fbpx
Procurar no site Namu
Logo portal NAMU

Vipassana

O que é

É uma forma de meditação originada da linha do budismo theravada que se caracteriza essencialmente pela concentraçao profunda e observação das sensações do corpo. Existe atualmente uma forma alternaiva com foco na prática independentemente da religião.
No vipassana, não há nenhum tipo de visualização, mantra, movimento ou simbolismo corporal especifico. Seu cerne é a percepção, ou seja, “ver as coisas como elas são”. É uma técnica que busca a purificação por meio da auto-observação.
Conceitos da prática de vipassana:
Nobre caminho óctuplo
Parte dos ensinamentos de Buda e também conhecido como “o caminho do meio”, refere-se a um conjunto de oito práticas embasadas na quarta nobre verdade do budismo, que versa sobre o caminho para cessação do sofrimento.
sammā-vācā – fala correta
sammā-kammanta – ação correta
sammā-ājiva – meio de vida correta
sammā-vāyāma – esforço correto
sammā-sati – atenção correta
sammā-samādhi – concentração correta
sammā-sahkappa – pensamento correto
sammā-ditthi – compreensão correta
Kamma (ação): especificamente, uma ação que você executa e que terá um efeito em seu futuro (“karma” em sânscrito).
Três tipos de sabedoria:
Os ensinamentos budistas enumeram 3 tipos de sabedoria, diferenciadas pela maneira com que se obtém o conhecimento:
suta-mayā paññā – a sabedoria adquirida por ouvir os outros
cintā-mayā paññā – a compreensão intelectual, analítica
bhāvanā-mayā paññā – a sabedoria baseada na experiência direta pessoal
Três características da existência:
Estes três tópicos são bem explorados durante a pratica de vipassana, a consciencia de que tudo é impermantente, que a realidade se modifica a cada momento, que o “eu” também é impermanente e que a não consciência disso gera “dukkha”, sofrimento.
anicca – impermanência
anattā – não-eu, isto é, a ausência de um eu permanente
dukkha – sofrimento
Cinco agregados de que um ser humano é composto:
Durante a pratica de vipassana alguns praticantes atingem estados onde é possivel verificar a estrutura da realidade em profundidade. A técnica se embasa na percepção consciente do corpo, dividindo este em 5 niveis.
rūpa- matéria, o corpo físico composto de partículas subatômicas (kalãpa)
vinnātja – consciência, cognição
sannā – percepção, reconhecimento
vedanā – sensação
sankhāra – reação, condicionamento mental
Quatro elementos materiais:
Semelhante à concepção de elementos de tradições antigas como a alquimia (também versando de 4 elementos basicos), e da Medicinha Tradicional Chinesa (versando de 5 elementos básicos).
patítavi – terra (solidez, peso)
āpo – água (fluidez, coesão)
vāyo – ar (gaseiforme, movimento)
tejo – fogo (temperatura)
Nibbāna (o incondicionado): a realidade última que está além da mente e da matéria (nirvana, em sânscrito).
Satipatthana: o estabelecimento da plena atenção e sinônimo de vipassana.
Quatro satipatthãnas:
Formas de observação consceiente a serem desenvolvidas durante a pratica de vipassana.
kāyānupassanā – observação do corpo
vedanānupassanā – observação das sensações corporais
cittānupassanā – observação da mente
dhammānupassanā – observação dos conteúdos mentais
Cinco obstáculos ou inimigos:
Elementos que atrapalham a pratica de vipassana, sendo que o praticante vivencia diretamente estes durante o retiro.
kāmacchanda – cobiça
vyāpāda – aversão
thina-middha – preguiça física e torpor mental
uddhacca-kukkncca – agitação e preocupação
vicikicchā – dúvida, incerteza
Cinco forças ou amigos:
Aspectos mentais que ajudam o praticante durante a prática.
saddhā – confiança
viriya – esforço
sati – plena atenção
samādhi – concentração
pannā – sabedoria
Dez pāramī ou perfeições mentais:
Virtudes que ajudam o praticante quendo cultivadas:
nekkkhamma – renúncia
sila – moralidade
viriya – esforço
khanti – tolerância
sacca – adesão à verdade
adhitthãna – firme determinação
pannã – sabedoria
upekkhã – equanimidade
mettã – amor incondicional
dãna – doação, generosidade
Quatro qualidades de uma mente pura:
Estados de consciência fruto da purificação de vipassana.
mettā – amor incondicional
karunā – compaixão
muditā – alegria altruísta
uppekkhā – equanimidade

Origem do nome

Vipassana é uma palavra que vem de uma língua sagrada da ilha de Ceilão, atual Sri Lanka, derivada do sânscrito, chamada páli. Em essência, significa “ver as coisas como elas realmente são”. Refere-se a um estado de percepção que permite a tomada de consciência ou a visão interior.

