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O que é

A definição de psicodrama diz respeito a uma ciência que busca a “verdade” fazendo uso de métodos dramáticos. O termo psicodrama faz referências não só a uma abordagem psicoterápica, mas a uma técnica cujos ramos percorrem a sociologia, as artes, a pedagogia, ética, recreação e outras áreas das humanidades.
De acordo com seu fundador, Jacob Levy Moreno, o psicodrama pode ser definido como “a ciência que explora a verdade por métodos dramáticos”. A proposta dessa abordagem consiste em desempenhar papeis pela dramatização, tendo o teatro como base inspiradora. A partir de um tema ou de personagens imaginados, os atores espontâneos emergem da plateia e escrevem a peça, conforme a encenam. As representações dramáticas, improvisadas, possibilitam mudanças comportamentais, o que abre caminho para o trabalho na direção psicoterápica. A técnica emprega o jogo dramático para examinar problemas ou questões individualmente.
A abordagem busca desenvolver a espontaneidade levando ao fortalecimento da flexibilidade mental em prol das responsabilidades, liberando ainda os aspectos criativos possivelmente reprimidos. É um processo de ação e interação, cujo núcleo é a dramatização, fazendo com que o corpo se expresse e interaja com os outros corpos. Utilizando métodos experimentais tais como sociometria, role playing e dinâmicas de grupo, o psicodrama facilita insights, crescimento pessoal, integração cognitiva. Como resultados, os vínculos podem ser ampliados, assim como a criatividade. Além disso, é possível observar melhorias na saúde, transformações de atitude, mais sofisticação na percepção dos fenômenos e no desenvolvimento adequado de papeis.
O psicodrama, de uma forma simples, é baseado no jogo de faz de conta espontaneamente surgido no ser humano, que consiste na capacidade de realizar ações simbólicas. Dessa forma, é possível vivenciar emoções, fantasias sonhos ou até mesmo episódios bem próximos da realidade. A técnica se desenvolve no presente e faz uso não só da linguagem verbal, mas inclui a corporal e a interação de um corpo com outros corpos. Em contextos psicoterápicos, os pacientes encenam situações marcantes de suas vidas, ao invés de falarem sobre elas, fazendo com que conteúdos não expressos e fantasias possam emergir. Apesar de ser muito utilizado em grupo, pode ser uma técnica individual.
O psicodrama é, portanto, uma terapia de grupo na qual os pacientes improvisam cenas dramáticas que serão analisadas em conjunto. Essa prática auxilia a produzir maior equilíbrio mental e ajuda a esclarecer questões. Ela também melhora a capacidade de aprendizagem e ajuda o indivíduo desenvolver novas habilidades.
Esse método pode ser utilizado por alguém que queira experimentar a espontaneidade de trabalhar com dramatização. É capaz de incrementar a capacidade de expressão de cada pessoa.
No âmbito da psiquiatria, o psicodrama pode auxiliar no tratamento de transtornos afetivos, fobias, estresse pós-traumático, transtornos alimentares, automutilação, alcoolismo e abuso de substâncias tóxicas.

Origem do nome

De origem grega, a palavra drama significa ação. Já o termo psique, também grego, quer dizer originalmente “respiração” ou “sopro”. Era utilizado pelos gregos para definir “self”, sendo compreendida como sinônimo de vida e de alma. Assim, Psicodrama pode ser traduzido por “através da ação” ou “adentrar as verdades da alma”

Criação

Experiências pessoais: Jacob Levy Moreno elenca, em sua vida, algumas passagens fundamentais que o levaram ao desenvolvimento do psicodrama. A primeira delas ocorreu na infância, em uma brincadeira.

Aos quatro anos e meio de idade, Moreno e outras crianças vizinhas brincavam de “Deus e seus anjos”, no porão de sua casa. Na encenação, Moreno ficou com o papel de Deus e as crianças criaram uma estrutura mais alta, com cadeiras presas umas às outras, na qual o personagem de Moreno deveria ficar. Enquanto as demais crianças batiam asas, como anjos, uma delas sugeriu que Moreno fizesse o mesmo, dando maior veracidade à cena. O resultado foi uma queda, um braço quebrado e uma marca eterna na memória de Moreno acerca da importância de se representar e obter gratificações de suas expressões simbólicas.

Anos mais tarde, em 1908, já em Viena, relata-se que Moreno gostava de observar crianças brincando e lhes contava histórias, que eram encenadas por elas. Ele notou que, quando elas não seguiam um roteiro, a dramatização se dava de maneira mais espontânea. Essa experiência levou Moreno a realizar experimentos com o improviso, tanto com as crianças como com seus pais.

Em 1911, organizou um teatro de espontaneidade para crianças, em Viena, evento crucial para que Moreno desenvolvesse e aprimorasse o conceito da espontaneidade em sua obra, anos mais tarde.

Psiquiatria: entre os anos de 1911 e 1917, Moreno foi estudante de medicina em Viena, onde pode atuar como auxiliar do chefe de psiquiatria. Apesar de discordar dele, foi um grande aprendizado. Além disso, teve contato com as ideias de Sigmund Freud, cujo conteúdo julgava limitadores quanto às possibilidades de criação de metas e aspirações.

Em seu único encontro face-a-face com Freud, em 1912, Moreno teria dito a ele, deixando-o perplexo, que, enquanto Freud analisava os sonhos no ambiente artificial do consultório, ele tentava dar às pessoas a coragem pra sonhar, ensinando-as a brincar de Deus, nas ruas ou em qualquer lugar.

Grupos de prostitutas: o interesse em trabalhar com adultos foi alavancado pela importância visada na integração social, ainda nos anos de faculdade. Ao saber da exploração e perseguição do governo em relação às prostitutas de Viena, Moreno decide criar grupos de autoajuda para elas, em 1912.

Nos grupos, o suporte emocional era oferecido, mas também havia espaço para que se desse a troca de ideias acerca da situação sociopolítica. A partir disso, o trabalho em grupo se fortaleceu e se desenvolveu cada vez mais.

Primeira Guerra Mundial: o trabalho como médico em um campo de refugiados ítalo-austriaco em Mittendorf, nos subúrbios de Viena, levou Moreno a entrar em contato com tensões psicológicas tamanhas que o instigaram a observar o fenômeno grupal com outros olhos.

A base da sociometria se dá nesse contexto, no qual Moreno busca estimular o comportamento democrático e participativo através da utilização de questionários que auxiliavam na escolha das pessoas que ficariam próximas uma das outras, incentivando o desenvolvimento de um comportamento democrático e participativo. Com esse instrumento, é possível verificar os laços de simpatia e antipatia existentes entre os membros do grupo.

O gráfico resultante das respostas afetivas a uma ou outra pessoa do grupo se chama sociograma e é apresentado a todos do grupo, que podem verificar a quantidade de vezes em que foram rejeitados ou escolhidos, bem como por quem foi feita tal avaliação. Assim, é possível confrontar o sociograma real com o sociograma imaginário.

Teatro espontâneo: inicialmente, o trabalho de Moreno foi marcado pela experiência do teatro totalmente espontâneo, mas a resistência do público e da imprensa frente a criatividade espontânea dessa prática fizeram com que ele adotasse outro meio de realizar seu trabalho.

Na tentativa de realizar algo mais “natural”, com uma encenação pior, tampouco a recepção era positiva. Assim, Moreno desenvolveu o teatro terapêutico, no qual pacientes interpretavam e as imperfeições cometidas por eles eram bem vistas. Os atores davam suporte como egos-auxiliares e o resultado foi o teatro da catarse, o psicodrama.

Do Teatro do improviso, o psicodrama herdou quatro regras básicas, ao longo de sua formação. Dentre elas, destacam-se a produção da sessão, bem como o foco do problema, no presente, como o fio diretor do trabalho; a “livre-atuação” como substituta da associação livre. Já o espaço tridimensional do teatro (que pode ser uma sala, a rua ou um espaço específico) é usado como alternativa ao divã para a representação das vivências.

Catarse: as referências à ideia de khatarsis feitas por Aristóteles, em Poética, foram resgatadas por Moreno no desenvolvimento do psicodrama. No entanto, Moreno dirigiu a sua atenção à fase inicial do drama, como ele disse, interessando-se pelos dramas do cotidiano.

Nestas encenações, a espontaneidade e a criatividade dos atores eram peças fundamentais, deslocando a catarse do público para os atores. Assim, a produção imaginária, encenada por atores espontâneos, que produziam personagens e libertavam-se deles ao mesmo tempo era a catarse primária. Vislumbrando um novo universo, a catarse é gerada. Na teoria psicodramática, a catarse tomou quatro direções: somática (que devolve o corpo à ação), mental, individual e grupal.

Tele: o conceito diz respeito a algo que se estende ao reino do “nós”, que proporciona o verdadeiro encontro entre duas pessoas, desprovidas de papeis sociais. Para Moreno, “Tele” é diferente da transferência psicanalítica por ocorrer reciprocamente entre as pessoas, sem que haja interferência de papeis ou referências. É sentido repentinamente nos encontros de psicodrama, que se situa entre o objetivo e o subjetivo, mas fator culminante para a psicoterapia. É o que engloba a preferência entre as pessoas, a condição que o aproxima ou repele de alguém.

Histórico

Experiências primitivas: já nos tempos pré-históricos é possível encontrar vestígios do que, séculos mais adiante, viria a se chamar psicodrama. Civilizações primitivas tratavam sofrimentos físicos e psíquicos em situações grupais, repetidas ainda hoje, cujas características em muito se assemelham ao psicodrama.

J. Moreno (1889-1974) relata que um conhecido seu, antropólogo, participou de uma expedição científica na qual teve contato com índios Pomo, da costa ocidental da Califórnia, com os quais presenciou a ação de um curandeiro que, junto aos seus auxiliares, representou uma cena descrita por um índio, cujo conteúdo teria, originalmente, provocado um estado de angústia extrema em outro índio. Ao longo da representação, o doente pode dialogar com o seu conflito e melhorar.

Teatro grego: o teatro grego é outro exemplo de experiência similar ao psicodrama, no qual conflitos diários eram encenados por atores, que provocavam a catarse de conteúdos de difícil elaboração. Essas representações eram comuns na Antiguidade Clássica, séculos antes de Cristo, mas os resultados positivos foram aproveitados pelos criadores do psicodrama.

Comedia dell’arte: o mais próximo ao psicodrama tal qual ele se configurou parece ser o gênero dramático italiano, que tinha o enredo pré-definido, mas o diálogo surgia de maneira improvisada pelos atores em cena. Alguns personagens se repetiam e a finalidade desse teatro era o entretenimento. A espontaneidade limitada aos diálogos improvisados fazia com que alguns clichês se repetissem, impedindo que o sistema não fosse mais adiante.

Início do século 20: nesse período, importantes revoluções foram apresentadas ao mundo do teatro. Em 1905, o diretor, teatrólogo e ator russo Constantin Stanislavski (1863-1938) desenvolveu um sistema no qual os atores representavam a partir de seus próprios sentimentos, dando autenticidade e espontaneidade às ações.

Outro revolucionário foi Max Reinhardt (1873-1943), produtor e diretor teatral austríaco que foi responsável por levar o teatro aos locais públicos, tais como praças, igrejas e circos, inaugurando o teatro popular de massas.

Alguns anos mais tarde, em 1917, o italiano Luigi Pirandello (1867-1936) renova ainda mais os moldes tradicionais do teatro, adicionando ingredientes subjetivos e motivações pessoais à arte, fazendo o teatro da loucura com classe.

Jacob Levy Moreno: pouco antes de tais importantes renovações surgirem, nasceu aquele que seria o pai do psicodrama, Jacob Levy Moreno, em Bucareste, na Romênia, em 1889. De família judia, convivia com crianças de outras religiões, uma vez que sua casa ficava de frente para uma igreja.

A primeira passagem que o aproximou da abordagem que o deixaria famoso se deu ainda pequeno, em uma brincadeira de criança. Certo dia, aos quatro anos e meio de idade, Moreno propôs brincar de “Deus e seus anjos”, no porão de sua casa. Seus pais não estavam e Moreno sugeriu que ele próprio poderia ser Deus.

As crianças criaram uma estrutura mais alta, com cadeiras presas umas às outras, e colocaram Moreno no topo; a partir disso, as demais crianças correram em volta da estrutura, batendo asas como anjos. Uma das crianças sugeriu que Moreno fizesse o mesmo, o que acarretou em uma queda e um braço quebrado. Esse episódio é considerado o ponto inicial para que, anos mais tarde, Moreno desenvolvesse a sua teoria, pois tal situação marcou sua vida quanto à importância de se representar e obter gratificações de suas expressões simbólicas.

Observações e experimentações: aos seis anos, Moreno e sua família se mudaram para Viena, na Áustria. Lá, cresceu, estudou e se desenvolveu sem maiores intercorrências. Por volta de 1908, relata-se que Moreno observava crianças brincando e lhes contava histórias, que eram encenadas por elas. No entanto, quando elas não seguiam um roteiro, a dramatização se dava de maneira mais espontânea.

O intuito do grupo era instigar crianças a rebelarem-se contra as estereotipias do mundo dos adultos, desenvolvendo regras próprias ao universo infantil. A partir de então, passou a realizar experimentos com o improviso, tanto com as crianças como com seus pais e, em 1911, organizou um teatro de espontaneidade para crianças, em Viena. Nessa experiência, o brincar apareceu como um princípio de autotratamento e o grupo oferecia a experiência da vivência original.

Grupos com adultos: ainda em 1911, Moreno ingressou no curso de medicina, onde passou a interessar-se pela psiquiatria. Durante a graduação, começou a trabalhar com grupos de adultos e uma de suas experiências pioneiras foi com um grupo de prostitutas, exploradas e perseguidas em Viena.

Moreno teve a ideia de ajudá-las a se organizar como em uma espécie de “grupo de autoajuda”, conceito ainda inexistente na ocasião, com o intuito de usarem o espaço como suporte emocional e possibilidade de troca de ideias construtivas a respeito da situação sociopolítica na qual se encontravam. A cada novo encontro, as prostitutas dissolviam seus medos e conseguiam se encontrar com elas próprias.

Primeira Guerra Mundial: no início da Primeira Guerra Mundial, Moreno trabalhou como médico em um campo de refugiados nos subúrbios de Viena. Com essa experiência, teve a oportunidade de entrar em contato com tensões psicológicas tamanhas que o instigaram a observar o fenômeno grupal com outros olhos. Lá, criou os primeiros elementos do que viria a ser seu trabalho de sociometria, aplicando questionários às pessoas a fim de coloca-las em arranjos em que os vizinhos seriam pessoas afins. O intuito de tal organização era o de estimular um comportamento democrático e participativo.

O primeiro teatro terapêutico: na década de 1920, em Viena, estimulado pelos movimentos revolucionários do momento, o psiquiatra Jacob Levy Moreno começa desenvolver a sua experiência inovadora, que se chamaria psicodrama.

No dia 1º de abril de 1921, foi aberto o primeiro teatro terapêutico, chamado de Teatro de Improvisação de Viena, iniciando caminho para o desenvolvimento de seu trabalho. Essa experiência marca a data oficial do surgimento do psicodrama, quando Moreno o imaginou como uma abordagem na qual seria possível integrar uma visão dinâmica de grupo e uma filosofia de criatividade. Ele uniu uma trupe de artistas com a intenção de dar espaço para sua ideia terapêutica de massa, abrindo um teatro de improviso para apresentar “O teatro da espontaneidade”.

A técnica, resultante de seu trabalho clínico e de sua atividade como diretor teatral, consiste na representação de peças sem texto prévio. Nessa dramatização audaciosa e pioneira, apresentada para um público de curiosos e representantes de Estado, os protagonistas deveriam usar uma coroa dourada, em um cenário no qual constava apenas um trono vermelho. O contexto político consistia em uma Áustria em crise e Moreno propõe o seguinte tema: “O que faria o protagonista no papel de rei para organizar e dirigir corretamente o país?” No dia seguinte, a imprensa vienense registrou o seu incômodo e Moreno perdeu alguns amigos, mas não se arrependeu de sua ousadia.

Caso “Bárbara”: o estopim para o reconhecimento do psicodrama em si foi o resultado de experiências realizadas com uma atriz do “teatro do improviso” (Stegreifheater), em 1923. No grupo, havia uma atriz chamada Bárbara, comumente representante de papeis doces e suaves. A sua docilidade em cena conquistou um colega, George, culminando em casamento.

No entanto, George confessou a Moreno que sua esposa era, em casa, uma fera, violenta e vulgar. A partir disso, Moreno sugeriu que ela representasse no teatro algo novo, improvisando o papel de uma prostituta.

O sucesso de sua encenação levou-a a desempenhar outras personagens semelhantes e, melhor de tudo, ocasionou uma melhora nas relações entre o casal. George relatava os acontecimentos do casal para Moreno, que passou a atendê-los a sós, inaugurando a terapia de casal. O público, pouco a pouco, passou a compartilhar com Moreno a catarse e o alívio de tensões que o encenar despertava, tal como ocorreu com Bárbara.

Dificuldades políticas: em 1925, o momento político da Áustria, pós-guerra, limitava o desenvolvimento científico das ideias de Moreno. Os seus experimentos na ciência social, aplicados ao teatro terapêutico, não podiam mais ser apoiados. Moreno então muda de país para poder dar continuidade ao seu trabalho.

O fato de os Estados Unidos apresentarem-se, à época, com muita liberdade, fez com que Moreno optasse por mudar-se para lá. No entanto, duas coisas o surpreendem negativamente: o predomínio da psicanálise e intolerância para com os excêntricos. Ainda assim, Moreno dedicou-se ao desenvolvimento de seu trabalho e, nos vinte anos seguintes, suas novidades foram criando forma. A essa nova fase Moreno define-se como “filho” daquele que viveu em Viena, que apenas deu continuidade às ideias do “pai”.

Psicoterapia de grupo: o trabalho na área desenvolveu-se, inicialmente, na penitenciária de Sing-Sing, em New York. A proposta inovadora de Moreno foi a de estudar a massa carcerária organizada em grupos menores, partindo da análise das relações interpessoais estabelecidas. A hipótese era a de que a personalidade individual se forma e interage com o grupo no qual se está inserido. O trabalho, apresentado em um “Colóquio Terapêutico” no Simpósio Psiquiátrico da Filadélfia, em 1932, deu-lhe o título de criador da psicoterapia de grupo.

Beacon: em 1936, Moreno mudou-se para Beacon, onde construiu um sanatório cujo objetivo era garantir o direito de ir e vir dos usuários. Foi nesse centro também que Moreno passou a ministrar suas aulas e formar novos treinadores em psicodrama.

American Society of Group Psychotherapy: do final da década de 40 até sua morte, em 1974, Moreno e sua esposa, Zerka, refinaram os pressupostos do psicodrama e se esforçaram profundamente para que o método fosse difundido para o maior número de pessoas, demonstrando os princípios da espontaneidade e criatividade como aspectos fundamentais ao desenvolvimento humano.

No ano de 1942, The American Society of Group and Psychodrama (ASGPP) é fundada pelo próprio Moreno, a primeira organização na área e referência até os dias atuais. Após a fundação da ASGPP, o psicodrama, assim como a psicoterapia de grupo e a sociometria se difundiram, sendo aplicados em vários cenários, tais como escolas, programas de reabilitação, empresas, militares.

Diversas revistas foram publicadas, dando abertura para novas criações a partir do psicodrama. Zerka muito o auxiliou nas publicações e demonstrações do trabalho, até o início da década de 70, quando Moreno começou a adoecer.

American Board of Examiners in Psychodrama, Sociometry and Group Psychotherapy: fundada em 1975, surge como órgão responsável por examinar e diplomar novos instrutores e praticantes, fornecendo o maior nível possível na área: TEP (Trainer, Educator and Practitioner). A instituição, em atividade atualmente, contém a lista dos diretores e praticantes diplomados, que fica à disposição do público interessado.

No ano seguinte, foi fundada a Federation of Trainers and Training Program in Psychodrama (FTTPP), cujo objetivo foi a padronização do currículo nos diferentes institutos. Dentre as contribuições, a FTTPP trouxe uma tabela na qual o treinamento é registrado.

Brasil: no Brasil, as contribuições de Moreno começaram a chegar na década de 60 e, em 1968, foi formado o Grupo de Estudos de Psicodrama de São Paulo. Dois anos depois, em 1970, aconteceu o maior congresso de Psicodrama até então realizado, no MASP, em São Paulo. Na ocasião, o evento chamado 5º Congresso Internacional de Psicodrama e Sociodrama e 1º Congresso de Comunidade Terapêutica reuniu importantes nomes do psicodrama internacional e incitou o surgimento das primeiras escolas de formação no país.

Uma das primeiras organizações de psicodrama a ser fundada foi a Sociedade de Psicodrama de São Paulo (SOPSP), em 1970. Na ocasião, a intenção era a de fomentar o ensino, a pesquisa e a aplicação do Psicodrama no país, que ainda dava os primeiros passos nessa direção. A organização, que estava entre as 14 instituições existentes no país, contribuiu significativamente para a criação, em 1976, da Federação Brasileira de Psicodrama (FEBRAP), assim como colaborou com a realização do 1º Congresso Brasileiro de Psicodrama, em 1978.

Atualidade

Atualmente, existem incontáveis desdobramentos do que J.L Moreno chamou de psicodrama. A criatividade e espontaneidade pregadas na técnica original permitiram que diversos métodos dentro do psicodrama fossem empregados — alguns consistentes, outros nem tanto.

A American Board of Examiners in Psychodrama, Sociometry and Group Psychotherapy é a federação responsável por treinar e fornecer certificados para profissionais norte-americanos e canadenses. Ela garante a formação de profissionais conforme os pressupostos básicos do psicodrama.

Diversos países possuem as suas próprias federações, a maior parte delas em conformidade com a pioneira. No Brasil, existem atualmente 36 instituições federadas que contribuem com a manutenção da estrutura do psicodrama no país. Vinculadas à Federação Brasileira de Psicodrama, todas elas mantêm os objetivos iniciais que são: a formação teórico-prática e/ou transmissão, a divulgação e a aplicação do psicodrama.

Para o curso de formação, foram criados princípios gerais, seguidos por todas as federadas. Dentre os centros de formação, se destaca a Sociedade de Psicodrama de São Paulo, que forma turmas anualmente desde 1972 e, a partir de 1996, estabeleceu convênio com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, dando maior visibilidade às já significativas contribuições quanto às produções teóricas e propostas inovadoras, de relevância nacional e internacional.

A cada dois anos, acontece o Congresso Brasileiro de Psicodrama, cuja primeira realização se deu em 1978. Organizados pela Associação Brasileira de Psicodrama e Sociodrama, esses encontros são oportunidades para conhecer pesquisas e contribuições têm sido apresentadas à comunidade científica.

Com a colaboração da FEBRAP, a presença e a visibilidade do psicodrama na sociedade brasileira tem sido intensificada de forma que um psicodramatista pode atuar, hoje em dia, como médico, psicólogo, pedagogo, fonoadiólogo, profissional de recursos humanos e com grupos, com os quais o método é muito bem aproveitado.

No mundo, é possível observar o psicodrama em ação em diversos campos, tais como: clínicas e práticas de saúde mental; hospitais; programas com viciados; psicoterapia individual; comunidades; contextos educacionais; escritórios de advocacia; prisões; tratamentos de traumas e abusos; organizações de justiça social; escolas médicas; organizações de treinamento; reinserção social; e turismo.

Fundamentos

O psicodrama surge como um aprofundamento da psicoterapia de grupo, ampliando-a para torná-la mais eficaz. Parte da premissa da espontaneidade criadora e, portanto, há centenas de técnicas existentes e tantas outras que podem surgir, conforme as necessidades.

O tablado ou o palco aparece como um elemento que deu à prática um caráter oficial, podendo ser utilizado quando necessário, fazendo parte do grupo. Para se operar, o psicodrama leva em consideração três diferentes contextos:

Contexto social: é o que equivale à realidade social do indivíduo, responsável pelas regras e costumes impostos ao sujeito, além de fornecer o material que o paciente fornece, de acordo com o seu ponto de vista.

Contexto grupal: formado pelo próprio grupo, inclui os integrantes, o terapeuta e as relações entre todos, bem como o produto delas. Apesar do enfoque terapêutico para este contexto ser o mesmo, cada grupo é único.

Contexto dramático: diz respeito à cena montada pelo protagonista e pelo diretor, na qual há segurança e proteção para que o protagonista possa expressar todos os sentimentos mais obscuros e realizar os mais temidos desejos.

O psicodrama se organiza em fases, comumente utilizadas, além de requerer algumas condições específicas, que serão descritas a seguir.

Aquecimento: momento em que a cena é selecionada e o personagem principal é eleito, partindo de uma situação de relaxamento e receptividade para que, espontaneamente, o conteúdo emerja.

Inicialmente, há o aquecimento inespecífico. O diretor se comunica com a plateia e possibilita o clima adequado para que o protagonista atue. O aquecimento específico prepara o protagonista para a dramatização, quando ele já está em ação. O diretor o auxilia e os ego-auxiliares vão se aproximando conforme o protagonista delega, sendo necessário, em alguns momentos, aquecimento específico para determinado personagem, ainda que a dramatização já tenha sido iniciada.

Ação ou dramatização: é a ocasião da dramatização em si, quando o protagonista explora os meios de solucionar o problema. O material trazido pelo protagonista é tratado com técnicas ativas. O diretor conduz a cena inicialmente e retira-se na sequência, deixando o espaço para o protagonista.

Os ego-auxiliares, isto é, os demais personagens, entram em cena para compor o quadro, sempre dirigido pelo protagonista a partir de um conflito passado ou futuro.

Participação do grupo e feedback: nesse momento, o público compartilha com o protagonista os sentimentos evocados, fazendo com que ele possa vislumbrar o quanto foi compreendido ou não em relação ao conteúdo expresso. O diretor deverá ser hábil o suficiente para conduzir a discussão na direção do crescimento do grupo, permitindo que determinados conteúdos sejam trabalhados nos demais encontros.

As cinco condições necessárias ao funcionamento do psicodrama, de acordo com Moreno, são:

Cenário: é o espaço vital supradimensional e móvel onde se realiza a dramatização, preferencialmente composta por um palco circular com três degraus para os atores e um balcão para uso do “super-ego”. Constitui-se como uma ampliação da vida real.
O nível mais baixo é comumente o da concepção, no qual se dá o aquecimento e o encontro com o protagonista; no segundo nível representa o crescimento, no qual diretor e protagonista planejam as primeiras cenas; o terceiro, por sua vez, é o da consumação e da ação.

Pode haver ainda um quarto nível, a galeria, quando há necessidade de diferenciar um personagem como herói ou messias dos demais. Sugere-se um espaço tridimensional, que favoreça o seu uso para vários fins. É nele que se constitui o campo terapêutico do psicodrama, no qual será operado o contexto dramático. É aconselhável que haja um sistema de iluminação adequado, que permita o foco em uma ou outra direção. Materiais de uso comum, tais como quadros negros, cobertores e giz podem estar à disposição.

Protagonista: é a pessoa selecionada para representar o tema do grupo, podendo ser qualquer um do grupo, desde que ele queira e o grupo concorde. No caso da terapia individual, trata-se do paciente.

O tema dirá respeito a algum conteúdo que ele próprio traga e a representação será de acordo com as suas experiências, passadas ou futuras, de forma que ele seja o máximo possível ele mesmo. Há um aquecimento, no qual diversos métodos são utilizados, para que o sujeito seja, no cenário, tanto quanto possível, como ele é na vida real.

O diretor: profissional formado por alguma instituição reconhecida ligada à escola de psicodrama que siga as normas pré-estabelecidas. Ele pode ocupar a função de produtor, discriminando o conteúdo trazido pelo protagonista e orientando-o na dramatização, favorecendo o insight; pode atuar como terapeuta, mantendo o enfoque terapêutico nas sessões; e pode ser o analista social, que analisará o material trazido por todos os integrantes, devolvendo-os a eles.

Os egos auxiliares: indivíduos que irão assumir papéis significantes ao longo do desenvolvimento da cena, quando o trabalho é realizado em grupo. Devem ter preparo psicológico para favorecer o processo terapêutico. Há algumas funções específicas, tais como a “função do ‘duplo’”, no qual uma parte, papel ou função do protagonista é representada, ou a “função de feedback”, que implica na representação daquilo que eles sentiram ao ver o protagonista.

Pode ainda ser “ator”, encenando o papel solicitado pelo protagonista, ou “agente terapêutico”, agindo como prolongamento do diretor, conduzindo a cena para direções terapêuticas. Por fim, pode ser “investigador social”, podendo observar e registrar as características do vínculo do protagonista.

A plateia, o grupo ou o auditório: composta pelos espectadores e pelos ego-auxiliares, que fornece o feedback ao protagonista. É o que garante a veracidade da vivência, uma vez que o protagonista irá emergir do grupo e atuar como se, de fato, estivesse vivendo a sua vida, sendo observado, julgado ou elogiado pelos demais.

Existem diversos métodos utilizados no psicodrama e tantos outros são criados constantemente, uma vez que o uso da criatividade é uma premissa básica. Os métodos mais comuns do psicodrama, que dizem respeito à ação do ego-auxiliar, dentre as centenas existentes, são:

Desdobramento do eu: o ego auxiliar coloca-se ao lado do protagonista e adota seu comportamento, evidenciando características possivelmente espercebidas por ele.

Inversão de papeis: o papel do protagonista é trocado com seu interlocutor. Bem aplicada, a técnica traz benefícios consideráveis, sendo muito utilizada por conta de sua simplicidade.

Solilóquio: qualquer um dos personagens pode usar esta técnica, que consiste em dizer em voz alta o que se está pensando em relação ao que está acontecendo. É necessário virar a cabeça para o lado, para esclarecer que se trata de um solilóquio.

Espelho: bastante delicada essa técnica implica em uma aplicação por parte de alguém que se sinta à vontade em relação ao protagonista, para evidenciar a ele suas atitudes típicas sem que pareça estar zombando.

Autoapresentação: consiste na representação simples, dirigidas pelo próprio protagonista, das personagens e situações de sua vida.

Interpolação de resistência: o diretor modifica a cena proposta pelo protagonista, fazendo com que ele atue num contexto determinado.

Realização simbólica: nessa técnica realizam-se fatos irreais para representar outros acontecimentos, possivelmente difíceis de serem acessados concretamente.

Psicodrama com marionetes: muito utilizada com crianças, essa prática é utilizada em períodos específicos. O diálogo é realizado com as marionetes, sendo que elas ocupam o espaço de objeto intermediário

Na prática

Objetivo: o psicodrama busca a modificação do comportamento ou alívio de tensões do indivíduo, proporcionando o encontro entre as pessoas desprovidas dos papeis sociais, sendo possível vivenciar o “Tele”, ou a força energética que permite a atração entre as pessoas.

Essa prática procura oferecer ao indivíduo a possibilidade de conhecer e adquirir habilidades necessárias para uma vida em sociedade. Além disso, ele se propõe a elaborar uma terapêutica que possua a vida como modelo, tendo como objetivo a integração das modalidades do viver, tais quais: tempo, espaço, realidade e cosmos.

Em relação ao tempo, ele frisa a importância de se olhar para o passado, futuro e, em especial, ao presente, quando é possível ocorrer o encontro. Quanto ao espaço, Moreno destaca a importância de se ampliar a dimensão do espaço, assim como o faz com a utilização do podium, que oferece a possibilidade tridimensional, bem como a utilização corporal.

Já em relação à realidade, Moreno distingue em três diferentes: infrarrealidade (a vivida no divã), realidade vital (a do cotidiano) e a realidade sobressalente (conjunto das dimensões invisíveis). Por fim, o cosmos abarca toda a existência e seus dilemas.

Método: a dramatização é a etapa principal do processo dessa técnica. Durante a sessão, que inicia com um aquecimento grupal, o diretor convida o(s) participante(s) a protagonizar(em) uma situação conflituosa e intervém com técnicas específicas para aprofundar a dimensão das relações e vínculos no aqui e agora propiciando a criação de respostas criativas.

Finaliza a intervenção com o fundamental compartilhamento, ou seja, a repercussão do vivido na vida pessoal ou profissional do grupo presente.

Setting terapêutico: o método psicodramático pode ser aplicado em diferentes contextos, não apenas em situações psicoterápicas. O ambiente no qual o psicodrama pode se dar configura-se como um palco, preferencialmente em um espaço tridimensional, isto é, com diferentes níveis, e costuma ter elementos disponíveis que possam facilitar o desenrolar da ação.

Técnica: o trabalho se dá sob a supervisão de um diretor ou psicodramatista que realiza o aquecimento inicial e, em seguida, conduz a cena conforme as necessidades do protagonista. Para tanto, pode fazer uso de uma ou mais das incontáveis técnicas do psicodrama, cuja premissa básica é o uso da criatividade.

Quanto ao protagonista, cabe encenar, no momento presente, uma situação de conflito, do passado ou presente, ou ainda um sonho, um medo, uma fantasia. O foco no aqui e agora é fundamental para garantir a ressignificação do conflito.

Os ego-auxiliares, quando a cena é realizada em grupo, dão suporte ao desenvolvimento da mesma, seguindo os comandos do diretor. O tempo padrão para uma sessão de psicodrama varia, normalmente, em torno de duas a três horas, sendo maior que uma sessão padrão de qualquer outra abordagem psicoterápica.

Público-alvo: não há restrições quanto ao perfil do beneficiário desta técnica, que pode ser utilizada tanto individualmente como em grupo, com adultos ou crianças.

Analista: no psicodrama, o responsável pelo desenvolvimento do processo é chamado comumente de diretor ou psicodramatista. Apesar de não participar da cena, a não ser em sessões individuais, ele é de grande importância. Para atuar como um psicodramatista, muitas habilidades complexas são requeridas.

Lidar com os inúmeros personagens dentro do contexto de uma sessão é uma demanda muito grande, além de ser necessário deslocar-se de seu próprio enfoque. Ele deve ser qualificado e saber lidar com as maiores dificuldades com as quais lidam o psicoterapeuta individual, ao mesmo tempo em que deve estar preparado para lidar com a própria espontaneidade e liberdade criativa, já que a técnica se desenvolve com cada novo grupo.

Inicialmente, a preparação era feita com o próprio Moreno; atualmente, muitas instituições fornecem o preparo adequado, mas convém verificar nos sites oficiais se o estabelecimento é reconhecido.

Áreas de aplicação: apesar de comumente aplicado em contextos psicoterápicos, o psicodrama pode ser utilizado em empresas, instituições, na área da educação ou ainda em trabalhos sociais, uma vez que a proposta idealizada por Jacob Levy Moreno era a de que o psicodrama fosse utilizado a partir da filosofia de que o homem é um ser em relação.

O método psicodramático aplicado na área psicoterápica busca favorecer o contato com as defesas conscientes e inconscientes, bem como com as condutas dos quadros patológicos. Já na área pedagógica, ele pode ser utilizado para o ensino e aprendizagem, assim como para a orientação pedagógica e educacional. Em empresas, é bastante conveniente na seleção e treinamento de pessoal.

Principais nomes

Jacob Levy Moreno (1889-1974)

Apesar de relatar ter nascido em um barco, em Bucareste, em 1892, Moreno teria de fato nascido em 1889, conforme consta em registros oficiais. Mais velho de uma família de seis filhos, de origem judia, cresceu em uma casa que dava de frente para uma igreja católica, em Viena, o que o colocava em contato com outras formas de ver o mundo.

Na mesma cidade, formou-se em medicina e logo começou a desenvolver trabalhos com grupos. O nascimento do psicodrama se dá em reação à psicanálise, que o incomodava quanto ao isolamento do paciente, assim como em relação às exigências de cura. Relutou entre seguir a carreira médica e direcionar-se ao teatro, sua outra paixão, que o levou a criar o “teatro da espontaneidade”.

Zerka Toeman Moreno (1917-2016)

Mais nova de quatro irmãos, nascida em Amsterdã e em família judia, Zerka mudou-se para a Inglaterra em 1931, onde seguiu seus estudos e viu sua irmã mais velha entrar em surto psicótico.

Bastante sensível, ela preocupava-se muito com a família e tinha uma predisposição para ouvir o seu self interior, que a levou a mudar para os Estados Unidos. Foi lá que, em 1941, buscando tratamento para a irmã, Zerka conheceu Moreno e teve um profundo senso de “tele”, um “encontro” com ele, apaixonando-se pelo psicodrama.

Anteriormente, Zerka já havia tido contato com o teatro e com a psicologia, facilitando a sua aproximação da abordagem e permitindo que ela cuidasse de sua irmã, assim como de outros pacientes, mais adiante, no sanatório de Moreno.

Ao longo dos anos, a aproximação entre ambos cresceu e, em 1949, Zerka e Moreno se casaram, tendo um filho juntos em 1952.

Pierre Weil (1924-2008)

Nascido na França, o psicólogo, pedagogo e orientador profissional foi aluno de importantes figuras, tais como Wallon, Piaget e Leon Walther, com quem trabalhou como assistente. Desenvolveu um importante trabalho, o teste “afetivo-diagnóstico” e realizou diversas pesquisas sobre testes de aptidão e de personalidade.

Já no Brasil, país no qual passou a morar em 1948, se tornou um importante difusor do psicodrama. Isso ocorreu depois de Weil ter passado por cursos e workshops com profissionais reconhecidos, entre eles o próprio Moreno.

Dalmiro Manuel Bustos (1934-)

Nascido na Argentina, Bustos forma-se médico na Universidade de La Plata, em 1956. Em busca de amadurecimento pessoal e profissional, Bustos viaja para os Estados Unidos logo após sua formação, mas retorna à Argentina e a vontade de trabalhar com grupos o leva a conhecer o psicodrama, formando-se inicialmente na Associação Argentina de Psicodrama para então seguir em busca do próprio J.L Moreno e Zerka Moreno.

De 1969 a 1974 viaja constantemente a Beacon, onde Moreno treinava os profissionais. A partir de então, Bustos torna-se um importante disseminador do trabalho de Moreno na América Latina, constituindo a Associação Platense de Psicoterapia e, em 1977, o Instituto de Psicodrama. Passa a viajar frequentemente a São Paulo, que considera sua segunda casa, onde exerce grande influência.

As ideias oriundas do psicodrama são ainda utilizadas por Bustos na terapia de casal, na qual observa significativos resultados. Como disseminador do método, Bustos escreve publica diversos livros, dentre eles Psicoterapia Psicodramática (1979), O Teste Sociométrico (1979), O Psicodrama (1980 –reeditado em 2005), Novos Rumos em Psicodrama (1992), Nova Cenas para o Psicodrama (1999), Perigo… Amor à Vista! (2002) e Manual para um Homem Perdido (2003).

Jaime G. Rojas-Bermúdez (1926-)

Colombiano, radicado na Argentina, o médico, especializado em psiquiatria, aproxima-se do psicodrama em 1957, no Instituto de Neuroses da Capital Federal, mas apenas cinco anos mais tarde, em 1962, teve contato direto com Moreno, em New York.

No ano seguinte, é intitulado diretor de psicodrama pela “World Center for Psychodrama, Socimetry and Group Psychotherapy”, fundando, em seguida, a Associacion Argentina de Psicodrama y Psicoterapia de Grupo.

Além de escrever livros importantes, foi presidente do IV Congresso Internacional de Psicodrama, realizado na Argentina, em 1959, e ministrou diversos grupos e cursos no Brasil. Além de ser um importante disseminador do psicodrama, Rojas-Bermúdez trouxe significativas contribuições para a abordagem, tornando-se uma referência na área.

Outras visões

Quando o psicodrama começou a se difundir, em meados da década de 1930, a psicanálise ainda era a escola predominante dentre as formas de terapia. Ainda que houvesse abordagens divergentes, o psicodrama surgiu como um meio radicalmente divergente, dificultando a sua aceitação nos primeiros vinte anos desde o início de seu desenvolvimento.

Na década de 1950, a abertura para as práticas psicoterápicas alternativas incluiu abordagens que faziam uso das ideias de Moreno, tais como a Gestalt-terapia ou a psicologia humanística, mas o psicodrama, aplicado de forma clássica, mantinha-se isolado das demais. Além disso, a clara oposição de Moreno frente às ideias de Freud dificultavam a sua aceitação no mundo acadêmico, já que a psicanálise, na ocasião, era muito forte e respeitada, defendida por profissionais bem preparados e cuja originalidade a tornava um movimento de vanguarda.

O tempo necessário para uma sessão de psicodrama era outro alvo de críticas por parte dos profissionais da época, que consideravam a abordagem pouco prática e economicamente inviável. A sessão clássica, com duração de duas a três horas, divergia muito da tradicional hora de “50 minutos”, ainda que o material emergido fosse equivalente a várias sessões convencionais verbais. Além disso, o conteúdo emocional evocado, normalmente mais intenso, exigia grandes preparações por parte dos profissionais e maiores cuidados posteriores, dificultando a sua aceitação.

A influência recebida pelos elementos oriundos do teatro, utilizados cuidadosamente por Moreno, eram alvo de críticas e desconfiança na ocasião de seu desenvolvimento. Aspectos considerados inautênticos e fraudulentos foram transformados por Moreno em uma forma de arte de fácil acesso, por meio da prática da espontaneidade. Ainda assim, a contaminação por esse olhar preconceituoso à época provocou fortes resistências.

Desde o início de seu desenvolvimento, pessoas entusiasmadas com os resultados do psicodrama passaram a reproduzi-lo sem prepararem-se adequadamente para tal, provocando situações desastrosas. Muitas vezes, os trabalhos dirigidos por esses profissionais eram o oposto dos fundamentos do psicodrama. Porém, a experiência negativa dirigida por profissionais desqualificados levava as pessoas mal orientadas a criticarem o método, ao invés de culparem o responsável pelo treinamento inadequado.

O fato de o psicodrama ser uma abordagem grupal, prática inovadora na ocasião, fez com que diversas pessoas se sentissem receosas em expor os próprios sentimentos em grupo. Se já havia resistência para que condutas inaceitáveis fossem admitidas em contextos privados, o grupo tornava-se um ambiente ingrato.

No entanto, ao longo dos anos foi possível perceber que compartilhar com outras pessoas sentimentos pessoais de difícil aceitação e o reconhecimento que tais dificuldades eram comuns aos outros era algo extremamente benéfico na direção da cura. Ainda assim, na ocasião, os próprios terapeutas não tinham ainda preparação para o manejo em grupo, o que tornava a prática grupal ameaçadora para o próprio terapeuta.

O treinamento do psicodrama, inicialmente conduzido apenas por Moreno, era muito difícil de ser realizado e, consequentemente, não era fácil coloca-lo em prática. Em contraposição, muitas outras abordagens podiam ser aprendidas em núcleos acadêmicos locais, tornando o psicodrama acessível apenas para aquelas pessoas realmente motivadas a aprofundarem-se na prática alternativa. Com isso, o impacto acadêmico do psicodrama limitava-se ao pequeno número de estudantes treinados.

Até meados da década de 60, havia pouca coisa escrita sobre o método do psicodrama, sendo que a maioria havia sido desenvolvida pelo próprio Moreno, cuja clareza e precisão das ideias deixavam a desejar. Assim, a disseminação da abordagem ficou prejudicada e, ainda que o psicodrama precisasse de novas terminologias, a falta de equivalência com termos conhecidos dificultava a sua aceitação e compreensão. Além disso, Moreno permitia que muitos leigos em psicologia participassem de seus seminários e encontros, o que apresentava vantagens e desvantagens.

Se, por um lado, essa postura permitia maior participação e acesso da comunidade, a falta de preparo destes participantes fazia com que eles acabassem por cometer equívocos e membros da comunidade acadêmica julgavam os resultados pouco profissionais. Moreno era uma pessoa bastante carismática e entusiasmada, cuja paixão por suas ideias o levou a querer controlar em demasia suas descobertas.

As publicações sobre psicodrama foram, por muito tempo, editadas e realizadas pelo próprio Moreno, que também cuidava de divulga-las. Além disso, demais diretores e profissionais que almejassem divulgar as inovações na área não eram propagados por ele, o que o alienava do compartilhamento com demais interessados. A ânsia por cuidar de tudo também prejudicava a qualidade do trabalho, já que ele carecia de habilidade organizacional e até mesmo de tempo para fazer tudo a que se propunha a fazer.

Ramificações

O método psicodramático permite desdobramentos para além do contexto psicoterápico. Dentre eles, destacam-se: Psicodrama existencial – é a base do psicodrama clínico, que acontecia com um caráter existencial; Psicodrama analítico – síntese do psicodrama e da psicanálise, costuma ter uma hipótese analítica encenada no palco; Psicodrama analítico francês – a técnica ocupa-se prioritariamente de crianças, sendo dirigida por dois terapeutas que encenam o conteúdo da criança.

Muito da concepção psicanalítica freudiana é utilizada, como o conceito de transferência e a interpretação. Hipnodrama – sintetiza o psicodrama e a hipnose, no qual a hipnose é o ponto de partida e o Psicodrama assume na sequência; Etnodrama – representação e análise de questões raciais ou culturais; Axiodrama – voltado para o estudo e análise de valores inerentes a cada papel social e cultura, com base na ciência de valores (axiologia); Psicodrama diagnóstico – pesquisa de síndromes grupais, cujos resultados atingem o grupo como um todo, ou simplesmente a situação diagnóstica de um único indivíduo, com recursos psicodramáticos; Psicodrama didático – como o nome diz, tem função pedagógica e pode ser realizado utilizando um ego-auxiliar (o sujeito que irá representar traz um caso conhecido, não o seu próprio) ou pelo método direto, com o caso do paciente; Psicodança – constitui-se em uma ampliação do psicodrama com o uso da dança; Psicomúsica – faz uso de recursos musicais, sejam eles instrumentos ou o próprio corpo.

