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Saúde

Como sair do estresse crônico?

A velocidade alucinante das grandes cidades contradiz o ritmo natural do nosso corpo, diz psicóloga
Bruno Torres
27/09/19

É raro encontrar alguém que não tenha passado por alguma situação estressante nos últimos dias. A velocidade alucinante das grandes cidades contradiz o ritmo natural do nosso corpo, que é mais lento e necessita de pausas para descansar. "O problema maior começa quando o estímulo que gerou o estresse cessa, mas a resposta, não", alerta a psicóloga Sandra Taiar. Quando isso acontece, pode-se considerar como um estresse crônico, diz ela. "São muitas as pessoas que vivem num estado de alerta, elas não conseguem relaxar, estão sempre ligadas. É nesse estado que aparecem, por exemplo, os distúrbios do sono", comenta Taiar, que é especialista em psicologia formativa.

Em entrevista exclusiva ao Portal NAMU, Taiar fala sobre como o ritmo da sociedade conflita com o do organismo e explica o passo a passo para sair do estado de estresse crônico.

Você acha que vivemos em uma sociedade estressada? Sandra Taiar: Estressante mais do que estressada. O motivo principal é que nós estamos vivendo uma vertiginosidade que cada vez menos inclui a pausa. Essa sociedade 36 horas por dia impõe um ritmo que se ele se torna o padrão, ele atravessa o do organismo. E os ritmos do organismo são os mesmos da vida em si. E a vida levou bilhões de anos para organizar esse show de sustentabilidade que é a biosfera, ou seja, o que acontece é que o ritmo da produção e da vida social caminha para um lado e o ritmo do organismo está pedindo outra direção.

Em razão disso, nós vemos todas essas manifestações de doenças mentais e físicas e mais ainda as dificuldades nas relações e nas instituições. Nós estamos estressadíssimos e o pior é que correndo de um lado para o outro perdemos a possibilidade de nos perguntar o que realmente importa. Saber para que estamos fazendo tudo isso.

Muitas vezes, nós entramos nesse ritmo para justamente não ter de pensar, porque se nós pensarmos vamos querer parar e mudar os rumos completamente. Eu não sou contra a velocidade, eu acho que ela é maravilhosa, mas esse ritmo incessante sem pausa é que o mais doloroso, difícil e patológico na nossa sociedade. Até as máquinas sabem acelerar e desacelerar, sabem atingir altas velocidades e depois reduzi-las. Será que nós sabemos fazer isso? O ritmo da vida é pulsar. Pulsação é a linguagem do universo, da natureza e dos nossos corpos. O que acontece se você começa a pulsar só numa direção? Muitas pessoas sabem muito bem pulsar para fora, mas na hora de pulsar para dentro, não conseguem. Por isso, nós temos nossas mentes exaustas de fazer a mesma coisa e não saber como fazer diferente.

Esse ritmo está relacionado com a importância que a sociedade atualmente dá para as aparências? Sim. Eu não tenho nada contra as modas, mas se você só fica na superfície, se você não consegue se voltar para profundidade, o sentimento de incompletude ganha força. Se você apenas tem contatos através de “máscaras” é insuficiente. Nós precisamos das máscaras, mas não é possível ficar só nisso. E o que fazemos com a conexão? Na linguagem da psicologia formativa, a conexão é a comunicação que vai de uma profundidade à outra.

O que está acontecendo com as nossas conexões? Com os nossos compromissos com o que realmente importa entre nós e para cada um de nós? Onde estão realmente os nossos valores? Aquilo que realmente faz diferença para vida prosseguir, para vida se ampliar e para cultivarmos a vida. Para mim, o grande valor é a vida, a comunidade da vida, inclusive da vida humana. Sermos humanos com toda plenitude do que é ser humano é o que mais importa.

E você acredita que é possível mudar esse cenário? Acho que sim. Eu penso que nós estamos vivendo um momento muito rico, porque há uma grande multiplicidade. Há espaço para as diferenças, apesar de existir muita intolerância e hegemonia. Existe uma ampliação das possibilidades de inclusão das diferenças e da convivência entre elas. Cada vez mais há um interesse não só por tolerar as diferenças, mas também valorizá-las. A diferença é a base da nossa riqueza humana e da riqueza da biosfera. Nós estamos abrindo espaço para aportar e acolher as singularidades. No entanto, nós podemos perder grupos humanos tradicionais e espécies da fauna e da flora que estão correndo risco de extinção. Estamos vivendo um momento muito paradoxal.