Em sânscrito, a palavra “vipashyana” é dividida em duas partes, das quais a primeira parte “vi” (redução de “vishesa’) significa “especial”. A segunda parte da palavra é “pashyana”, que significa “ver”. Portanto, a palavra inteira “vipashyana” significa olhar para as coisas em profundidade, de forma direta, especial, clara e particular.

Criação

A técnica já existia na época de Buda, porém, teria sido resgatada por ele e elevada para uma forma prática de purificação.

A prática de fazer o bem, da ética e da virtude (silā) é reforçada pelo silêncio adotado durante o retiro. Essa moralidade junto com o tipo certo de concentração (samadhi) e a aquisição de sabedoria (paññā) são bases do vipassana.

Histórico

A técnica já existia na época de Buda Gautama (séc. 4 a.C.), porém, foi resgatada e elevada por ele. Por isso, a vipassana tem profunda ligação com Buda, o qual deu a ela um nível prático ao desenvolver um método. Acredita-se que essa prática preserva-se alinhada com as instruções e preceitos originais de Buda até os dias atuais em Mianmar.

O rei birmanês Mindon (1853-1878) deu grande apoio ao budismo. Ele foi a primeira autoridade em seu país a estimular a prática de vipassana entre nobres e leigos. Esse movimento ganhou mais força depois de 1930 — não há registro dos nomes dos professores anteriores a esse período — quando alunos de Ledi Sayadaw, Mingun Sayadaw e Mohnyin Sayadaw ajudaram a estabelecer vários centros para o ensino de vipassana. Mais tarde, ocorreu o estabelecimento de centros de meditação para monges e leigos patrocinados pelo governo. Já na escola de budismo theravada, a técnica foi incorporando conceitos do budismo e é praticada atualmente por monges.

Ledi Sayadaw foi mestre de Sayagyi U Ba Khin, o qual, por sua vez, transmitiu os ensinamentos para Shri Satya Narayan Goenka, que é atualmente o principal disseminador da prática vipassana, em sua forma não vinculada ao movimento budista, no mundo. 

Atualidade

A técnica vipassana foi reintroduzida na Índia nos anos 1960 e vem se espalhando pelo planeta através do movimento de S.N. Goenka e por expoentes do budismo theravada.

Atualmente, ela é predominante em países como Sri Lanka, Camboja, Laos, Mianmar e Tailândia, Vietnã, China, Malásia e Indonésia.

A prática de vipassana hoje em dia ocorre em escolas de budismo theravada e em linhas desvinculadas do budismo, na quais é mais popular. Vipassana é um tipo de meditação muito praticado pelo mundo (são treinadas mais de 100 mil pessoas por ano, as quais são iniciadas em retiros).

Fundamentos

Os ensinamentos de vipassana são reforçados pelos discursos de Buda e seus discípulos mais próximos, contidos em um livro sagrado do budismo theravada chamado Sutta Pitaka (que em páli significa “cesta de discursos”).

Pelos ensinamentos de Buda, adotados como fundamentação do vipassana, o sofrimento resulta do apego.

O apego pode se manifestar de diversas formas, materiais ou não.

A mente raramente se estabelece no presente, é volátil e instável, salta de pensamento em pensamento sem qualquer objetividade, criando infinitos padrões de reação a tudo que vivemos.

A concentração do foco de atenção na respiração ou na percepção consciente das sensações do corpo, como preconiza a técnica, nos traz para o presente, acalma a mente e se torna um terreno fértil para o cultivo da equanimidade.

A simples observação consciente sem questionamentos sobre bom ou ruim, bom ou mal, nos fazem observar a realidade sem apego ou aversão.

A observação consciente libera o praticante de antigos “nós interiores” (chamados de sankaras), esses são os próprios padrões reativos da mente.

Com a prática da percepção consciente, esses padrões vão cessando e dando lugar a uma percepção pura e não condicionada da realidade.

