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O que é

Considera que as atividades filosóficas e científicas devem ser efetuadas através da análise dos fatos reais verificados pela experiência.
Para esse movimento, todo conhecimento do mundo material ou dos fatos deve ser necessariamente baseado em dados positivos adquiridos de maneira empírica.
Além do mundo real há apenas a lógica e a matemática. O positivista exclui do campo do conhecimento qualquer especulação metafísica. A consciência está autorizada a formular suas leias somente no registro da verdade empírica e positiva, através dos fenômenos, e jamais para além dele.
Como corrente filosófica que se estende desde o final do século 18, o positivismo está marcado pela influência que exerceu na Revolução Industrial, período de ascensão e cultivo da técnica e desinteresse pelo sentido metafísico e religioso do conhecimento.
O positivismo conflita diretamente com a perspectiva da ideia de representação do idealismo alemão. Atua no sentido afirmativo das leis científicas e das leis jurídicas. É, portanto, totalmente secular e, ao mesmo tempo, antiteológico e antimetafísico.
A presença da racionalidade na cultura é o traço marcante do positivismo. Significa o modo de vida regrado e designado pela técnica, resultado da otimização do conhecimento, do progresso material e social, regulando o desejo e a consciência do indivíduo.

Origem do nome

É o nome atribuído a uma concepção filosófica e método científico. A palavra é composta de dois elementos: Positivo – designa a referência ao que é realista e prático.

O sufixo -ismo, que caracteriza doutrina, sistema, teoria, tendência ou corrente.

Nesse caso, uma concepção filosófica sobre a perspectiva empírica, ou seja, aquilo que é efetivo e comprovado cientificamente.

Criação

O fundamento positivista foi reforçado pela ideia do terceiro Estado de Augusto Comte. Os elogios à análise sociológica unidos às críticas da metafísica universalista e à crença religiosa deram um caráter afirmativo à ideia de progresso e culto da ciência. O desejo de compreensão dos fenômenos é resultado de uma busca das certezas empíricas. É o método científico que dá o valor ao conhecimento, porque é constituído de análise e formulação de regras e leis que obedecem a visão sociológica.

O positivismo teve de florescer justamente num período de intenso desenvolvimento da indústria mecânica. Uma vez que lida com os fenômenos do mundo exterior, neles se observa uma tendência de progresso que muda o cenário das relações de trabalho e organização social. É um processo quase natural que os autores positivistas desenvolvam teorias que acompanhem essa experiência histórica.

No entanto, o positivismo parece chegar a um período em que a sua teoria joga contra a própria corrente. O elogio à razão instrumental e desenvolvimento desenfreado e quase irracional da técnica parece transformar a serenidade positiva em uma ideologia negativa. A sociologia, a ciência e a técnica deixam de ser meros instrumentos e ganham contornos que extrapolam a mera experiência. Ao tentar uma dominação de todos os contextos da cultura, a razão instrumental chega a se tornar quase um valor metafísico inquestionável.

Histórico

As revoluções industriais: como prova do domínio de novas tecnologias e instrumentos de produção, as intervenções humanas nas paisagens costumam ser compreendidas pelas três revoluções industriais, que estiveram sempre lado a lado com a corrente positivista:

Primeira Revolução Industrial: processo iniciado na Inglaterra, por volta da metade do século 18. É caracterizada pela invenção da máquina a vapor e sua aplicação na produção têxtil, na fabricação de fios e tecidos. Criaram-se fábricas, novos trabalhos e transportes e maior circulação de mercadorias.

Segunda Revolução Industrial: entre meados do século 19 e meados do século 20, o processo industrial se tornou intenso. Houve, sobretudo, um aprimoramento dos equipamentos, que passaram a ser controlados e produzidos por grandes empresas multinacionais com sedes em países desenvolvidos. Nesse período, tornaram-se populares o automóvel, o telefone, o televisor, o rádio e o avião. Uso intenso do carvão e do petróleo. Pouco avanço na melhoria das condições de trabalho.

