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O que é

O taoísmo é uma tradição filosófica e religiosa chinesa que tem como conceito chave o Tao, palavra que em chinês pode significar “caminho”, “estrada”, “curso” ou “método”.
Para essa tradição, o Tao é a força cósmica subjacente que cria o universo, compreendendo em si o fluxo natural de surgimento e desaparecimento dos fenômenos, os quais dele emergem e a ele retornam.
O texto mais importante do taoísmo, o Tao Te Ching (Livro do Caminho e da Virtude, c. 300 a.C.), declara que o Tao é a “fonte” do universo, assim considerado princípio criador, mas não como uma divindade. A natureza manifesta-se espontaneamente, sem uma intenção superior, cabendo ao ser humano integrar-se, por meio da “não-ação” (“wuwei”) e da espontaneidade (“ziran”), ao seu fluxo e ritmos, para alcançar a felicidade e uma vida longa.
O taoísmo não se configurou como uma religião, no sentido mais comum do termo. Ele é uma combinação de ensinamentos de várias fontes, manifestando-se como um sistema que pode ser filosófico, religioso ou ético. Essa tradição também pode ser apresentada como uma cosmovisão e um modo de vida.

Origem do nome

O termo “taoísmo” origina-se a partir da palavra chinesa “tao”, cujo sentido literal mais comum é “caminho”.

Criação

O Tao

Assim inicia o Tao Te Ching:

“O tao que pode ser dito não é o tao eterno. O nome que pode ser nomeado não é o nome eterno”.

De acordo com os ensinamentos taoístas, o tao é mais profundo que os mais profundos dos mistérios que a mente possa imaginar. Não pode ser explicado porque supera a capacidade de compreensão da mente humana. O tao existia antes que tudo existisse, é sem início ou fim. Do tao brota a origem da existência, o “um”. Do “um” vem a relação das forças complementares yin e yang, que se opõem, mas são inseparáveis. A interação entre yin e yang se expressa nas três forças do universo: céu, terra e humanidade. Dessas três forças surge tudo que há no cosmo.

O tao é imperceptível, indescritível, sobre ele nada pode ser dito, não pode ser qualificado, e de maneira latente ele contém todas as formas. Não se pode ver o tao, mas se pode experimentá-lo nos ciclos e ritmos da natureza: dia e noite; primavera, verão, outono, inverno; vida e morte.

O que Lao Tzu chama “o tao eterno” ou “o tao constante” é na realidade inominável. Os nomes (ou substantivos) determinam o lugar das coisas no universo, hierarquizando-as. No entanto o tao está fora dessas categorias, é algo concebível como não tendo forma.

Assim, o taoísmo ensina que não se pode entender completamente o tao e que o foco deve ser em viver em harmonia com ele, ou seja, seguir o fluxo do universo.  A realização da natureza do tao na mente, por meio da libertação das instruções conceituais e das distrações passionais, faz com que ele se manifeste livremente no praticante. Por isso, o sábio não intervém, mas possui total controle da realização espontânea que está incessantemente em curso no universo.

Conceito

O tao é um conceito filosófico que admite várias interpretações, sendo multifacetado por sua própria natureza indizível. Em seu sentido mais profundo, compreende o caminho do universo, que se torna evidente na natureza (“tian”). Assim, o Tao Te Ching declara que o tao é a “fonte” do universo. No Zhuangzi, enfatizam-se a transformações espontâneas que ocorrem na ordem da natureza.

Dessa forma, o tao não é uma força transcendental, no sentido de ser um princípio metafísico por detrás do mundo físico. Mais que isso, o tao é imanente ao mundo físico, sempre presente e sempre emergindo. Como não se trata de um deus criador, é impessoal, gera constantemente o mundo, dando origem a ele a partir da flutuação dos opostos yin e yang.

Não-ser

O tao, do qual tudo emerge, é chamado o grande vazio, ou “não-ser”. O taoísta busca unir-se com esse vazio, que é considerado como um estado superior à consciência e ao pensamento.