As sensações grosseiras se tornam cada vez mais sutis e o praticante tem a possibilidade de perceber de forma profunda características antes não perceptíveis através dos sentidos.

A prática é baseada em 3 pilares:

Sila (moralidade)

abster-se de matar qualquer ser;

abster-se de roubar;

abster-se da conduta sexual incorreta;

abster-se da fala incorreta;

abster-se de todos os intoxicantes

Samadhi (concentração)

Paññā (sabedoria)

Na prática

Apesar dos mestres possuírem como referência a mesma raiz, que está vinculada aos mosteiros budistas de Mianmar, o ensinamento prático de vipassana assume particularidades de cada professor. Alguns cursos são em mais ou menos dias. Nos textos clássicos, no entanto, não há qualquer referência à quantidade dos dias. A prática é adaptada conforme cada mestre. No texto a seguir descrevemos mais detalhadamente as particularidades dos ensinamentos da escola Goenka, que á  mais predominante e famosa. No entanto, é bom lembrar que os princípios da meditação serão sempre os mesmos — embasada na percepção consciente das sensações do corpo — independente do professor.

MÉTODO DA ESCOLA GOENKA:

O CURSO: nesse tipo de meditação recomenda-se iniciar a prática em um curso onde são ensinados de forma sistematizada os passos para o desenvolvimento correto da vipassana, depois o aluno deve continuar por conta própria. Para se iniciar na prática, o interessado participa de um retiro feito tradicionalmente em 10 dias em um dos centros de meditação vipassana espalhados pelo mundo. Lá, ele aceita o compromisso de se dedicar integralmente à técnica durante o período de retiro, procurando ficar no local por todo o tempo proposto.

VALOR: O curso é mantido por contribuições voluntárias feitas ao final do retiro e pelo trabalho dos alunos antigos. Não há obrigatoriedade de pagamento.

A CONDUTA: Durante o retiro de 10 dias, além do compromisso, o participante aprende algumas regras: o nobre silêncio (nenhuma forma de comunicação com qualquer outro participante do retiro, salvo perguntas ao professor e casos emergenciais), separação das pessoas por sexo, ausência de livros, papel, caneta, equipamentos eletrônicos e celulares. Seguindo preceitos de Buda, preserva-se a vida de qualquer animal ou inseto no local, portanto, não é permitido matar insetos, por menores que sejam.

O OBJETIVO: A meta de tal imersão é propiciar ao aprendiz condições favoráveis para aprender a técnica, passo a passo. Os detalhes relativos à prática do vipassana são mantidos em segredo para os novos alunos. Isso se dá pelo fato de que é muito importante respeitar as etapas necessárias da técnica, sendo que cada dia o aluno recebe novas instruções.

A ALIMENTAÇÃO: Em um retiro de vipassana a alimentação é vegetariana. Os alimentos são preparados por alunos antigos que auxiliam voluntariamente os novos estudantes.

A DURAÇÃO: O retiro começa de madrugada, dura o dia todo, com pausas para o café da manhã, o almoço e o chá da tarde. As atividades se encerram por volta das 21h00. Na rotina diária há meditações em grupo, momentos de meditação individual e, a partir de determinada etapa, momentos chamados de adithana (firme determinação), onde o praticante se esforça em permanecer por uma hora meditando sem se mover.

Cada dia, nos retiros de vipassana, possui uma programação específica. O praticante iniciante vai avançando na técnica junto com o grupo. Durante os três primeiros dias ele se prepara com exercícios de concentração e foco para praticar posteriormente a vipassana.

A TÉCNICA: Não há nenhum tipo de visualização, mantra (apenas cânticos sobre os ensinamentos da técnica entoados pelo professor), movimento ou simbolismo corporal específico. O cerne da prática é a percepção, a qual é purificada pela auto-observação das sensações do corpo. Durante todo o processo é exigido um grande esforço para o desenvolvimento da concentração e do foco, os quais só são atingidos quando o praticante conseguir cultivar o estado de equanimidade (serenidade/consciência da impermanência), onde se abre mão das formas de “apego” e “aversão”considerados como fontes de sofrimento.

RELIGIÃO: Não há nenhum tipo de ligação com a religião, ou seja, durante o retiro o principal foco é a técnica.

POSTURA: Sentado, sem encostar-se à parede e com as costas preferencialmente eretas (para o bom funcionamento energético e físico do corpo). Podem  ser utilizados acessórios auxiliares como almofadas, bancos de meditação, mantas etc. Não se pratica vipassana deitado.

