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Medicina Integrativa

Câncer de mama: mitos e verdades

Antônio Frasson, mastologista do Hospital Albert Einstein, tira dúvidas sobre doença que afeta milhares de mulheres
Bruno Torres
27/09/19

O câncer de mama é o tipo que mais acomete as mulheres em todo o mundo. A estimativa do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) é de que, em 2014, o Brasil tenha registrado 57.120 novos casos dessa doença. Isso representa um risco estimado de 56,09 casos a cada 100 mil mulheres.

Engana-se quem imagina que ao falar de câncer de mama estamos falando de um único problema de saúde. “Dá pra dizer que existem diversos tipos de câncer de mama. Quatro mais conhecidos, mas provavelmente mais do que isso. O termo "câncer de mama" abarca várias doenças com comportamento biológico diferente, alguns mais agressivos do que outros”, esclarece Antônio Frasson, mastologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

São quatro os subtipos de tumores mais conhecidos e mais frequentes: luminal A, luminal B, triplo negativo, e Her-2. Dentro do grupo de tumores luminais, que representam aproximadamente 65% de todos os casos de câncer de mama, os tumores luminais A tem uma atividade de proliferação celular mais baixa e uma relação com a progesterona mais alta. Os tumores luminais B tem uma relação com os receptores de progesterona mais baixa e uma atividade proliferativa mais alta. Os outros dois subtipos são mais agressivos e ocorrem com uma menor frequência. Em entrevista exclusiva ao Portal NAMU, Frasson falou sobre os principais aspectos dessa doença.

Quais são os números de incidência e diagnóstico do câncer de mama?
Os tumores de mama são mais frequentes em regiões e países mais desenvolvidos, mas existem discrepâncias em relação aos continentes. O câncer de mama é mais frequente nos países ocidentais do que na Ásia e no Japão, e entre os ocidentais, é mais frequente nos países mais ricos do que os mais pobres. Dentro do Brasil, a incidência de câncer de mama é mais alta nas regiões sudeste e sul, e mais baixas no nordeste e norte. Na Europa, por exemplo, a incidência de câncer também é maior nas regiões mais ricas. Então se estima que haja uma relação entre fatores ambientais, socioeconômicos, alimentares e estilo de vida em incidência de câncer de mama.

A facilidade do diagnóstico pode aumentar a incidência. Onde eu uso mais recursos diagnósticos, eu posso identificar mais tumores do que em lugares onde tenho menos recursos e identifico os tumores de uma forma mais tardia. Nesses lugares também, eventualmente, eu posso não chegar a identificar tumores que nunca serão um problema. Se eu uso muitos recursos diagnósticos, eu posso também identificar tumores em uma fase muito inicial, o que pode justificar a diferença de incidências em locais mais ou menos desenvolvidos.

Recomendamos três recursos de diagnóstico. Em primeiro lugar a mamografia, que é o recurso mais recomendado. Para populações de risco, onde existe um risco genético, se recomenda também o uso da ressonância magnética e do ultrassom. São os três exames que existem pra fazer diagnóstico de câncer de mama. De um modo geral, para população que não tem risco, nós recomendamos a mamografia e um complemento com ultrassom sempre que ela indicar alguma coisa. Já para populações de alto risco, onde existe uma tendência genética, então recomendamos também a ressonância magnética.

Quais são os principais fatores de risco para o câncer de mama?
A principal causa é o aspecto hereditário. A genética é muito importante como fator de risco para uma mulher vir a ter câncer de mama. Quando uma pessoa tem uma mutação genética que predispõe ao câncer de mama, ela tem um risco dez vezes superior ao da população em geral de ter o câncer de mama.