Wu wei

Comumente traduzido como “não-ação”, este conceito é erroneamente interpretado no sentido de que significaria apatia, indiferença e afastamento da vida em sociedade. Na verdade, a “não-ação” é a ação que considera a harmonia com o tao. Assim Chuang Tzu explica “wu wei”:

“O Céu e a Terra têm grande beleza, mas não palavras. As estações seguem seu caminho regular, mas não o discutem. Todas as formas de vida têm sua própria natureza e não a discutem. O sábio olha as belezas do Céu e da Terra e compreende o princípio por trás de toda vida. Assim, o homem perfeito age sem agir. E o grande sábio nada imita. Isso porque ele percebeu o Céu e a Terra.”

Ziran

O tao é espontaneidade (“ziran”), aquilo-como-é, o incondicionado. Assim, governa o cosmos, manifestando-se por seus próprios caminhos.

Histórico

As ideias centrais do taoísmo começaram a se configurar como um sistema de pensamento por volta do século VI a.C., no entanto, as raízes desse movimento são muito mais antigas. Elas podem remontar às crenças da China ancestral, chegando até o mítico Imperador Amarelo, um dos lendários imperadores da China anteriores aos registros históricos.

O Imperador Amarelo teria governado a China de 2.696 a 2.598 a.C. De acordo com a tradição, ele viajou às montanhas para se consultar com um sábio eremita a respeito do segredo da vida. Depois, ao adquirir esse conhecimento, o imperador o aplicou em várias áreas da vida e do governo.

O eremita teria contado ao Imperador Amarelo que já vivia há 1.200 anos e que o princípio para uma vida longa e plena era estar em harmonia com universo, ou seja, habitar o tao.

o que é taoísmo

Início histórico

Historicamente, o taoísmo tem início com os ensinamentos difundidos por Lao Tzu V-IV a.C., — o qual também é conhecido como Lao Zi ou Lao Tsé. As ideias desse pensador estão compiladas na obra Tao Te Ching, que traz a base do pensamento taoísta. O livro também faz parte, por meio da recitação, meditação e ordenação sacerdotal, dos rituais dessa escola. O Tao Te Ching atravessa a história sendo objeto de interpretações e comentários até os dias atuais.

O taoísmo se desenvolveu ao longo dos séculos na China, ramificando-se em escolas que, mesmo mantendo divergências, assentavam-se sobre os princípios fundamentais, sempre enfatizando a não-ação, a naturalidade, a simplicidade, a espontaneidade, a compaixão, a moderação e a humildade.

Espalhando-se pela China, o taoísmo interage com a religiosidade popular, com o budismo, com a alquimia e a medicina chinesas, com as artes marciais e a astrologia. Em razão disso, ele acabou exercendo uma profunda influência também nas sociedades nas quais estava inserido.

Expansão do Taoísmo

Após o surgimento das obras fundamentais — Tao Te Ching e Zhuangzi —, a literatura taoísta expandiu-se, de maneira a formar um novo cânone, o qual foi publicado sob auspícios do imperador. Ao longo da história chinesa, o taoísmo foi adotado várias vezes como religião de estado, encontrando declínio a partir do século XVII e sendo suprimido, juntamente com outras atividades religiosas, já nas primeiras décadas da República Popular da China e ao longo da Revolução Cultural. Atualmente, ainda é praticado no âmbito da religiosidade familiar e encontra-se disseminado em Taiwan.

Assim, o taoísmo ensina que não se pode entender completamente o tao e que o foco deve ser em viver em harmonia com ele, ou seja, seguir o fluxo do universo. A realização da natureza do tao na mente, por meio da libertação das instruções conceituais e das distrações passionais, faz com que ele se manifeste livremente no praticante.

Por isso, o sábio não intervém, mas possui total controle da realização espontânea que está incessantemente em curso no universo. O tao é um conceito filosófico que admite várias interpretações, sendo multifacetado por sua própria natureza indizível. Em seu sentido mais profundo, compreende o caminho do universo, que se torna evidente na natureza (“tian”). Assim, o Tao Te Ching declara que o tao é a “fonte” do universo. No Zhuangzi, enfatizam-se a transformações espontâneas que ocorrem na ordem da natureza.

