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Por uma mídia mais democrática

Projetos sociais que buscam ampliar o acesso ao conhecimento são tema de debate na Virada Sustentável
Bruno Torres
04/12/15

As barreiras enfrentadas pela comunicação no Brasil se relacionam diretamente com a questão da sustentabilidade. O acesso às ferramentas de transmissão de conhecimento possibilitam maiores oportunidades e ampliam os olhares sobre estereótipos. O debate entre opiniões plurais também é uma forma de quebrar tabus e combater preconceitos. Tudo isso faz parte da construção de um mundo mais sustentável.

Pessoas interessadas em escutar novas propostas dentro desse tema participaram dos encontros da série chamada ContAí, que fez parte da programação da Virada Sustentável. Algumas atividades aconteceram no Impact Hub São Paulo, na Vila Madalena, entre elas a roda de conversa "Comunicação e Sustentabilidade".

Jovens debatedores como Nina Liesenberg, André Deak e Felipe Lavignatti e Tati Ivanovici colocaram em debate o conceito de sustentabilidade pelas novas formas de acessibilidade à cultura e às artes no domínio público e na periferia. Personagens que escolheram fazer algo a mais e mudar a realidade onde vivem apresentaram iniciativas e projetos que deram certo em busca de um país com mais igualdade social. A teoria de que as ideias não obedecem fronteiras e, quando elas ganham o mundo, a única coisa capaz de detê-las são ideias mais fortes, fortaleceu o sentido da discussão.

O debate entre opiniões plurais também é uma forma de quebrar tabus e combater preconceitos

Nina Liesenberg, coordenadora de comunicação do centro cultural independente Matilha Cultural, conta que, no momento, a iniciativa se dedica à proteção animal, cultura e sustentabilidade, além de ser um espaço de convivência. Para Nina, a sustentabilidade é algo que perdura. "Sustentável é o que fortalece."

Estereótipos raciais

Para a empreendedora e articuladora cultural Tati Ivanovici, existem ainda muitas barreiras que devemos superar. Ela afirma que há hoje na comunicação brasileira um Brasil imaginário, de olho azul e europeu. “Você tem uma campanha de cerveja, com uma roda de samba, cerveja e não tem o negro. Temos uma das maiores populações de afrodescendentes do mundo e isso é negligenciado. Se uma mulher aparecer com um cabelo black power para fazer uma reunião, ela não estará conforme a ‘etiqueta corporativa’. Há uma comunicação estereotipada”, condena Ivanovici.

Tati também fala sobre a “personificação”, muita vez equivocada, dada por diferentes tipos de mídia para a figura do negro." No programa Esquenta, da Rede Globo, por exemplo, você não vê nenhum cara ou mulher normal de periferia. E isso não é a minha opinião, é opinião de jovens moradores da periferia que hoje têm pensamento crítico e vêem os personagens estereotipados ali. Ou é a artista ou é o jogador de futebol, mas não tem o empresário, o estudante. A Globo fez uma série de pesquisas para entender os valores de periferia. O próprio personagem Tufão da novela Avenida Brasil, é fruto dessas pesquisas, é o cara que venceu na vida e não abandonou a quebrada. Eu trabalho com vários 'Tufões', pessoas formadas em administração, por exemplo, que venceram, mas não abandonaram as raízes", analisa.

Para ampliar a discussão do tema, confira o vídeo produzido em 2012 para a campanha Para Expressar a Liberdade.

Somos todos iguais

Atualmente, ela lidera o projeto “DoLadoDeCá”, portal em que são divulgados talentos e iniciativas culturais periféricas, além de assuntos que dizem respeito ao cotidiano e ao universo do entretenimento popular. Tati tem uma empresa que ajuda a estabelecer uma relação entre companhias privadas e comunidades. “Hoje, nós somos uma grande plataforma que trabalha diretamente com a periferia”, explica. "O movimento é considerado pela comunicadora como uma missão, um modelo de negócios e de vida. "Em apenas um case de ativação de marca na periferia, dentro da lógica de negócio do 'Progresso Compartilhado', impactamos quase 100 mil pessoas, dezenas de eventos e geramos renda direta pra 130 pessoas", comenta.