Terceira Revolução Industrial: é datada da década de 1940, logo após o término da Segunda Guerra Mundial.

Através dela a economia internacional mudou, extrapolando o mero aspecto industrial. Há uma integração física entre ciência e produção — uma revolução tecnocientífica. Uso de muitas fontes de energia, informatização do trabalho, massificação da produção, biotecnologia e ampliação dos direitos trabalhistas.

Crise política e econômica: A partir do Século 18 a ideia de ciclo de crises no capitalismo tornou-se corrente, alterando períodos de expansão e de retração.

No início do Século 19, a Europa acumulava uma crise decorrente da Primeira Revolução Industrial, com as crises do Antigo Regime e das crises de 1816, 1825, 1836, 1846, 1848 e 1857. Além disso, o capitalismo viu outra crise marcante entre os anos de 1873 e 1879, sobretudo na Alemanha, com o colapso da Bolsa de Viena em 1873.

A França sentiu a crise em 1882, chegando aos Estados Unidos em 1887. Após uma relativa recuperação na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), outra crise emergiu, impondo dificuldade até para o liberalismo econômico com a crise de Estados, territórios e ideologias.

Após a Segunda Guerra Mundial (1945), a Europa encontrava-se devastada e em reconstrução, com uma angústia generalizada pelo desemprego e falta de alimentos.

Nos anos 1970, a crise do petróleo trouxe outro abalo, levando os anos 1980 para uma recessão em vários países.

Por fim, na era do neoliberalismo a partir dos anos 1990, duas grandes crises alarmaram o mundo: a crise monetária dos tigres asiáticos em 1997 e 1998, no Japão, e se alastrando pelo mundo.

Houve, por fim, a mais recente grande crise do crédito imobiliário de 2008 nos EUA, com forte impacto na Europa.

Atualidade

A organização macro da sociedade: as ideias positivistas ressoam hoje pela proliferação dos mecanismos de padronização global. Índices de crédito, dívida educacional e de saúde. A ideia é a criação de uma grande planilha de dados como critério de avaliação dos países e cidades. Por exemplo, o FMI (Fundo Monetário Internacional) é a grande referência institucional da economia global, que orienta e determina as matrizes monetárias. Outro modelo é o IDH é (Índice de Desenvolvimento Humano), a medida de classificação do grau de desenvolvimento das nações.

Institutos de pesquisa tecnológica: Presentes em todos os lugares do mundo, eles são os centros que agrupam pesquisadores e cientistas. Em geral, são patrocinados por empresas ou governos e visam desenvolver técnicas cada vez mais avançadas. Os principais desenvolvedores pertencem ao setor químico, como as indústrias farmacêuticas e eletroeletrônicas — aparelhos e informática.

ONGs como otimização de conquistas: a sociedade, ao se tornar complexa, cria mecanismos ainda mais complexos para atender as demandas sociológicas. As ONGs surgem nesse contexto, sobretudo a partir dos anos 1990 como tentativa de coordenar, regular e reorganizar os processos sociais. Em alguns casos, elas funcionam como uma terceirização dos serviços do Estado, mediando os interesses da sociedade e os interesses empresariais.

Fundamentos

A realidade como experiência: O positivismo atribui valor de verdade científica somente às verdades pela experiência e pela indução. Os fatos reais são a única realidade, e não são oriundos de nenhuma noção a priori, tampouco de nenhum conceito universal e absoluto. Se o fato é a única realidade, o fenômeno é o limite do conhecimento.

Analítico: O positivismo é considerado analítico. Suas características são:

1) Nomotético: os fenômenos são contrapostos à teoria, detectando discrepâncias, e estabelecendo conexões gerais entre as variáveis. Propicia um método de investigação hipotético-dedutivo.

2) A neutralidade como valor, que opera como critério da objetividade. Nesse caso, a ciência é vista como um valor de verdade imparcial e a formulação das leis dos fenômenos só é possível pelo método científico.

Lei dos Três Estados: Criada por Comte, essa norma é o marco da historicidade do conhecimento humano.

