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Medicina Integrativa

O resgate do parto normal

Brasil tem a segunda maior taxa de cesarianas do mundo; políticas públicas se esforçam para mudar o quadro.
Bruno Torres
27/09/19

Nove em cada dez partos realizados pela rede privada de saúde no Brasil são cesarianas. Os dados são da pesquisa Nascer no Brasil, coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com diversas instituições científicas do país. A situação é assustadora se considerarmos a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que somente 15% dos partos sejam realizados por meio desse procedimento cirúrgico. Quando somada à rede pública, o Brasil apresenta uma taxa mais baixa, de 52% de cesáreas, porém, ainda assim é a segunda maior do planeta, atrás apenas do Chipre.

Visando transformar essa situação, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) desenvolveu, em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement (IHI), um projeto piloto para promover o parto normal e qualificar os serviços de saúde suplementar. O Acordo de Cooperação Técnica foi selado em São Paulo, no Hospital Albert Einstein, no final de 2014. Estavam presentes na cerimônia de assinatura diretores das três instituições, além do ministro da Saúde, Arthur Chioro, o qual defendeu a redução do alto número de cesáreas nos hospitais brasileiros.

Epidemia de cesáreas

O ministro admite desconforto com os altos índices de cesarianas no país e explica que, além dos problemas relacionados à qualidade de vida, envolve custos desnecessários ao sistema de saúde. “Não é adequada essa taxa que temos hoje. Isso causa problemas respiratórios para as crianças, óbitos pré-natais, mortalidade materna. Nós temos que ter responsabilidade com isso. Fora que cada criança que fica na UTI porque nasceu prematura, que poderia ter nascido a termo, como nós chamamos, cria outras complicações", afirma.

Martha Oliveira, diretora da ANS, destaca que um dos alicerces do programa é a proposta de fornecer informações, por meio de campanhas e dos próprios profissionais de saúde, que possibilitem à gestante fazer melhores escolhas. “Eu tenho certeza que se uma mulher soubesse, na hora de optar pela cesariana, que o bebê corre mais riscos do que se ela não fizesse isso e entrasse em trabalho de parto normal, nós não teríamos essa cultura”, opina.

Além da falta de informação da população, o ambiente que domina as universidades de medicina também é apontado como um dos responsáveis pela manutenção desse cenário. “Hoje a formação é muito mais voltada para o ato cirúrgico. A cesariana salva vidas, é um ato que deve ser preservado, mas como qualquer outra cirurgia, ela precisa ser bem indicada e feita apenas nos momentos certos. Como o treinamento cirúrgico tem sido beneficiado em detrimento do treinamento para o parto normal, isso gera insegurança nos profissionais”, ressalta.

Taxa de disponibilidade

Inúmeros estudos e inclusive textos publicados em sites de hospitais particulares apontam para os benefícios do parto normal para mãe e bebê1. No entanto, no Brasil, o sistema privado paradoxalmente puxa o número de cesarianas para cima. A grande maioria desses procedimentos cirúrgicos é feita com agendamento. Esses procedimentos duram menos tempo e permitem que os médicos marquem para o mesmo dia mais de uma cirurgia – uma cesárea dura aproximadamente 45 minutos, já o parto normal pode durar mais de 8 horas.

Fazer cesáreas permite ao médico atender a gestante sem perder nenhum dia de consultório ou de plantão. No entanto, o principal motivo para a rede privada fazer tantas e desnecessárias cesarianas no Brasil é financeiro. Segundo o Idec, os planos de saúde pagam entre R$ 250 a R$ 300 por parto, não fazendo nenhuma diferenciação entre o parto normal e a cesariana. Em razão disso, torna-se financeiramente mais interessante para os médicos fazer cesáreas e não partos normais.

Parto humanizado

São três os objetivos principais desse projeto: melhorar a saúde dos indivíduos e populações, ampliar a experiência e tonar mais eficiente o cuidado com a saúde. A estratégia consiste no desenvolvimento de novos modelos assistenciais, que poderão ser adequados para às diferentes realidades dos serviços de saúde e das empresas que se inscreverem para participar do programa. A metodologia que será utilizada foi desenvolvida pelo IHI e testada em maternidades particulares do Brasil, com resultados expressivos, como um crescimento de mais de 50% no percentual de partos normais e no aumento da remuneração dos profissionais de saúde envolvidos.

“Essa é uma realidade que precisa ser enfrentada, mas não apenas com uma visão normativa, em que o ministro ou a ANS baixam uma norma dizendo que a partir de agora deve ser assim ou assado, porque isso não funciona. A definição do tipo de parto se dá exatamente no encontro do médico com a gestante. Já o papel dos hospitais e das instituições que prestam serviços é reorganizar as suas práticas assistenciais e de gestão para que possamos ter uma real mudança”, afirma o ministro Artur Chioro.

O acordo entre as instituições é estritamente técnico e não envolve recursos do Governo Federal. A parceria tem duração de três anos e abordará outros temas como o da atenção primária e da rede de atenção à saúde do idoso.


Veja também:
Médico obstetra Eliezer Berenstein fala sobre parto normal e cesárea no Brasil
Cesariana: uma opção de risco
Shantala


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