Força do mundo físico

Dessa forma, o tao não é uma força transcendental, no sentido de ser um princípio metafísico por detrás do mundo físico. Mais que isso, o tao é imanente ao mundo físico, sempre presente e sempre emergindo. Como não se trata de um deus criador, é impessoal, gera constantemente o mundo, dando origem a ele a partir da flutuação dos opostos yin e yang. Não-ser O tao, do qual tudo emerge, é chamado o grande vazio, ou “não-ser”.

O taoísta busca unir-se com esse vazio, que é considerado como um estado superior à consciência e ao pensamento. Wu wei Comumente traduzido como “não-ação”, este conceito é erroneamente interpretado no sentido de que significaria apatia, indiferença e afastamento da vida em sociedade. Na verdade, a “não-ação” é a ação que considera a harmonia com o tao.

Assim Chuang Tzu explica “wu wei”: “O Céu e a Terra têm grande beleza, mas não palavras. As estações seguem seu caminho regular, mas não o discutem. Todas as formas de vida têm sua própria natureza e não a discutem. O sábio olha as belezas do Céu e da Terra e compreende o princípio por trás de toda vida. Assim, o homem perfeito age sem agir. E o grande sábio nada imita. Isso porque ele percebeu o Céu e a Terra.” Ziran O tao é espontaneidade (“ziran”), aquilo-como-é, o incondicionado. Assim, governa o cosmos, manifestando-se por seus próprios caminhos.

Fundamentos

Yin-yang

Uma das mais importantes bases do pensamento chinês é o conceito de yin-yang, literalmente “lado escuro” e “lado claro” da montanha. O yin-yang se refere às fases complementárias que se alternam no espaço e no tempo e evocam a interação harmoniosa entre os opostos no universo. O tratado taoísta Huainanzi (livro do mestre Huainan) explica que o “sopro primordial” uno se divide em yin-yang, cuja interação dá origem “às dez mil coisas”, ou seja, à toda a realidade sensível. Ele é mencionado por volta do século 4 a.C. em um apêndice do I-Ching (O livro das mutações): “A sucessão do yin-yang é chamada tao”.

Qi

Qi é um termo que designa o ar, a respiração e a energia cósmica. Refere-se comumente ao yin-yang como as “duas respirações”. Todas as pessoas recebem uma porção dessa força primordial no momento do nascimento. O ideal é permitir que essa força não se dissipe pelos órgãos dos sentidos, mas que seja fortalecida e controlada para que o indivíduo viva de forma plena.

Cinco elementos ou Cinco fases

A água, o fogo, a madeira, o metal e a terra são considerados os cinco elementos, fases ou respirações que compõem o microcosmo e o macrocosmo. Essa configuração possibilita aos filósofos elaborarem um sistema coerente de correspondências entre os fenômenos do corpo e da natureza e relaciona as estações do ano, as cores, os sons, os animais e outros aspectos do meio ambiente ao corpo humano e seus órgãos. As práticas físicas taoístas que visam a longevidade têm como base essa concepção.

Na prática

O taoísmo, ao lado do confucionismo e o budismo, é uma das três principais escolas de pensamento, filosofia e religião da China. Também de maneira similar às outras duas escolas, o taoísmo difere-se das religiões ocidentais na medida em que não tem uma estrutura institucional estabelecida, nem cultos regulares, além de não haver declarações sobre a fé, ou seja, não há um credo específico ao qual se tenha de aderir para se ser taoísta. Diferentemente da tradição judaico-cristã, o taoísmo não acredita num ser criador supremo nem na imortalidade da alma. Assim como outras religiões orientais, coloca sua ênfase na preocupação com o autodesenvolvimento e o comportamento moral, fornecendo orientações sobre o lugar do ser humano no universo e sobre como ele deve agir.