A realidade encontra-se limitada em espaço, tempo e massa, podendo ser estudada apenas pela observação. A ciência é a maior expressão da racionalidade da cultura, e nela não haveria uma participação da subjetividade naquele que julga ou investiga.

Contra o subjetivismo: O positivismo é conflitante com as filosofias que apontam para o subjetivo ou a interioridade da consciência. As filosofias do idealismo alemão, da fenomenologia e do existencialismo, e mesmo a psicologia e a psicanálise são algumas das principais oponentes do positivismo. A influência das revoluções industriais levou ao prestígio da técnica. A especulação metafísica e religiosa do conhecimento deixa de ser o foco, e assim não há uma busca pelas descobertas transcendentais ou transcendentes.

Sociologia: O positivismo atua no sentido afirmativo das leis científicas e das leis jurídicas. A sociologia figura como um de seus principais instrumentos teóricos, permitindo um processo de hierarquização social. “O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim” e “o progresso é o desenvolvimento da ordem” são duas frases de Comte que se tornaram lemas que orientam a posição do indivíduo no entorno em que vive.

Foi delas que saiu, por exemplo, a frase “Ordem e Progresso” que hoje encontramos na Bandeira Nacional. O processo de formação da consciência é regrado segundo metodologias e projeções educativas, visando formar o cidadão.

É produtivo na medida em que atende às demandas de seu meio social, definidas pela estatística e pelos parâmetros de avaliação técnica.

Força da razão A racionalidade na cultura significa uma tentativa de controle das forças da natureza pelo conhecimento humano. A ideia de otimização é reguladora do tempo, do desejo e da consciência. O rendimento é visto como uma forma de projeção do presente no futuro, e o planejamento torna-se o anseio da atividade humana.

Na prática

Fazem parte da prática positivista:

O fazer ciência: no positivismo, a atividade científica coordena toda a prática e metodologia. Um cientista é aquele que produz conhecimentos, e que tem afinidade com todo tipo de laboratório. Um exemplo de positivista hoje são parte dos estudantes dos cursos de exatas, biológicas e químicas, inclusive nos trabalhos de campo.

A observação do comportamento: um positivista é antes de tudo um analista dos fenômenos que observa. Ele analisa os objetos da mesma forma que busca compreender o desempenho do homem, visando resultados efetivos e demonstráveis.

Principais nomes

Augusto Comte (1798-1857)

Filósofo francês de Montpellier e principal referência do positivismo. A ideia de desenvolvimento da sociedade foi sua resposta filosófica à revolução científica, política e industrial de seu tempo. A reorganização intelectual e moral proposta por ele passa pelos três estados teoréticos que apresenta em Curso de Filosofia Positiva (1830-1842, em 6 volumes):

O Estado teológico ou fictício – apoiado em explicações místicas e elementares. É o Estado infantil, imaginativo, o qual passa por três fases:

o fetichismo, em sua personificação das coisas, atribuindo-lhe um poder mágico ou divino;

o politeísmo, em que a animação é projetada em uma série de divindades;

o monoteísmo, como fase superior em que todos esses poderes são reunificados como um Deus.

O Estado metafísico ou abstrato – explicado pelas categorias abstratas da metafísica, essencialmente crítico e de transição.

Busca os conhecimentos absolutos através de ontologias, procurando explicar a natureza, seus seres e suas causas. A natureza é a grande entidade, investigada pelas ideias de princípio, causa, substância ou essência.

O Estado científico ou positivo – operando pela clarificação material do mundo objetivo. É o Estado real e definitivo, na procura pelos fatos e pelas leis dos fenômenos.

Cada um desses Estados equivale a um correlato em atitudes políticas: o Estado teológico se reflete no direito divino ou dos reis; o Estado metafísico, em conceitos como o contrato social, o direito de igualdade e a soberania popular; enquanto no terceiro Estado se caracteriza pela análise sociológica da organização política.

