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O que é

O movimento Slow Food surgiu na Itália em 1986, idealizado por Carlo Petrini, propondo os prazeres da boa mesa para a desaceleração do ritmo de vida, daí, no nome escolhido, a irônica oposição ao “fast-food” (“comida rápida”), transposição da lógica industrial para a alimentação.
Com o passar do tempo, o Slow Food ampliou suas preocupações para a sustentabilidade em toda a cadeia da produção de alimentos, a qualidade de vida e a corresponsabilidade quanto ao futuro do planeta.
Militante de um tipo de alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, produzidos por sistemas agrícolas e artesanais, o movimento Slow Food propõe o resgate da cultura alimentar agrícola e familiar, a qualidade sensorial e bioquímica dos alimentos e a responsabilidade socioambiental.

Origem do nome

A expressão inglesa “slow food” pode ser desmembrada em “slow”, que significa “lento”, e “food”, “alimento, comida”, e busca, já no título, uma oposição à lógica do “fast-food” (“alimentação rápida”).

O movimento Slow Food surgiu na Itália em 1986, idealizado pelo ativista enogastronômico italiano Carlo Petrini, e tem como principal bandeira a associação entre a qualidade dos alimentos e a qualidade de vida, de uma perspectiva global e preocupada com o desenvolvimento sustentável em toda a cadeia da alimentação.

Criação

Ecogastronomia – A ideia central do movimento Slow Food é a ecogastronomia — uma abordagem multidisciplinar em relação à comida que une o prazer da alimentação com consciência e responsabilidade. Fazem parte da ecogastronomia os consumidores e os produtores de alimento.

Educação para o consumo responsável – O consumo se torna parte de um ato produtivo, e o consumidor se torna assim um coprodutor. O produtor desempenha um papel principal nesse processo, trabalhando para alcançar qualidade na alimentação que produz.

O esforço precisa ser de todos e deve ser feito no mesmo espírito de consciência, compartilhamento e interdisciplinaridade.

Por meio da educação, os consumidores podem atuar como parceiros: No processo de produção e distribuição alimentar de forma a proteger a biodiversidade agrícola, contribuindo com a defesa do meio ambiente.

Na preservação da herança culinária, as tradições e culturas e no resgate da cozinha típica regional.

Agricultura familiar – A agricultura familiar é um modelo menos intensivo, mais saudável e sustentável, com base no conhecimento das comunidades locais.

É o único tipo de agricultura capaz de oferecer formas de desenvolvimento para as regiões mais pobres do nosso planeta.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), dar formação e apoio aos pequenos agricultores, ajudando-os a se conectar melhor aos mercados, auxilia as comunidades a desenvolver sistemas de produção de alimentos resilientes e capazes de resistir a choques ocasionais, sendo uma das principais formas de combate à fome mundial.

Uma das missões-chave do Slow Food é promover a qualidade dos alimentos diários que possuem uma repercussão positiva sobre o estilo de vida e saúde dos indivíduos.

Ele atinge esse objetivo através de uma ampla gama de iniciativas e projetos. São organizadas feiras, eventos e mercados locais e internacionais para mostrar produtos alimentícios de qualidade.

Acima de tudo, o Slow Food gerencia o Terra Madre: ao mesmo tempo, um projeto — que apoia ativamente as economias locais de pequeno porte que sejam sustentáveis; uma rede — com 5.000 produtores de alimentos de 1.600 comunidades do ramo, com 1.000 cozinheiros e 400 acadêmicos de 150 paises; um evento — um encontro mundial de comunidades produtoras de alimentos.

A educação alimentar é a base do movimento e se divide em três projetos principais: Educação do Gosto – que organiza eventos locais e atividades;

Convivium – Apresenta novos alimentos aos associados; Oficinas do Gosto – Permitem que os participantes descubram mais sobre os alimentos sob a supervisão de especialistas.

O Slow Food nas Escolas educa as crianças de tenra idade e a Universidade de Ciências Gastronômicas, na Itália, treina gastrônomos do mundo todo.

Os projetos de Educação do Gosto Slow Food se baseiam no conceito de que o alimento significa prazer, cultura e convivência, e que o ato de comer pode influenciar valores, atitudes e emoções.