Como resultado dessa forma de se configurar, o taoísmo é bastante tolerante quanto aos pontos de vista e à metodologia, fazendo com que muitas pessoas adotem uma ou outra prática — por exemplo, a meditação ou o tai chi chuan — sem que haja uma preocupação com todo o sistema de pensamento. O taoísmo também se manifesta nos cultos domésticos, em que se oferecem incenso, água, alimentos e flores aos antepassados. A busca da quietude, da tranquilidade mental e de uma existência simples é fundamental para a harmonização com o tao.

O taoísmo ensina o exemplo da água, que sempre corre para o vale e cuja natureza é suave, mas em tudo penetra, dissolvendo até aquilo que é mais duro. Ela jaz nas partes mais baixas e profundas da terra e a todos nutre. Os taoístas desenvolvem essa quietude por meio da meditação e de práticas devocionais que tragam calma e paz. Buscando se identificar com a natureza, cultiva-se uma vida de apreciação do mundo natural, tradicionalmente em montanhas, bosques e vales calmos.

Meditação

O centro da prática taoísta é a meditação, cujas bases podem ser encontradas no Tao Te Ching, que recomenda: “esvazie sua mente de todos os pensamentos”. Conforme o praticante aprofunda-se na meditação, supera estados mentais prejudiciais, pensamentos e desejos, canalizando a energia espiritual para o corpo, até que, em estágios mais profundos, experimenta a união com o tao. A meditação taoísta também trabalha com a respiração e com a capacidade de dirigi-la a qualquer parte do corpo, produzindo efeitos curativos.

Tai chi chuan

O tai chi chuan é um sistema taoísta de exercícios, desenvolvido para o aprendizado da meditação e que ajuda a pessoa a canalizar o chi (ou qi), a energia vital, pelo corpo antes de dedicar-se à concentração meditativa. O objetivo é alcançar uma respiração profunda, em que a energia é transmitida livremente por todo o corpo, como ocorre num embrião. O tai chi chuan envolve, assim, não apenas um processo físico, mas uma alquimia espiritual interna, dando ao praticante a vitalidade, energia e estado de espírito adequados para tornar-se um com o tao.

Principais nomes

Lao Tzu

Assim como a figura lendária do Imperador Amarelo, Lao Tzu, o sábio ao qual se atribuem os ensinamentos taoístas, também tem sua vida entre a história e a lenda, havendo quem sugira que, na verdade, seus ensinamentos seriam uma compilação das ideias de vários sábios da sua época. Lao Tzu foi contemporâneo de Confúcio, embora um pouco mais velho que ele, tendo vivido entre os séculos V e IV a.C. De acordo com a tradição, Lao Tzu foi arquivista do palácio real da dinastia Zhou.

Com 90 anos de idade, cansado das atividades no governo, ele abandona a capital e decide mudar-se para as montanhas. Quando passava por um posto de fronteira, foi reconhecido por um guarda, que declarou estar aflito com a possibilidade de que os ensinamentos do grande sábio se perdessem. Assim, ele pediu a Lao Tzu que registrasse seus pensamentos antes de se retirar para o campo. De acordo com o relato lendário, Lao Tzu então sentou-se e redigiu um pequeno manuscrito, de aproximadamente 5.000 caracteres chineses, que ficou conhecido como Tao Te Ching, “O Livro do caminho e da virtude”.

Chuang Tzu

Chuang Tzu (369-286 a.C.) foi o mais importante intérprete e comentador do taoísmo, cuja obra Zhuangzi é considerada, ao lado do Tao Te Ching, texto fundamental do taoísmo. O pensamento de Chuang Tzu exerceu profunda influência na forma de governo na China, nas artes em geral e no desenvolvimento do budismo chinês. Chuang Tzu enfatizava que o tao sobre o qual se pode falar não é o tao, que não tem início ou fim, limitações ou demarcações. A vida transborda do tao, sem que haja bem ou mal, melhor ou pior. Deve-se permitir que as coisas sigam seu curso natural, sem se avaliar ou valorizar uma situação em detrimento de outra. 