John Stuart Mill (1806-1876) 

Filósofo e economista inglês, nascido em Londres. Foi um destacado utilitarista, influenciado por Jeremy Bentham (1748 1832), assim como o foi pelo positivismo econômico de Adam Smith (1723-1790) e David Ricardo (1772-1823), ou ainda pelas ideias feministas de sua esposa Harriet Taylor (1807-1858). Escreveu sobre ética, lógica, economia e psicologia. Sua obra mais conhecida é Sobre a liberdade (1859). Mill considerou necessário criar um método indutivo para a ciência, estabelecendo quatro regras desse processo de indagação dos fenômenos:

  • a concordância, isto é, a observação de um fenômeno e de suas circunstâncias;
  • a diferença, para aferir se uma circunstância é causa de um fenômeno;
  • os resíduos, que são as causas desconhecidas do que resta do fenômeno;
  • e as variações concomitantes: mediante a indução, estabelecer as leis físicas, pretendendo informar como um fenômeno se relaciona a outro.

Mill apostou na sociologia, numa ciência social fundada na vontade e na crença. Para ele, a religião é um valor de colaboração, que ajuda a compreender o egoísmo como o motor das relações humanas. A lógica se mostra como uma ciência de comprovação, enquanto a psicologia afirma a ciência moral.

Herbet Spencer (1820-1903) 

Filósofo inglês. Nasceu e faleceu na cidade de Derby.  Durante toda a vida dedicou e manteve sua ocupação em cargos e atribuições oficiais do Estado. Ao mesmo tempo, dedicou-se à pesquisa filosófica, onde foi um dos pioneiros do evolucionismo.

Sua publicação mais conceituada é A Filosofia Sintética (1896), na qual procurou explicar o Universo em seu funcionamento mecânico, como um organismo vivo em suas relações dinâmicas.

Nesse processo surgem a diferenciação e a especialização como marcas da evolução na sociedade, as quais deixam de ser simples para se tornarem complexas. Segundo Spencer, observa-se um trânsito das sociedades militares, mais simples nas suas formas de trabalho, para as sociedades industriais, com múltiplas organizações e instituições.

Pensar a sociedade como um organismo vivo aproxima o pensamento social de Spencer dos fenômenos biológicos, através de analogias em comum, como as noções de função, estrutura, diferenciação e até mesmo de órgão.

Contudo, essa aproximação entre sociedade e biologia ganha contornos diferentes nas considerações éticas e políticas de Spencer, quando o mesmo defendia o individualismo liberal e de mercado.

Outras visões

Fenomenologia: Talvez essa seja a principal escola opositora ao positivismo. Isso se dá principalmente por dois aspectos. O primeiro é o conflito epistemológico: enquanto a fenomenologia dissolve a tensão entre sujeito e objeto, o positivismo demarca a independência entre a reflexão humana e o mundo exterior. O segundo está presente no fato de as duas escolas terem emergido com força entre o final do século 19 e o início do século 20. Enquanto a fenomenologia tornou-se uma aliada da política com tendências de crítica ou de esquerda, o positivismo foi o testa-de-ferro da ideologia capitalista.

Existencialismo: Também entre o século 19 e o início do século 20 encontramos o choque entre positivistas e existencialistas: enquanto os primeiros apostaram na sociologia como integração e adestramento social, a perspectiva existencial voltou-se sobretudo à subjetividade do indivíduo e a crítica à ausência de sentido do mundo da técnica.

Marxismo: Do ponto de vista da ideologia, opõem-se radicalmente. O marxismo e sua crítica econômica, feita pela dialética do trabalho e da história, entra em choque com a perspectiva industrial do capitalismo e do positivismo jurídico. Os leitores de Marx acusam o positivismo de ser apenas um doutrinador da consciência humana para o regime da exploração do trabalho. No entanto, há um parentesco entre ambos: a ideia de que a realidade do mundo, na sua materialidade, é o que determina as representações da consciência.

Ramificações

Empiriocriticismo: Criada por Richard Avenarius (1843-1896) e continuada por Ernst Mach (1838-1916), centrada na análise crítica da experiência isolada e sem qualquer consideração metafísica.

