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Cidades

Copo descartável também gasta água

Vistos como alternativa para redução do consumo, eles também demandam muitos recursos para serem produzidos
Bruno Torres
27/09/19

Quem vive na capital paulista ou em alguma outra cidade brasileira onde a crise da água está realmente crítica já deve ter notado: muitos bares, padarias e restaurantes estão substituindo pratos, copos e até talheres duráveis por material descartável. A intenção é economizar água ao deixar de lavar a louça e outros utensílios de cozinha.

Muitos estabelecimentos da área de alimentação colocaram cartazes, patrocinados pelos distribuidores de produtos descartáveis, afirmando à clientela que se trata de uma medida para economizar água e contribuir com a preservação dos mananciais. Até mesmo refeitórios de grandes e médias empresas estão aderindo à medida.

A economia de água nos comércios seria ideal com a diminuição da lavagem dos utensílios de cozinha. Mas quais são os efeitos colaterais da utilização de todo esse material descartável? Em primeiro lugar, esses objetos descartáveis não são produzidos a seco. Ao contrário, demandam muita água durante seu processo de fabricação. Um simples copo feito de poliestireno ou polipropileno – daqueles que se usa, em geral, uma vez e depois vai para o lixo – consome cerca de 500 mililitros de água. Parece pouco, mas é apenas em sua na fase de sua produção. Em seguida, esse copo precisa ser resfriado. Isso consome muita água. Também se gasta água para resfriar a máquina que o molda. Nessas etapas são consumidos 3,1 litros por unidade. Durante o processo de fabricação dos copos, muitas empresas empregam um sistema de recirculação da água nos equipamentos, mas ainda assim há perdas significativas em vazamentos e evaporação.

A cadeia produtiva desses utensílios, entretanto, não se limita apenas a essas duas fases. É importante notar que todo processo de fabricação causa o que se chama “pegada ambiental”, que é o impacto de um produto no meio ambiente em durante seu ciclo de vida. Isso envolve a retirada da matéria-prima, no caso o plástico derivado do petróleo e a energia elétrica usada na fabricação, que no Brasil tem sua matriz quase toda hídrica.

Todo esse material depois precisa ser transportado até centros de distribuição e, por fim, aos estabelecimentos comerciais. Há um gasto considerável de combustível em caminhões e utilitários, além de outras consequências indiretas, como maiores congestionamentos e maior poluição atmosférica.

Por fim, há a questão dos resíduos. No final do dia, todos os elementos descartáveis estarão em imensos sacos de lixo colocados na calçada. Seria ótimo se todos fossem reciclados, mas mesmo o processo de reciclagem também consome muita água. Como a reciclagem de materiais em larga escala ainda não é uma realidade no Brasil, muito desse material vai parar em lixões e aterros sanitários.

Em suma, é importante que a cultura do descartável seja combatida com todas as forças. No mundo atual em que os recursos naturais, como a água potável, estão quase exauridos, usar produtos supérfluos com a desculpa de economizar água está longe de resolver o problema.

Quando se fala em sustentabilidade, não é possível olhar apenas para o próprio umbigo em uma solução aparentemente perfeita e deixar de observar todo o processo.

Foto: Twentyfour Students / Flickr: Wasting plastic cups - Mara / CC BY-SA 2.0


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