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Medicina Integrativa

Especialista fala sobre saúde da mulher

Para Victoria Maizes, a boa relação entre médico e paciente é a base para um tratamento mais humanizado
Bruno Torres
27/09/19

A cena é bastante comum: o paciente entra no consultório, relata ao médico seus problemas de saúde e recebe uma orientação seca, sem contato visual e que termina com uma prescrição de remédios. Nada de perguntas sobre alimentação, exercícios físicos ou outros assuntos. O caminho é dali para uma farmácia, onde comprará mais um medicamento para tratar o sintoma de um mal que ele ignora a origem, mas sabe bem quais são as consequências. Essa é linha-mestra do modelo biomédico atual, que se ocupa de tratar as causas das doenças em detrimento de uma análise de seus motivos (etiologia).

Durante o I Simpósio Internacional de Medicina Integrativa realizado no Hospital Albert Einstein, a médica norte-americana Victoria Maizes, diretora executiva e professora do Centro de Medicina Integrativa da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, abordou questões importantes de tratamento de doenças crônicas e degenerativas. A medicina integrativa, praticada por Maizes, apresenta um outro modelo de cuidado. Ela estreita a relação entre médico e paciente e se preocupa em considerar todos os aspectos que podem influenciar na cura ou no tratamento das doenças. Em razão disso, o profissional de saúde dessa escola procura saber sobre alimentação, repouso, meio ambiente e até mesmo convivência familiar do paciente. Essa nova medicina não rejeita propostas do modelo convencional, ao contrário, ela utiliza recursos baseados em evidência juntamente com presença de profissionais de áreas de medicina alopática, ayurvédica, chinesa entre outras.

Segundo Maizes, por possuir uma proposta tão ampla, a medicina integrativa pode contribuir de forma excepcional para tratar de problemas de saúde que afetam grande parte da população e principalmente aqueles específicos da saúde feminina. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), apesar de se exporem menos a fatores de risco como consumo abusivo de álcool e tabagismo, as mulheres sofrem com problemas de saúde graves, como diabetes, infecções pulmonares e doenças cardíacas, principal causa de mortes de pessoas do sexo feminino. Seja pela medicina convencional ou pela integrativa, o câncer é também um dos assuntos mais pesquisados e discutidos na área científica voltada para a saúde feminina.

Victoria Maizes

Victoria Maizes, ao ser questionada a respeito do tratamento dessa doença com métodos de medicina integrativa, afirma que mesmo quem já conseguiu combater o câncer pode se beneficiar dos preceitos de alimentação e cuidados mentais que algumas terapias proporcionam. Ela citou os estudos feitos pela Women’s Health Initiative, entidade ligada ao Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, que relata a recorrência menor de câncer de mama em mulheres que praticam exercícios regularmente, possuem hábitos de alimentação saudáveis, como consumir menos carne vermelha e aumentar da ingestão de frutas e vegetais. Ela também deixou claro que são menores os casos dessa doenças nas mulheres que não consomem ou que conseguiram diminuir o uso de álcool e tabaco.

Gravidez

Segundo Maizes, a medicina integrativa pode ajudar as mulheres a terem melhores condições de saúde quando estiverem se preparando para a gestação. Ela relata que são comuns casos de depressão e ansiedade durante a gravidez. O estresse, outro inimigo da gestação, pode ser reduzido também com técnicas da medicina integrativa. A especialista defende ainda que aulas de yoga e técnicas de respiração podem tornar o trabalho de parto mais relaxado e humanizado.

Em uma aspecto mais amplo, Maizes alertou para o aumento dos índices de cesarianas no Brasil e nos Estados Unidos, que são respectivemante de 50% e 30% dos procedimentos realizados. Segundo a especialista, o parto cirúrgico é válido quando há risco na gestação, mas submeter a mãe e a criança ao procedimento sem necessidade é muito arriscado. Defensora do parto normal, ela afirma que, ao passar pela vagina, a criança entra em contato com uma grande quantidade de bactérias que ajudarão a formar sua flora intestinal e contribuirão para aumentar sua imunidade.

Medicina integrativa familiar

Uma das especialidades de Victoria Maizes é a medicina integrativa familiar. Quando um membro familiar passa por uma situação de enfermidade grave ou crônica, ela influencia de forma involuntária os hábitos e o estado de espírito de todos que com ele convivem. Contudo, quando essa pessoa se compromete a mudar seu comportamento em direção a um modo de vida mais saudável, seus familiares se solidarizam e se empenharem no restabelecimento da saúde, o que se reflete, por exemplo, no menor consumo de alimentos industrializados, álcool e tabaco, além de iniciar a prática de exercícios. Para a especialista, mudar de forma significativa o modo de vida implica renunciar a algumas facilidades da vida cotidiana que, em uma primeira leitura parece difícil, mas consiste na adoção de práticas possíveis e muita vez, simples.

A ideia central é encontrar um equilíbrio entre o que pode (ou deve) ser deixado de lado e o que deve ser integrado. Ter outro estilo de vida é uma questão de incorporar (ou retomar) práticas que foram deixadas de lado em razão do excesso de atividades e responsabilidades da vida moderna. Reservar alguns momentos do dia para atividades físicas e meditação é algo que pode ajudar muito quem deseja ou precisa ter condições melhores de saúde. Essas práticas de cuidado com o corpo e com a mente também trazem inúmeros benefícios para um envelhecimento com saúde e bem-estar. Victoria Maizes defende que a terapia integrativa oferece meios para a mater a integridade física e para lidar de forma tranquila com o envelhecimento.

Foto 2: Vladimir Pustovit / Flickr: Girl / CC BY 2.0

Veja também: I Simpósio de Medicina Integrativa no Hospital Albert Einstein O ambiente é capaz de nos curar? Pacientes precisam de atenção


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