Positivismo sociológico: Encabeçados pelos pensadores Émile Durkheim (1858-1917) e Max Weber (1864-1920), pretendeu aplicar a metodologia e a orientação positivista nos estudos sociais.

Neopositivismo: É a visão filosófica do empirismo moderno que nasceu na experiência do Círculo de Viena, cujos membros representativos emigraram para os Estados Unidos durante a perseguição antissemita na Europa. Entre eles figuram Rudolf Carnap (1891-1970), Hans Reichenbach (1891-1953) e Ludwig Wittgenstein (1889-1951).

Positivismo jurídico: Tendo em John Austin (1790-1859) e Kelsen (1881-1973) as figuras mais importantes, é considerada uma corrente da teoria do direito a partir do estudo das normas positivistas, através da separação entre direito, moral e política.

Principais obras

Curso de filosofia positiva (1830-1842, em 6 volumes) – Augusto Comte

Trabalho que levou doze anos para ser concluído. Trata-se de um conjunto de obras em que Augusto Comte sistematiza a vida como uma revolta do mundo moderno contra o antigo. É nela que fundamentou a sua teoria dos três Estados, perpassando por vários temas, como a matemática, a astronomia, a física, a química e a biologia. Em suma, faz parte de uma sistematização do conhecimento que nega as visões de mundo teológicas ou metafísicas como única ciência, organizando o conjunto de sistemas especiais para tratar da complexidade do conhecimento em geral.

Sobre a liberdade (1859) – John Stuart Mill

É uma defesa da liberdade de pensamento, da tolerância e respeito pelas crenças ou minorias dissidentes. Nessa obra, Mill procura dar vazão à questão da singularidade humana contra a opressão da autoridade, personalizada na política, ou simplesmente como opinião do senso comum. Nesse ensaio há um combate político a partir do comportamento dos homens. O texto defende a liberdade moral e econômica do Estado para os indivíduos. Mill não se opunha à intervenção do governo em questões econômicas. Como liberal, defendia o direito de propriedade, mas apostava no papel do Estado como distribuidor de riquezas, assegurando a liberdade individual diante do controle social.

A filosofia sintética (1896) – Herbet Spencer

Uma estruturação feita em um sistema que pretende ser coerente e abarcar toda a produção científica e filosófica através da ideia de evolução. A doutrina de Spencer está identificada com o princípio de evolução: (a) do mais simples para o mais complexo; (b) do mais homogêneo para o mais heterogêneo; (c) do mais desorganizado para o mais organizado. Pretende uma classificação do saber, aliada a um biologismo sociológico, em que a sociedade é vista como um organismo. Spencer dá importância aos processos de interdependência das partes, da existência de unidades nos organismos e nas sociedades.

O novo cristianismo (1825) – Claude Saint-Simon

Esta obra pode ser considerada, ao mesmo tempo uma das produções do socialismo utópico e uma sociologia positivista.

Esse é o último livro que Saint-Simon escreveu, contendo uma crítica lúcida da doutrina de Jesus, mas também um programa para estabelecer as bases de um novo cristianismo. Sua visão socialista coloca-se claramente ao lado dos mais fracos e pobres. Apoia-se física e moralmente nos primeiros ensinamentos do Evangelho.

Há ainda uma crítica mordaz às correntes filosóficas e vigentes até então, focadas principalmente nos julgamentos morais do homem.

Quem influenciou

Bertrand Russell (1872-1970): Filósofo, matemático e lógico dos mais influentes, além de ser político liberal e ativista. Suas maiores contribuições na história da filosofia foram a teoria das descrições definidas, a teoria descritivista dos nomes próprios, a teoria realista dos universais e, principalmente, a teoria da verdade como correspondência. Recebeu o Nobel de Literatura de 1950, e suas duas obras mais importantes são A História da filosofia ocidental (1946) e Porque não sou cristão (1957).

Ludwig Wittgenstein (1889-1951): Filósofo austríaco e expoente do Círculo de Viena na virada do século 19 para o século 20. Suas obras tratam do problema radical da linguagem e da impossibilidade da filosofia. Seus livros mais conhecidos são: Tractatus logico-philosophicus (1922) e Investigações filosóficas (1953 – publicação póstuma).

Euclides da Cunha (1866-1909): Escritor, jornalista e sociólogo brasileiro. Foi muito influenciado pelo positivismo em toda sua carreia como intelectual. Sua obra Os Sertões (1902), com base no Conflito de Canudos, no interior do Estado da Bahia, é profundamente marcada pelas ideias positivistas.

Aluísio Azevedo (1857-1913): Romancista, contista e cronista, desenhista e pintor brasileiro. O Cortiço (1890) revela a sua vocação nas escolas do realismo e do naturalismo.

Marechal Cândido Rondon (1865-1958): Militar e sertanista brasileiro, que realizou expedições para explorar a Amazônia brasileira e levar o progresso das ciências na década de 1910.

Getúlio Vargas (1882-1954) pode ser considerado uma das figuras mais importantes do século 20, no Brasil. Foi o ditador responsável criação do Estado Novo e também o líder populista que ficou conhecido como “pai dos pobres”, em função de legislação trabalhista criada durante e da instituição do voto feminino instituídos durante seu governo. Foi profundamente influenciado pelas ideias positivistas.

Luis Carlos Prestes (1898-1990) militar ligado às revoltas tenentistas do início da década de 1920, Prestes foi responsável pelo movimento revolucionário da Coluna Prestes, a qual, entre abril de 1925 e fevereiro de 1927, percorreu cerca de 25 mil quilômetros pelo interior do Brasil, passando por 13 estados da federação. Prestes e seus companheiros lutavam contra o governo do então presidente Arthur Bernardes.  Após o término da Coluna, Prestes foi um dos mais destacados membros do Partido Comunista no Brasil. Assim como Getúlio, Prestes foi profundamente influenciado pelas ideias positivistas.

Fontes e inspirações

Sexto Empírico Filósofo e historiador grego do século 3, Sexto Empírico pode ser considerado uma das figuras mais importantes do ceticismo, escola que acabaria sendo uma das pilastras do positivismo moderno. Durante muitos séculos, sua obra permaneceu desconhecida. No entanto, em 1562, Henri Estienne (1528-1598) publicou a tradução latina das Hipotiposes Pirrônicas. Desde então, esse pensador passou a exercer grande influência no pensamento ocidental. Seu texto foi lido por intelectuais como Montaigne (1533-1592), Descartes (1596-1640), Berkeley (1685-1753) e, principalmente, David Hume (1711-1776).

David Hume (1711-1776) Filósofo escocês, dotado de grande espírito analítico, era um crítico ferrenho do dogmatismo na filosofia. Rejeitava a noção de ideias inatas, considerando o conhecimento como algo limitado. Para ele, todos os conteúdos da consciência provêm da experiência. Como as ideias surgem para o homem através de associações que decorrem da impressão que se tem do mundo exterior, a percepção e a reflexão colocam em suspensão a possibilidade de conhecer o mundo objetivo. O mesmo ocorre com a compreensão da noção de “eu”. Na filosofia de Hume, a ideia de que o homem aprende e vive através do “hábito” é a chave humana, em que a relação entre causa e efeito no mundo físico não pode ser entendida, restando ao homem apenas a crença de que as coisas são e se comportarão da forma como aparecem. Sua obra mais importante a respeito do conhecimento se chama Ensaio Sobre o Entendimento Humano (1690).

