na grade curricular abordagens alinhadas com a medicina integrativa.

Em 2006, foi criado o Programa Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), que versa sobre a disseminação dessas práticas no Sistema Único de Saúde (SUS). Também há cursos de pós-graduação e centenas de pesquisas de mestrado e doutorado sobre o assunto. Há também diversos eventos científicos, seminários e congressos a respeito desse tema ocorrendo periodicamente no país. Seguindo os moldes norte-americanos, grandes hospitais brasileiros atualmente possuem centros de pesquisa e programas de medicina integrativa.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2008, 285 cidades ofereciam algum tipo de assistência em homeopatia, 350 ofereciam fitoterapia, 203 acupuntura e 184 ações relativas à medicina chinesa. As estimativas de gastos públicos mostram que só em 2009, o governo investiu R$ 2,9 milhões no custeio de consultas alinhadas com o modelo de assistência integrativa, R$ 326,3 mil em homeopatia e R$ 221,8 mil com a prática de acupuntura. Em 2011, foram realizadas mais de 600 mil sessões de acupuntura em mais de 100 municípios.

Fundamentos

O modelo biomédico se faz insuficiente para lidar com a complexidade de fenômenos envolvendo o processo saúde doença. Outras racionalidades médicas (sistemas terapêuticos como a medicina tradicional chinesa, indiana, tibetana, entre outras), têm visão diferenciada do processo saúde-doença, possuindo assim outras maneiras de abordar e cuidar dor ser humano.

A principal característica dessas racionalidades não-biomédicas é o caráter integrativo e a visão multidimensional do ser humano. Por multidimensional se entende uma visão não restrita à dimensão física/material, cujas divisões e nomenclaturas variam conforme a racionalidade.

A medicina integrativa surge como um movimento que visa aplicar esta visão multidimensional e integrativa na terapêutica, utilizando inclusive elementos da racionalidade biomédica (medicina convencional) em conjunto com estas racionalidades não biomédicas.

Na prática

A gama de praticas utilizadas na medicina integrativa é muito variada. O National Center for Complementary and Alternative Medicine (NCCAM), dos EUA, classifica estas em quatro domínios e inclui uma quinta classe, a qual seria formada outros sistemas médicos integrais como a medicina tradicional chinesa e a medicina ayurvedica: Medicina Mente-Corpo Principalmente focada na Meditação, usa técnicas destinadas a explorar a interface da mente com o corpo. Chi kung, eutonia, terapias que usam a criatividade (como arteterapia) e técnicas de relaxamento fazem parte dessa medicina mente-corpo.

Práticas Naturalistas: Uso de ervas, alimentos, vitaminas, dietas suplementares e produtos fitoterápicos. Práticas Manipulativas Corporais Trabalham muito a postura e a consciência corporal. Inclui, por exemplo, a quiropraxia, osteopatia e a massoterapia.

Medicina Energética: Utilização terapêutica de dois tipos de energia:

energia demonstrável: que pode ser medida e emprega vibração mecânica (como o som), forças eletromagnéticas (luz visível; magnetismo), radiação monocromática (laser). Como a terapia com luz de alta intensidade para tratar desequilíbrios emocionais.

energia aparente (provável) ainda não quantificada: suas técnicas se propõem a afetar os campos energéticos que supostamente envolvem e penetram o corpo humano. Como o chi kung, reiki e o toque terapêutico.

Sistemas Terapêuticos Integrativos: Medicina tradicional chinesa, ayurveda, antroposofia, homeopatia, naturopatia, entre outros.

Princípios básicos:

  • Relação de parceria entre paciente e médico durante o processo de cura.
  • Consideração de fatores que influenciam a manutenção da saúde e o aparecimento das doenças: corpo, mente e sociedade.
  • Abordagem integrativa que procura inter-relacionar os diversos aspectos do ser humano e do seu processo saúde-doença.
  • Investigação científica das técnicas utilizadas Utilização preferencial de métodos terapêuticos naturais, efetivos e não invasivos.
  • Atendimento humanizado e sensível às necessidades individuais.
  • Os terapeutas devem ser comprometidos com o processo de autoconhecimento e desenvolvimento próprio e do paciente.

Avaliação: A avaliação terapêutica na medicina integrativa costuma ser longa e considerara além do histórico médico, sintomas e detalhes da doença, os hábitos, a história da vida de quem é atendido. Procura entender melhor suas relações, família, amigos e crenças. Utiliza, como na medicina convencional, exames laboratoriais e de imagem.

Tratamento: O tratamento varia conforme cada paciente. Idealmente, não há padronização das condutas terapêuticas, portanto, o tratamento é sempre individualizado e envolve uma ou várias abordagens simultâneas de práticas presentes na medicina convencional e/ou de terapêuticas complementares em abordagem multiprofissional. O tempo e frequência de tratamento é igualmente variado.

Principais nomes

Andrew T. Weil (1942): Médico pela Universidade de Harvard. Escritor de muitos livros na área da medicina integrativa. Fundador, diretor e professor do centro de Medicina Integrativa da Universidade do Arizona, nos EUA.

Lesley Rees (1942): Médica, professora de química endócrina do Hospital St Bartholomew, Inglaterra, e uma das percussoras do conceito de medicina integrativa junto com Andrew T. Weil. Grande defensora dessas práticas na Europa.

Paulo de Tarso Lima: Médico cirurgião, Mestre em Medicina pela Universidade de São Paulo. Realizou treino clinico no Programa Mente-corpo da Universidade Harvard (EUA), e no Programa de Redução do Estresse Baseado na Meditação da Universidade de Massachusetts (EUA). Foi “fellow” do Centro de Medicina Integrativa da Universidade do Arizona (EUA). Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, onde atua nessa modalidade de atendimento.

Outras visões

A falta de uma definição clara sobre as bases conceituais adotadas e a linha de trabalho a ser considerada na Medicina Integrativa torna as ações muito diversas umas das outras. Não há uma linha geral, o que muita vez abre espaço para a insegurança do paciente. A grande maioria dos serviços oferecidos são caros e voltados para uma parcela muito seleta da população.

A abordagem da medicina integrativa, ainda que mais humanizada, acaba descontextualizando técnicas originalmente utilizadas em outro campo por estar fortemente vinculada à necessidade de comprovação científica.

Principais obras

Lesley Rees & Andrew T. Weil. Integrated medicine. Royal College of Physicians, London, BMJ. 2001

Andrew T. Weil The Natural Mind: An Investigation of Drugs and the Higher Consciousness (1972, rev. 2004)

Marriage of Sun and Moon: Dispatches from the Frontiers of Consciousness (1980, rev. 2004)

Health and Healing (1983, rev. 2004)

From Chocolate to Morphine: Everything you need to know about mind-altering drugs with Winifred Rosen (1983, rev. 2004)

Spontaneous Healing (1995)

Natural Health, Natural Medicine (1995, rev. 2004)

8 Weeks to Optimum Health (1997, rev. 2006)

Eating Well for Optimum Health (2000)

The Healthy Kitchen with Rosie Daley (2002)

Healthy Aging (2005) Why Our Health Matters (September 2009)

Spontaneous Happiness (2011)

Paulo de Tarso Lima. Medicina Integrativa: A cura pelo equilíbrio (Summus editorial – 2009).

Nelson Filice. A Construção da Medicina Integrativa: Um Desafio para o Campo da Saúde (Hucitec – 2008)

Fontes e inspirações

Não há consenso sobre a definição de medicina integrativa, portanto, sua visão ainda não possui raízes claramente definidas em determinados textos ou marcos históricos.

É inspirada nos princípios de sistemas terapêuticos antigos e modernos. Podemos citar a medicina tradicional chinesa, medicina ayurvédica, medicina indígena, medicina antroposófica, entre outras, que possuem característica vitalista. Todas elas têm como proposição um processo terapêutico baseado na reorganização e restabelecimento do equilíbrio vital do organismo, em outras palavras, seu enfoque é na saúde ao invés da doença exclusivamente.

Interligações

Existem atualmente diversos movimentos semelhantes que propõe visão diferenciada do processo saúde-doença. Podemos citar o movimento de saúde quântica, que acredita na existência de uma realidade informacional, embasada em teorias da física quântica, e alinha a saúde à estes princípios. A naturologia ou naturopatia, também possui princípios semelhantes principalmente no tocante ao uso de práticas integrativas e complementares e na incorporação de elementos da visão biomédica.

E como contraposição podemos citar o modelo biomédico restrito, focado na doença/desequilíbrio sem considerar o doente como agente de cura, compreendendo que o desequilíbrio ocorre exclusivamente em uma dimensão física da realidade.

Fontes de pesquisa

Aprofundamento

http://nccam.nih.gov http://www.scielo.br/pdf/csc/v16n3/16.pdf http://www.bv.fapesp.br/namidia/noticia/34842/medicina-integrativa http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI329670-17579,00-DOSSIE+MEDICINA+INTEGRATIVA.html

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