DEPOIS DO CURSO: Após o curso é recomendado a prática de vipassana por dois períodos diários de uma hora. Há também retiros específicos para alunos antigos, os quais podem ser de maior ou menor duração. Há retiros com durações variadas, de 1, 2, 20, 30 e 60 dias. Os alunos que terminaram a pratica podem se voluntariar para servir nos próximos retiros, ajudando os estudantes que estão se iniciando, cuidando das diversas atividades do centro de meditação, desde alimentação até a manutenção durante o retiro.

Principais nomes

Existem muitos professores de vipassana espalhados pelo planeta, tanto vinculados ao budismo theravada quanto à pratica de vipassana alinhada a S.N. Goenka. Todos os professores de vipassana seguem uma mesma origem dos ensinamentos, porém, há particularidades em sua maneira de ensinar a técnica. Alguns nomes de destaque:

Sayagyi U Ba Khin(1899 – 1971): começou a praticar meditação viapassana em 1937. Era aluno de Saya Thetgyi, um discípulo do monge budista Ledi Sayadaw. Fundou o International Meditation Centre, em Rangoon, em 1952. Se tornou conhecido por demonstrar como a meditação pode ser integrada à vida cotidiana de qualquer pessoas.

S.N. Goenka (1924): é a principal referência atual dos ensinamentos de vipassana que seguem a tradição de Sayagyi U Ba Khin, seu professor.

Mya Thwin, ou Mãe Sayamagyi (1925): também foi aluna de Sayagyi U Ba Khin. Fez parte de sua carreira como professora da prática no International Meditation Centre, em Rangoon. Depois, em 1978, passou a ensinar as técnicas de meditação em países do Ocidente.      

Sayadaw U Pandita (1921): Foi um dos responsáveis por estabelecer centros de meditação no Sri Lanka. Ensinou vipassana nos EUA, no Reino Unido, na Austrália, na Índia e no Nepal.

Outras visões

Vipassana pode ser associado com a meditação mindfullness. A prática é muito semelhante, porém o termo mindfullness pode ser utilizado para descrever técnicas simplesmente focadas na atenção plena e não enraizadas nos conceitos de vipassana resgatados por Buda.

A vipassana tem uma estrutura sistemática,, em razão disso, pode ser considerada uma técnica em razão de sua objetividade, diferente de outros tipos de prática como a yoga.

Ramificações

Atualmente a prática de vipassana está presente de duas formas, uma vinculada ao estudo do budismo (escola theravada) e outra sem vínculo religioso.

Principais obras

Sutta Pitaka 

Parte do Tripitaka, essa obra, considerada o canon do budismo theravada e texto clássico da literatura budista, é atribuída ao próprio Buda. Ela se divide em cinco partes, que são chamadas de nikayas. São elas: Digha Nikaya; Majjhima Nikaya; Samyutta Nikaya; Anguttara Nikaya; e Khuddaka Nikaya

The Art of Living: Vipassana Meditation

Livro digital escrito por Hart W. Nessa obra, é possível encontrar os ensinamentos filosóficos de Buda, do vipassana e de Goenka, não versa da prática, mas sim de todas as bases para praticar vipassana.

Fontes e inspirações

Budismo: criado por Sidarta Gautama, príncipe que teria vivido no período entre os séculos 5 e 4 antes da Era Cristã. Gautama renunciou a tudo e tornou-se o primeiro Buda.

O fundamento principal de sua religião é que o sofrimento só pode ser superado pela “iluminação”, a qual, por sua vez, só é alcançada pelas práticas ligadas ao budismo, entre elas, a da meditação vipassana.

Aprofundamento

http://www.acessoaoinsight.net

Site com várias informações interesantes sobre budismo theravada.

Meditação Vipassana Goenka – http://www.dhamma.org/

Site que reúne toda a organização dos cursos de vipassana da linha de

Goenka pelo mundo. Possui textos e conteúdo teórico para aprofundamento. Os alunos antigos recebem uma senha para acessar outros materiais após o retiro inicial.

Journeys East: 20th Century Western Encounters with Eastern Religious Traditions

Livro de Harry Oldmeadow que mostra o encontro entre Ocidente e Oriente através da história de vida de cientistas, intelectuais, artistas e líderes espirituais do século 20. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *