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Saúde

Toda psicoterapia é regressiva?

Revisitar vivências do passado é matéria-prima para diferentes linhas da psicologia
Bruno Torres
22/06/15
Seriam as psicoterapias regressivas? A questão da regressão sempre esteve ligada aos processos psicológicos, de ritos dos pajés aos confessionários, chegando às terapias atuais, como, por exemplo, a psicanálise freudiana ou a psicologia analítica, esta criada por Jung.  Do contato com antepassados às lembranças infantis, será que terapia consiste sempre em voltar?  Seria o passado a matéria-prima a ser lapidada no divã?

Psicanálise

No caso da psicanálise, por definição, os registros inconscientes infantis determinam boa parte das escolhas do sujeito adulto. O engano comum é achar que o acesso consciente aos acontecimentos da primeira infância tem efeito curativo, como quem altera o roteiro de um filme. É na relação com o psicanalista que o paciente repetirá os comportamentos de sua meninice, sem ter consciência do que faz. Esta é a matéria-prima na qual o psicanalista atua. A intervenção se dá no presente, embora o sintoma tenha se originado antes. Isto Freud explanou em toda sua obra, com destaque para “Repetir, Elaborar e Contar” e “Mais Além do Princípio do Prazer”, entre outras. Quando se fala tecnicamente, a palavra regressão, para a psicanálise, tem sentido diverso do uso comum: para os seguidores de Freud, regredir pode dizer respeito a um comportamento diferente do esperado para idade ou maturidade do sujeito, como a criança de 5 anos que volta a fazer xixi na cama assim que nasce o irmãozinho. Aqui o regredir tem um sentido mais complexo que o de apenas voltar. A associação entre psicoterapia e etapas pregressas da vida ganhou destaque com a popularização da psicanálise na cultura em geral, notadamente via cinema e imprensa, a partir dos anos 1950. Um exemplo de cineasta popular ainda vivo que explora de forma cômica a relação neuroses e memórias infantis é Woody Allen.

Psicologia Analítica

Jung, fundador da psicologia analítica e até 1913 um seguidor de Freud, fala em regressão como processo contrário à progressão da energia psíquica, que são as “experiências cotidianas promotoras da adaptação psicológica do indivíduo” (1). Para ele, a regressão, entre outras coisas, pode colocar-nos em contato com os arquétipos, conteúdos imagísticos herdados e comuns à humanidade. Jung ressalta ainda que progressão e regressão não devem ser confundidas com extroversão e introversão, pois ambos os processos podem ocorrer de forma extrovertida ou introvertida. Os dois processos seriam análogos ao fluxo e refluxo das marés.

Psicoterapia cognitivo-comportamental

Já na psicoterapia cognitivo-comportamental há o conceito de modelagem, que é o processo no qual o repertório comportamental da pessoa é moldado através de premiações ou punições materiais ou simbólicas de certas atitudes pelos pais e ambiente social. O sorriso e a repreensão são os exemplos mais comuns de comportamentos adultos modeladores dos infantis. Portanto, os psicoterapeutas comportamentais que se dispõem a ajudar o paciente na alteração posturas que lhes são prejudiciais, de alguma forma trabalham com conteúdos pregressos. Se regredir é voltar, aqui também a resposta é sim, há regressão.

Psicologia humanista

No caso da psicologia humanista, voltar é inerente à técnica, notadamente na prática clínica. Carl Rogers, um de seus fundadores, preconizava que a modificação de atitudes sobre si mesmo como parte do processo de amadurecimento, do tornar-se pessoa. (2) Ajustar-se melhor à realidade implica em modificações de características pessoais prejudiciais para comportamentos mais realistas. Modificar sempre parte de um antes, um regresso. Outro reforço à hipótese da regressão na terapia rogeriana é que seu nascimento tenta aliar psicanálise e psicologia comportamental, já pontuadas acima.

Terapia de Vidas Passadas

Partindo da hipnose, o psicólogo Morris Netherton desenvolveu, no final dos anos 1960, a Past Life Therapy (Terapia das Vidas Passadas), que inclui a aceitação da tese das vidas passadas em seu constructo teórico. Sua proposição está em fazer o paciente regredir hipnoticamente ao núcleo inconsciente do trauma causador do sofrimento psíquico ou físico. No livro “Vida Passada. Uma abordagem psicoterápica” (Grupo Editorial Summus, 1997), Netherton usa de casos para defender suas ideias. A terapia de vidas passadas não é reconhecida como prática oficial pela maioria dos conselhos de psicologia. Embora a hipnose tenha participado da gênese da psicanálise e seja amplamente reconhecida como técnica útil, a admissão de reencarnação e o foco na espiritualidade são os principais alvos dos críticos de Netherton. Controvérsias à parte, a terapia de vidas passadas é o método psicoterápico com maior foco regressivo. Aqui a regressão e técnica se confundem. O que é regredir? Se considerarmos a definição do dicionário Houaiss, na qual regressão psicológica é o “retorno a fases ou estágios já percorridos no desenvolvimento de um indivíduo, em situações acrescidas de estresse ou que comportam conflitos internos e externos”, as principais terapias citadas abarcam elementos regressivos. Mudam os métodos e a escala. Toda terapia funciona no hoje, que é reflexo do ontem. Alguma coisa levou a pessoa ao consultório, seja curiosidade, seja um sofrimento que pede resolução. Como este ontem é trabalhado dependerá de cada escola, mais ainda, do manejo de cada terapeuta e da individualidade de cada paciente.  Olhar para dentro de si mesmo é voltar, não importa a técnica. Por sinal, como foi a sua semana?

Fotos: Valentina Gabusi / Thinkstock; Hartwig HKD / Future / CC BY-ND 2.0​


Veja também: Psicoterapia e a expressão do ser Meditação transcendental para traumas Como fica o cérebro no estado de transe

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