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Gerais

Skate candidata-se a alternativa de transporte

Jovens aliam rodinhas ao transporte público para driblar o trânsito
Bruno Torres
06/03/15

O trânsito é um problema em qualquer grande cidade do planeta e o uso de transportes não motorizados tem sido cada vez mais difundido no espaço urbano. O mais popular no momento é a bicicleta, mas há quem prefira rodinhas menores, como os estudantes Rodrigo Moreno, 21 anos, e Francisco Carlos, 24, que moram em São Paulo. Juntamente com o transporte público, é o skate que os leva todo dia de casa para o trabalho e de volta. “O meu carro não polui”, diz  Carlos.

Para os que se sentem à vontade sobre um skate, o que pode depender tanto da idade quanto de um espírito mais aventureiro, a vantagem é a portabilidade. Os dois estudantes aliam skate e metrô para ir ao trabalho. “Gasto o mesmo tempo que gastaria de ônibus, só que eu não tenho de pagar”, elogia Moreno. “Não é preciso amarrar o skate ao poste ou ter horário certo para entrar no metrô, como acontece com a bicicleta. Posso leva-lo nas costas, preso à mochila, e pegar ônibus.”

Tendência

O skate já é visto como meio de transporte em várias cidade no mundo. Em Portland, no Estados unidos, além de ciclovias, existem também rotas de skate cortando a cidade. Em Lyon, na França, há uma extensa via de locomoção de veículos não motorizados à beira do rio Ródano, na qual pedestres dividem o espaço com bicicletas, patinetes, patins e skates. Em Nova Iorque, a ciclovia do Rio Hudson é um exemplo de que as ciclovias podem acolher outros veículos não motorizados além da bicicleta.

Já no Brasil a prática ainda não está tão difundida. Na cidade do Rio de Janeiro, a prefeitura já deu orientações para que skatistas não usem as ciclofaixas; em São Paulo, não é bem visto utilizar qualquer veículo além de bicicletas na ciclovia do rio Pinheiros. Na região sudeste, se diferencia somente Vitória, que afirmou no começo de janeiro que skates e patins deveriam compartilhar a ciclofaixa com as bicicletas.


Francisco Carlos (à esquerda) e Rodrigo Moreno usam o skate para se locomover por São Paulo

Mais veloz que um carro

No Desafio Intermodal 2012 – uma prova para descobrir qual meio de transporte é mais rápido em horário/trecho de maior congestionamento, várias pessoas realizaram a mesma viagem em diferentes veículos. O skate não participou do evento em algumas cidades, mas onde participou, como em São Paulo e Brasília, teve resultados semelhantes ao das bicicletas e dos patins - e foi sempre mais eficiente do que os carros.

Não obstante, o skate não aparece como veículo na lista do Código Nacional de Trânsito. A assessoria de imprensa da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) divulga que o uso do skate como meio de transporte gera "risco à segurança não só do skatista, mas também à dos motoristas, motociclistas e pedestres".

Para o estudante Carlos, adepto do skate, ele deveria ser considerado um meio de transporte: “O que falta é criar vias onde o skate possa ser usado com segurança.”

Cidades para pessoas

Jan Gehl é um arquiteto dinamarquês que inventou o conceito de “livable city” (cidades para pessoas), um ideal de planejamento urbano que visa trasnformar a cidade em um espaço mais agradável para seus moradores. Um dos pontos principais, quando se trata de mobilidade urbana, é dar preferência aos pedestres, ciclistas e outros meios não motorizados de transporte.

Jeff Risom, parte da equipe de Gehl, afirma que os veículos não motorizados ocupam menos espaço, poluem menos, fazem com que seus usuários se exercitem, precisam de infraestrutura mais barata e abrem espaço nas ruas para os motoristas que realmente precisam se locomover de carro. O uso do skate é também um benefício para a cidade.

De acordo com estes urbanistas e com os jovens que se acostumaram a circular pelos grandes centros urbanos em duas rodinhas, o ideal seria integrar o skate à ciclovia, mais segura e plana do que as ruas.


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