Outros fatores de risco importantes são:

  • Se a mulher precisou, em especial antes dos 30 anos, fazer radioterapia no tórax por conta de doença de Hodgkin;
  • Se as mamas forem muito densas, e tem toda uma tecnologia para avaliar isso através de mamografia.
  • Se realizou uma biópsia que mostrou alguma alteração celular que predispõe ao câncer;
  • Se não teve filhos ou se engravidou depois dos 30 anos;
  • Se teve uma menopausa tardia, depois dos 55 anos, ou se começou a menstruar cedo, antes dos 11 anos;

Outro fator, de risco relativo, que aumenta em 50% as chances de ter câncer de mama, é a obesidade na pós menopausa. Se você compara uma mulher de 60 anos obesa com uma de 60 anos magra, a chance da obesa ter câncer de mama é 50% superior à magra. Quatro de cada dez mulheres de 60 anos terão câncer de mama se forem magras. Se forem obesas, serão seis. O risco relativo aumenta em 50%. E a terapia de reposição hormonal entre cinco e dez anos também aumenta em 30% o risco relativo.

Qual sua opinião sobre a atriz norte-americana Angelina Jolie, que retirou as mamas para diminuir o risco de apareceimento da doença?
Eu acho que em relação ao caso da Angelina Jolie, com as ferramentas que haviam na época, ela fez tudo certinho. Ela teve a mãe que teve um câncer de mama, a tia que teve um câncer de ovário, ambas tinham uma mutação genética e morreram. Então o gene responsável por evitar que a paciente tenha câncer não funciona. Nas mulheres que tem esse tipo de alteração genética, o risco de ter câncer de mama é extremamente alto, de aproximadamente 50% até os 50 anos de idade, e de 87% até os 70 anos de idade.

Antonio Frasson

Então se você compara uma mulher de 50 anos com a mutação, com uma que não tem a mutação, a diferença é muito grande. A que não tem a mutação tem 2% de risco, contra 50% da que tem. Essa mutação não é frequente, ela é presente em aproximadamente 5 a 10% de todos os casos de câncer de mama. Mas ela tem como ser identificada, existem testes genéticos que são feitos para identificar quem tem a mutação.

Quais são os tratamentos atuais para câncer de mama?
Quando uma pessoa apresenta tumor de mama, existem basicamente quatro armas terapêuticas que são utilizadas: cirurgia, radioterapia, quimioterapia e hormônio terapia. Então toda vez que alguém se apresenta com um tumor na mama, nós avaliamos primeiro os recursos que vão ser utilizados pra fazer o tratamento. A estratégia vai depender do tipo de tumor que a pessoa tem, dentro daqueles quatro grupos que eu comentei antes.

Se o tumor é pequeno, nós podemos usar a cirurgia para retirar o tumor, usar radioterapia sobre toda a mama, ou de uma forma parcial para aumentar a proteção local e reduzir o risco de o problema retornar. E podemos usar remédios como uma forma de prevenção sobre a mesma mama, sobre a outra mama e sobre o resto do organismo.

Se o tumor é muito grande no momento do diagnóstico, nós podemos inverter a ordem das coisas. Podemos usar remédios antes da cirurgia para reduzir o tamanho do tumor e avaliar o quanto ela é sensível ao uso da medicação que se escolheu para tratar. Depois que o tumor reduz de tamanho ou após essa fase de tratamento com remédios, fazemos a cirurgia.

A cirurgia final vai depender do tamanho do tumor. Se o tumor for pequeno é possível fazer uma cirurgia parcial associada à radioterapia. Se o tumor for grande será preciso fazer uma cirurgia maior, associada a uma técnica de cirurgia plástica para reconstrução mamária.

Basicamente o que se faz é avaliar dentre os recursos disponíveis qual a melhor estratégia a ser utilizada em função das características do tumor e do que é o ideal em termos de tratamento. Se eu vou precisar usar todas as armas ou não. Pra alguns tumores eu preciso usar todas as armas que eu tenho, e para outros eu preciso usar menos recursos. E o que define isso é basicamente o tamanho do tumor, o tipo do tumor e as características biológicas do tumor.

Se você tem um tumor pequeno, com menos de um centímetro, e dispõe de todos os recursos, a chance de cura é de 95%. Há uma relação direta com o tamanho do tumor e suas características biológicas, isto é, o quanto esse tumor é agressivo. Se for um tumor mais avançado, os benefícios do tratamento serão proporcionalmente menores.

Foto: ANSESGOB / Flickr / CC BY-SA 2.0


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