Para proteger a biodiversidade alimentar, ou seja, os incontáveis queijos tradicionais, grãos, vegetais, frutas e espécies animais, são promovidos projetos como a Arca do Gosto, as Fortalezas e o Terra Madre, com o objetivo de manter vivas as tradições, promovendo a convivência e transmitindo o conhecimento para as gerações seguintes.

Histórico

Origem O movimento Slow Food se originou a partir da associação Arcigola, criada em 1986 pelo jornalista e ativista alimentar italiano Carlo Petrini no distrito piemontês de Langhe. Em 1989, já com o nome de movimento Slow Food, foi lançado com um Manifesto, no Opéra Comique, em Paris. Com o tempo, evoluiu para a criação de uma associação internacional sem fins lucrativos, reconhecida pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) em 2004.

Manifesto Escrito por Folco Portinari, membro fundador do movimento Slow Food Internacional, o Manifesto critica o que chama de “tolice universal da Vida Fast”. A velocidade seria o aspecto mais visível dos saldos da civilização industrial, que teria transformado a máquina em “modelo de vida” ao alterar meio ambiente, paisagens e modo de vida em prol de uma maior produtividade. O texto propõe uma ruptura desse ideário de “vida acelerada”, que no plano da alimentação seria simbolizado pela “fast-food”.

Consolidação A sede do movimento localiza-se em Bra, também na região de Piemonte, no norte da Itália. Atualmente, o movimento conta com mais de 100.000 membros e tem escritórios em países como Itália, Alemanha (desde 1992), Suíça (1993), Estados Unidos (2000), França (2003), Japão (2004) e Reino Unido (2006), além de apoiadores em 150 países. Organiza-se em uma rede com mais de 2.000 comunidades ligadas à produção de alimentos de qualidade, em pequenas escala e de modo sustentável.

Ações de divulgação do Slow Food Em um primeiro momento, as ações do movimento se concentram na Itália. Em 1990, foi organizado em Veneza o primeiro Congresso Internacional Slow Food. Quatro anos depois, teria lugar em Milão o evento “Milano Golosa”, antecessor do Salone del Gusto, feira experimental realizada duas vezes ao ano a partir de 1996. Na primeira edição do Salone del Gusto é apresentado o projeto Arca do Gosto, catálogo que reúne sabores esquecidos ou quase extintos, que, a despeito disso, tenham potencial produtivo e comercial. Desde o lançamento, mais de 1.000 produtos foram “reabilitados” e incorporados ao projeto, que tem abrangência internacional.

Outra feira internacional ligada ao gosto, a Cheese, é iniciada em 1997, em Bra, dedicada aos laticínios. A escolha de Bra, além de sede do Slow Food, justifica-se pela localidade piemontesa ser uma destacada produtora de laticínios.

Uma feira dedicada à pesca sustentável e aos frutos do mar, a Slow Fish, é instituída a partir de 2004, ocorrendo pela primeira vez em Gênova. Feira similar, dessa vez dedicada à cerveja, a Slow Bier, é realizada a partir de 2007 em Munchberg, na Alemanha.

Publicações Desde o início, o movimento Slow Food também se dedicou a publicar obras como meio de propagar seus ideários e de formar um referencial teórico sobre a alimentação distanciada do modelo industrial.

O guia Osterie d’Italia marca o lançamento da Slow Food Editore, em 1990. Em 1996, sai a revista Slow, Herald of Taste and Culture, dando continuidade às publicações, que seguem, em abordagem, a ampliação de temas que se seguiu à fundação do movimento.

Projetos educacionais do gosto Com seus congressos, feiras e publicações, o Slow Food já se direcionava para projetos de cunho educativo, o que é marcado formalmente pela conferência Dizendo, Fazendo, Degustando, realizada em 1997. No ano seguinte, tem início projeto mais ambicioso: a criação da Agenzia di Pollenzo, empresa organizada para coordenar a restauração de um antiga casa, em Pollenzo (Bra), a qual sediaria a partir de 2004 a Universidade de Ciências Gastronômicas, o Banco de Vinhos, um hotel e um restaurante.

O projeto Fortalezas é lançado em 2000; no ano seguinte, são apresentadas as primeiras 30 Fortalezas. Cinco anos depois, acontece na Sicília o Encontro Geral de Fortalezas Italianas. Também em 2000 é criado o prêmio Slow Food, o qual destacou, em sua primeira edição, em Bolonha, a Defesa da Biodiversidade. Em 2001, surge outro projeto educacional, o Mestre dos Alimentos.