Principais obras

Fundamentos do psicodrama

Obra de Jacob Levy Moreno, publicada pela Summus Editorial, em 1983. Nela, o autor apresenta o rico debate ocorrido entre importantes psicoterapeutas, sociólogos e outras figuras famosas acerca da importância do psicodrama. O livro também esclarece os principais conceitos dessa prática.

O teatro da espontaneidade

O livro de Moreno, publicado em 1923, traz um importante desenvolvimento acerca da teoria do teatro da espontaneidade, peça fundamental ao desenvolvimento do psicodrama.

Psicoterapia de grupo e psicodrama

Uma das principais referências da obra de Moreno, o livro esclarece a importância do trabalho em grupo e clarifica conceitos fundamentais do psicodrama. Leitura obrigatória para quem deseja se aprofundar na abordagem.

Psicodrama

Este clássico Jacob Levy Moreno esclarece a teoria e a prática da terapia de grupo e do teatro terapêutico.

Quem influenciou

Boa parte daqueles que discordavam da psicanálise e buscavam o desenvolvimento de psicoterapias alternativas recorreram às ideias de Moreno, que teve a importante função de catalisador destas inovações no período do domínio absoluto das ideias de Freud.

De um modo geral, as artes criativas em terapia receberam contribuições do psicodrama em seus avanços, já que Moreno as utilizava em contextos psicodramáticos. Ainda que outras abordagens façam uso desses recursos, a espontaneidade e a liberação da criatividade preconizadas pelo psicodrama foram importantes alavancadores desse uso. Além disso, as terapias corporais, de um modo geral, fizeram uma boa aproximação desta abordagem.

Como importantes ferramentas mobilizadoras de afetos e recordações, aliadas ao psicodrama, essas terapias encontram um canal bastante positivo para atingir a dimensão cognitiva da terapia, elaborando os conteúdos emergidos. Algumas abordagens destacam-se quanto ao uso do psicodrama em seu desenvolvimento, tais como:

Terapia de família: apesar de não ser obrigatório, é muito comum o uso de recursos psicodramáticos neste tipo de terapia, já que se constitui em uma abordagem grupal e o trabalho de Moreno oferece importantes ferramentas quanto a esta temática, favorecendo o diálogo entre os membros familiares.

Visualização dirigida ou imaginação ativa: usam princípios do psicodrama, já que surgem no contexto imaginário interpessoal e sugerem uma interação com conteúdos psíquicos inconscientes por meio da personificação dos mesmos.

Dentre aqueles que se utilizaram da bagagem adquirida no psicodrama para o desenvolvimento de seu próprio trabalho, destacam-se:

Marian Chace (1896-1970): importante influência nas terapias vinculadas à dança, a bailarina recebeu grande apoio e incentivo de J.L. Moreno, tendo a oportunidade de publicar seus primeiros artigos em suas revistas.

Fritz Perls (1893-1970): criador da Gestalt-terapia. Ao chegar da África do Sul na América, em 1947, Perls passou a acompanhar seminários dirigidos por Moreno, influenciando-se por suas ideias. A Gestalt-terapia, já em desenvolvimento, recebeu a contribuição da técnica da cadeira vazia, dentre as técnicas de desempenho de papeis, bem como a possibilidade de ir e vir do problema, além de fazer uso do foco no aqui e agora, muito defendido por Moreno.

James Hillman (1926-2011): o terapeuta junguiano, norte-americano, integrou métodos psicodramátcos na construção de sua própria linha, denominada por ele de psicologia arquetípica. Em seu trabalho, ele desenvolve um diálogo do imaginário com as imagens arquetípicas. Neste diálogo, a intensão é aumentar o potencial da imaginação, essencial à construção e fortalecimento da alma, objetivo em sua abordagem.

Fontes e inspirações

J. L. Moreno, fundador do psicodrama, era bastante culto e foi influenciado pelas ideias de importantes pensadores de diferentes campos, como psicologia, filosofia, pedagogia e artes. Dentre as suas principais fontes inspiradoras, destacam-se:

Jesus Cristo e a religião

A influência da religião no desenvolvimento de seu trabalho e em sua vida pessoal chegou a ser inclusive alvo de críticas, por dar um caráter demasiadamente místico e pouco “científico” às suas ideias. O princípio inerente ao nome, religare, ligar, “tudo unir”, fez com que a religião tivesse papel fundamental no desenvolvimento da psicologia de grupo.

O psicoterapeuta, na falta de uma religião comum a todos os participantes, busca os valores que satisfaçam o espírito da época. Sócrates (469-399 a.C.) Como modelo pedagógico, o filósofo grego, que buscava compreender as motivações e necessidades do homem na pretensão da sabedoria, desenvolveu o método do diálogo (maiêutica) cujas perguntas não tinham respostas diretas, levando à refutação.

A intenção era a de se encontrar a resposta no próprio sujeito disparador da pergunta, como um potencial pronto a emergir. Essa concepção serviu como base para métodos psicodramáticos, especialmente a inversão de papeis.

Psicanálise

A linha, desenvolvida por Sigmund Freud, serviu como inspiração para Moreno, embora de um jeito bastante peculiar. Segundo Moreno, o modo como Freud desenvolveu o seu trabalho excluía a religião, aspecto fundamental para Moreno, que acreditava nas contribuições dadas pelos santos e profetas para a psicoterapia. Além disso, Freud era indiferente aos movimentos sociais, o que o distanciava da oportunidade de estudar as estruturas de grupo.

O fato de ter crescido e desenvolvido seu trabalho na mesma cidade em que a psicanálise tomou forma, Viena, é uma influência reconhecida por Moreno, embora, segundo ele, negativa.

Henri Bergson (1859-1941)

Introdutor do princípio da espontaneidade na filosofia, em um contexto desfavorável para tal, já que a ciência objetiva era valorizada e não permitia a propagação de tal crença, o filósofo e diplomata francês Bergson é citado como importante referência para o desenvolvimento do psicodrama.

A ideia de que o processo da criatividade era essencial à realidade foi adotada por Moreno, que acrescentou ainda a ênfase no momento como “categoria revolucionária”, isto é, possuidora do potencial para a criatividade.

Sob tal influência, Moreno desenvolve suas ideias sobre a criatividade, concebendo-as como uma característica essencial da natureza divina. Além disso, Bergson foi introdutor do conceito de que o filósofo deve aproximar-se o máximo possível da realidade em sua essência, recorrendo às ações ao invés da palavra. Essa ideia foi posteriormente adotada por Moreno.

Teatro Caracterizado

Como uma forma de arte na qual um ou mais atores interpretam algo para o público, o teatro pode ser realizado com o auxílio de um dramaturgo, diretor ou técnico, tendo como objetivo evocar sentimentos em quem o assiste. Há evidências de que o teatro já existia há milhares de anos, em rituais primitivos, mas apenas no Antigo Egito estes dados podem ser confirmados, por volta de 2.500 a.C.

Na Grécia Antiga, a influência do teatro na sociedade é bastante conhecida e, desde então, diversos autores escreveram peças importantes, nas quais conteúdos valorosos acerca das questões sociais eram contemplados.

