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Medicina Integrativa

Medicina integrativa contra o câncer

Projeto no Ceará promove práticas e atividades lúdicas que melhoram o bem-estar de pacientes com câncer
Bruno Torres
27/09/19

"Tão longa a estrada, tão longa a sina, tão curta a vida, curta a vida". Com essa música de Marisa Monte, mulheres com câncer, em Fortaleza, no Ceará, colocam as dores e o sofrimento de lado para lutar contra a doença na sede do Instituto Roda da Vida e em hospitais da cidade. O objetivo desse projeto é ajudar as pacientes com câncer possibilitando a aproximação de mulheres que já enfrentaram ou que ainda vão enfrentar o mesmo tratamento.

Quem canta seus males espanta?

Elas entram cantando em quartos onde pessoas diagnosticadas com a doença esperam para começar quimioterapias ou radioterapias. Nesses momentos, o sentimento de superação fica evidente. Assim, o Roda da Vida enfrenta o antes, o durante e o depois desses duríssimos tratamentos. Elas levam para essas pessoas e para si mesmas as alegrias conquistadas com as músicas e as atividades lúdicas aprendidas no instituto.

"Quando elas levam essa força para dentro do hospital, isso é curador. Isso é cura" diz Paola Tôrres, médica onco-hematologista que leciona na Universidade Federal do Ceará e na Universidade de Fortaleza e também é criadora da organização. Seus trabalhos no campo da saúde são todos voltados para produzir ações, dentro e fora da academia, capazes de melhorar a qualidade de vida dos pacientes com câncer. “Trabalho há 25 anos com pacientes com câncer e percebi que eles precisavam de alguma coisa além do tratamento convencional”, comenta a especialista.

“Nós utilizamos roda de cantoria porque a música constrói um elo entre eu e os pacientes. As músicas que cantamos têm conteúdos afetivos que nos relembram momentos. Cantamos quando estamos sofrendo ou felizes, cantamos nos ritos de passagem e a música nos remete a muitos sentimentos” diz a médica. Segundo ela, sentar-se ao chão e tocar junto com os essas mulheres proporciona grande troca de afeto. O vídeo abaixo mostra a cantoria de grupo de mulheres que fizeram tratamento de quimioterapia e radioterapia.

Segundo Tôrres, o câncer coloca o ser humano em estado de muita de fragilidade. “Diante dessa questão, o paciente passa por mudanças internas muito profundas e o diagnóstico passa esferas inimagináveis”. Foi por conta da falta de opções de abordagens do paciente com câncer para além do tratamento da medicina alopática com radioterapia e quimioterapia, que a médica se sentiu motivada a estudar e a pesquisar práticas ligadas à medicina integrativa.

“Apesar de me interessar pelo tema há muito tempo, só implementei isso na universidade quando comecei a praticar meditação e ver sua efetividade na saúde minha e das pessoas do grupo que eu conduzia” conta. Tôrres relata também que foi através dessa experiência que partiu a ideia de criar o Instituto Roda da Vida.

“O instituto é uma organização para tratamento dos pacientes oncológicos, seus familiares e cuidadores” diz a especialista. No local, são realizadas também pesquisas e aulas de extensão relacionadas à aplicação da medicina integrativa como ferramenta para tratar o câncer. “Além de utilizar as práticas para os pacientes oncológicos fazemos a formação de profissionais capazes de difundir e fazer com que a medicina integrativa se torne cada vez mais acessível para a população”, completa.

Entre as principais atividades oferecidas aos pacientes está o Programa Integrativo Intensivo de Apoio e Revitalização (PRIINTAR). “É um programa que possui seis meses de duração. Começamos com uma roda de cantoria em que nós acolhemos essas pessoas cantando com elas. Em seguida, são realizadas diversas oficinas das práticas integrativas do instituto” explica Tôrres.

Seis mulheres em tratamento contra o câncer cantam em um roda animadas por Paola Torres, que à esquerda, toca uma cavaquinho

O Roda da Vida desenvolve também um programa de formação para agentes comunitários de saúde de práticas integrativas. “Pretendemos capacitar agentes comunitários de saúde. Assim, eles poderão promover as práticas integrativas voltadas à população que tem pouco acesso. Com agentes de saúde treinados, há mais confiança do médico e da população que vai utilizar esses serviços”, diz a especialista.

Medicina integrativa para todos

“A medicina integrativa é a prática médica centrada na pessoa. Temos uma prática de medicina que trata o paciente comercialmente, fazendo apenas o uso de remédios. No entanto, há a medicina integrativa, que alia o melhor da prática médica com o melhor do cuidado voltado para cada indivíduo”, diz Paola Tôrres sobre os dois tipos de medicina que existem atualmente.

“O profissional quando trabalha com as práticas integrativas, seja médico ou não, olha pra para o ser humano que está doente e não para a doença. Usar a medicina integrativa é uma excelente forma de melhorar custos e a atenção à saúde dessas pessoas”. A especialista aponta também que com o conhecimento adequado, não são necessários muitos recursos para trazer alívios e cura para determinadas condições. 

A médica pontua a importância de que essas práticas não pareçam um produto sofisticado e feito apenas para a elite. “Isso deve ser algo simples e precisa oferecido a todos”, completa.

Fotos: Nathalia Kamura


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