Em 2003, os projetos Fortalezas, Arco do Gosto e o prêmio Slow Food são reunidos sob o teto da Fundação Slow Food para a Biodiversidade.

Engajamento político O movimento Slow Food, que surgiu formalmente em 1989 com um Manifesto de marcada opção política, ao longo dos anos foi consolidando seu posicionamento político, militante de uma alimentação mais saudável e, ao mesmo tempo, que zelasse pelo futuro dos pequenos produtores, mantendo-se, assim, os traços culturais das regiões por meio de sua gastronomia. Em 1999, o Slow Food lidera campanha em defesa dos alimentos e vinhos tradicionais italianos, e contrária à rigidez das leis europeias intituladas HACCP (Hazard Analysis and Critical Control Points, em tradução livre algo como Análise de Perigos e Controle de Pontos Críticos).

Em 2001, o movimento abraça novas campanhas: contra a venda de vinhos geneticamente modificados na Europa e a favor da produção de queijos produzidos com leite cru. Em 2007, o Slow Food passa a integrar a coalizão Europa Livre dos Organismos Geneticamente Modificados.

Fortalecimento das pequenas economias As ações do movimento foram se mostrando importantes para alavancar iniciativas ligadas à produção enogastronômica em pequena escala, e aos poucos sua influência foi-se ampliando. Em 2003, seria organizado pela primeira vez o encontro Aux Origines du Gout (em tradução livre, algo como As Origens do Gosto), que reúne produtores de vinho ao redor do mundo. Em 2007, o Slow Food França reúne 600 vinicultores em outro encontro dedicado ao vinho: o Vignerons d’Europe.

A importância da organização se reforça em 2004, ano em que a FAO (Food and Agriculture Organization, em português Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) estabelece um acordo de cooperação com o Slow Food, reconhecendo-o como uma organização sem fins de lucro.

A organização em rede permite ao Slow Food ampliar suas comunidades. Em 2004, é realizado em Turim o primeiro Terra Madre, encontro mundial de comunidades do alimento, logo repetido, também em Turim, dois anos depois. Em 2007, Brasília abrigou o evento.

Dia Slow Food A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) declarou 2007 o Ano Internacional da Batata. Buscando sinergias, em 15 de setembro o Slow Food França realizou, em nível nacional, o primeiro “Dia Slow Food”, em que organizou atividades com o propósito de redescobrir gastronomicamente o tubérculo. Em 2011, o Slow Food Day foi celebrado a partir de coordenação realizadaa na sede italiana, escolhendo-se o dia 25 de maio.

Atualidade

Em 2006, o Slow Food Estados Unidos criou o Fundo de Auxílio Terra Madre para o auxílio das comunidades do alimento sediadas em Lousiana, no sul do país, devastadas pelo furacão Katrina.

mercado brasileiro de refeições fora do lar cresceu 219,4% na década de 2000, segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia). O incremento foi impulsionado pelo crescimento acelerado da classe C, maior presença das mulheres no mercado de trabalho e turismo em alta. Somados, esses três fatores têm feito um número cada vez maior de brasileiros comer fora de casa, contribuindo decisivamente para o setor de refeições, também chamado de food service.

Uma nova tendência que vem ganhando força é o fast-food saudável. Ao mesmo tempo em que buscam uma alimentação rápida, os frequentadores das praças de alimentação vêm se preocupando mais com o conteúdo nutricional de sua refeição e o efeito que ela terá em sua saúde. De olho nesse mercado, novas redes estão surgindo, outras ampliaram suas lojas e algumas reformularam o cardápio, trocando, por exemplo, a batata frita pelo arroz integral.

Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), que investigou os hábitos alimentares dos frequentadores de diversos shoppings de São Paulo, há duas fortes tendências hoje na alimentação:

a saudabilidade, que é a valorização daquilo que promove saúde e bem-estar, e a sensorialidade e o prazer, ligados ao boom do mercado gourmet e dos grandes chefs.

