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Cidades

No Brasil, esgoto é artigo de luxo

Nas 100 maiores cidades do país, os resíduos jogados por dia no meio ambiente chegam a 7,5 bilhões de litros
Bruno Torres
27/09/19

O Instituto Trata Brasil divulgou uma pesquisa nada alentadora para os brasileiros. Em seu Ranking do Saneamento 2014, a organização não governamental expõe a situação de saneamento básico de 100 cidades brasileiras com mais de 250 mil habitantes. E a coisa cheira mal. Do total, 55 dessas cidades cuidam de menos de 40% dos seus esgoto. Outra conclusão alarmante: metade do volume de esgoto de São Paulo e Rio de Janeiro, as cidades mais ricas do país, ainda é despejado in natura em rios, córregos, lagos e até mesmo no solo.

Mais: em todos os 100 municípios a quantidade diária de esgoto não tratados chega a quase três mil piscinas olímpicas. É uma quantidade gigantesca se considerarmos que uma piscina olímpica tem capacidade para comportar 2,5 milhões de litros. Nada menos que seis cidades simplesmente não têm qualquer tratamento de esgoto. Entre elas estão duas capitais, Cuiabá e Porto Velho.

Entenda-se por saneamento básico não só a coleta e tratamento de esgoto, mas também o abastecimento de água potável. É um dos serviços públicos mais relevantes para garantir a qualidade de vida e de saúde de milhões de pessoas que moram nas grandes cidades. Em tempos de mudanças climáticas e escassez de água, o descaso com os recursos hídricos do país é algo muito preocupante.

De acordo com o relatório do Trata Brasil, 34 das grandes cidades pesquisadas não tem, sequer, algum projeto relativo ao assunto. Houve tempo e legislação adequada para planejá-los. O chamado Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) é uma obrigação das prefeituras desde 2007. Trata-se da lei federal 11.445/07 criada justamente com o intuito de estabelecer diretrizes para o saneamento adequado. Nele estão incluídos também o monitoramento do abastecimento de água - além do controle das perdas por vazamentos e ligações clandestinas –, a limpeza urbana e a coleta seletiva de resíduos sólidos para reciclagem. Com isso, espera-se que o Brasil consiga, enfim, a universalização dos serviços de coleta e tratamento de esgoto, bem como do abastecimento urbano.

Infelizmente estamos longe de alcançar essa meta, principalmente no Norte e Nordeste do Brasil. O ranking da ONG dá conta de que as cidades dessas regiões são as que têm as piores avaliações. Das vinte melhores cidades, 11 estão no estado de São Paulo, três em Minas Gerais, quatro no Paraná e duas no Rio de Janeiro. Na classificação geral, a cidade paulista de Franca figura em primeiro lugar em saneamento básico. Segue-se a paranaense Maringá e outra paulista, Limeira. Santos, no litoral de São Paulo, é a única cidade avaliada com 100% de tratamento de sua rede de esgoto.

O Ranking do Saneamento 2014 do Instituto Trata Brasil foi feito com base no Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS) do Ministério das Cidades, de 2012. O documento contém informações importantíssimas que devem ser levadas em conta pelos brasileiros nesse ano de eleições. O documento escancara o descaso de políticos e governantes com uma questão que deveria ser prioridade máxima de um país que tem sérias metas de desenvolvimento.

Foto: Fernando da Veiga Pessoa / Flickr: GeoNando / CC BY 2.0


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