A trajetória de Tati é impressionante. Moradora de Mogi das Cruzes, periferia da zona leste, conseguiu conquistar um lugar 'no mercado de comunicação'. Porém, entrar nesse meio não foi fácil, conforme seu relato: “virei meio que uma expert no conteúdo de periferia. Com 18 anos, já escrevia para o jornal Folha de S. Paulo sobre rap, sem saber o que era um lead. Aprendi na raça, correndo o risco de perder o meu ganha-pão e não conseguir pagar meu aluguel. Dirigi o programa Yo! MTV Raps por anos, mas encontrei a minha veia de negócios e entendi o que queria em uma sessão de coaching”, conta.

Com base em um modelo único de negócios, Tati deixa bem claro que luta pela derrubada de paradigmas e preconceitos por parte das empresas privadas ao ajudá-las a definir medidas estratégicas para conversar com a favela. "Quando realizamos imersões e pesquisas juntamente com as empresas, nós deixamos todos os sociólogos e ‘ólogos’ de lado porque não precisamos a todo instante de uma avaliação de como o cara da classe C ou da periferia é. A primeira coisa que consideramos, é que somos todos humanos", destaca.

Entre outras atuações empresariais importantes para a sociedade periférica, a Ivanovici criou a iniciativa Força Transformadora, concurso cultural realizado na comunidade de Heliópolis em parceria com uma empresa multinacional, em que o vencedor recebia uma transformação e/ou reforma em seu salão de beleza no valor de R$ 10.000.

Dê um like e ganhe um livro

Hoje não é preciso sair de casa para conquistar o mundo. Essa é a ideia de André Deak, professor, produtor de jornalismo multimídia, consultor de comunicação digital e criador do site Jornalismodigital.org, e Felipe Lavignatti, também professor e jornalista, produtor multimídia. Ambos criaram o Liquid Media Laab, um hub (rede on-line) especializado em idealizar e implementar projetos de comunicação digital para experiências de convergências entre cultura, comunicação, tecnologia e transformação voltadas para melhorar a sociedade.

Eles são os criadores do livro 200+ da Arquitetura, que fez o mapeamento das duzentas principais obras arquitetônicas presentes em 12 capitais do país.

Todo o conteúdo do livro permite a cópia e distribuição livres. Para conseguir um, basta entrar no site Architech | 200+ Arquitetura brasileira e trocar uma versão digital da obra por um like na fan page do Liquid Media Lab.

“Além da preocupação em compartilhar conhecimento e conteúdo, todas as fotos são de profissionais de cada cidade e estimulam também a economia e a cultura local. A gente tira centenas de fotografias que aparecem mais tarde em livros didáticos. Pela primeira vez, os livros têm fotos de obras de arte”, destaca Deak. “A ideia é que os interessados em arquitetura possam identificar rotas, criar roteiros e compartilhar cada ponto, ou mesmo acrescentar novas obras ao acervo numa versão participativa”, completa Lavignatti .

A mais conhecida iniciativa da dupla é a Arte Fora do Museu, selecionada pela Bolsa Funarte de Reflexão Crítica e Produção Cultural para Internet em 2010. O projeto, lançado em São Paulo, mapeou obras de arte no espaço público da cidade. Em menos de dois anos, o alcance da marca criada por Deak e Lavignatti chegou a um público de mais de 10 milhões de pessoas, com exposições em diversos canais de TV, jornais e revistas.

Saiba mais sobre o que rolou no evento:

São Paulo foi a anfitriã da Virada Sustentável deste ano, que aconteceu entre os dias 28 e 31 de agosto. A premiação do evento contemplou projetos com visões inovadoras sobre o tema da sustentabilidade, além de promover palestras e debates pelos direitos humanos, inclusão social e redução de desigualdades econômicas, políticas e sociais no Brasil. O Portal NAMU participou da cobertura.


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