Immanuel Kant (1724-1804) As críticas ao valor da razão e dos limites da filosofia faz da filosofia kantiana uma espécie de síntese entre o racionalismo e o ceticismo. Kant procede sobre a possibilidade da ciência, levando às últimas consequências as relações entre razão e realidade. Kant escreveu as suas três famosas Críticas – Crítica da Razão Pura (1781), Crítica da Razão Prática (1788) e Crítica do Juízo (1790) – procurando investigar como os fenômenos são possíveis, reais e necessários. Na primeira delas, distinguiu duas faculdades de conhecimento: a sensibilidade, que é passiva e apenas recebe as impressões sensoriais; e o entendimento, ativo e espontâneo, capaz de engendrar conceitos puros ou categorias, possíveis pelas ideias, que são os conceitos independentes da experiência, e provenientes da reflexão. A aplicação dos conceitos à realidade jamais pode ir além da experiência sensível. Por isso, é possível, em Kant, falar do conhecimento como “síntese a priori”: ele sintetiza ou organiza a conexão dos dados sensíveis (como no empirismo). Ao mesmo tempo, é o princípio de organização da consciência humana, segundo leis da reflexão sobre a s naturezas essenciais, universais e necessárias (como no dogmatismo racionalista).

Claude Saint-Simon (1760-1825) Pensador francês e entusiasta do progresso científico e industrial como nova ordem social. No saintsimonismo, a história é classificada em dois tipos de época: as críticas, necessárias para eliminar os conteúdos sociais cristalizados e estagnados; as orgânicas, quando o homem atua ativamente no acontecer histórico, na tentativa de descobrir modos de mudança das normas que correspondem ao meio social onde vive.

Por isso, Saint Simon compreende que as classes sociais devem mudar em cada época, modificando suas estruturas, sua moral e sua inclinação religiosa. Para a sociedade industrial moderna, a moral e os sistemas de ideias deveriam ser diferentes da antiga divisão da relação de trabalho. O pensador francês não previa uma distinção contraditória entre proletariado e burguesia, e afirmava que o capitalismo teria de ser substituído por um regime social elevado. No entanto, essa organização distingue-se do socialismo posterior através da maneira como compreendeu que a melhoria e reorganização da sociedade seriam possíveis através do esclarecimento das classes dominantes. Em sua última obra, O Novo Cristianismo (1825), manifestou-se como representante direto da classe trabalhadora, e pela ideia de fraternidade declarou que a liberdade dessa classe constituiria o fim último do regime social.

Ernst Mach (1838-1916): Físico e filósofo austríaco, teve influências do positivismo para constituir o seu empirocriticismo. Sua obra importante é “A ciência da mecânica” (1883).

Burrhus Frederic Skinner (1904-1990): Importante psicólogo norte americano e propositor do behaviorismo radical. Obra: Tecnologia do Ensino (1968).

Émile Durkheim (1858-1917): Um dos pais da sociologia, e fundador da escola francesa. Duas obras suas são destacáveis: Da divisão do trabalho social (1893) e Regras do método sociológico (1895).

Max Weber (1864-1920): Intelectual alemão, jurista e economista, destacando-se no estudo dos processos de racionalização da vida moderna. Sua obra imortal é Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1905).

Jean François Millet (1814-1875): Pintor francês, fundador do realismo. Um dos fundadores da Escola de Barbizon. Uma de suas telas famosas é Angelus (1859), hoje no Louvre.

Gustave Coubert (1819-1877): Pintor francês que ajudou a fundar o realismo e foi opositor da pintura literária. Duas de suas telas mais importantes são: Depois do jantar em Ornan (1849) e O ateliê do artista (1855).

Honoré Daumier (1808-1879): Pintor, ilustrador e chargista francês, foi um dos pioneiros do naturalismo. Gargântua foi uma caricatura que ridicularizava o rei Luís Filipe da França, que lhe rendeu seis meses de prisão em 1831. Além disso, fez mais de 4000 litografias.

Fontes de pesquisa

http://www.larousse.fr/encyclopedie/divers/positivisme_logique/81731

http://www.philosophica.info/voces/positivismo/Positivismo.html

http://www.azc.uam.mx/csh/sociologia/sigloxx/positivismo.htm

http://www.monografias.com/trabajos6/posix/posix.shtml#ixzz2cHJgPJI3 

http://skhole.fr/a-comte-extrait-cours-de-philosophie-positive

http://skhole.fr/a-comte-extrait-cours-de-philosophie-positive

http://skhole.fr/alain-extrait-propos-sur-l-%C3%A9ducation

http://skhole.fr/mots-cl%C3%A9s/positivisme

 

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