Moreno, amante desta arte, estudou os importantes autores ao longo da história e foi bastante influenciado pelos responsáveis pelas inovações no mundo do teatro ao longo do século XX. Entre eles, destacam-se o russo Constantin Stanislavski (1863-1938), que desenvolveu um sistema no qual os atores representavam a partir de seus próprios sentimentos; o austríaco Max Reinhardt (1873-1943), responsável por levar o teatro aos locais públicos; e o italiano Luigi Pirandello (1867-1936), que, em 1917, passou a adicionar ingredientes subjetivos e motivações pessoais à arte, fazendo o teatro da loucura com classe.

Existencialismo

O primeiro passo do existencialismo é colocar o homem de posse do que ele é. Essa escola buscar dar ao indivíduo a responsabilidade total sobre a sua própria existência. Nela, os seres humanos são vistos como seres concretos, conscientes e responsáveis, podem olhar para as suas angústias e emoções. Só depois dessa tomada de consciência somos capazes de encontrar meios de lidar com nossos sentimentos.

O existencialista vive constantemente em busca de sua essência, construindo seu cotidiano de acordo com seus atos, criando o próprio mundo e realizando as próprias potencialidades. Seus modos de ser e agir são os mecanismos que o tornam singular, concebendo-o como único no universo e individualizando-o na medida em que o encontro entre sua subjetividade e singularidade se dá.

Moreno, nitidamente influenciado pelos existencialistas, procurou por em prática o espírito da criatividade no aqui e agora, bem como a responsabilidade pelos próprios atos.

Sociologia

O psicodrama buscou na sociologia uma ciência que fosse além dos limites do indivíduo e que englobasse a saúde mental de diferentes pessoas. Os sociólogos franceses, A. Comte (1798-1857), G. Tarde (1843-1904) e E. Durkheim (1858-1917) podem ser citados como importantes referências nos estudos de Moreno. A sua obra, logo no início, é marcada pela criação do átomo social e pelo estudo dos papeis sociais, o que o aproximam demasiadamente da sociologia. O desenvolvimento de seu trabalho aproxima-se do positivismo conforme a sua obra ocupa-se de estudos positivos da sociedade, bem como por conta da criação de métodos positivos de investigação.

Podem ser citados ainda Fourier (1772-1837), P. Le Play (1806-1882) e K. Marx (1818-1883) como fontes de inspiração no desenrolar de seu legado.

Psicologia

Em sua obra, Moreno não faz menção às referências do campo da psicologia, mas é claro que seu trabalho está próximo dessa ciência. Alguns testes psicológicos são mencionados, dentre eles o Rorschach, o TAT e o Teste de Associação Livre. Além disso, é possível citar a psicologia da Gestalt como uma abordagem próxima do trabalho do psicodrama, cujo diálogo se tornou bastante evidente em diversas passagens.

No entanto, Moreno busca distanciar-se do individualismo que a psicologia, de um modo geral, adota, uma vez que seu olhar direciona-se para o homem como um ser em relação. Medicina. Os pioneiros no ramo do psicodrama e da psicoterapia em grupo eram médicos que se propuseram a procurar tratamento a seus pacientes de outra maneira, não individualizada. O foco, nessas situações, passou a ser a patologia do grupo.

A formação inicial do próprio Moreno é em medicina, o que lhe deu toda a base necessária para a compreensão do ser humano em seus aspectos fisiológicos e, ao mesmo tempo, lhe permitiu perceber a necessidade de se desenvolver novas formas de se tratar pacientes, uma vez que, conforme sua experiencia, os métodos tradicionais nem sempre se mostravam eficazes.

Interligações

Sociodrama: método de ação profundo, que diz respeito às relações intergrupais e às ideologias coletivas. O objetivo do trabalho concentra-se no grupo e a representação dos papeis serão expressões de um representante da cultura, permitindo a catarse coletiva de problemas sociais, além de favorecer a análise das origens de tensões intergrupais. Trata especialmente de conflitos entre povos e grupos políticos, já que o sujeito é o grupo, não um indivíduo.

Psicoterapia de grupo: o psicodrama surge como uma ampliação da psicoterapia de grupo. Quando determinada questão não pode ser expressa em palavras, o sujeito a encena, podendo ser acompanhado por outros participantes.

Apesar de já existir, o termo foi usado pela primeira vez por Moreno, em 1931, em um grupo de médicos, em Toronto. Subdivide-se em alguns métodos:

Método das conferências/discussões: em 1921, W. A. White (1870-1937) desenvolveu este método, que consiste em debates pré-estabelecidos, nos quais os materiais inconscientes facilmente emergem e possibilita a redução das agressões em grupo.

Psicoterapia de grupo, psicanalítica e analítica: L. Wender utilizava os esquemas freudianos da psicanálise individual na análise de grupos, tais como as associações livres, análise de sonhos, interpretação de atos falhos etc. Para os neuróticos, o grupo favorece a socialização e, de um modo geral, permite a “generalização do sentimento”, já que não se mantem só com o sentimento, ele é compartilhado. Essa abordagem pode ser realizada por diversas escolas.

Psicoterapia de grupo não diretiva: nessa linha, aplicam-se os mesmo princípios da psicoterapia centrada no cliente, de Rogers. Acredita-se que o grupo possui em si as forças para sua própria evolução, tal qual o indivíduo. Basta que os sentimentos sejam refletidos na direção das percepções de modo a serem compreendidos. O terapeuta mantem-se próximo, porém não interpreta, avalia ou apoia.

Grupo sem terapeuta: alguns estudos realizados por pesquisadores da Western Behavioral Sciences mostram que a importância dos participantes é tão grande ou até maior que a do terapeuta, sendo possível observar evoluções e mudanças de percepções nestas situações de ausência de líder tal qual na sua presença.

Dinâmica de grupo: Kurt Lewin (1892-1947) usou a expressão pela primeira vez em 1939 para mostrar estudos sobre a democracia e autocracia. Originalmente, portanto, tratava-se de um objeto de estudo, do qual procurava-se saber a origem, natureza e evolução dos grupos, bem como a atuação de um indivíduo sobre o outro.

As grandes empresas interessaram-se muito pelas pesquisas que investigavam os estilos de liderança em grupo. Problemas como moral de grupo, atitudes e motivações dos trabalhadores em muito contribuiriam para o crescimento delas anos antes, ainda na década de 20. Além disso, o desenvolvimento da psicoterapia, que defendia a interação como caminho para a mudança de comportamento individual, e os estudos de sociologia também contribuíram para o desenvolvimento do interesse na dinâmica de grupo.

Por fim, as necessidades da educação moderna e as exigências da Segunda Guerra, que requeriam técnicas de comando e tomadas de decisões mais rápidas e eficientes, com fundamentações seguras, também impulsionaram o desenvolvimento da dinâmica de grupo. O objetivo dela, portanto, é a formação e aperfeiçoamento de dirigentes, de corpo docente, de cientistas sociais, nas relações humanas, redução e análise das tensões interpessoais e intergrupais e melhoramento das comunicações internas de organizações.

Existem diversos métodos e técnicas que compõem a dinâmica de grupo. Dentre eles, destacam-se: O “T Group”, originado nas ideias de Kurt Lewin, propõe a reunião de sete a doze pessoas para analisar, no aqui e agora, fenômenos psico-sociológicos, conforme eles ocorrem. Um monitor, de acordo com sua orientação, reflete no grupo a sua percepção dos fenômenos. O grupo triádico consiste em uma conjugação três teorias: dinâmica de grupo, sociometria e psicodrama.

A representação de temas que seriam de interesse do psicodrama é feita normalmente, mas abre-se uma discussão posterior acerca dos assuntos e interações surgidas no desenrolar da cena são tratados no grupo, contados na forma de T Group. Socioanálise foi um termo desenvolvido por Moreno para significar a análise sociométrica de grupos, isto é, para mensurar os critérios quanto às relações estabelecidas pelas diferentes pessoas em um grupo.

Fontes de pesquisa

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