Para sair do estresse, você precisa reconhecer seus padrões de respostas e tirá-los do automático

Em algum outro modelo social foi possível viver de maneira menos estressante? Eu acho que nós tendemos a idealizar o passado. Por exemplo, estamos tentando resgatar as tradições indígenas nas quais o homem estava mais inserido na comunidade da vida, tinha um contato maior com a natureza. E valores desses povos mais antigos ainda fazem muito sentido para nós, porque trazem uma contrapartida a essa forma vertiginosa que nós estamos vivendo. Eu não acredito em nenhum modelo social perfeito, mas nós podemos olhar para outros momentos da história e colher boas fontes de inspiração.

Pode-se dizer que muitas pessoas estão o tempo todo estressadas. Que tipo de estresse é esse? O estresse crônico. Na verdade, o estresse é um dispositivo, ou seja, um conjunto de recursos que foram desenvolvidos através da evolução para ajudar humanos e animais a sair de situações de emergência. Esses dispositivos são muito bem elaborados e nós soubemos fazer um uso muito interessante desses recursos. O estresse é uma resposta para situações de emergência e sua finalidade é preservar a vida.

Por isso, ele otimiza nossas capacidades como o raciocínio e o uso da nossa musculatura. Ele otimiza o funcionamento de todo o corpo e faz com que nosso desempenho seja mais apropriado. O problema é quando o estímulo da emergência cessa e a resposta de estresse não. Quando esse dispositivo não desarma, você entra no estresse crônico e aquilo que era para salvamento vira uma operação de desgaste. Muitas pessoas vivem num estado de alerta, elas não conseguem desarticular, estão sempre ligadas. É nesse estado que aparecem, por exemplo, os distúrbios do sono.

Como sair disso? Você precisa se conhecer e conhecer suas experiências. Na psicologia formativa nós dizemos que os nossos corpos são alimentados pelas nossas experiências. Ao mesmo tempo em que nós temos toda essa herança da evolução, pois temos um cérebro altamente desenvolvido para criar novas soluções para as situações que a vida vai trazendo, nós temos a possibilidade de nos autorregularmos.

É possível se autorregular e se tornar uma pessoa menos estressada?

Nós já trazemos a autorregulação conosco, a vida se autorregula, mas você também pode se manejar, isso é o automanejo. Você precisa se conhecer e saber como você pulsa e como você se organiza, porque se você souber o que acontece, você pode aprender a desfazer. Desfazendo essa forma pronta, você vai conseguir se reorganizar de outra forma. É assim que funciona em toda a natureza. Nós podemos criar novas respostas, pois nós somos extremamente plásticos e criativos. Mas nós temos que ter acesso a esses mecanismos automáticos, normalmente nós não pensamos para nos defender, por isso temos de aprender a pensar antes e ficarmos livres para agir de outras formas, não só daquele jeito que já estamos acostumados.

Você precisa se conhecer e saber como você pulsa e como você se organiza, porque se você souber o que acontece, você pode aprender a desfazer. Desfazendo essa forma pronta, você vai conseguir se reorganizar de outra forma.

O processo de saída do estresse, na linha que eu trabalho, é basicamente você reconhecer os seus padrões de respostas e tirá-los do automático usando a metodologia dos cinco passos. O primeiro é reconhecer o que é; o segundo, perceber como isso que está acontecendo se organiza no seu corpo; o terceiro, analisar como você pode mover a estrutura que você reconheceu; o quarto passo é a pausa, ou seja, conseguir parar aquele padrão e deixar as forças criativas elaborarem novas repostas; e o último é colher tudo o que veio desse processo.

Para quem não conhece a psicologia formativa, no que ela se baseia? A teoria do processo formativo foi desenvolvida por Stanley Kellemam e basicamente ela traz que nós somos esse processo vivo capaz de criar novas formas de viver, amar, pensar e agir. E da mesma forma que somos capazes de criar, nós nos envolvemos com processos automático.

Foto: Marina Fontanelli; Sodanie Chea / Flickr: Stressed / CC BY 2.0


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