Principais obras

Tao te ching

O livro atribuído a Lao Tzu é formado por 81 pequenos capítulos, redigidos em forma de poemas. Eles veiculam orientações de conduta, mas não no sentido tradicional, que considera um padrão moral, e sim para que se possa viver de acordo com o tao:

“O maior bem é como a água. A virtude da água está em beneficiar todos os seres sem conflito. Ela ocupa os lugares que o homem despreza.
Portanto é quase como o tao.”

“Poupem as palavras, e tudo andará por si mesmo. Um ciclone não dura a manhã inteira. Um aguaceiro não dura todo um dia. E quem os produz?
O Céu e a Terra. Se o Céu e a Terra nada podem fazer de durável, muito menos pode o homem!”

“O que sabe, não fala. O que fala, não sabe. É preciso manter a boca fechada e cerrar suas portas, embotar sua perspicácia, desfazer os pensamentos confusos, moderar seu brilho e por em comum o que se tem de terreno.”

O texto, composto de apenas 5.000 caracteres chineses, também é considerado um manual para o governante. Será sábio aquele que governar de maneira discreta, de forma que sua existência permaneça desconhecida. Enfatiza, ainda, que não se deve discriminar entre valores ou ideias, porque a inteligência cria artifícios que afastam o indivíduo da realidade da natureza como ela é. Do ponto de vista literário, o Tao te ching destaca-se por seu estilo sintético, que difere dos tratados contemporâneos seus, apresentando seus tópicos em sentenças curtas e concisas, grande parte rimada e se valendo de recursos de paralelismo.

Zhuangzi

O segundo principal texto taoísta é o Zhuangzi, como ficou conhecido após a compilação realizada pelo filósofo Chuang Tzu no século III a.C. O texto, dividido em 33 capítulos, organizados em três seções, desenvolve vários comentários em prosa sobre o pensamento taoísta primevo, focando principalmente na ideia de uma liberdade espiritual plena em meio à vida comum, expressa como “felicidade perfeita” ou “um vagar livre e desimpedido”. Nesse texto se apresenta uma variedade de métodos intelectuais e meditativos que conduzem a esse estado mental.

A relatividade das experiências é uma marca do ensinamento de Chuang Tzu. Quando indagado sobre onde está o tao, Chuang Tzu respondia que ele está em toda parte, nas formigas, na relva, no excremento. Essa maneira de expressar a onipresença do tao deixará reflexos no budismo chinês, em que uma imagem similar é usada para explicar a onipresença de Buda. A relatividade de sua perspectiva está expressa numa das passagens mais importantes de sua obra:

“Certa vez eu, Chuang Tzu, sonhei que era uma borboleta e era feliz como borboleta. Eu estava consciente de que estava bastante satisfeito comigo, mas não sabia que eu era Chuang. Repentinamente eu despertei e ali eu estava, evidentemente Chuang. Eu não sei se era Chuang que sonhava que era uma borboleta ou uma borboleta que sonhava que era Chuang. Entre Chuang e a borboleta deve haver alguma distinção. Isso é chamado a transformação das coisas.”

Pensamento de Chuang Tzu

Chuang Tzu ensinava que a argumentação entre as escolas filosóficas era inútil e não conduziria a avanços significativos. Ele concluiu que “certo” e “errado” eram categorias muito voláteis, que todos os pontos de vista eram relativos e que a mente e a percepção tendem para uma visão incorreta porque unilateral. Assim, ele enfatizava fortemente o cultivo de uma visão não-dualista e de um modo de vida desimpedido, livre de amarras mentais, pessoais e sociais. Para alcançar a harmonia na vida, não seria necessário tornar-se um grande sábio, seria suficiente liberar a própria mente e fluir suavemente com o curso do tao.