Segundo a ABF, as redes que estão produzindo fast-food saudável têm um crescimento acima do mercado. De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, apesar da rápida expansão, o grupo ainda não chega a 10% dos estabelecimentos. A preocupação em dosar prazer e nutrientes antes era restrita aos portadores de doenças como diabete e a quem está acima do peso. Mas nos anos 1990 a preocupação começou a se espalhar na população saudável em busca de bem estar.

Somente nos Estados Unidos o setor de fast-food emprega mais de 4 milhões de pessoas e gera receita anual superior a US$ 200 bilhões. Líder mundial na demanda, sua população consome cerca de 12,3 bilhões de unidades por ano, média de 40 unidades por pessoa.

O Relatório de Tendências do Consumidor de Hambúrguer mostra que o consumo vai continuar em alta entre os norte-americanos. Quase metade dos consumidores de hoje (48%) irá comer um hambúrguer pelo menos uma vez por semana, acima dos 38% em 2009.

Um dos últimos fóruns americanos de estudos da alimentação projetou que o hambúrguer será o prato mais difundido no mundo até 2020.

No Brasil, estudo da Associação Brasileira de Franchising (ABF) estima existirem 41 cadeias de alimentação rápida apenas no setor de franquias, que, juntas, somam 5,3 mil lojas e faturam mais de R$ 15 bilhões. Oito em dez brasileiros comem em algum fast-food pelo menos uma vez por mês.

Dirigido pelo norte-americano Morgan Spurlock, o documentário Super size me (2004) questiona o valor nutricional e as consequências do consumo frequente de alimentos produzidos por restaurantes fast-food, além de expor os métodos e a estratégia de marketing alimentar.

Em 2012, foi lançado o documentário Muito além do peso, uma produção nacional sob a direção da roteirista paulistana Estela Renner. O filme mostra a relação negativa da dieta composta por alimentos ultraprocessados, principalmente o refrigerante, com a atual pandepidemia de obesidade infantil. É possível assistir ao trailer em: http://vimeo.com/mariafarinhafilmes/maptrailer.

No início de 2010 a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, lançou a campanha nacional “Let’s move”, de luta contra a obesidade infantil, com o objetivo de eliminá-la em uma geração. Um dos principais alvos da campanha é a indústria de alimentos ultraprocessados, como o fast-food (hambúrgueres, salgadinho, refrigerantes).

Em 2012 a artista plástica e fotógrafa nova-iorquina Sally Davies apresentou o projeto “Happy Meal Project”, que mostra o registro fotográfico diário do processo de decomposição de um lanche da cadeia de fast-food McDonald’s comprado em 2010, formado por um hambúrguer e uma porção de batatas-fritas. Com o passar do tempo, o sanduíche e as batatinhas continuavam com a mesma aparência, não mostrando sinais de alteração. Como se fossem de borracha ou de isopor. No dia 10 de abril de 2012, o projeto completou dois anos e o lanche estava igualzinho ao primeiro dia. As 756 fotos estão expostas em seu site, e em seu espaço no flickr, e mostram que a única variação se deu no pão do hambúrguer, que se partiu em alguns pedaços devido ao ressecamento. É possível ver o trabalho clicando aqui. e aqui

Fundamentos

Excelência na qualidade O movimento Slow Food preza por alimentos de procedência segura, sazonais, locais, e saborosos — capazes de satisfazer os sentidos. O movimento se baseia nos valores da comida que é preparada de maneira a priorizar o consumo de alimentos mais saudáveis e o prazer gastronômico. Tem como valores a qualidade de vida que caracteriza as comidas produzidas artesanalmente. O movimento acredita que a alimentação é capaz de tornar as pesoas mais felizes.

Corresponsabilidade em toda a cadeia do alimento Surgido para propor os prazeres da boa mesa para a desaceleração do ritmo de vida, com o tempo o Slow Food ampliou suas preocupações para a sustentabilidade em toda a cadeia da produção de alimentos, a qualidade de vida e a corresponsabilidade quanto ao futuro do planeta.

Bom, justo e limpo O movimento Slow Food acredita e promove alimentos que se enquadrem nas três categorias. “Bom” significa, de acordo com a publicação do próprio Slow Food Moviment, intitulada Bem-vindos ao nosso mundo — O manual, “apetitoso e saboroso, fresco e capaz de estimular e satisfazer os sentidos”. “Limpo”, de acordo com a mesma publicação, significa “produzido sem exigir demais dos recursos da terra, seus ecossistemas e meio-ambiente e sem prejudicar a saúde humana”. “Justo”, por sua vez, significa “respeitar a justiça social, o que significa pagamento e condições justas para todos os envolvidos no processo, desde a produção até a comercialização e consumo”.