Princípios da Filosofia chinesa

O taoísmo, assim como o confucionismo e tantos outros sistemas de pensamento chineses, emerge num contexto de uma religiosidade autóctone, que já se organizava em torno de alguns conceitos que se estabeleceram como fundantes do pensamento e religiosidade chinesas. O pano de fundo comum advém das tradições religiosas agrárias que dominaram a China ininterruptamente, desde antes da formação das escolas filosóficas.

A prática religiosa das pessoas consistia na veneração aos ancestrais, a deidades locais e aos deuses do Céu e da Terra. A observação atenta e próxima da natureza mostrava-lhes que há um padrão no universo, uma força invisível e talvez insondável que o move.

Em função desse contexto comum, muitas vezes é difícil delimitar o que diz respeito ao taoísmo ou ao confucionismo, uma vez que ambos sistemas compartilham as mesmas concepções de homem, sociedade, governante, céu e universo, as quais, por sua vez, advêm de tradições anteriores a Lao Tzu e Confúcio.

A cosmologia chinesa não é nem materialista nem animista, podendo ser caracterizada mais propriamente como um sistema mágico ou alquímico. O universo é visto como um organismo hierarquicamente organizado em que cada parte reproduz o todo. Assim também se dá com o ser humano, que é um microcosmo que tem correspondência no macrocosmo — com o corpo reproduzindo o sistema do universo. Com isso, entre os seres humanos e o universo há uma a unidade, ideia fundamental do pensamento chinês e especialmente elaborada pelo taoísmo. 

Interligações

Se precisássemos destacar uma distinção entre o taoísmo e o confucionismo, poderíamos dizer que a versão ortodoxa do segundo restringia seu campo de interesse à criação de um sistema moral e político que atendesse à sociedade e ao império chineses. Já o primeiro, apesar de partir de uma mesma visão de mundo, enfatizava questões de ordem individual e metafísica.

O taoísmo guarda importantes relações com o budismo chinês, notadamente com o zen (em chinês “chan”). O chan desenvolve-se a partir do século VI, como um movimento que repudia a hierarquia, a ritualística e as crescentes obrigações sociais das instituições monásticas, representando um caminho para recuperar a pureza da mente e atingir estados meditativos que conduzam à iluminação de Buda.

Em vez da erudição, o chan propõe uma experiência direta da realidade, em contato intenso com um mestre de meditação, incorporando o trabalho como um treino que conduz à iluminação. O chan, assim como os ensinamentos de Chuang Tzu, enfatiza que nada há além do mundo que conhecemos, que a natureza de Buda está em tudo que existe, que toda prática só se dá no presente e que não há nada especial a ser venerado.

Fontes de pesquisa

Daoism. Chinese philosophy. Enciclopedia Britannica. Disponível em: <http://www.britannica.com/>

Daoism. Stanford Encyclopedia of Philosophy. Disponível em <http://plato.stanford.edu/entries/mohism/#doctrines>.

DAY, Clarence Burton. The philosophers of China. New York: Philosophical Library.

HOOBER, Dorothy; Hoober, Thomas. Confucianism. New York: Chelsea Jouse Pub., 2009.

I CHING. O livro das Mutações. Trad. Richard Wilhelm. São Paulo: Pensamento: 200O.

KOHN, Livia. Introducing Daoism. Routledge ed., 2008.

LAO TZU. Tao Te King. O livro do sentido e da vida. Trad. Richard Wilhelm. São Paulo: Pensamento: 2003.

MILLER, James. Daoism. Oxford: Oneworld Publications, 2003.

NADEAU. Randall (ed.). Chinese Religions. Blackell Publishing, 2012.

RENARD, John. 101 Questions and answers on Confucionism, Daoism and Shinto. New Jersey: Paulist Press, 2002.

Aprofundamento

Tao Te King (tradução em inglês): <http://www.sacred-texts.com/tao/taote.htm>.

Zhuangzi (tradução em inglês): <http://ctext.org/zhuangzi>.

Para saber mais sobre o taoísmo:

HARTZ, Paula. Daoism. New York: Infobase Publishing, 2009.

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