Segurança alimentar Os alimentos devem estar livres de contaminação química, física ou biológica. Cada etapa da cadeia de produção, incluindo-se o consumo, deve proteger os ecossistemas e a biodiversidade, salvaguardando a saúde do consumidor e do produtor.

Responsabilidade social A aproximação dos produtores e consumidores favorece a prática de preços justos para os consumidores e recompensas adequadas para os produtores, ao eliminar etapas intermediárias de distribuição, garantindo também o frescor dos produtos.

Oposição ao fast-food O conceito de “slow food” se opõe diretamente ao conceito de “fast-food”, o qual representa a versão taylorista/fordista da culinária. Henry Ford (1863-1947) revolucionou a indústria de transportes ao introduzir o sistema de linha de montagem com o objetivo de aumentar a sua capacidade produtiva, ampliar o mercado consumidor e os lucros obtidos. Frederick Winslow Taylor (1856-1915) propôs a utilização de métodos científicos cartesianos na administração de empresas. Seu foco era a eficiência e eficácia operacional na administração industrial a partir de seu elemento-chave, o trabalhador.

Os modelos de Taylor e Ford foram adaptados às empresas de alimentação. A própria terminologia “fast-food” é indicativa do sentido de rapidez e produtividade, introduzidos e referendados pelas teorias do fordismo e do taylorismo. O sistema produtivo “fast” corresponde à racionalização do trabalho, à padronização dos procedimentos, especialização de mão de obra, velocidade e simplificação da preparação dos alimentos, que se contrapõem à alimentação produzida em restaurantes.

Os restaurantes que padronizaram o sistema de “fast-food” reduziram consideravelmente os procedimentos, economizaram no atendimento ao tirar de cena os garçons e estabelecerem que os pedidos devem ser feitos diretamente no caixa; diminuíram o tempo de produção e consequentemente de espera em relação ao pedido ao adotarem a sistemática de produzir tudo previamente ou de deixar o trabalho totalmente segmentado para que o prato requisitado possa ser feito em questão de minutos e, constituíram uma dinâmica de trabalho direcionado a rapidez.

A agilidade nos serviços também proporcionou o surgimento de produtos que, pelo fato de serem produzidos em série, utilizando os mesmos procedimentos e matérias-primas, também são caracterizados como padronizados.

Na prática

Para o movimento Slow Food, a gastronomia está obrigatoriamente relacionada a três aspectos indissociáveis: (1) agricultura, (2) meio ambiente e (3) política. Por meio de diversas iniciativas com foco nesses três aspectos, o Slow Food busca:

Construir redes que conectam produtores e coprodutores.

Educar todos os entes da cadeia, do produtor ao consumidor final, segundo preceitos sustentáveis e de corresponsabilidade.

Engajar-se em ações que visem proteger a biodiversidade.

Principais nomes

Carlo Petrini (1949) – Jornalista e ativista alimentar italiano nascido na província de Cuneo, na comuna piemontesa de Bra. Começou a escrever artigos sobre gastronomia em 1977.

Em 1986, fundou a associação Arcigola, antecessora do movimento Slow Food, batizado com este nome em 1989.

Por sua militância e suas ações à frente do movimento, em 2004 foi indicado “Herói Europeu” pela revista Time. Quatro anos depois, em 2008, figurou entre “as 50 pessoas que podem salvar o planeta”, enquete do jornal britânico The Guardian.

Principais obras

Os sites do Slow Food International (http://www.slowfood.com) e do escritório brasileiro (http://slowfoodbrasil.com) são as melhores fontes para obtenção de informações atualizadas e dos principais documentos que dão as diretrizes do movimento.

A página http://www.slowfood.com/international/138/key-documents (em inglês) contém links para o download dos documentos-chave do movimento Slow Food. A leitura desses documentos é fundamental para a compreensão do movimento no detalhe. São eles:

A centralidade do alimento 

Delineia as diretrizes estratégias do movimento Slow Food, ratificadas no Sexto Congresso Internacional Slow Food, realizado em Turim, na Itália, em outubro de 2012. A publicação é oferecida em português e também nas línguas inglesa, italiana, espanhola, francesa, alemã, russa e japonesa, o que já permite uma ideia da capilaridade do movimento e sua dimensão global.

Slow food international statute

O documento apresenta a versão revisada do estatuto da organização, conforme apresentado no Congresso de Turim. Define as diretrizes e visão do movimento Slow Food em relação à políticas governamentais. Disponível em inglês e italiano.

Manifesto slow food  

Versão original do Manifesto escrito por Folco Portinari, conforme apresentado em Paris, em 1989. Disponível em português, e também nas línguas inglesa, italiana, espanhola, francesa, alemã, russa e japonesa.

Declaração de puebla 

Ratificada no Congresso Slow Food de 2007, atualiza o Manifesto de 1989. Disponível em português, e também nas línguas inglesa, italiana, espanhola, francesa, alemã e russa.

Manifesto slow food pela qualidade

Delineamento dos preceitos “Bom, Justo e Limpo” defendidos pelo Slow Food. Disponível em português, e também nas línguas inglesa, espanhola, francesa, alemã e russa.

Slow food manifesto in defense of raw milk

Delineamento do Manifesto Slow Food em defesa do leite cru. Disponível em inglês, francês, alemão, italiano e espanhol.

Manifesto slow food pela educação

Delineamento da relação indissociável entre alimentação e educação. Disponível em português, e também nas línguas inglesa, italiana, espanhola, francesa, alemã, russa e japonesa.

Bem-vindos ao nosso mundo: o Manual

Manual introdutório para conhecer o histórico e as ações do movimento Slow Food. Disponível em português em: <http://www.slowfoodbrasil.com/manual-do-slow-food>. Acesso em: 19 ago. 2013.

Fontes de pesquisa

SANTOS, Carlos Roberto Antunes. A alimentação e seu lugar na história: os tempos da memória gustativa. História: Questões & Debates.  v. 42. p. 11-31. 2005.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Guia alimentar para a população brasileira: Promovendo a alimentação saudável, 2008. 210p. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira.pdf. Acesso em: 12 dez. 2012.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.  Pesquisa de orçamentos familiares 2008-2009. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/imprensa/ppts/0000000108.pdf. Acesso em: 14 dez. 2012.

GENARO, Gerson. O criador do Fast Food no Brasil. 2012. Disponível em: http://www.portaldofranchising.com.br/site/content/revista/interna.asp?LarguraTela=1252&CodA=158&CodAf=525&CodC=4. Acesso em: 21 dez. 2012.

MACHADO, João Luís de Almeida. A escravidão do relógio chega à alimentação. Disponível em:  http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=306. Acesso em: 21 dez. 2012.

SFB. Slow Food Brasil. Disponível em: http://www.slowfoodbrasil.com/. Acesso em: 21 dez. 2012.

FAO. Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação. O que você precisa saber sobre a fome em 2012. Disponível em: https://www.fao.org.br/oqvpssf2012.asp. Acesso em: 20 dez. 2012.

NAVARRO, José Gabriel. Cada vez mais fora de casa. 2005. Disponível em:  http://www.portaldofranchising.com.br/site/content/interna/index.asp?codA=321&codAf=427&codC=4&origem=noticias. Acesso em: 21 dez. 2012.

TOLEDO, Karina. Fast Food saudável é nova tendência. 2010. Disponível em:http://www.portaldofranchising.com.br/site/content/interna/index.asp?codA=321&codAf=339&codC=1&origem=noticias. Acesso em: 21 dez. 2012.

CLARO, Rafael Moreira. Influência da renda e preço dos alimentos sobre a participação de frutas, legumes e verduras no consumo alimentar das famílias do município de São Paulo. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6133/tde-31082007-100057/pt-br.phpAcesso em: 22 dez. 2012.

Aprofundamento

Os sites do Slow Food International e do escritório brasileiro são as melhores fontes para obtenção de informações atualizadas e dos principais documentos que dão as diretrizes do movimento.

A página  (em inglês) contém links para o download dos documentos-chave do movimento Slow Food. A leitura desses documentos é fundamental para a compreensão do movimento no detalhe.

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